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27/01/2011 15h40 - Atualizado em 14/07/2011 07h05

O grande mercado dos jogos sociais

Cesar Crivelaro Para o TechTudo

O mercado de jogos de videogame é algo muito maior do que pensamos. Fazendo uma fácil comparação, o Japão ganha mais que o dobro em números absolutos com o mercado de games que os Estados Unidos com o mercado de filmes.

Em 2010, o mercado de games arrecadou 18,58 bilhões de dólares. Houve uma queda de 16% em relação ao ano passado, devido às crises financeiras pelas quais o mundo passou, mas mesmo assim o número é expressivo em um mercado que ainda é ignorado por muitos. E grande parte deste valor se deve aos jogos sociais, os que estão no Facebook, por exemplo.

O que é um jogo social?

grafico (Foto: Divulgação)Usuários ativos mensais do Facebook, por gênero (Foto: Screen Digest)

A definição de jogos sociais é conferida pela geração a qual eles participaram. Os games da primeira geração são aplicativos movidos por anúncios que são simples distrações (como enquetes ou aqueles anúncios de clicar várias vezes em uma mesma animação) ou então RPGs de menus (como Mafia Wars), que geravam dinheiro por meio de microtransações.

A segunda geração teve diferentes princípios nos jogos: os valores de produção e uma grande melhoria nos gráficos e no nível de interação, porque a acumulação de itens e o gerenciamento de recursos mantiveram-se igualmente fáceis e ágeis. Essa nova geração nos trouxe títulos como Farmville, Hotel City e muitos outros de mesma jogabilidade.

runescape (Foto: Divulgação)Runescape (Foto: Divulgação)

Jogos gratuitos são um grande negócio por uma boa razão: os números são cumulativos. Os dados recentemente divulgaram as altas somas provenientes da renda de microtransações em jogos gratuitos. Em suma: 700% de crescimento em cinco anos; isso quer dizer que em meio a uma recessão, é uma previsão de crescimento muito grande para a indústria.

Os usuários de jogos gratuitos do ocidente só agora estão sendo encaminhados aos poucos para este novo modelo de pagamento. A prática veio para o ocidente primeira vez com RuneScape, da empresa Jagex, um MMORPG que estreou completamente livre de mensalidades e taxas em 2001.

Como funciona o mercado?

A Entertainment Merchants Association concluiu que 80% a 90% das vendas de jogos em 2009 foram baseadas em disco, não em distribuição digital. Mas essa pesquisa não avalia as vendas de acessórios, de pacotes de itens e de outras microtransações; movimentos financeiros que aumentam a receita dos jogos.

A pesquisa retratou as tendências de gasto no mês de junho de 2010. Entre todos os dados, o mais revelador é que os MMORPGs ficaram no topo da lista de gastos e arrecadaram uma média de 35 dólares por mês de cada usuário. As empresas donas de redes sociais arrecadaram uma considerável quantia de 50 dólares por usuário cada mês.

grafico (Foto: Divulgação)O crescimento de usuários, segundo a BigPoint (Foto: BigPoint)

O investimento em MMORPGs gratuitos é baseado em um histórico sólido e fundado no princípio de que “os poucos sustentam os muitos”. Há uma boa teoria que explica porque vendas de itens geram mais receita que as assinaturas. Vendas de itens permitem que os jogadores paguem o quanto quiserem. Consegue-se 5% ou 10% de pessoas dispostas a pagar por algo, mas há 1% que se envolve a ponto de gastar quantias significativas.

 

werules (Foto: Divulgação)WeRules (Foto: Divulgação)

De modo geral, o retorno total é maior, por causa da sua base de usuários ampliada. Além disso, o público está se ampliando, incluindo jogadores mais velhos e mulheres; pessoas que estão comprando itens virtuais. No popular jogo Farmville, descobriu-se que 70% do público é feminino, e metade destas jogadoras estão numa faixa etária superior a 30 anos; bem diferente da dominância no mercado de jogos.

Quem paga sempre vai ter algumas vantagens: vai poder avançar muito mais rápido porque não tem tempo, mas tem dinheiro. Mas vale lembrar também afirma que os dois grupos de usuários podem e devem coexistir. Os jogadores pagantes querem os não-pagantes jogando no mesmo servidor. A presença deles significa que é mais fácil formar um grupo, tornando-se uma comunidade maior que é sempre reabastecida.

