Imagens

06/02/2012 20h08 - Atualizado em 06/02/2012 20h08

Aberrações fotográficas e como contorná-las

Julio Preuss
por
Para o TechTudo

Se você já parou para ler uma avaliação detalhada de uma câmera fotográfica ou mesmo de uma lente, deve ter se deparado com termos um tanto estranhos usados para descrever defeitos observados nas imagens. Ou, mesmo sem nunca ter lido a respeito, pode ter reparado nesses problemas ao examinar uma foto, sem saber do que se tratava. Que tal, então, começarmos a dar nome aos bois?

Estamos falando de coisas como barrel distortion, chromatic aberrations e purple fringing. Esses nomes soam ainda mais curiosos em suas traduções literais: distorção de barril, aberrações cromáticas e franjas púrpuras. Isso sem falar nas distorções de alfineteira (pincushion) e bigode (mustache).

Todos esses termos se referem a fenômenos óticos conhecidos há séculos, muito antes do advento da fotografia digital, e que podem afetar desde óculos até telescópios. Só que agora, por conta do aumento da complexidade das lentes e redução das dimensões das câmeras, alguns desses defeitos foram se agravando e ficaram bem mais conhecidas pelos fotógrafos, sejam eles profissionais ou não.

Por outro lado, novas tecnologias de fabricação de lentes ajudam a evitar as aberrações. Agora, então, é possível corrigir a maioria delas digitalmente. Essas correções às vezes acontecem ainda na própria câmera, sem o conhecimento do fotografo – o que costuma atrair críticas dos mais puristas. Afinal, é justo vender uma lente cheia de problemas óticos se eles forem automaticamente maquiados pela câmera?

Distorções geométricas

Embora todos esses problemas distorçam a imagem de alguma forma, tecnicamente, o termo distorção se refere a apenas uma das cinco aberrações geométricas identificadas por Ludwig von Seidel, em 1857, e hoje conhecidas como aberrações de Seidel. O que elas têm em comum é o fato de serem aberrações monocromáticas. isto é, afetam a imagem como um todo e não apenas cores específicas.

Exemplo de distorção de barril e de alfineteiraExemplo de distorção de barril e de alfineteira (Julio Preuss)

A distorção propriamente dita, presente em praticamente qualquer lente com zoom, faz com que linhas, que deveriam ser retas, apareçam curvadas na foto. Quando as curvas se afastam do centro da imagem, temos a distorção de barril. Quando se aproximam, a alfineteira. Nos casos em que ambas as coisas acontecem, dependendo da distância do centro, temos a distorção de bigode.

Lentes grande-angulares, de modo geral, e a faixa mais grande-angular das lentes de zoom são as que mais costumam sofrer com a distorção de barril, ao ponto da curvatura ser perceptível ainda no visor da câmera. Não por acaso, é nas distâncias focais, abaixo de 20mm, que a correção por software das lentes Micro Four Thirds fica mais evidente, quando se comparam as imagens originais em formato RAW com os JPGs automaticamente processados pela câmera.

Se a sua câmera não corrige as distorções por conta própria, é relativamente fácil consertar a imagem no Photoshop ou qualquer outro programa de manipulação de imagens que se preze. As imagens que ilustram este post, por exemplo, foram distorcidas propositalmente no Photoshop, pelo processo inverso ao que se usaria para consertá-las.

No entanto, se você não quiser ficar experimentando “no olho”, dependendo do software, pode ser necessário apenas informar o modelo da lente usada para que o programa se encarregue de usar os parâmetros de correção pré-configurados. O melhor é que essas correções não se limitam às distorções descritas acima, podendo resolver também o tipo de problema de que trataremos a seguir:

Aberrações cromáticas

Exemplo de aberração cromáticaExemplo de aberração cromática (Julio Preuss)

Como o nome indica, essas aberrações causam problemas nas cores da imagem. São provocadas por questões óticas relacionadas à diferença de índices de refração da lente para os diversos comprimentos de onda. Em outras palavras, a lente projeta algumas cores em posições ligeiramente diferentes das outras, provocando uma espécie de moldura colorida na imagem.

Lentes de menor qualidade ótica ou excessivamente complexas (muito compactas, com zoom enorme, etc) tendem a apresentar o fenômeno com maior intensidade. Já nas lentes melhores, são usados diferentes tipos de vidro ou vidro tratado com flúor para reduzir as aberrações. O supra-sumo da tecnologia são as lentes apocromáticas (apo), capazes de focalizar três diferentes comprimentos de onda no mesmo plano, minimizando as aberrações.

Como já mencionamos, a mais conhecida das aberrações cromáticas é o chamado purple fringing, ou franja púrpura. Esses fantasmas arroxeados aparecem ao redor de partes da imagem, em especial em situações de pouca luz e/ou muito contraste. Como frequentemente são causados pelas microlentes do próprio sensor, podem aparecer mesmo em câmeras com ótimas objetivas.

Distorções digitais

Há, também, a questão de distorções exclusivamente digitais, provocadas pelo sensor ou mesmo pela forma como os arquivos são gravados. O popular formato JPG, por exemplo, invariavelmente provoca os chamados artefatos de compressão – problema que se agrava em níveis de compressão maiores e se repete a cada vez que a imagem é gravada. Não é à toa que os profissionais preferem fotografar em modo RAW e deixam para salvar em JPG somente quando terminam de tratar as fotos. Mas isto já é assunto para um próximo post…

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  • arthur
    2013-07-23T04:38:21

    Valeu obrigado foi de muita ajuda.Você é o que melhor explica das pesquisas que faço no Google, na maior parte das vezes.