Video game

23/05/2012 16h23 - Atualizado em 23/05/2012 17h21

TechTudo entrevista o responsável pelo site TrocaJogo, Flavio Banyai

Alexandre Silva
por
Para o TechTudo

A troca de jogos é uma prática realizada desde os primórdios dos videogames, principalmente na década de 1980, quando o Atari era líder de mercado. Para facilitar a vida daqueles que enjoam e não querem mais manter seus games guardados, foi criado o TrocaJogo, um site que oferece esse tipo de serviço. O TechTudo conversou com o responsável pelo desenvolvimento, Flavio Banyai, que explicou como funciona essa intermediação de trocas de jogos entre usuários de todo o Brasil, e que cresce a cada dia.

TrocaJogo (Foto: Divulgação)TrocaJogo (Foto: Divulgação)

TechTudo: Como surgiu a ideia de criar um site como o TrocaJogo?

Flavio Banyai: A Astéria, empresa de desenvolvimento web da qual sou sócio, sempre trabalhou a partir da demanda de clientes e, em determinado momento, um destes clientes veio até nós solicitando ideias para novos desenvolvimentos. Nesse pacote de inspirações, havia uma rede de troca de jogos de videogame e, para a nossa sorte, o projeto não despertou interesse no cliente.

Na mesma época eu viajei para os Estados Unidos e conheci um pouco melhor o modelo de negócio da Game Stop, que é uma grande rede de venda e troca de jogos usados por lá. Por sermos gamers e conhecermos um pouco o nosso mercado, que tradicionalmente abraçou a pirataria e enfrentava uma nova geração de consoles “travados”, tínhamos a certeza que havia espaço para um serviço como esse.

Tudo se encaixou quando tive a ideia do nome “TrocaJogo”, que sintetiza a essência do site, e ao pesquisá-lo na Internet vi que estava disponível. Foi o que faltava para arregaçarmos as mangas e começar a desenvolvê-lo.

Flavio Banyai (Foto: Divulgação)Flavio Banyai (Foto: Divulgação)

TechTudo: Você acha que o TrocaJogo é uma forma de evitar o comércio de jogos tradicionais que tem altos preços?

Flavio Banyai: Com certeza! Acho importante dizer que não somos contra a venda de jogos, mas funcionamos como uma alternativa ao mercado, em que as pessoas decidem se irão comprar um jogo novo, se irão se submeter às condições impostas por lojistas que trocam jogos, ou se arriscarão a encontrar outras pessoas e realizar as transações pelo TrocaJogo, tendo inclusive a chance de conquistar novos amigos.

TechTudo: O serviço do TrocaJogo chegou a esse nível de sucesso da mesma forma que fora planejado no início, ou tiveram surpresas durante seu crescimento?

Flavio Banyai: Costumo dizer que o TrocaJogo é mais fruto de suor, fé e dedicação, do que planejamento. A partir do momento que criamos o seu nome, e principalmente do que chamamos de “pilares de trocas”, que são os elementos “Eu tenho” e “Eu quero”, tudo foi feito num grande estado de concentração e excitação.

A primeira versão do site foi praticamente toda desenvolvida por mim, tanto o design quanto a programação, enquanto os meus outros dois sócios, Leonardo Rosito Oliani e Marco Felix Maio, cuidavam dos negócios principais da empresa: nossos clientes e projetos.

Para nós não é surpresa o sucesso do site, talvez o maior desafio agora seja encontrar e desenvolver formas mais rentáveis para mantê-lo, pois embora seja um serviço gratuito, ele demanda um volume significativo de tempo e dinheiro para a produção de novas funcionalidades, sua hospedagem e o atendimento aos usuários.

Por esses motivos, estamos em busca de um investidor que acredite em nosso negócio e nos dê condições para expandí-lo e torná-lo rentável.

TechTudo: Agora que o TrocaJogo já é um serviço consolidado no mercado, quais são os planos para o futuro?

Flavio Banyai: Nossos planos mais iminentes são o lançamento de uma área de classificados, em que as pessoas poderão divulgar seus jogos e acessórios, e também ajustes gerais em toda a ferramenta bem como uma versão para iPhone e Android.

TechTudo: Existem planos futuros para inclusão de outras plataformas no TrocaJogo, como o 3DS e Vita?

Sim, inclusive consideramos essas duas plataformas especificamente. Como a manutenção de uma base de games não é algo muito trivial, uma vez que temos muito critério e cuidado ao cadastrar novos jogos, optamos por aguardar um pouco e sentir a aceitação do público antes de assumirmos essa responsabilidade.

No momento estamos fazendo alguns ajustes em nosso sistema, e em poucas semanas teremos isso disponível aos nossos usuários.

Leonardo Oliani, um dos sócios (Foto: Divulgação)Leonardo Oliani, um dos sócios (Foto: Divulgação)

TechTudo: Existem intenções de monetizar as operações realizadas no TrocaJogo? Se sim, pode dar uma dica do que seria?