Jogo derivativo: Experiências tradicionais, familiares e fáceis

bolhas (Foto: Divulgação)BubbleShotter (Foto: Divulgação)

Grandes redes como o Facebook ainda serão vistas como meios importantes, mas serão apenas um fator nos negócios conforme a tecnologia evoluir para tornar os jogos sociais mais ágeis. Nos últimos anos, os jogos das redes sociais avançaram muito rapidamente, evoluindo de uma extensão dos jogos de navegadores para um ponto essencial no mundo de aplicativos das grandes redes.

Basicamente, os jogos sociais deixarão as redes sociais, como o Facebook, para assim evoluírem novamente, buscando uma parcela da população online cada vez maior. Os jogos apresentarão cada vez mais uma interface e uma jogabilidade muito parecidas. Os games são derivativos, mas este é justamente o sentido da maioria dos jogos gratuitos: oferecer experiências tradicionais e familiares por pouco dinheiro.

Facebook é uma grande influência neste mercado

farmville (Foto: Divulgação)FarmVille (Foto: Divulgação)

O Facebook pode se autodeclarar o maior site de jogos na internet (a rede social soma mais de 100 milhões de usuários). Farmville, da desenvolvedora Zynga, levou apenas três meses para alcançar espantosos 60 milhões de usuários ativos por mês, e o número atualmente gira em torno de 70 milhões. Como isso, os designers trabalham com uma nova audiência, muito mais ampla. O jogador do Facebook não é jogador de videogame.

É como a Nintendo, que percebeu que se continuasse vendendo sempre para o mesmo público, logo entraria em uma crise assim como suas concorrentes entraram. O alvo não é os jogadores, mas os amigos, e se você medir a comunidade da internet, verá que há 1,8 bilhão online.

Ainda assim, ter uma audiência fixa não é garantia de lucro. Assim com era um desafio divulgar um novo produto sem irritar jogadores potenciais por e-mails e evitando um pandemonium de spams, hoje as empresas estão tendo que aprender como equilibrar o uso de moeda real e virtual no mesmo jogo.

cavalinho farmville (Foto: Divulgação)Anúncios de jogos sociais (Foto: Divulgação)

Com os jogos sociais, há dois desafios encontrados em seu desenvolvimento. Em primeiro lugar, o desenvolvimento dos jogos sociais avança de forma muito rápida, com muito mais velocidade do que qualquer outro mercado atual. É preciso transformar ideias em produtos e levá-los aos usuários com muita agilidade.

O segundo desafio vem depois do lançamento. Manter e melhorar continuamente jogo de comunidade é algo tão trabalhoso quanto sua criação. Não basta mais ter designers, produtores e artistas. Nesta etapa é preciso contratar engenheiros de rede, profissionais de TI e outros profissionais desta área de tecnologia para vigiar 24 horas por dia.

Com tantos números circulando por este mercado de jogos sociais, percebe-se que o Facebook irá mudar os jogos eletrônicos para sempre. Ele trouxe um novo gênero para a indústria. Assim como chega uma nova tecnologia, novas ferramentas são fornecidas. No caso do Facebook, há a divulgação boca-a-boca, nada de assinaturas, nenhum download, sem instalação; isso está inaugurando um novo gênero: os jogos supercasuais.

Facebook Credits

Conforme o Facebook gera mais e mais receita, a empresa por trás da rede começar a adotar uma estratégia mais controladora. Já está em teste o sistema de Facebook Credits, um serviço unificado de microtransação, no qual o Facebook fica com 30% da receita. Ao oferecer uma única moeda corrente que funciona em todos os aplicativos, o objetivo é tornar as microtransações mais simples para os usuários, o que levará a maiores dividendos para os desenvolvedores.

facebook credits (Foto: Divulgação)Facebook credits (Foto: Divulgação)

Observar o mercado dos jogos em rede gratuitos é olhar para o futuro. A pirataria desaparece por tudo ser digital e gratuito, é questão de criar novos modelos de negócios. O Facebook é outro exemplo de como serão as coisas no futuro. Não são apenas os 400 milhões de jogadores que o tornam importante, é a simplicidade de interface que ele impõe aos designers.

O mundo online das microtransações é uma ferramenta conduzida tanto por desenvolvedores de jogos para videogames quanto por produtoras de jogos para navegador. Embora estejam apenas começando o fenômeno global que se iniciou no oriente, muitas empresas podem já estar atrasadas para este tipo de nicho do mercado.

O resumo é que, independente das classificações que se dão a essa nova modalidade de monetização, o que realmente importa é o valor não ao dinheiro, mas ao usuário, ao investimento do desenvolvedor, e ao sentimento de que vale pagar por aquilo que se deseja.

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