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29/04/2011 16h13 - Atualizado em 14/07/2011 06h51

Top 5: Os piores erros da Sony

Bruno do Amaral
por
Para o TechTudo

A Sony não é uma empresa de ambições pequenas. Fundada em 1946, lançou o primeiro rádio com transistores do Japão nove anos depois e, em 1969, já colocava no mercado o primeiro gravador de fita cassete profissional no país. Mas a companhia só se tornou uma gigante no ramo de eletrônicos, de fato, quando introduziu ao mundo o Walkman, em 79, o famoso toca-fitas portátil que revolucionou o consumo de música e abriu terreno para o que hoje é o mercado dos MP3 players.

Na década seguinte, a empresa conseguiu uma história de sucesso que dura até hoje, com o investimento na alta tecnologia em todos os seus produtos, incluindo o CD (junto com a Philips) e os videogames da família PlayStation (após um desentendimento com a Nintendo para desenvolver um drive de CD-ROM para o Super NES no início da década de 90). É inegável que a Sony é uma das maiores companhias do mundo e agora investe forte nos setores de eletrodomésticos, computação e de telefonia móvel (com sua parceria com a Ericsson e o Google).

Sony: Make belive (Foto: Divulgação)Sony: Make belive (Foto: Divulgação)

Mas também não dá para deixar de enxergar erros. Como sempre, o TechTudo vai listar algumas das mancadas da gigante japonesa - não como maneira de denegrir a imagem da empresa, mas sim para relembrar de forma crítica e bem humorada alguns episódios que os executivos da companhia preferem esquecer hoje em dia. Confira abaixo e, se quiser discordar ou concordar, utilize os comentários abaixo.


5 - E-readers

Sony Reader  (Foto: Divulgação)Sony Reader (Foto: Divulgação)

Alguém sabe ou se lembra que a companhia possui leitores de livros eletrônicos? O Sony Reader Daily Edition (produto mais sofisticado da linha), a US$ 299, é um aparelho touchscreen exclusivamente baseado na tecnologia E-Ink (tinta eletrônica, que permite alto contraste simulando um papel impresso real), suporta o formato aberto ePub e parece bem competente no que faz. Mas então, o que tem de errado?

Primeiro, é 100% mais caro do que o popularíssimo Kindle, da Amazon (exatos US$ 160), além de custar US$ 50 a mais do que o Nook Color, da Barnes & Noble. Segundo porque em pleno ano de 2011, o aparelho não possui conectividade Wi-Fi (apenas 3G, com parceria de operadoras) e nem navegador de internet. A concorrência agradece.


4 - UMD

UMD (Foto: Divulgação)UMD (Foto: Divulgação)

Trata-se de um pequeno disco protegido por um invólucro de plástico, semelhante a um DVD, mas com capacidade de 1,80 GB se gravado em camada dupla. A mídia é proprietária da Sony e foi concebida de forma semelhante ao Minidisc Hi-Md, também da gigante japonesa, mas com o intuito de ser utilizado especialmente no videogame PlayStation Portable, mais conhecido como PSP.

O erro? O formato não se popularizou por ser restrito ao portátil e não impediu o crescimento da pirataria na plataforma, que também aceita downloads para serem armazenados no Memory Stick. Além disso, rodar UMDs drena demais a energia do PSP, forçando a Sony até a lançar versões mais parrudas de baterias para o aparelho.

A própria empresa não acredita mais no formato, abandonando-o no sucessor NGP e mesmo na versão alternativa do PSP, que é o nosso próximo item.


3 - PSP Go

PSP Go (Foto: Divulgação)PSP Go (Foto: Divulgação)

Apresentado em outubro de 2009, era para ser uma revitalização do portátil da Sony, com foco nos jogos baixados pela PlayStation Network. O PSP Go apareceu com design renovado, com um painel deslizante que mostra os controles por debaixo da tela (e o deixava bem mais compacto), semelhante ao que hoje está sendo utilizado no smartphone Xperia Play.

O problema é que a própria empresa tratou o aparelho de forma omissa, sem incentivar lançamentos para download simultâneos aos do UMD (isso quando havia versão digital) e ainda impossibilitando a compatibilidade com acessórios do PSP original. Ora, por que alguém compraria um aparelho que não consegue rodar todos os jogos da plataforma, exige equipamentos adaptados e ainda possui uma tela ligeiramente menor (3,8" contra 4.3" da versão 3000)?

