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02/01/2014 10h41 - Atualizado em 02/01/2014 10h41

Bitcoin: o que é

B. Piropo
por
Para o TechTudo

Como a maioria dos internautas, já fiz compras e pagamentos via Internet. Não sou um comprador voraz, mas o número de vezes que recorri a este expediente é significativo. O meio que uso para efetuar o pagamento é o PayPal. Ou, quando o vendedor é confiável, pago diretamente com cartão de crédito. Como até hoje nunca tive qualquer problema, continuo agindo assim e não dou muita atenção a formas de pagamento alternativas.

De uns tempos para cá tenho ouvido falar em “Bitcoin”. Como “coin” em inglês significa moeda e o termo “bit” é usado comumente para indicar algo relativo a computadores, imaginei que se tratasse de uma nova forma de pagamento virtual na qual não entrasse dinheiro ou algo parecido. E como o assunto não me despertava interesse, simplesmente o deixei de lado.

A questão é que, embora o tamanho de minha ignorância seja infinito (quanto mais aprendo mais me dou conta de sua enormidade), não me agrada desconhecer seja lá o que for. Então aproveitei que um artigo sobre o Bitcoin me caiu nas mãos e resolvi dar uma olhada. E vocês não fazem ideia de como fiquei surpreso com o que descobri.

Ora, considerando que, conforme presumo, cada vez se falará mais em Bitcoin, resolvi dividir com vocês este conhecimento recém adquirido. Então, mãos à obra. Começando pelo princípio, como convém.

GPC20140102Logo do Bitcoin (Foto: Reprodução/BitCoin)

O que é Bitcoin?

Bitcoin não é mais uma das formas disponíveis de pagamento virtual. Sequer é uma “forma de pagamento”. Bitcoin é uma moeda.

Uma moeda virtual, naturalmente, mas uma moeda – e neste contexto o termo “moeda” não é usado na mesma acepção de “peça de metal de formato circular… etc”. Mas, é empregada quando se diz que o real, o dólar americano, o yuan, o peso, são moedas. Simplificando: Bitcoin é aquilo que costumamos chamar de “dinheiro”, “bufunfa”, “caraminguá” ou qualquer outra das mais de cem designações listadas no Houaiss.

Portanto Bitcoin é grana – pelo menos para quem transaciona com ele – e está se tornando cada vez mais popular. Então é possível, por exemplo, converter para Bitcoins quantias expressas em dólares americanos desde que conhecida sua cotação. Para ilustrar: ontem, primeiro de janeiro de 2014, a cotação do bitcoin (cujo símbolo é BTC) abriu a 1 BTC = US$ 757,58 e oscilou entre um mínimo de 1 BTC = US$ 750,53 e um máximo de 1 BTC = US$ 774,26.

E quem determina esta variação?

Ninguém. A flutuação da cotação do Bitcoin obedece rigorosamente a lei da oferta e da procura. Certas instituições (as “Bitcoin Exchanges” que, de certa maneira, funcionam como bancos virtuais; voltaremos a falar nelas mais tarde) calculam esta cotação e a divulgam ao longo do tempo. Quer saber o valor exato agora, ou seja, no momento em que está lendo estas linhas mal traçadas? Pois interrompa a leitura e visite o sítio de uma destas instituições, por exemplo a CoinDesk, e veja você mesmo (a boa técnica e o bom senso não recomendam que um autor sugira ao leitor interromper a leitura de seu texto, mas neste caso tenho certeza de que você voltará).

Mas, afinal, o que é uma moeda? O que é dinheiro?

Dinheiro é algo que pode ser trocado por bens, serviços, divisas estrangeiras (que por sua vez também são “dinheiro”), usado como pagamento nas diversas transações financeiras e é amplamente aceito, ao menos pelos que a usam.

