Sistemas Operacionais

23/05/2012 08h00 - Atualizado em 23/05/2012 08h00

O adeus ao Aero no desktop clássico do Windows 8

Rodrigo Ghedin
por
Para o TechTudo

Antes do lançamento do Windows Vista havia uma prática bem forte chamada “deskmod”. Ainda hoje ela existe, mas está restrita a usuários mais inconformados com os caminhos tomados pelo time de design do Windows — pesquise bem a área de customização do DeviantART e encontrará modificações bem profundas do visual do sistema.

Desktop do Windows 7.Desktop do Windows 7 (Foto: Reprodução)

No geral, o deskmod, que nada mais é do que modificar o visual de um sistema operacional, perdeu bastante força desde o início de 2007. A isso atribuo o Aero, padrão visual instituído no Vista e fortalecido no Windows 7.

O Aero é a combinação de visual moderno e soluções espertas para a interface do Windows. A parte mais conhecida é a das transparências (“glass”), das janelas e barra de tarefas. Mas há muito mais além disso. Recursos de usabilidade, como o utilíssimo Aero Snap e o quase nunca usado Aero Shake, formam as fundações dessa identidade visual que perdurou no Windows por cinco anos.

No fim de 2012, quando o Windows 8 chegar às lojas, essa era chegará ao fim. No blog oficial do desenvolvimento do sistema, Jensen Harris, diretor do time de experiência do usuário, explicou as motivações por trás dessa decisão. Antes, porém, fez um passeio pela história do Windows justificando as ideias por trás do Aero Glass.

Duas partes chamam bastante a atenção no texto. Primeiro, a razão do Aero ser tão interessante: “O Aero foi criado para ajudar as pessoas a focar menos na moldura da janela e mais no conteúdo dentro da janela. Ele afasta os olhos da barra de títulos e das bordas e direciona ao que é mais valioso e para o que o app trata.”

Sem parar para pensar, é algo que passa batido — como quase toda boa decisão de experiência de usuário, aliás. O Aero tem uma característica adaptativa muito bacana: ele pode ser levemente colorido ou totalmente transparente, o que, nessa última opção, “mescla” sutilmente as janelas à área de trabalho. Não por acaso, é esse padrão visual que utilizo em meu desktop. Se a meta era efetivamente essa, eles conseguiram atingi-la.

Em outro trecho, ele diz: “Esses elementos estilosos representavam as sensibilidades do design daquela época, refletindo as capacidades das então novas ferramentas digitais usadas para criá-los e renderizá-los. Esse estilo de simular materiais reais (como o vidro ou o alumínio) na tela parece datado agora, nas naquele tempo estava muito em voga.”

É, ao mesmo tempo, uma alfinetada na Apple (que insiste no visual esquiomorfo tanto no iOS, quanto no OS X) e um viva ao visual reto e abstrato da linguagem Metro, que guia o desenvolvimento do Windows 8.

A solução? Eliminar completamente os efeitos de transparência e outros herdados do Windows Vista/7.

Visual preliminar da área clássica do Windows 8.Visual preliminar da área clássica do Windows 8 (Foto: Reprodução)

Isso é necessário por algo que, em design, chama-se “consistência”. O visual do Aero Glass não tem absolutamente nada a ver com o do Metro, logo, com ambos a um clique de distância, perdia-se a harmonia visual que se espera de um sistema. Essa disparidade entre partes tão importantes do Windows 8 era quase a mesma coisa que encontrar um ícone do Windows 3.11 no Windows 7 (existe), mas em proporção muito maior.

O que questiona-se, e muito, é a forma como a Microsoft conduziu essa transição. Sim, é um trabalho inacabado e que, ainda segundo Harris, só será revelado em sua plenitude na versão final do Windows 8, mas no momento parece estranho. E fica ainda mais quando colocado lado a lado de trabalhos criados por fãs, sem compromisso algum, apenas por hobby e/ou para mostrar que é possível fazer algo melhor com a porção clássica do Windows 8.

Este, publicado por um usuário identificado como Sputnik8 nos fóruns do Verge, fez muita gente babar:

Conceito do Windows 8 Metro.Conceito do Windows 8 Metro (Foto: Reprodução)

É uma proposta mais bela e interessante que a oficial, mas que traria alguns problemas, ou incompatibilidades, com o histórico do sistema. A Microsoft não vê a parte clássica do Windows 8 como um “modo” ou algo legado. Para a empresa, ele é apenas um paradigma diferente de trabalho que agrada a algumas pessoas — eu, enquanto usando mouse e teclado, incluso. Em outro trecho do post já citado, Harris toca no assunto:

“Se você quiser ‘viver na área de trabalho’, se você não planeja usar um PC com tela sensível a toques ou qualquer dos apps da Windows Store, o Windows 8 ainda assim tem muito a oferecer. A experiência desktop do Windows 7 tem sido atualizada e em muito melhorada, com adições como o novo Gerenciador de Tarefas, novo Explorer e nova interface de cópia de arquivos, Hyper-V no cliente, wallpaper e barra de tarefas para múltiplos monitores etc. E tudo isso em um pacote que usa menos recursos do sistema do que o Windows 7. A nova Tela Inicial é simplesmente a continuação da tendência do Windows 7 de unificar elementos díspares na interface de usuário — iniciar, lançar, alternar e notificações.”

O problema é que a Tela Inicial é uma quebra no ritmo de trabalho. Já defendi, aqui no TechTudo, que o Windows “Metro” deveria ser uma coisa à parte, que sou contra a ideia do “sem compromisso” que guia o desenvolvimento do Windows 8 para tablets e desktops — nessa ordem. Mas isso é papo para outra hora.

No fim, só espero que melhorem o visual. A screenshot divulgada por Harris assustou um monte de gente. O visual Metro conseguiu mostrar-se esquisito, coisa que parecia quase impossível. Ficou parecendo um dos temas de alto contraste de versões anteriores, os quais têm aplicabilidade (e das mais nobres), mas não é para todo mundo. Com sorte, até o fim do ano teremos melhores notícias.

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  • Ewerton Rocha
    2013-05-05T00:44:06

    O Windows precisa evoluir mais uma vez!