Nem a Sony conseguiu responder isso e, após vendas decepcionantes, a empresa anunciou no último dia 20 de abril a morte oficial do PSP Go. Não significa, claro, que a plataforma inteira é um fracasso: apesar de não ter conseguido o sucesso alcançado pelo Nintendo DS, por várias vezes o PlayStation Portable ganhou sobrevida com bons títulos no Japão, como a série Monster Hunter e o excelente Metal Gear Solid: Peace Walker, superando até mesmo as vendas do 3DS em algumas semanas no mercado nipônico.


2 - Betamax

Fita Betamax da Basf (Foto: Wikicommons)Fita Betamax da Basf (Foto: Wikicommons)

Quem nasceu na década de 90 pode não saber, mas houve uma época em que filmes e gravações em vídeo praticamente só existiam em grandes fitas. E durante os anos 80, dois formatos disputaram por algum tempo o mercado caseiro: o Betamax, proprietário da Sony, e o VHS, com características inferiores. Quem levou a melhor? Não foi a gigante japonesa.

Mesmo exibindo imagem melhor e tendo aspectos técnicos que permitiam o manejo mais rápido da fita para iniciar, avançar uma imagem e mesmo rebobinar (sim, na época era preciso fazer isso), o Beta teve uma estratégia completamente equivocada. Em vez de licenciar para o maior número possível de fabricantes e produtoras, a Sony simplesmente manteve o formato em rédeas curtas.

Outro grande problema era a gravação: as fitas VHS conseguiam armazenar mais tempo, o que era determinante para a época pela revolução na maneira de se assistir televisão. O Betamax ficou tão esquecido que a própria empresa japonesa passou a fabricar aparelhos para o padrão rival, decretando o fim (até tardio) do formato em 2002, quando já havia um grande mercado para a tecnologia seguinte, o DVD.

A Sony até conseguiu uma certa revanche quase duas décadas depois, quando o seu formato Blu-ray conseguiu se sobressair ao HD-DVD, também um fracasso de vendas como o Betamax. Mas os tempos agora são outros e a empresa luta mesmo contra os arquivos digitais para download e streaming, muito mais maleáveis, baratos e sujeitos à pirataria.


1 - PSN na mira dos hackers

PSN (Foto: Divulgação)PSN (Foto: Divulgação)

A PlayStation Network estava indo bem até 2011, oferecendo jogatinas online e conteúdos extras para games sem cobrar mensalidade (apesar de oferecer o pouco atrativo plano pago PSPlus, que dá direito a alguns testes betas e descontos). Mas, após a investida jurídica da Sony contra o hacker George Hotz por conta do desbloqueio do console PlayStation 3, a comunidade de piratas virtuais teve o orgulho ferido.

Em seguida a alguns ataques menores cometidos pelo grupo Anonymous, a PSN sofreu seu maior golpe (ainda sem autoria confirmada) no dia 20 de abril. Uma nova invasão causou a queda do serviço e comprometeu os dados de milhares de usuários, incluindo nome completo, data de nascimento e, possivelmente (como admitido em comunicado pela própria empresa) informações financeiras como o número de cartão de crédito com a data de validade e código de verificação (mesmo estando tudo criptografado).

Até o momento em que o texto está sendo escrito, a Sony ainda não conseguiu restabelecer a rede e nem ofereceu aos usuários algum tipo de compensação pelo período de mais de uma semana fora do ar. Agora, a gigante japonesa vai enfrentar a fúria dos gamers, que já planejam processar a empresa, além de investigações sobre como está lidando com um problema tão crítico.

De acordo com o último comunicado oficial, a Sony espera trazer a PSN de volta na próxima semana, embora não garanta que isso vá ocorrer, e ainda vai exigir de todos os usuários a troca de senhas para tentar um efeito paliativo em frente à enorme brecha de segurança. Enquanto analistas prevêem um prejuízo de até US$ 24 bilhões, o escândalo já mancha de maneira imensurável o nome da empresa, que já enfrenta problemas por conta da difícil situação econômica do Japão pós-desastre.

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