Celular

09/09/2011 12h22 - Atualizado em 09/09/2011 12h23

Na África, paga-se de tudo com o celular

Daniel Bender
por
Para o TechTudo

No Quênia e em alguns outros países da África subsaariana não se usa mais dinheiro. Lá, cartões de crédito nunca foram populares. Aliás, nem serviço de banco é algo comum. O que o povo gosta mesmo é de usar o celular.

Não estamos falando de aparelhos cheios de funcionalidades e mequetrefes. Para fazer transferências basta usar um serviço de SMS semelhante ao oferecido pela Oi no Brasil. A diferença é que, enquanto a adoção do serviço engatinha por aqui, com menos de 1 milhão de usuários, no Quênia mais de 10 milhões de pessoas contam diariamente com sistemas de pagamento móveis.

Ou seja: um quarto da população usa o m-payment.

celular dinheiro (Foto: Flickr)É o fim do dinheiro em papel? (Foto: Flickr)

Vantagens do sistema

Graças ao uso massificado, quenianos podem pagar praticamente todas as suas contas com o celular. Desde a padaria, corridas de táxi e compras online por telefone, até receber salários e remessas de valores de parentes que vivem no exterior. Tudo com a segurança dos sistemas informatizados e rastreáveis.

Alguns quenianos migraram para o sistema para evitar assaltos. Simplesmente não precisam mais carregar dinheiro.

O sistema é tão simples e seguro que quando adotado para pagar a força policial no Afeganistão, estes comentaram surpresos que haviam ganho um aumento. Não é verdade. Apenas diminuiu a corrupção, e agora eles recebem os valores integralmente.

É claro que nem tudo são flores. No Quênia (assim como no Brasil) é comum que pessoas nas cidades grandes enviem dinheiro para parentes no interior, onde há menos serviços bancários disponíveis. Em locais mais remotos, a única alternativa para sacar o dinheiro das remessas são pequenos serviços, como mercadinhos ou bazares cujos donos também estejam integrados ao sistema. O problema é que o fluxo de saída de dinheiro é muito superior ao de entrada, o que obriga comerciantes a fazerem longas jornadas até um banco para atender seus clientes.

Há relatos de pessoas que viajam até 3 horas de bicicleta, ida e volta, todos os dias, para buscar dinheiro, por não ter acesso a ônibus ou outro meio de transporte.

Iniciativas engatinham no Brasil

Impressão de tela do Oi Paggo: serviço ainda engatinha no Brasil (Foto: Divulgação)Impressão de tela do Oi Paggo: serviço ainda engatinha no Brasil (Foto: Divulgação)

Apesar de várias tentativas, o m-payment nunca decolou no nosso país. Os poucos indicadores do setor mostram que menos de 1 milhão de pessoas utilizam o sistema (ou cerca de 0,45% da população).

Alguns players grandes, entre eles Cielo, Banco do Brasil e Oi, estão se movimentando para melhorar o serviço do Paggo, que ainda esbarra na pouca aceitação. Afinal, o Brasil não é o Quênia, e aqui uma grande parcela da população já tem acesso a serviços bancários, cartão de crédito e débito. Por essas e outras que as previsões de crescimento do mercado são frequentemente reduzidas.

Aparentemente, e apesar das vantagens, nós ainda vamos demorar um bocado de tempo para fazer pagamentos por celular. Pelo menos até sistemas como o NFC se tornarem populares.

Com informações da BBC.

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