Internet

29/05/2012 19h11 - Atualizado em 16/07/2013 11h18

Acesso remoto: Balanço final

B. Piropo
por
Para o TechTudo

Comecei, lá pelos idos de fevereiro deste ano, esta série de colunas sobre acesso remoto a arquivos. O que me levou a abordar o tema foi o fato de que cada vez mais usuários domésticos (que perfazem a maior parcela do contingente de leitores deste velho colunista) estão apelando para este alvitre no que toca seja ao armazenamento de seus documentos, seja à criação e manutenção de cópias de segurança. O resultado disto é que de uns tempos para cá a palavra “nuvem” entrou de vez no vocabulário destes usuários. E sempre usada para se referir ao armazenamento remoto de arquivos, ou seja, a uma forma de gravar arquivos em algum lugar que na maioria das vezes não se tem nem mesmo uma pista sobre onde está localizado, apenas a garantia de que não está na máquina do usuário.

Minha intenção era examinar de forma rápida, quase superficial, as principais modalidades disponíveis de armazenamento remoto e, ao final, fazer uma comparação entre elas para facilitar a escolha de quem um dia se visse diante da necessidade de optar por uma delas. Ocorre que meu amor aos detalhes e minha reconhecida prolixidade contribuíram para que o tema se estendesse por quase três meses. E só agora, afinal, chegamos ao ponto que efetivamente nos interessa: discutidas as características das três principais modalidades de armazenamento “na nuvem”, compará-las e examinar as vantagens e desvantagens que cada uma oferece.

GPC20120524_1_LogosDropbox, Google Drive e Iomega (Foto: Reprodução)

Os três métodos discutidos foram: a técnica denominada “nuvem pessoal”; o clássico armazenamento na nuvem porém com cópias mantidas em uma ou mais máquinas do usuário; e o “SaaS”, ou “software como serviço”, um método no qual tanto os arquivos quanto o software usado para criá-los e editá-los permanecem na nuvem.

Na “Nuvem pessoal” os arquivos, gerados e alterados na máquina do usuário por aplicativos de terceiros, são armazenados em um servidor de arquivos na rede do próprio usuário e dali podem ser acessados não apenas pelos demais dispositivos constituintes da rede como também por quaisquer dispositivos remotos que a ela se conectem via Internet e usufruam o direito de acesso concedido pelo usuário que criou a nuvem. Como exemplo foi usado o NAS (“Network Attached Storage”, dispositivo de armazenamento integrado à rede) fornecido pela Iomega.

Para exemplificar o armazenamento em nuvem clássico (se é que se pode aplicar este termo a algo que mal ultrapassa uma década de existência) usou-se o serviço fornecido pelo Dropbox no qual os arquivos, ainda criados e editados por aplicativos de terceiros instalados na máquina do usuário, são armazenados nesta mesma máquina, porém sincronizados com cópias criadas e mantidas nos servidores da Dropbox, ou seja, “na nuvem”. A responsabilidade sobre esta sincronização recai sobre um aplicativo fornecido gratuitamente pela Dropbox e instalado na máquina do usuário, onde é criada uma pasta “Dropbox” que replica a da nuvem. Um ponto importante a considerar: criada a pasta do usuário “na nuvem”, ele pode instalar o software em tantas máquinas quantas desejar e todas elas terão em seus dispositivos de armazenamento sua própria pasta “Dropbox” sincronizada com a da nuvem.

Já para discutir o “SaaS” usamos o serviço oferecido pela Google, que quando a série começou tinha o nome de Google Docs mas, com a introdução das alterações discutidas na coluna anterior, passou a chamar-se Google Documentos. Tais alterações fizeram com que o serviço, que originalmente era um exemplo típico de “SaaS” pois tudo permanecia exclusivamente na nuvem, se transformasse em algo híbrido, já que com a instalação de um aplicativo na máquina do usuário tornou-se uma forma de armazenamento mista, na qual o software permanece apenas na nuvem mas os arquivos são sincronizados entre a nuvem e o armazenamento local como o Dropbox.

Então vamos lá: do ponto de vista do usuário o que diferencia estas três modalidades?

No que toca à “nuvem pessoal” a diferença fundamental é que ela exige um investimento razoável do usuário na compra do NAS. Em contrapartida, os arquivos permanecem armazenados em um dispositivo pertencente ao usuário, fisicamente conectado à sua própria rede e sob sua administração e gerenciamento diretos, subordinadas exclusivamente à sua vontade. E, evidentemente exceto a indispensável cópia de segurança cuja manutenção é da responsabilidade do usuário, não são criadas quaisquer outras cópias. Portanto, quando se edita um arquivo da nuvem pessoal, se trabalha diretamente no original, ou seja, no único exemplar disponível a todas as máquinas com acesso a ele. Já nas duas outras modalidades (inclusive o Google Documentos depois da implementação do Google Drive), há sempre pelo menos duas cópias, uma na nuvem, ou seja, nos servidores da empresa, outra no meio de armazenamento local (o “pelo menos duas” corre por conta do fato de que o usuário pode instalar o software de sincronização em mais de uma máquina).

