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01/10/2012 11h02 - Atualizado em 01/10/2012 11h54

O que os políticos podem e o que não podem fazer nas redes sociais

Pedro Pisa
por
Para o TechTudo

No próximo dia 7 de outubro, vamos todos escolher os prefeitos e vereadores para nossas cidades para os próximos 4 anos. Nessas eleições, no entanto, observa-se a intensificação de um fenômeno já observado nos Estados Unidos: o uso das mídias sociais para conquistar os eleitores. Neste artigo, o TechTudo apresenta as principais possibilidades e restrições para os candidatos nas redes sociais.

As redes sociais nas campanhas políticas (Foto: Reprodução / Tuddoweb.com.br)As redes sociais nas campanhas políticas (Foto: Reprodução/Tuddoweb)

Nos EUA, onde a campanha eleitoral está a todo vapor, o Facebook construiu uma página com algumas dicas para que os candidatos aproveitem o máximo da rede social. Dentre as principais dicas, inclui-se adicionar pelo menos uma imagem em cada postagem e, sempre que possível, adicionar um vídeo ao vivo ou pré-gravado. A lista, tirada de uma pesquisa da Pew Internet and American Life, sugere ainda o horário entre 21 e 22 horas para enviar de postagens e a utilização do Facebook Ads.

No entanto, essa lista deve ser vista com ressalvas no Brasil. Dos sete itens listados, o uso do Facebook Ads é proibido pela nossa Justiça Eleitoral, que aplica multa de 5 a 30 mil reais a políticos que utilizarem de banners em páginas de pessoas jurídicas, mesmo que a propaganda seja gratuita.

Além disso, vale ressaltar que nenhum candidato pode utilizar qualquer meio de comunicação para fazer propaganda política fora dos 3 meses que antecedem a eleição. Atento a essas diferenças na legislação e, sobretudo, na população e na infraestrutura da Internet, o TechTudo conversou com o Gabriel Rossi, que comanda uma consultoria, especializada em marketing digital e atua na orientação e coordenação digital com candidatos a senadores, prefeitos e vereadores.

Gabriel Rossi, consultor em marketing digital em campanhas políticas para senadores, prefeitos e vereadores (Foto: Divulgação)Gabriel Rossi, consultor em marketing digital em
campanhas políticas (Foto: Divulgação)

Já em 2010, nas campanhas presidenciais, percebeu-se o aumento do uso das redes sociais e Rossi afirma que duas mudanças são bastante nítidas nesse processo. A primeira delas é que as campanhas eleitorais tendem a ficar mais visuais e a Internet, como um todo, tende seguir esse padrão. Segundo ele, isso é um legado do Pinterest. “Outro ponto importante é a mais forte simbiose entre a mídia tradicional e as comunidades digitais. Existe uma relação mútua de aprendizado entre Internet e veículos tradicionais", afirma Rossi. Através de redes como o Twitter e o Facebook, por exemplo, pode-se monitorar temas para serem pautas dos programas dos grandes canais de comunicação. Ainda segundo Rossi, é uma grande disputa colaborativa em torno de pauta.

O envio de mensagens para os usuários é um assunto definido pela Justiça Eleitoral tanto no Twitter quanto em e-mails e sites. No primeiro, os candidatos só podem enviar mensagens para os usuários que, por iniciativa própria, optaram por seguir o candidato. Em e-mails, deve-se adicionar um link para que o usuário manifeste a vontade de não receber mais e-mails, que devem parar de ser enviados em até 48 horas. Os sites dos candidatos, por sua vez, devem ser registrados na Justiça Eleitoral.

Uso do Facebook nas eleições (Foto: Reprodução / Rotaregional.com.br)Uso do Facebook nas eleições (Foto: Reprodução)

Embora sejam tratadas como mídias, os candidatos devem estar atentos às diferenças entre cada uma das redes sociais. Gabriel Rossi explicou ao TechTudo as principais diferenças do público e dos objetivos de cada rede. No Facebook, por exemplo, o internauta está em busca de status perante seus amigos. Qualquer político deve, então, ajudar o usuário a “ganhar moral” frente a sua comunidade na web.

