Como escolher um bom antivírus?

Conversamos com especialistas da Kaspersky e da Trend Micro que deram dicas importantes e simples.

Como escolher um bom antivírus?  Como escolher um bom antivírus? 

Por Melissa Cruz Cossetti, da redação

Ter um antivírus de qualidade instalado no computador, seja pago ou gratuito, é fundamental para evitar que malwares infectem a máquina e operem uma série de golpes que quase sempre causam prejuízo financeiro. Os vírus podem capturar dados bancários, bloquear arquivos ou mesmo transformar a máquina em zumbi, realizando operações remotas. Recentes casos como o ataque ransomware em escala global WannaCry aumentaram a preocupação dos usuários de Windows — principal alvo de hackers — que buscam softwares de segurança. Separamos nove dicas decisivas na hora de escolher um bom antivírus.

Como escolher um bom antivírus

Como escolher um bom antivírus

Conversamos com Thiago Marques, pesquisador da Kaspersky, e Aloísio Marinho, engenheiro de Vendas da Trend Micro, duas empresas de antivírus, para reunir dicas importantes na hora de escolher um para o seu computador ou celular.

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1) Laboratório no Brasil

Cultura local é uma isca para atrair vítimas. Temas tão brasileiros como FGTS, nas mãos de analistas estrangeiros, podem passar despercebidos. Especialistas voltados para a região facilmente os detectam e colocam uma bandeira vermelha. O ideal é que a empresa não conte apenas com um escritório de vendas no país, mas com um laboratório. "Ter uma pessoa que está dentro do país ajuda a fazer esse trabalho de pesquisas por novas ameças de maneira mais fácil e rápida. Quando houve o desastre com a Chapecoense, sabíamos que haveria uma avalanche de ataques relacionado a esse assunto", diz Marques, da Kaspersky.

Marinho, da Trend Micro, lembra que a maioria das empresas de antivírus não são brasileiras. Cabe ao usuário buscar por aquelas com representatividade técnica no Brasil. "Essas empresas mantêm pesquisadores, responsáveis por descobrirem novos vírus e ameaças, além de novas formas de se protegerem, em qualquer país que seja. O cibercrime assim como o crime tradicional conta com técnicas locais, tornando difícil que alguém de fora, entenda de fato essas ameaças, afirma.

2) Pago ou Grátis?

Quase sempre, antivírus grátis são o suficiente para PCs domésticos. Os pagos, porém, oferecem recursos específicos que atendem demandas de usuários exigentes como VPNs e um modo compatível com jogos.

"Hoje, falando das proteções básicas, como scanner de arquivos e processos ou golpe de phishing, quase todas as soluções de antivírus grátis oferecem esse tipo de proteção. Para o usuário comum isso pode ser suficiente. O grande diferencial da versão paga são os modos específicos para ransomware, proxy malicioso, VPNs, carteira de senhas e etc. Vai mais do perfil do usuário e do tipo de uso do computador", explica Marques. Servidores necessitam de outros tipos de cuidados.

3) Nome Confiável

Mais importante que o valor pago pela proteção, porém, é a confiabilidade. Escolha um antivírus de empresas sempre ativas em pesquisas e por dentro de todos os assuntos de segurança, vazamentos e falhas exploradas por hackers que chegam na imprensa do mundo todo.

"O usuário precisa escolher empresas que tenham nome no mercado, que vê sempre ativas em pesquisas e todos os assuntos de segurança. Tem até antivírus falsos que se passam por verdadeiros", diz Marques. "É muito importante que seja realizada uma etapa de pesquisa. Pesquise sobre o fornecedor de antivírus e procure fóruns em que a empresa divulgue novidades e informações", completa Marinho. Sendo assim, é como fazer uma pesquisa pela compra de um carro, ou outro bem importante, a marca/fabricante vai definir parte do seu valor final.

Vírus-Home (Foto: Pond5) Vírus-Home (Foto: Pond5)

Vírus-Home (Foto: Pond5)

4) Software Falso

Faça uma pesquisa aprofundada e vá direto ao site do fabricante. Alguns antivírus falsos, com nomes e ícones bem parecidos, tentam se aproveitar dos internautas mais leigos em lojas alternativas. "Avaliar a empresa por trás do software é até mais importante do que saber se ele é pago ou gratuito", explica Marques. As falsas soluções são perigosas.