Outra diferença essencial é que no caso da nuvem pessoal somente se pode ter acesso aos arquivos a partir de máquinas credenciadas seja porque fazem parte da rede local na qual está conectado o NAS, seja porque receberam um “convite” com as credenciais necessárias para efetuar a conexão via Internet. Simplificando: você não pode usar um computador qualquer conectado à Internet para ter acesso a seus arquivos. Já nas duas outras modalidades, as adotadas pelo Dropbox e Google Documentos, isto é possível. Ou seja: para ter acesso a seus arquivos basta visitar o sítio da Dropbox ou acessar sua conta no Google e entrar com suas credenciais para fazer o registro (“login”). O que pode ser feito até de uma “lan house” do Turquemenistão, caso lá seu computador móvel não acesse a Internet.

Mais um ponto importante: nas modalidades adotadas pela Iomega e Dropbox, se lida apenas com arquivos. Mas com qualquer tipo de arquivo: documentos de texto, de imagens estáticas ou em movimento ou mais o que der na telha do usuário de lá depositar, inclusive arquivos de configuração, bibliotecas de ligação dinâmica e executáveis – que, naturalmente, não podem ser executados a partir da nuvem, mas nada impede que nela sejam armazenados. Já o Google Documentos, pelo menos de acordo com sua concepção original (pois com a introdução do Google Drive pode-se esperar mudanças), deve armazenar apenas arquivos criados pelo software que integra o serviço ou convertidos para seu formato.

E no que toca à capacidade de armazenamento? Bem, na modalidade nuvem pessoal ela depende do NAS adquirido pelo usuário e seu custo está embutido no preço do dispositivo. Já nas modalidades oferecidas por Dropbox e Google Documentos ela é gratuita até certo limite (2 GB no primeiro caso, 5 GB no último) e paga periodicamente a partir daí. Mas os preços são bastante acessíveis.

E, finalmente, um ponto de grande importância para quem desenvolve trabalho em equipe que exige compartilhamento de arquivos: embora com pequenas diferenças entre elas, todas as modalidades discutidas permitem que terceiros, previamente autorizados, tenham acesso a arquivos escolhidos.

Finalmente, o que realmente importa: qual delas usar?

Como era de esperar, esta pergunta não tem uma resposta. Ou melhor: tem sim. Mas esta resposta é: “depende”.

Depende de que?

Talvez o fator preponderante seja a taxa de transferência de dados usada para acessar os arquivos via Internet. Um ponto por si mesmo complexo, posto que todas as modalidades permitem acessar os arquivos de diferentes máquinas que, naturalmente, podem dispor de diferentes conexões. Mas se levarmos em conta o fato de que na modalidade “SaaS” tanto os arquivos quanto o software usado para editá-los permanecem na nuvem, ela talvez seja a mais vulnerável a este fator. Portanto só use o Google Documentos se, em pelo menos uma de suas máquinas, você dispuser de uma conexo que realmente mereça ser classificada como de alta taxa de transferência (ou “banda larga”).

Por outro lado, esta mesma razão (ou seja, o fato de que o software de edição é oferecido pelo serviço) torna o “SaaS” do Google o mais favorável para quem precisa rotineiramente não apenas ter acesso como também editar os arquivos de diferentes locais usando diferentes máquinas espalhadas pelo mundo, algumas das quais não lhe pertencem, já que é o único que independe de qualquer software instalado nas máquinas e pode ser operado apenas via programa navegador.

Há ainda que sopesar o fato de que a nuvem pessoal está sob controle direto de seu proprietário. Já os serviços oferecidos pelo Dropbox e Google dependem da vontade, planejamento e interesse de quem os oferece e podem mudar (ou simplesmente desaparecer, uma hipótese improvável mas possível) à revelia do usuário. Um exemplo típico é a introdução do Google Drive, que mudou radicalmente a natureza do serviço oferecido por exigir a instalação de um aplicativo na máquina do usuário. É sempre bom lembrar que antes dele toda a operação e gerenciamento do serviço era feita exclusivamente com o programa navegador. Já com a criação de cópias sincronizadas em uma pasta do armazenamento local e instalação de um software para efetuar a sincronização, passou a depender do sistema operacional da máquina do usuário (no momento a instalação do Google Drive é opcional e o usuário pode escolher entre permanecer usando o Google Docs ou evoluir para o Google Documentos, mas consta que em breve a migração será obrigatória e independente da vontade do usuário).

Então, qual usar?

Bem, para esta pergunta sim, eu tenho uma resposta simples: sopese as vantagens e desvantagens de cada um, experimente os gratuitos (afinal, são gratuitos, portanto nada custa experimentar) e veja qual deles se adapta melhor às suas necessidades e tipo de uso. E opte por ele.

Simples assim…

B. Piropo

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  • Cristiano M.s.
    2012-06-16T20:10:19

    So um leve lembrete, que a Microsoft tambem dispõe do Skydrive já um bom tempo, funciona como o Google Docs e veio a ter um programa de sincronização de arquivos um pouco anterior ao lançamento do Google Drive.

  • Ton Tong
    2012-05-30T09:07:16

    neutro demais ... muito em cima do muro ..."depende", não custa tentar... "vantagens e desvantagens" ... e Simples assim…?! podia ser mais objetivo!