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21/12/2010 16h49 - Atualizado em 14/07/2011 07h08

Por que a TV aberta dos EUA está evitando produtos como Google TV e Apple TV?

Eduardo Moreira
por
Para o TechTudo

Entre as novidades previstas para 2011 no mundo da tecnologia, existe uma que promete mudar de forma profunda o modo como as pessoas assistem televisão: as plataformas interativas. Essa tecnologia vai um passo além dos recursos dos set-top boxes que existem no mercado, prometendo uma gama maior de opções de entretenimento, com qualidade de imagem maior e usando a rede mundial de computadores.

Em 2010 tivemos o lançamento de produtos como o Google TV (uma plataforma multimídia baseada no sistema Android, desenvolvida em parceria com empresas como Intel, Sony e Logitech) e a nova versão do Apple TV, que prometem entregar ao consumidor a melhor imagem e som possível. Os dois sistemas prometem vantagens, tanto em programas salvos no próprio aparelho, quanto nos vídeos e programas adquiridos na internet - na hora que você quiser e no formato que você quiser.

Apple TVe BoxeeApple TVe Boxee (Foto: Divulgação)

 

Para o consumidor, o serviço é uma alternativa excelente, mas como diz o ditado "toda unanimidade é burra", e já existem aqueles que não estão gostando nada de toda esta evolução. E, nesse caso em específico, são as redes de TV aberta dos Estados Unidos.

Os principais canais abertos dos Estados Unidos (Fox, CBS, NBC e ABC) estão bloqueando a distribuição de seus programas pelo Google TV. O motivo alegado é que "o serviço do Google TV não possui alcance suficientemente grande para que justifique a inclusão de nosso conteúdo nessa plataforma". A decisão se estende ao Boxee Bee e outros serviços similares pelo mesmo motivo: não há mercado que justifique esta situação. E esse é um erro quase primário que os canais norte-americanos estão cometendo.

Para começar, a decisão é questionável pelo aspecto técnico, pois esses canais estão disponíveis em serviços cujos recursos eram condenados pelos canais anteriormente. Um exemplo prático: o TiVO, que permite a gravação simultânea de programas (inclusive com a opção de pular os comerciais exibidos entre os blocos) era visto como uma grande pedra no sapato. Depois, os canais resolveram se ajustar ao serviço, e hoje tem até uma medição de audiência específica para este serviço.

Então qual seria o problema em disponibilizar o canal para serviços que estão aptos a recebê-los? Só porque eles incluem os canais via streaming, ou acessos aos conteúdos de vídeos online?

Além disso, a decisão mostra o quanto que os canais norte-americanos pensam de forma retrógrada, entendendo que ainda concentram o maior foco de consumo de entretenimento e informação. Cada vez mais nos Estados Unidos as pessoas estão parando de assistir suas séries e noticiários na TV, substituindo-a pela tela do computador. Por tabela, diante do PC, eles ainda podem conversar com os amigos enquanto o episódio é exibido.

E a tendência deve ser a mesma quando esta mesma funcionalidade for para a TV. Afinal, é muito mais confortável assistir o que queremos, no conforto do sofá da sala e na hora que nos for mais conveniente. Fora o fato que estes produtos chegam ao mercado com preços relativamente baratos (média de preço de US$ 200). Logo, não vai demorar muito para que esses produtos se tornem populares.

Google TVGoogle TV (Foto: Divulgação)

E quando o consumidor se deparar com a realidade, e de que não será mais possível assistir sua série preferida no horário marcado, logo haverá o pensamento do "não tem problema. Eu vejo outra coisa que esteja no meu disco rígido".

O temor dos canais é justamente a concorrência com a internet e outras plataformas de consumo de conteúdo multimídia. Já não bastasse ter que competir com os canais da TV a cabo, agora terão que disputar espaço na grade com o último hit do YouTube, ou com aquele episódio de uma série clássica adquirido na Netflix. O temor é compreensível, mas injustificável. Tirar uma opção do telespectador só faz com que busquem novas alternativas para consumo deste conteúdo. E quem perde é sempre quem não quer oferecer o serviço.

É impossível parar a roda da evolução, e o ideal é tentar se adaptar às novas tecnologias que aparecem, aprendendo a conciliar as duas plataformas de consumo de mídia, e fazer com que elas consigam oferecer ao consumidor o melhor serviço possível, de forma harmônica e original. É inegável que, no futuro, quando uma série estiver muito chata, todos nós iremos conferir quais são os vídeos mais vistos do YouTube, mas nem por isso vamos querer deixar de ver o que está passando no horário nobre, pois é justamente isto que vai virar assunto das conversas no seu escritório no dia seguinte.

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