09/08/2011 13h08 - Atualizado em 09/08/2011 13h08

Brasil implementa segunda maior rede de monitoramento de raios do mundo

 Alessandro Iglesias
por
Para o TechTudo

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) está realizando, em parceria com o Massachussets Institute of Technology (MIT), estudos e o desenvolvimento de novas tecnologias para prever a chegada de tempestades com grande potencial de destruição aqui no Brasil.

Raios iluminam o céu de Campinas (Foto: Cristiano Rezende Penha/VC no G1) (Foto: Divulgação)Raios iluminam o céu de Campinas (Foto: Cristiano Rezende Penha/VC no G1)

As melhorias no Sistema Brasileiro de Detecção de Cargas Elétricas (BrasilDAT), desenvolvido no final da década de 1980 pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), departamento do INPE, farão dele o segundo maior do mundo e o maior nos EUA, além de o maior instalado em regiões tropicais.

O anúncio foi no dia 8 de agosto, durante a 14ª Conferência Internacional de Eletricidade Atmosférica, no Rio de Janeiro, o maior evento mundial sobre o assunto.

A iniciativa do INPE e da Eletrobras Furnas somará 75 novos sensores de eletricidade aos 33 existentes, ampliando a possibilidade de detecção de descargas elétricas no solo e em nuvens, o que configura a localização e posterior medição de uma tempestade.

Em 2012, todo o Brasil terá cobertura

As descargas presentes no interior de nuvens denotam o grau de risco das tempestades que terão início em 20 ou 30 minutos. Esse intervalo de tempo conseguido pela detecção daria a moradores de áreas de risco a chance de abandonar suas casas, evitando tragédias como as acontecidas na região serrana carioca, em final de 2010 e início de 2011.

Chuvas castigaram a serra fluminense em 2010 (Foto: Henrique Porto/ G1)Chuvas castigaram a serra fluminense em 2010 (Foto: Henrique Porto/ G1)

Felizmente a região sudeste do país já está totalmente coberta pelo novo sistema. As regiões sul, centro-oeste e nordeste do Brasil devem ter sua cobertura completa em julho de 2012. A implementação vai custar aos cofres R$10 milhões.

Além da prevenção de deslizamentos e soterramentos em áreas instáveis, a ampliação da rede BrasilDAT possibilitará a redução do número de óbitos por relâmpagos - O Brasil tem volume recorde mundial de 50 milhões de descargas elétricas por ano, o que representa, em estatísticas, que uma a cada cinco mortes acontecem em solo brasileiro.

Os feixes de energia elétrica também são responsáveis por prejuízos da ordem de R$1 bilhão aos setores público e privado.

Engenheiros do INPE lembram que para o BrasilDAT ter sua excelência alcançada, é necessária a integração entre as seções públicas, como a Defesa Civil, prefeituras e setores elétricos, a fim de minimizar o número de tragédias.

Seria interessante também a criação de uma legislação referente à proteção das redes elétricas contra esses desastres naturais, já que esse tipo de legislação, ausente no país hoje, leva muitas vezes à penalização descabida de empresas de energia pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Via: Agência Brasil

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