Marinho aponta ainda que compartilhar suas dúvidas com a comunidade é fundamental. "Sites como o virustotal.com podem também ajudar nesta tarefa. Se a empresa que você escolheu como fornecedora está lá, como fonte, isso é um indicador positivo", ensina. "Além disso, o site conta com motores de antivírus. Caso, por exemplo, seja enviado um arquivo, várias empresas de antivírus irão fazer um teste de verificação para checar se é malicioso ou não", completa. Sendo assim, as fabricantes que se oferecem para colocar motores nesses sites estão compartilhando suas detecções e sua inteligência com a comunidade de segurança, o que mostra a disponibilidade da empresa em colaborar com informações.

5) Referência de Institutos Terceiros

Sites de instituições sem fins lucrativos — ou seja, que não vendem software — como o av-test (av-test.org) e av-comparatives (av-comparatives.org) fazem a análise de antivírus de vários fabricantes e dão um panorama do nível de proteção, performance e usabilidade.

"Existem relatórios mais complexos, em que se tem acesso às informações sobre desempenho, quantidade de detecção, tipos de vacinas e etc. Verificar se a empresa escolhida está bem posicionada nos resultados e relatórios [dos sites indicados acima] é um parâmetro importante a ser observado no momento da escolha", avalia Marinho.

6) Tudo Atualizado

Ameaças evoluem todos os dias. Para manter-se protegido, é necessário atualizar o antivírus para novos malwares. Não adianta lutar contra o vírus de hoje com armas do passado. As ameaças evoluem paralelamente às ferramentas de segurança, agindo de novas formas. "O ransomware, até pouco tempo, não era muito popular. O boom foi recente. É necessário atualizar o antivírus para que ele possa detectar novos tipos de ameaças", aponta Marques. Por isso, é importante, por exemplo, renovar licenças do anti-malware e suas vacinas periodicamente.

Manter o computador atualizado ajuda a prevenir a exploração de falhas de software (Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo) Manter o computador atualizado ajuda a prevenir a exploração de falhas de software (Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo)

Manter o computador atualizado ajuda a prevenir a exploração de falhas de software (Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo)

7) Sistema Operacional

Além de atualizar o antivírus, para que a camada de proteção opere com segurança, é importante que o sistema operacional da máquina também esteja 100% atualizado contra falhas e bugs com os patches oferecidos pela fabricante. "Muita gente usa sistema operacional pirata, totalmente desatualizado. Nesta condição, se ativar a atualização, vai perder a ativação [do sistema operacional pirata] que foi feita", conta Marques. Não há antivírus que opere bem em máquinas obsoletas.

"A responsabilidade do usuário é alta. O antivírus está ali para ajudar e detectar anomalias e o que acontece muitas vezes é que as pessoas incluem códigos maliciosos na "whitelist" [lista de permitidos]. Se o usuário decide executar algo que o antivírus marcou como malicioso, não há solução", completa. Cracks de jogos e softwares são um risco.

8) Adeus, Pirataria

Recorrer a chaves de ativação falsificadas está fora de cogitação. Muitas dessas falsas ofertas são golpes. Opte, então, por uma versão gratuita e segura. Alguns blogs e sites ensinam como "crackear" e piratear os antivírus pagos, muitos deles fornecendo ferramentas que podem colocar o seu computador em risco. "Se for para utilizar um antivírus pago dessa forma, é melhor optar por um gratuito, mesmo limitado", diz Marques.

É preciso que o brasileiro tenha a cultura de manter tudo atualizado e também legalizado, explica Marques. "[O usuário] Não deve utilizar software pirata, CDs vendidos na rua, por exemplo, em camelôs, falta que o usuário tenha um comportamento mais seguro realmente", encerra.

9) Antivírus para celular

E, se quando falamos sobre antivírus, a primeira coisa que vem à cabeça são os computadores tradicionais, como desktops e laptops, vale lembrar que smartphones e tablets — principalmente com Android — também estão na mira dos hackers. Negligencia-los pode torna-los um vetor de vírus na sua rotina, principalmente se você instalar apps usando apks.

"Proteger os dispositivos móveis tornou-se também prioritário. Atualmente, os usuários estão renunciando cada vez mais seus desktops e laptops, e utilizando os dispositivos móveis [celulares e tablets] para as tarefas. Por isso, existe a necessidade de que o software escolhido possa ser implantado também em celulares", finaliza Marinho. Sendo assim, verifique se o antivírus escolhido para o seu computador oferece também aplicativos para proteção de todos os seus aparelhos móveis.

Procure uma opção de antivírus também para o seu celular (Foto: João Balbi / TechTudo) Procure uma opção de antivírus também para o seu celular (Foto: João Balbi / TechTudo)

Procure uma opção de antivírus também para o seu celular (Foto: João Balbi / TechTudo)

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