A principal divergência entre o público brasileiro e o americano no Facebook está no público alvo. Aqui, a comunicação deve ser centrada em jovens escolarizados formadores de opinião e em mulheres acima de trinta anos, grupos que discutem sobre todos os assuntos, inclusive política. “Nos EUA e outras partes do mundo, como existe maior cultura de debate político e penetração da banda larga, é possível expandir para demais públicos.”, afirma Rossi.

Já o Twitter, segundo Rossi, possui duas funções na política. A primeira é munir jornais, revisas e grandes portais com informação sobre os candidatos. A segunda é a comunicação mais direta e humana com o eleitorado. Como o que se fala no Twitter pode ser indexado em páginas de buscas, o microblog pode ser usado para criar uma trajetória digital de um homem público na Web. O consultor aponta ainda que o público alvo do Twitter, em geral, é formado “cada vez mais por adolescentes (parte deles em idade eleitoral) que migram do Facebook para o Twitter. Eles gostam da natureza tempo real da plataforma e acreditam que ela não é habitada, diferentemente do Facebook, pelos seus pais e parentes mais velhos. Isso é uma tendência tanto nos EUA como no Brasil.”

Por outro lado, no Google+ as movimentações são tímidas. No entanto, o consultor aponta a privacidade como o Santo Graal do serviço e indica o Hangout como uma ótima ferramenta para se comunicar com eleitores, tal como fez o presidente americano Barack Obama, neste ano. No entanto, o uso político da ferramenta ainda está na sua infância e ainda não se observa tendências mais claras.

Dessa forma, percebe-se a crescente utilização de estratégias de marketing digital em campanhas políticas. É um mercado novo, também utilizado por empresas que desejam atrair clientes em potencial e fãs das marcas. Contudo, esse mercado carece de mão de obra qualificada e passa, atualmente, por uma fase que o consultor chama da “Juniorização” da área, em que falta mão de obra qualificada para suprir as necessidades de crescimento da área.

No Brasil, portanto, a falta de mão de obra qualificada, aliada à visão equivocada de muitos políticos, reduz o profissionalismo das campanhas digitais. “Os candidatos se preocupam mais com as ferramentas tecnológicas e não com o comportamento do eleitor.”, critica Rossi, “Falta autenticidade. Nas vértices de ferramentas como Twitter e Facebook nós temos pessoas que se relacionam com outras pessoas online. Parece uma conclusão natural mas políticos e seus estrategistas ainda possuem um problema sério em entender tal afirmação”.

E essa falta de profissionalismo acarreta em atitudes como profissionais de marketing se travestindo de militantes na Internet, o que o consultor chama de “jogo de sangue ou batalha para surdos”.  O mercado de marketing digital em campanhas políticas precisa evoluir para níveis de maior profissionalismo e qualificação.

Novo eleitor está conectado com a informação (Foto: Reprodução / Politicapb.com.br)Novo eleitor está conectado com a informação
(Foto: Reprodução/Politicapb)

Por fim, Rossi nos conta que a maior diferença da campanha atual para outras  é “a influência mais incisiva de um eleitor renovado”, que ele vem chamando de “neoeleitor”, o cidadão que deixou de ser convencido meramente por propaganda eleitoral. É moderno, ligado em informação 24 horas por dia, cada vez mais digital e com uma voz que antes não possuía. “O neoeleitor ainda não é maioria, mas pode ser decisivo [já nessas eleições]”, afirma. O especialista, exemplifica, que na disputa pela prefeitura de São Paulo, as redes sociais serão muito mais incisivas no segundo turno: “Se José Serra, por exemplo, for para o segundo turno, terá grandes dificuldades em ser competitivo  se não melhorar no contato com eleitores nas redes sociais”, completa o consultor.

E você, eleitor e leitor do TechTudo? Se enquadra no perfil do "neoeleitor"? Quais meios utiliza para receber e propagar informações sobre os candidatos? Acha que as redes sociais serão protagonistas do processo eleitoral em alguns anos? Deixe seu comentário.

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  • Ramiro Junior
    2016-07-08T01:17:10

    Ola, um candidato que é advogado, em pre-campanha pode impulsionar material motivacional sem mencionar pedido de voto? Quais as regras para patrocinios no facebook e youtube?