Por exemplo: na Roma antiga os legionários eram remunerados com certas quantidades de sal – daí a origem do termo “salário” – e este sal era trocado por bens e serviços. Ou seja: sal era dinheiro. A mim não parece que o sal seja a moeda ideal. Eu, pelo menos, dificilmente aceitaria como moeda corrente qualquer coisa que fosse solúvel em água. Mas no tempo em que o exército romano conquistou a Europa o sal era raro, difícil de obter e extremamente útil, daí o seu grande valor. Além disso, cumpria outras condições que uma boa moeda deve satisfazer: era facilmente reconhecível, difícil de falsificar, transferível entre pessoas, transportável, divisível e fungível. Vou lhe poupar a consulta ao dicionário porque eu mesmo acabei de ser forçado a fazê-lo e não vale a pena duplicar esforços. Do Houaiss: Fungível (adj) – passível de ser substituído por outra coisa de mesma espécie, qualidade, quantidade e valor.

E o bitcoin também atende a todas elas.

Mas não é só isto. Acumular moedas é um meio de armazenar riquezas (vide o famoso cofre do Tio Patinhas), já que podem ser trocadas a qualquer tempo por praticamente qualquer coisa ou serviço (consta que o Sr. Olacyr de Moraes, cavalheiro de certa idade, largas posses e extremo bom gosto que costuma ser visto cercado por jovens deslumbrantes que com ele demonstram grande intimidade, ao ser indagado por um destes jornalistas “provocativos” se achava que aquelas belas meninas gostavam realmente dele, respondeu: “Não sei, nunca perguntei”; e acrescentou: “Quando vou a um bom restaurante e como uma picanha que me agrada, não pergunto se a vaca gostava de mim”; não garanto ser isto verdade, o Sr. Olacyr demonstra uma elegância que o impediria de recorrer a esta imagem tão crua, mas sendo ou não verdade ilustra bem o que eu quis dizer com o “praticamente qualquer coisa ou serviço” lá de cima).

Para ser usada com o objetivo de acumular riqueza, a moeda deve cumprir outras tantas condições: deve ter um suprimento estável, ser durável, fácil de ser protegida dos amigos do alheio e manter um valor estável.

Também estas condições são cumpridas pelo Bitcoin, com exceção talvez da última; mas, afinal, as cotações das demais moedas “oficiais” também podem oscilar (voltaremos a este ponto) e nem por isso entesourá-las deixa de ser um meio de armazenar riquezas.

Finalmente, há ainda algumas características apresentadas pelo chamado “dinheiro vivo”: pertence a quem o porta (está no seu bolso? Então é seu), não mantém qualquer tipo de registro sobre a identidade do proprietário, é fácil de armazenar anonimamente, porém difícil ou impossível de repor em caso de perda ou furto. Todas elas também apresentadas pelo Bitcoin.

Portanto, até agora todas as condições apresentadas como necessárias para que algo seja usado como moeda foram atendidas não apenas pelo Bitcoin quanto por todas as demais moedas oficiais dos diferentes países.

Logo, respondendo à pergunta lá de cima: o Bitcoin é uma moeda, já que atende a todas as condições que devem ser cumpridas pelas demais moedas oficiais.

Não obstante tudo isto, o Bitcoin apresenta algumas características adicionais que lhe conferem algumas vantagens significativas sobre as demais moedas. Todas decorrentes do fato de ser o Bitcoin uma criptomoeda (aportuguesamento do inglês “criptocurrency”).

Primeiro vamos ver o que vem a ser uma criptomoeda, depois quais são as consequências de seu uso.

Uma criptomoeda é um instrumento de troca, ao portador (que não identifica o dono) criado com base em criptografia digital.

E como entender os conceitos de criptografia e criptografia digital é essencial para que se compreenda como todo o sistema Bitcoin funciona, vamos deixar isso para a próxima coluna.

Até lá.

B. Piropo

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populares

  • Mario Jorge
    2014-01-03T13:39:54  

    Besteira, quer dizer que o cara te da 1 bitcoin a troco de 700 e tantos dolares, ele fica com os dolares e voce com 1 bitcoin virtual??/ Me engana que eu gosto

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    • Mario Jorge
      2014-01-03T13:39:54  

      Rapaz! Como é que ninguém pensou nisso antes?