Flavio Banyai: Esse é um ponto muito interessante. Aprendemos na prática que as pessoas em geral não estão muito a fim de colocar a mão no bolso, mesmo quando é para recompensar um serviço que lhes ajuda a economizar quantias bastante significativas. Durante algum tempo tínhamos um serviço de doações, solicitadas ao término de trocas bem sucedidas, porém pouquíssimos usuários nos ajudavam efetivamente.

A ideia da área de classificados, que comentei anteriormente, seguirá essa linha de serviço pago. Também temos a intenção de nos aproximar de lojistas, para que nossos usuários possam usufruir de outras vantagens.

TechTudo: houve alguma ocorrência de usuário que tenha agido de má fé, e que possa servir de exemplo para os outros usuários se prevenirem contra ações de pessoas maliciosas?

Flavio Banyai: Infelizmente pessoas más existem em qualquer meio, e isso é algo que tivemos que aprender a conviver e fiscalizar. Elas se esquecem de que o mundo digital deixa rastros, e são esses rastros que fornecemos às autoridades competentes sempre que solicitados.

Baseados no histórico de fraudes e no comportamento de pessoas mal intencionadas, elaboramos uma página de dicas, na qual os usuários podem conferir de maneira bem didática as melhores práticas para trocas bem sucedidas (clique aqui para acessar).

Sugerimos sempre que as trocas sejam realizadas pessoalmente, inclusive oferecemos diversos tipos de mapas para que os usuários encontrem outros gamers próximos às suas residências, reduzindo as chances de problemas e extravios, e também facilitando o esclarecimento de eventuais desavenças.

Também existe um serviço de validação de cadastros, em que os usuários nos fornecem uma série de dados pessoais, como por exemplo, o CPF e a cópia de um comprovante de residência. Após a verificação e aprovação dos dados, o usuário realiza o pagamento de uma taxa anual e então um código de ativação é enviado para o endereço fornecido. Ao receber e ativar o código no site, o usuário passa a exibir um selo em seu perfil, transmitindo muito mais segurança às outras partes.

Marco Felix, um dos sócios (Foto: Divulgação)Marco Felix, um dos sócios (Foto: Divulgação)

TechTudo: Há poucos dias, foi revelada a intenção de levar a ideia do TrocaJogo para lojas físicas. Poderia comentar mais a respeito dessa ideia?

Flavio Banyai: Os Postos Oficiais TrocaJogo, como são chamados esses parceiros, são locais escolhidos à dedo por nós. Estimulamos os usuários a se encontrarem para fazerem suas trocas. Isso reforça a ideia do relacionamento interpessoal entre os jogadores, para realizarem suas transações em locais seguros e confortáveis.

Vários estabelecimentos já demonstraram interesse em se tornarem postos oficiais, e no momento estamos avaliando com cuidado essa possibilidade de parceria.

TechTudo: Qual sua opinião sobre a distribuição digital de jogos? Serviços como o Steam possuem um sistema interno de trocas de jogos sobressalentes entre os usuários, chamado de inventário. Acha que a troca de jogos digitais será benéfica para o mercado como um todo?

Flavio Banyai: Acredito que se ela continuar sendo possível após a eliminação dos discos, que em algum momento certamente acontecerá, será sim uma situação positiva, desde que as vantagens aos usuários também permaneçam.

Resta saber o que a Sony, Microsoft e Nintendo irão reservar aos gamers do mundo com as futuras gerações de seus consoles.

Da esq. para dir.: Flavio Banyai, Leonardo Oliani e Marco Felix (Foto: Divulgação)Da esquerda para a direita: Flavio Banyai, Leonardo Oliani e Marco Felix (Foto: Divulgação)

TechTudo: Depois da indústria de jogos adotar medidas como o “online pass”, para de alguma forma ganhar dinheiro com os títulos usados, fica notório que a troca de jogos usados é visto pela indústria como algo prejudicial. Qual seu ponto de vista sobre esse assunto?

Flavio Banyai: Respeito a opinião e as iniciativas da indústria, pois estão defendendo os seus interesses e, afinal de contas, são trabalhadores e famílias que dependem da venda dos jogos. É impossível não pensar nisso quando vemos os créditos ao término de um game.

Por outro lado, a prática do escambo é algo intrínseco à humanidade, e estamos apenas trazendo ele para um novo patamar tecnológico. Do ponto de vista ambiental é uma iniciativa bastante sustentável, e do ponto de vista social acreditamos estar promovendo uma grande integração entre pessoas dos mais diversos tipos e localidades.

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  • Vanderson Souza
    2012-05-28T11:14:32

    Uma ótima ideia, os preços dos jogos para PS3, XBOX 360 estão fora da realidade brasileira, ainda mais pra um jogo que ao conseguirmos finaliza-lo perdemos o dinheiro investido, agora com esse site, podemos trocar os jogos que já "zeramos" por outros que temos vontade de jogar, e assim por diante... Parabéns aos idealizadores do projeto!