17/12/2010 19h32 - Atualizado em 14/07/2011 07h08

iPad x Galaxy Tab: e o melhor tablet do ano é...

Beline Cidral
por
Para o TechTudo

Antes de tomar uma decisão de compra entre o iPad e o Galaxy Tab, a primeira coisa que você deve se perguntar é: pra que mesmo eu quero um tablet? Depois de responder esta pergunta você estará mais bem preparado para entender cada ponto destes dois fantásticos dispositivos e decidir qual deles cumprirá melhor com as suas tarefas.

Entre a equipe do TechTudo não há unanimidade, e nós imaginamos que isso se repete em qualquer lugar, porque as diferenças não estão apenas nas configurações de hardware ou software, mas sim em como essa combinação resulta em uma experiência melhor para cada tipo de usuário. É exatamente isso que vamos tentar entender e analisar neste comparativo que preparamos para nossos leitores.

Qual o tablet do ano, iPad ou Galaxy Tab? Que vença o melhor!

iPad x Galaxy TabiPad x Galaxy Tab (Foto: Reprodução)

Tela

A primeira diferença óbvia entre Galaxy Tab e iPad é o tamanho da tela, o Tab tem uma tela de 7 polegadas contra 9.7 polegadas do iPad. Além das dimensões da tela, temos outra diferença, a resolução de cada uma, 1024x768 pixels no caso do iPad contra 1024x600 pixels no caso do Galaxy Tab. Ao dividir a quantidade de pixels pelas polegadas de cada tela, encontramos um número mais realista para analisar a melhor resolução, o que não significa necessariamente uma tela melhor.

Analisando as duas telas com mais cuidado encontramos outras peculiaridades, enquanto a luminosidade do tablet da Samsung atinge 83% com taxa de contraste de 466:1 e brilho médio de 295,2 cd/m2 , a Apple consegue 90% de luminosidade, 778:1 taxa de contraste e 286.6 cd/m2 de brilho médio no iPad.

Em ambos aparelhos o reflexo é um grande incomodo, porém com seu brilho maior o Galaxy Tab sofre menos com o problema, embora o sensor de luminosidade esteja localizado em um ponto fácil de ser coberto pelo dedo, o que pode colocar tudo a perder. Enquanto o iPad reproduz melhor as cores, o Galaxy Tab apresenta menos distorção quando visto de ângulos muito fechados, mas isto na prática não faz tanta diferença.

iPad 3GiPad 3G (Foto: Divulgação)

Design

A Apple tem excelentes designers em seu time e continua agradando tanto o seu público cativo quanto novos usuários curiosos. O iPad apresenta o clássico desenho minimalista e simples, com grande tela na frente, bordas arredondadas e ângulos inclinados na parte de trás.

O seu peso é um problema, pois as 730 gramas da versão 3G com 64GB dificultam o uso com uma única mão, mas mesmo assim ele é bem mais leve do que muitos netbooks, e conta com uma boa proporção entre peso e tamanho. O acabamento é impecável, a tela conta com revestimento “anti-gordura” e é bem fácil de limpar, sem falar que todas as partes são sólidas e resistentes, inclusive a traseira em alumínio.

A Samsung optou por usar plástico no Galaxy Tab, e embora ele conte com um bom acabamento, o material barato deixa muito a desejar em relação ao alumínio do seu concorrente. A parte traseira na cor branca ganha marcas e arranhões com facilidade, portanto o uso de um case é recomendável. Embora pareça ser mais grosso do que o iPad, o tablet da Samsung é um milímetro mais fino, além de ser muito mais leve, pesando 380 gramas.

Samsung Galaxy TabSamsung Galaxy Tab (Foto: Divulgação)

Teclado

O excelente teclado Swype não funciona tão bem no Galaxy Tab como em celulares por um motivo muito simples, usar uma única mão para deslizar de um lado a outro em uma tela de 7 polegadas é algo bem complicado, e ao usar as duas mãos você vai acabar fazendo vários erros de digitação. A melhor solução por hora, embora ainda longe de ser satisfatória, é o QWERTY nativo da Samsung. O ideal é pesquisar um pouco e ver qual dos vários teclados externos disponíveis no mercado pode funcionar melhor para você.

Enquanto isto a Apple repete a fórmula de sucesso do teclado touchscreen do iPhone e iPod Touch. Se digitar no iPhone já não era problema, escrever no iPad é uma tarefa bem mais agradável e fácil do que você pode imaginar, graças ao tamanho, a interface intuitiva, e a todos os recursos e facilidades que alguém poderia pensar para um teclado virtual. Mas tudo tem limite, e mesmo com uma tela destas proporções, se você precisar escrever textos longos é melhor optar por um teclado externo Bluetooth.

Além dos limites da tela temos os tradicionais 4 botões do Android no Galaxy Tab e o clássico botão único no iPad, a diferença é que o botão do iPad é físico enquanto os do Tab são sensíveis ao toque.

