19/04/2011 17h05 - Atualizado em 14/07/2011 06h53

Jogos que mereciam um remake: Streets of Rage

Fernando Motta
por
Para o TechTudo

Em 1991, os jogos no estilo side scrolling beat’em up, que consistiam em bater em todo mundo numa tela que se move lateralmente, faziam a cabeça da galera, nos consoles e nos arcades. A Capcom tinha Final Fight (1989) e Captain Commando (1991) e a Konami fazia filas nos shopping centers com Tartarugas Ninja 2 (1989). A Sega também fazia sucesso com Golden Axe, tanto nos fliperamas quanto na casa da turma que tinha um Mega Drive. Mas ainda faltava algo para a softhouse. Algo mais atual e “de rua”, assim como Final Fight e Tartarugas Ninja. Então, ainda em 91, resolveram lançar Streets of Rage para seu console de 16 bits.

Streets of Rage (Foto: Divulgação)Streets of Rage (Foto: Divulgação)

Claramente inspirado no sucesso da Capcom Final Fight, Streets of Rage também trazia três personagens para o jogador selecionar. Axl era uma cópia descarada de Cody, herói da Capcom, mas havia uma diferença crucial no jogo da Sega, que era a presença da mulher Blaze. A dama de vermelho rapidamente se tornou a musa dos fãs da empresa, assim com Chun-Li era para os amantes do Super Nintendo. Para finalizar, Adam era o fortão e lento da equipe, completando o clichê do trio formado por um personagem ágil, mas fraco, um musculoso lerdo e um equilibrado.

Os comandos do jogo eram simples: havia um botão para soco, um para pulo e um último para o especial. Esse especial era a grande diferença de Streets of Rage para Final Fight: enquanto Haggar e companhia davam um golpe que consumia sua própria energia, Axl, Adam e Blaze chamavam um reforço policial, que disparava tiros derrubando todos os inimigos da tela, mas que só podia ser usado uma vez a cada vida. Porém, isso seria mudado nas versões seguintes do jogo, copiando também o funcionamento do jogo da Capcom onde o especial consumia energia do próprio personagem do jogador.

As músicas do game eram compostas por Yuzo Koshiro, que também fez a trilha de The Revenge of Shinobi, e seguiam uma linha techno-rock, misturando guitarras a baterias eletrônicas. Atualmente, os CDs com as trilhas sonoras de Streets of Rage valem um bom dinheiro em leilões.

Streets of Rage (Foto: Divulgação)Streets of Rage (Foto: Divulgação)

Em 1992, foi lançado Streets of Rage 2, com qualidade gráfica bastante melhorada, jogabilidade mais desenvolvida, mostrando a barra de energia de todos os inimigos, o que era inexistente na primeira versão. Foram dadas vozes aos personagens, que gritavam ao executar golpes. O jogo estava mais rápido, já que muitos reclamavam da lentidão da versão anterior. Também foi alterado o funcionamento dos golpes especiais, trocando a ajuda policial por golpes que o personagem mesmo executava, visivelmente inspirados nos Hadoukens e Shoryukens da Capcom. Outra inspiração visível era a presença de um novo modo de jogo, onde um jogador lutava contra o outro, bem no estilo Street Fighter. Isso se deve ao fato de que, em 92, jogos beat’em up estavam perdendo a força, dando lugar para jogos de luta no estilo mano-a-mano.

Em 94, Streets of Rage 3 completa a série, trazendo ainda mais velocidade ao jogo, onde os jogadores podiam correr, jogar com novos personagens, incluindo alguns secretos, e novos golpes especiais. Porém, com a decadência que o estilo sofria, não fez tanto sucesso, já que agora as atenções estavam mais voltadas para jogos de luta um-contra-um, como Super Street Fighter 2, Motal Kombat, Fatal Fury e King of Fighters (que na verdade é um três-contra-três).

Streets of Rage (Foto: Divulgação)Streets of Rage (Foto: Divulgação)

Desde então, nenhuma novidade sobre a série foi lançada pela Sega. Porém, alguns fãs criaram o Streets of Rage: Remake, que não é uma versão oficial, mas sim uma versão desenvolvida por apreciadores da trilogia. Essa versão dos fãs foi muito bem feita, pois juntava partes das 3 versões oficiais e era muito fiel ao original, tendo agradado à turma que andava carente de dar umas porradas nos vilões da cidade. Infelizmente, a Sega não gostou muito da idéia de ver seu jogo e seus personagens sendo utilizados livremente por aí, e tratou de proibir esse remake, como você pode ler nessa matéria aqui no Tech Tudo. Quem sabe se esse remake tivesse sido um pouco diferente, não apenas copiando os sprites originais da Sega, mas sim desenhando novas cenas e detalhes, incluindo novos personagens e usando novas tecnologias, como por exemplo, modelagem em 3D, a gigante softhouse japonesa não teria dado uma chance.

Em 2007, foi lançado uma versão do primeiro Streets of Rage para download via Virtual Console do Nintendo Wii e uma versão para o iOS, onde donos de iPhone, iPod Touch e iPad podiam distribuir algumas porradas. Mas nenhuma novidade sobre o jogo foi lançada pela Sega desde 94.

Streets of Rage merecia ganhar uma nova versão, com gráficos novos em 3D, mas mantendo a jogabilidade em 2D, assim como a Capcom fez com os gráficos de Street Fighter 4, já que a Sega se inspira tanto nos jogos dessa empresa. A possibilidade de jogarem mais de duas pessoas também seria bem vinda, podendo jogar em modo multiplayer. Fonte de inspiração para isso também não faltaria, já que a Konami fez um belo trabalho com o remake para Playstation 3 de Targarugas Ninja 4. Infelizmente para nós fãs da série, a Sega não demonstra interesse em fazer uma nova versão do jogo, lançando apenas jogos portados exatamente como eram nos seus consoles antigos para os consoles da atual geração.

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  • Thiago Douglas
    2012-09-10T20:28:04

    Sega para mim e para muitos a melhor.

  • Thiago Rocha
    2011-10-14T16:53:06

    É uma pena que a SEGA não valoriza seus próprios fãs.