26/06/2012 12h16 - Atualizado em 26/06/2012 12h16

Games independentes ganham espaço e impressionam pela criatividade

Maria Eduarda Chagas
por
Da redação

Nesta terça-feira (26) estreia no Brasil o documentário canadense "Indie Game: The Movie", lançado no Steam no último dia 12. O filme acompanha os desafios de três desenvolvedores independentes, que se aventuraram no mercado de games sem apoio financeiro. Trata-se de um cenário que se repete também no Brasil: apesar da dificuldade de produção, os indie games têm conquistado cada vez mais reconhecimento e fãs.

Para o codiretor do documentário, James Swirsky, esse é um momento muito interessante para os jogos independentes. “Parece que, finalmente, uma geração de pessoas que cresceu jogando games agora está fazendo e usando jogos para se expressar e contar as histórias que querem”, diz.

Esse é o caso de Alessandro Martinello, desenvolvedor do jogo brasileiro Toren, que foi destaque do Independent Games Festival (IGF), principal festival de indie games do mundo. “Sou de uma geração que se apaixonou e cresceu com os games e agora faz deles uma mídia de igual importância ou maior que o cinema ou a música”, destaca.

Toren (Foto: Divulgação) (Foto: Toren (Foto: Divulgação))Toren, jogo que foi destaque do Independent Games Festival (Foto: Divulgação)

O que são indie games

A paixão, em geral, é o principal motivo para desenvolver indie games. Definidos como jogos independentes do mercado, essas produções representam um desafio para os desenvolvedores que, muitas vezes, não têm muitos recursos financeiros para o projeto.

Para Arthur Protasio, coordenador do CTS Game Studies (Centro de Tecnologia e Sociedade) da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro e presidente da Associação Internacional de Desenvolvedores de Jogos no Rio de Janeiro (IGDA RIO), os indie games costumam ter uma linguagem característica. “A limitação de recursos muitas vezes estimula os desenvolvedores a criarem uma estética própria - podendo esta ser fundamentada no uso de pixel art ou ser aplicada em mecânicas e formas de interação inovadoras”, afirma.

Mauricio Perin (Foto: Arquivo Pessoal)Maurício Perin (Foto: Divulgação)

O diretor de arte da Aduge Studio, Maurício Perin Maperns, explica que os jogos independentes podem arriscar mais do que jogos de grandes indústrias, conhecidos como AAA. "Os imensos investimentos do desenvolvimento AAA trazem junto uma necessidade de reduzir os riscos criativos do projeto, seguindo tendências, repetindo fórmulas e se mantendo em terreno conhecido."

Neste sentido, há uma maior liberdade criativa, como explica Saulo Camarotti, co-criador do estúdio Behold Studios. “Os indies podem caminhar para todas e quaisquer direções. Então é possível que tenham temáticas mais profundas e mais arriscadas”, acrescenta.

Sócio-diretor da Aquiris Game Experience, Israel Mendes ressalta que, devido a essa liberdade, tais títulos muitas vezes têm um caráter experimental. “Um indie game geralmente possui características autorais muito claras, uma vez que são fruto de idealizações de seus criadores, sem maiores influências de caráter comercial ou de marketing”, afirma.

No entanto, Maurício Perin Maperns destaca ainda que essa não é uma regra. “Existem exemplos de jogos indie extremamente rasos, inócuos e impessoais e, vez ou outra, acontece de aparecer um AAA abordando um assunto complexo de forma interessante, com fortes características autorais.”

Indie games no Brasil

Os desenvolvedores no Brasil se deparam ainda com algumas dificuldades. Além dos desafios para conseguir financiamento, o pesquisador da Universidade Federal Fluminense Esteban Clua destaca os altos impostos brasileiros. “Há impostos e cargas tributárias na aquisição de licenças de software, compra de equipamentos e especialmente encargos sociais referentes a pagamentos de salários”, explica.

No entanto, o Brasil tem um enorme potencial para se desenvolver no setor de games. De acordo com uma pesquisa da empresa Newzoo de 2011, 35 milhões de brasileiros jogam algum tipo de jogo digital. Atento a esse potencial, o BNDES vai financiar uma pesquisa para saber como é o mercado no setor de games no Brasil e como implementar políticas públicas para incentivar a produção nacional.

Os festivais de jogos independentes são uma boa maneira de debater sobre o assunto e dar visibilidade aos jogos "made in Brasil". O principal festival do país é vinculado ao SBGames, simpósio que reúne pesquisadores e desenvolvedores da área de games.

Qasir (Foto: Divulgação)Jogo Qasir: eleito melhor jogo na categoria Art Game por voto popular no SBGames 2011 (Foto: Divulgação)


A 11ª edição do festival ocorre este ano em Brasília, entre os dias 2 e 4 de novembro, e traz uma novidade. Agora os jogos são divididos nas categorias PC/Web, Mobile e Outras plataformas. O professor da PUCPR Bruno Campagnolo de Paula, que participa da organização do evento, afirma que “a nova divisão das categorias foi definida com o objetivo de aumentar o espectro de jogos que se encaixam no objetivo do evento, permitindo que mais tipos diferentes de desenvolvedores de jogos participem do concurso”.

Saulo Camarotti (Foto: Arquivo Pessoal)Saulo Camarotti (Foto: Divulgação)

As diferentes plataformas aumentam ainda mais a liberdade criativa dos desenvolvedores, que podem fazer jogos de acordo com a especificidade de cada meio. Para Saulo Camarotti, é o jogo que define em qual plataforma ele deve funcionar, já que alguns games são mais adequados para plataformas móveis e outros para o PC. "Para sermos realmente independentes, o próprio jogo deve ditar esses requisitos, e não o mercado ou a tendência do mercado”, acrescenta Saulo Camarotti.

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  • Jose Mey
    2012-06-27T11:26:35

    Alguém conhece um forum sobre o assunto onde podemos encontrar indie developers ? Valeu

  • Vander Amaral
    2012-06-27T01:09:37

    Boa iniciativa!! Finalmente alguem fala sobre esse assunto aqui no Brasil, realmente ainda esta dificil completar um bom Indie game aqui no Brasil por causa dos altos custos! Sou indie developer, quem quiser dar uma olhada em um dos jogos que ja fiz procurem por Green Adventures in Rio. Parabens pela materia Maria!