Câmeras

Não é provocação, mas ao que tudo indica dispositivos portáteis com acesso à Internet terão ao menos uma câmera num futuro não muito distante, pelo menos é o que mostram as estatísticas em celulares, smartphones, laptops, netbooks e tablets, claro.

Neste quesito o Galaxy Tab vence de goleada, pois possui duas câmeras, a principal fica na parte de trás e conta com 3.2 megapixels (2048x1536), foco automático e um flash LED que não é lá muito eficiente. Não faz muito sentido usar este tipo de dispositivo para tirar fotos, mas se for necessário ele dará conta do recado, ainda que com algumas limitações. Apesar da qualidade da imagem não decepcionar, ela continua a ser inferior a muitas câmeras compactas e alguns celulares. A câmera frontal de 1.3 megapixels para chamadas em vídeo é uma verdadeira mão na roda.

Quanto ao iPad, acho que não preciso nem dizer que ele não tem nenhuma câmera, não é?

Processador, memória e armazenamento

Apesar de todas as especulações feitas antes do lançamento, o Galaxy Tab “brasileiro” vem com processador Cortex A8 de 1 GHz (não 1.2GHZ), 512MB de memória e 16 ou 32GB de armazenamento interno que pode ser expandido em mais 32GB via cartão de memória MicroSD. Já o iPad conta com processador Apple A4, baseado no mesmo núcleo Cortex A8 de 1GHz, só que com 256MB DRAM e armazenamento interno de 16, 32 ou 64GB (que não pode ser expandido).


Aplicativos

A tendência é que aplicativos muito populares em uma plataforma ganhem versões para outros sistemas operacionais. Usuários de iPad podem até reclamar que a Apple censura aplicativos, mas elogiam a inteligência da AppStore, que é a “única” alternativa, mas pelo menos funciona. Para aqueles que optarem pelo Tab, o Android Market pode ainda deixar a desejar, mas o seu potencial é muito grande. No final, ambos estão bem servidos, e a escolha depende do gosto de cada pessoa.


Sistema Operacional

Novamente uma questão de circunstância e gosto. O iOS 4 é prático, intuitivo, seguro, robusto, bonito, rápido e tudo mais que você possa pensar em um sistema operacional mobile. Usuários de outros dispositivos da Apple vão se sentir em casa, mas usuários de Windows, podem se ficar mais à vontade com o Android 2.2. Embora este sistema não esteja otimizado para tablets, ele vai rodar a maioria dos aplicativos úteis disponíveis sem problemas.


Entretenimento

Quando a Apple lançou o primeiro iPhone choveram criticas, e pequenos detalhes  ofuscaram um pouco o brilho desta grande “invenção”, mas com as novas versões o iPhone foi superando suas deficiências, e o iPhone 4 assume com todo os méritos um lugar de destaque no mercado de smartphones. O iPad foi outro lançamento que revolucionou o mercado, nos fazendo reavaliar nossos conceitos em mobilidade, convergência e usabilidade. O produto em si era tão espetacular que a Apple se deu ao luxo de refazer o trajeto do irmão menor. Com os rumores a respeito do iPad 2 pode-se imaginar que muita coisa será diferente, mas o que temos agora é um tablet sem câmera, sem suporte a Flash, sem expansão de memória e que só aceita vídeos no formato MPEG 4. Mesmo com estas limitações é sensacional ler jornais, livros e quadrinhos, além de assistir filmes e jogar num iPad.

Por outro lado ficou fácil para a Samsung compensar a tela menor e proporcionar uma experiência única em entretenimento. O Galaxy Tab tem duas câmeras, pode rodar Flash 10.1, entende inúmeros formatos de mídia, aceita cartões MicroSD e a versão brasileira ainda conta com TV analógica e digital, o que é um grande diferencial. Por outro lado o conteúdo disponibilizado no Galaxy Tab é muito inferior em comparação ao iPad, principalmente jornais eletrônicos e produtos desenvolvidos especialmente para tablets (o que é culpa dos desenvolvedores, em ambas as pontas).


Trabalho

Cabe dizer aqui que, grosso modo, o tablet da Samsung está mais para smatphone enquanto o da Apple se aproxima mais de um netbook, embora os projetistas de Cupertino tenha justamente quebrado este conceito de “computador menor”. Dito isto, é mais fácil trabalhar num laptop do que em um celular e o iPad não foge a regra. Os aplicativos de produtividade fazem mais sentido na tela de 10 polegadas. Com um dock de teclado o iPad permite fazer muito mais do que se espera de um tablet. Mas nada que o Galaxy Tab também não faça, ainda que um pouco mais lento e com mais dificuldade.

Conectividade

Um dos recursos importantes, polêmicos e curiosos do tablet da Samsung é a trivial chamada de voz. Provavelmente os engenheiros não pensaram em alguém com um objeto de 7 polegadas no ouvido no meio da rua, mas o recurso acaba sendo útil e um headset Bluetooh faz todo sentido. O aparelho não seria menos sem fazer ligações, mas já que faz acaba ganhando um ponto. Temos então um dispositivo quadribanda EDGE, GPRS, HSDPA (até 7,2 MBit/s), HSUPA (até 5,76 MBit/s) e UMTS, mais A-GPS, Bluetooh 3.0 e Wi-Fi 802.11b/g/n. O Galaxy Tab tem também a vantagem de poder ser usado como hotspot wireless, para compartilhar a conexão 3G via Wi-Fi, recurso não disponível no tablet da Apple.