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    • Mario Jorge
      2014-01-03T13:39:54  

      kkkkkkkkkkkkkk

  • Hugo Mattos
    2014-01-23T08:12:49  

    Beleza! Bacana! Mas, digamos que comprei 10 Bitcoins. Que hoje seria em torno de 8610 dólares e no futuro, com uma valorização dessa moeda, eu resolva vender. Onde eu receberei o dinheiro? Cartão de Crédito? PayPal, está caminhando para isto. O que não me garante que será amanhã ou daqui a 10 anos.

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    • Hugo Mattos
      2014-01-23T08:12:49  

      Acompanhe a série. Responder agora seria adiantar o assunto

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    • Hugo Mattos
      2014-01-23T08:12:49  

      Se hj o bitcoin está valendo isso, imagine daqui a uns 5 anos ... É um caso a se pensar !

  • Miseravão
    2014-01-02T11:52:31  

    O Brasil está bem atrasado com o BTC, na Europa já é comum comprar em diversos comércios locais, o banco JP Morgan está tentando patentear sua própria moeda digital, o Paypal vai passar a aceitar BTC em suas transações... As pessoas têm um certo receio por nenhum governo ter controle do sistema, mas essa é a vantagem, se você quiser não precisa pagar 1 centavo de imposto ao governo porque a moeda não é rastreável e o sistema só poderia ser extinto se a internet fosse desativada mundialmente.

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    • Miseravão
      2014-01-02T11:52:31  

      Entretanto, é fato que, para usarmos atualmente o Bitcoin, precisaríamos converter dinheiro "real" para esse dinheiro criptografado. Nessa conversão é que sofremos com os impostos.

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    • Miseravão
      2014-01-02T11:52:31  

      Para usar o Bitcoin basta que o estabelecimento o aceite, se não, ambos pagaram impostos ..Mas o Bitcoin me atrai por que não é inflacionada, logo é mais lucro guardar dinheiro usando Bitcoin não em poupanças.

  • Ian Lyra
    2014-01-02T12:31:14  

    Caro Poripo, o que mantém a credibilidade do BitCoin? Quem é capaz de emitir esta moeda? Por quanto tempo a criptografia pode ser considerada um método seguro de evitar falsificação?

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    • Ian Lyra
      2014-01-02T12:31:14  

      E inflacionado.

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    • Ian Lyra
      2014-01-02T12:31:14  

      Acompanhe a série. Responder agora seria adiantar o assunto. Mas desde já posso adiantar que o bitcoin é DEflacionário por natureza.

  • Roberto Alencar
    2014-01-22T19:02:35  

    Excelente texto! Muito bem escrito! Claro e conciso, com a dose certa de humor. Coisa rara hoje em dia!

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    • Roberto Alencar
      2014-01-22T19:02:35  

      Obrigado

  • Alexandre Leite
    2014-01-04T03:14:04

    O problema do bitcoin é que ele é muito revolucionário. Aparentemente ele livra as pessoas dos bancos e governos. E justamente por isso a reação destes pode ser uma ameaça ao bitcoin. Mas na verdade, ele não é tão anônimo assim e talvez os governos possam usá-lo como uma forma de rastrear transações indevidas. Os bancos poderão ser úteis como intermediários nas transações, garantindo a entrega do produto ou evitando golpes, por exemplo. Mas, sem dúvida, seus lucros serão bastante reduzidos.

  • Henderson Bariani
    2014-01-03T10:54:17

    BitCoin é o futuro. Eu confesso que tenho um certo medo dele, mas o jeito é encarar. Aguardando a(s) próxima(s) coluna(s).

  • Lucas Nascimento
    2014-01-03T04:15:45

    Muito boa coluna!

  • Juliano Olivette
    2014-01-02T18:51:13

    Ótima introdução, parabéns pela coluna!