Sistemas Operacionais

14/05/2012 15h47 - Atualizado em 14/05/2012 15h47

E se o Windows fosse modular?

Rodrigo Ghedin
por
Para o TechTudo

Na semana passada, a Microsoft anunciou que o Windows 8 virá sem Windows Media Center e, o que é mais grave, sem os CODECs necessários para executar DVDs de filmes e shows.

Muitas reclamações sucederam o anúncio que, a bem da verdade, representa um retrocesso. Voltamos à situação da época do Windows XP e, o que é pior, a uma política inversa a do Windows 7, que aumentou a quantidade de CODECs nativos no sistema, no caso para rodar de primeira vídeos de filmadoras digitais e smartphones.

DVDs no Windows 8? Não nativamente.DVDs no Windows 8? Não nativamente (Foto: Reprodução)

A Microsoft justificou a remoção pelo declínio no uso de mídia ótica e redução no custo que isso trará. Afinal, toda empresa que distribui software ou hardware capaz de rodar DVDs precisa pagar royalties a outras que detêm as patentes necessárias para a coisa toda funcionar. Só aos dois maiores consórcios de detentores dessas patentes, a Microsoft para cerca de US$ 3. Multiplique isso pelos milhões de licenças de Windows vendidas e a economia será, sim, grande.

Se há embasamento para o lado da Microsoft, para o usuário é difícil engolir a mudança. Especialmente porque o que antes vinha embutido no sistema será, agora, um add-on pago. Aos (compreensivamente) muquiranas que quiserem rodar DVD no Windows 8 sem pagar a mais por isso, existem opções open source tão boas quanto os programas nativos do sistema, em especial o VLC que, por uma “brecha” das legislações europeia e francesa, onde está sediado, habilita gratuitamente os sistemas para executar de DVDs.

O normal seria a Microsoft abater do custo final ao consumidor o que os componentes removidos lhe custavam. Pouco provável que aconteça, mas algo que me leva a pensar mais longe: e se o Windows fosse “modular”?

Aqui mesmo já listei algumas alternativas gratuitas aos programas nativos do Windows. Uso a maioria delas e outras por motivos diversos: ou é mais leve, ou é mais objetiva, ou tem mais recursos — e não raro os motivos são concomitantes. Paint, WordPad, Internet Explorer, ficam todos esquecidos em menus e pastas do sistema, jamais usados, ocupando espaço e servindo de distração em pesquisas por programas.

Não seria legal se a Microsoft vendesse a “base” do Windows limpa, sem aplicativo algum e, no ato da instalação, eu optasse por instalar este ou aquele módulo? Poderia vir uns grátis (quem pagaria pelo Paint?), poderia vir uns pagos, como o Media Center e, de repente, até coisas mais avançadas/elaboradas, como o Office. Se a preocupação é com a comodidade do usuário, que essa seja uma instalação alternativa, como as “personalizadas” que muitos instaladores de aplicativos oferecem.

Essa ideia parece contraditória em um tempo onde as fabricantes trabalham para incrementar a experiência "out of the box” dos seus sistemas, uma característica dos smartphones e tablets que parece estar migrando (de volta) aos desktops. Mas agradaria a muitos, muitos usuários.

Seleção de pacotes no Vector Linux.Seleção de pacotes no Vector Linux  (Foto: Reprodução)

No universo Linux essa ideia era bastante comum antigamente. A maioria das distros ofereciam, em seus instaladores, uma parte para selecionar aplicativos e bibliotecas a serem instaladas, permitindo a criação de um sistema adaptado às necessidades do usuário. Era complicado, principalmente os que não supriam as dependências automaticamente, mas era um caminho.

A ideia perdeu um pouco de força (no Ubuntu, distro mais popular do pinguim entre usuários domésticos, não há nada do tipo), mas quase paradoxalmente ela evoluiu. A SUSE, distribuição sob as asas da Novell, tem um site chamado SUSE Studio. Nesta página, o usuário cria a própria distro, selecionando os pacotes, aplicativos e outras características.

Exigir algo tão complexo assim do Windows, que tem um público mais vasto e uma linha de controle bem diferente da do Linux, é querer demais. Mas o sistema modular, não. Talvez não seja interessante, para  Microsoft, vender um Windows mais barato e confiar na necessidade dos usuários para recuperar a diferença das versões “cheias” via add-ons pagos. Mas de qualquer forma, fica o registro de algo que, sem sombra de dúvida, seria para lá de benéfico a toda a base de usuários do sistema mais usado do mundo.

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  • Carlos Velho
    2012-05-16T13:29:23

    Realmente, a ideia (windows modular) parece interessante. Existem diversos programas que são nativos no windows e que não têm nenhuma utilidade (exceto ocupar espaço e aparecer quando se busca algum arquivo). Eu ainda uso o Windows (mais por comodidade e preguiça de instalar o Linux e me inteirar melhor do sistema) e em razão dos jogos, mas diversos programas já foram substituídos por versões open source, pelos motivos que você bem elencou. E um windows modular também poderia incentivar que usuários de versões antigas atualizassem para uma nova (evitando a síndrome do xp, se é que me entende).