O iPad não faz ligações (o que não chega a ser um problema) e além da conectividade Wi-Fi também conta com Bluetooth 2.1+EDR, embora a versão do iOS não seja compatível com todos os perfis Bluetooth. A versão 3G ainda dispõe de um modem UMTS (só para conexões de dados), que suporta UMTS/HSDPA (850, 1900, 2100 MHz) e GSM/EDGE (850, 900, 1800, 1900 MHz). Assim como a Apple, a Samsung também optou pelo uso de conexão tipo docking para cabo de dados e ambos os aparelhos tem jack 3.5mm para áudio.

Preço

Fazendo uma rápida pesquisa vamos ter diferentes situações que dependem de onde você vai comprar e como. Pacotes de operadoras fazem o preço cair muito, mas o saldo final do mês concluímos que o melhor, a principio é comprar desbloqueado, neste caso o iPad tende a ser mais barato, mas como estamos falando de valore entre R$ 1.400 e R$ 2.700 (dependendo da loja e versão) não são poucos reais que vão influenciar sua compra.

Conclusão

O cenário é mais ou menos esse: quando os netbooks pareciam ótimos, mesmo sendo apenas um computador pequeno e mais fraco que notebooks a Apple, (quase) sempre ela recriou o conceito de mobilidade e entre laptops e smartphones criou uma nova categoria. Mesmo sem saber exatamente qual a utilidade do novo dispositivos, o iPad conquistou a atenção de (quase) todos. Não demorou muito e novos produtos pensados para tal dispositivo começaram a aparecer, entre muita porcaria, vários aplicativos com conteúdo interessante ganharam destaque e entraram no cotidiano das pessoas.

A versão para iPad do livro “Alice no país das maravilhas” ou edições eletrônicas de várias revistas e grandes jornais mostram o verdadeiro potencial do tablet da Apple, que de inútil não tem (quase) nada. Seria natural que o mesmo mérito pudesse ser transferido para o Galaxy Tab com seu Android 2.2, mas não é bem assim. A própria Google se esquivou da responsabilidade e avisou que não era exatamente um tablet que tinham em mente quando desenvolveram a versão atual do sistema.

A Samsung argumenta que mesmo assim a coisa funciona e a maioria dos usuários concorda, porém, o que vemos no Galaxy Tab é a experiência de um smartphone maior, bem maior, enquanto a Apple deixou bem caro que o iPad é único, não substitui seu laptop ou o celular, pois o conceito é outro. Por enquanto, quem tem um celular Android topo de linha ganha basicamente uma tela maior ao adquirir um Tab, que pode ser realmente muito útil, mas não representa uma nova experiência.

A pergunta não é retórica, mas o conteúdo é melhor porque o dispositivo é bom, ou o dispositivo é bom porque o conteúdo é melhor? O Galaxy Tab poderá ser atualizado para as novas versões do Android, mas o iPad só irá ganhar uma câmera (ou duas) em uma versão futura. A Apple volte atrás em posições rígidas como a triagem de aplicativos ou os sistemas proprietários. Ou seja, se a idéia é trocar de dispositivo sempre que desejar e aproveitar o pot6encial máximo de cada aparelho no contexto atual o iPad nasceu pronto, mas se essa escolha for durar por anos o Galaxy Tab parece uma opção mais atraente, lembrando que os ganhos são proporcionais aos riscos e que o tablet da Samsung nuca saia da versão atual do sistema operacional.

E o vencedor é

Embora as diferenças entre Galaxy Tab e iPad sejam muito maiores que as do Galaxy S em relação ao iPhone 4, novamente a questão se resume a gosto, circunstância e religião. Se você já usa iPhone, iPod ou iMacs e MacBooks dificilmente será completamente feliz com outro tablet que não um iPad, um tablet que surpreende a todos pela sua facilidade de uso. Mas se este não for o seu caso, o Galaxy Tab é a melhor opção, mesmo que não aproveite todo o seu potencial. Não queremos ficar em cima do muro, mas a resposta depende muito do tipo de usuário.

Esperamos que com as informações deste texto você possa fazer a sua escolha e comprar o tablet que atenda melhor as suas necessidades. Mas se você não tiver a necessidade de um tablet, é melhor esperar antes de comprar um aparelho caro que não resolva seus problemas.

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  • Marcela Ribeiro
    2011-10-24T19:01:22

    Também prefiro o Samsung Galaxy Tab. Aliás achei uma ótima idéia poder faer chamada de voz, ficou ainda mais completo!

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  • Raimundo Froes
    2011-10-08T00:37:25

    Gostei das dicas, foram de grande ajuda; realmente depende muito do " pra que se que o aparelho"? no meu caso prefiro o galaxy.

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