Internet

19/09/2011 08h37 - Atualizado em 19/09/2011 15h11

Até que ponto pais podem vigiar seus filhos online?

Romannessa Sanches
por
Da Contém Conteúdo

Se no mundo real os pais devem ter cuidados com os filhos,  saber por onde andam, quem são os amigos etc., no mundo virtual, essa preocupação não pode ser diferente. O problema é saber até que ponto ir, e quando o cuidado torna-se uma invasão da privacidade dos filhos.

Hoje, o conflito de gerações engloba muito mais que a relação pais e filhos. Pois, as gerações Y e Z, chamadas também de “nativos digitais”, pertencem a jovens que já nascem com grande intimidade com a tecnologia e a informática.

Em ambos os casos, os pais devem estar atentos ao que os filhos fazem na web, quem são os amigos de bate-papo em chats e comunicadores instantâneos como Messenger (o mais popular entre os jovens) e Skype, entre outros.

Para a educadora Betina von Staa, tão importante quanto o uso de antivírus é a orientação dos pais e responsáveis, já que os nativos digitais veem a tecnologia como um fato normal. “Não é porque se relacionam pela internet que podem se xingar, não é porque estão nas redes sociais que devem oferecer informações pessoais excessivas para o mundo, não é porque pesquisam na internet que tudo o que encontram é bom.”, diz.

Betina alerta ainda para o fato de o Brasil ser um dos países em que os pais menos monitoram o comportamento virtual dos filhos. E ressalta: “os pais não precisam monitorar somente para controlar, mas sim, para conhecer melhor seus filhos que passam uma parte considerável da sua vida online e conversar com eles sobre esses assuntos, assim como falam sobre qualquer outro.”

Softwares de controle parental

Controle Parental (Foto: Divulgação)Cuidados com a internet (Foto: Divulgação)

Leandro Cruz teve visão semelhante ao criar o software de controle parental (parental control) Kidux. “O Kidux é uma alternativa para que os pais possam acompanhar seus filhos no ambiente digital, identificar comportamentos perigosos e agir, educando”.

O programa permite aos pais supervisionar, in loco ou à distância, a atividade dos filhos na rede, possibilita o bloqueio de conteúdo impróprio e permite restringir os horários de uso. E, segundo a empresa, é a interação e o diálogo entre pais e filhos que contribui para o sucesso do programa.

O mercado ainda apresenta outras ferramentas do gênero. A Trend Micro traz nas duas versões do seu antivírus Titanium (Titanium Internet Security e Titanium Maximum Security) o software que permite o bloqueio prévio de sites específicos ou de acordo com o conteúdo, a criação de filtros de horário e tempo de navegação e de mensagens instantâneas, e qualifica sites e ferramentas de busca com base em sua reputação.

O engenheiro de segurança da empresa de cybersecurity Sourcefire, Paulo Braga sugere os programas Xooloo (em inglês e francês) e Web Filter RK, além do próprio controle parental do Windows, apesar de considerá-lo facilmente burlável pelos filhos.

Dispositivos móveis

Hoje o acesso à internet não é exclusividade de computadores e laptops. Celulares, smartphones e tablet são cada vez mais usados pelos jovens, o que também requer atenção dos pais.

Segundo Paulo Braga, o controle do uso dos celulares é mais difícil, mas não impossível. Os smartphones são os principais alvos de hackers, especialmente os que utilizam sistemas iOS e Android, os mais usados e logo mais visados.

Ainda são poucos os antivírus e principalmente os programas de controle parental para dispositivos móveis, em especial celulares e smartphones, mas o número aumenta a cada dia. McAfee e Kapersky são algumas das empresas que já estão investindo no mercado.

Paulo diz que a atualização constante dos patches para correção de vulnerabilidades destes dispositivos, somada a devida orientação dos pais é atualmente uma das melhores formas de proteger os filhos nesses dispositivos.

Movimentos de Segurança Online

Grupos de profissionais de informática, pais e educadores têm se reunido através da internet para direcionar os usuários da rede, o bom uso de suas ferramentas. Esses grupos costumam se chamar Movimentos. Os que mais se destacam são:

Criança Mais Segura na Internet

O Criança + Segura na Internet é um movimento que visa educar e conscientizar pais, filhos e educadores sobre o uso ético e seguro da web, orientando sobre aspectos como o conhecimento da legislação; dicas de proteção e prevenção; identidade digital; navegação; redes sociais; golpes virtuais; pedofilia; pirataria; direitos autorais; respeito às leis em geral; responsabilidades dos usuários; entre outros.

Conheça o site do Criança + Segura.

SaferNet Brasil

Criada em 2005 por um grupo de cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito que visavam o combate principalmente da pornografia infantil e da pedofilia, além de outras violações dos Direitos Humanos.

Saiba tudo sobre o projeto SaferNet.

Embargo legal

O Engenheiro de Segurança da Sourcefire, Paulo Braga, ressalta que legalmente não há nenhum problema no monitoramento doméstico dos computadores. “No ambiente de trabalho, a questão é mais complexa e, normalmente, envolve o departamento jurídico das empresas.”, explicou.

O criador do software Kidux, Leandro Cruz, explica que segundo o Art. 932, incisos I e IV, do Código Civil, os pais e a escola são responsáveis pelos atos das crianças, inclusive no ambiente digital. “Já existem casos de indenizações que foram pagas pelos pais em função do mal comportamento dos filhos na Internet.”, ele lembra.

Em suma, pais e filhos devem buscar o equilíbrio também no que se refere ao mundo virtual. Além disso, orientações e bom uso das ferramentas disponíveis no mercado podem previnir problemas e tornar o uso da internet algo seguro e proveitoso.

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  • Ester Monteiro
    2011-09-19T12:32:36  

    tem que ser assim mesmo temos que monitorar e acompanhar e ensina-los, pq eles serao o futuro do nosso pais.

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    • Ester Monteiro
      2011-09-19T12:32:36  

      Total Invasão de Privacidade! Não acho que seja necessário toda essa "Superproteção" basta sempre perguntar o vemos e nós diremos , não precisa fica invadindo nosso WhatsApp e Facebook procurando algo pra Reclamar os tempos mudaram, e nem tudo na internet é ruim....!