15/09/2012 11h05 - Atualizado em 20/09/2012 10h48

Como era o efeito 3D nos videogames antigos

Felipe Vinha
por
Para o TechTudo

O atual Nintendo 3DS é capaz de exibir em 3D sem a necessidade de óculos especiais. Enquanto isso, videogames como PlayStation 3 e Xbox 360 também possuem a capacidade de rodar jogos em 3D, ainda que precisem de uma TV especial para isso, além dos óculos. Mas o efeito é bem mais antigo do que você pensa. Nos games, ele existe há alguns anos, em aparelhos que você nem imaginava.

Como era o 3D antigo nos games? (Foto: Reprodução)Como era o 3D antigo nos games? (Foto: Reprodução)

Hoje conhecida como estereoscopia, esta técnica 3D foi, por muito tempo, chamada de ”realidade virtual”. Afinal, como as pessoas definiriam tal novidade em plenos anos 80 ou 90, e com direito a óculos especiais gigantescos, que pareciam ter saído de filmes de ficção científica ou de seriado de baixo orçamento?

Conheça alguns dos antigos videogames que usavam efeitos 3D.

Famicom 3D System – Nintendo

Engana-se quem pensa que o VirtualBoy foi a primeira aventura da Nintendo no mundo 3D. O Famicom 3D System era um acessório para o NES que foi lançado no final da década de 80, somente no Japão, claro. O ”sistema” não passava de um conjunto de óculos e cabos que serviam para visualizar alguns games em 3D, com ilusão de profundidade. Os jogos eram específicos do aparelho. Ou seja, nada de jogar um Super Mario Bros. ou Zelda com o efeito na época, somente softwares desenvolvidos especialmente para o Famicom 3D System.

Famicom 3D System (Foto: Reprodução)O efeito 3D de Famicom 3D System não era ruim, mas desagradava por ser muito forte (Foto: Reprodução)

Saíram pouquíssimos games para o acessório. Na verdade, um total de sete títulos. O mais interessante é que todos eram de tiro, nave e corrida, justamente para tirar proveito do efeito. Afinal, todos tinham aquela progressão em que o jogador vai sempre com projeção para o fundo da tela. Ajudava bastante, mas a falta de variedade de gêneros de jogos pode ter prejudicado fatalmente o aparelho.

O efeito 3D não eram ruim, pois não era anáglifo, e sim uma verdadeira experiência em três dimensões. O óculos utilizava um sistema de óculos obturador, e não o esquema de imagens com uma lente vermelha e outra azul. Como no 3DS, o efeito podia ser ligado e desligado (no botão Select). O problema é que o efeito era bem forte, o que levou uma série de pessoas a não se acostumar com ele. Talvez tenha sido este o motivo que deixou o acessório exclusivo ao Japão.

Virtual Boy – Nintendo

Talvez esse você conheça e até tenha comprado um, pelos idos de 1995. Lamentavelmente, a segunda experiência da Nintendo com o 3D (e com a aclamada realidade virtual) foi um verdadeiro fracasso e até hoje é motivo de chacota. Obviamente, a Big N não desconsidera o aparelho de sua história, mas com toda a certeza ele é motivo de vergonha para a empresa. O Virtual Boy era promissor e talvez tenha animado bastante as pessoas quando foi anunciado. A frase de efeito, o mote, do Virtual Boy era que ele era ”um videogame 3D para um mundo 3D”. Mas será que funcionava assim tão simples e de forma tão divertida? Pelo contrário: os erros foram muitos.

Virtual Boy (Foto: Reprodução)Virtual Boy foi uma experiência vergonhosa (Foto: Reprodução)

Primeiro que você não tinha certeza se o aparelho queria ser um portátil ou um console de mesa. Ele mais parece um robô saído de Star Wars: O Império Contra-Ataca ou de um filme de A Guerra dos Mundos. Sua ergonomia não era nada legal. Era preciso apoiar em uma mesa, no melhor estilo tripé de câmera fotográfica, encaixar o ”portátil” por cima, plugar o controle (que precisava de seis pilhas!) e mandar ver.

Era preciso ainda encaixar sua cabeça no apoio do aparelho e jogar ali, com a cara grudada nele, totalmente desconfortável. Poucos jogos foram lançados, o que também prejudicou o videogame e fez com que a Nintendo parasse sua produção no ano seguinte de lançamento.

Vectrex 3D Imager – Smith Engineering

A Nintendo pode ter realizado uma experiência com jogos em 3D anos antes do 3DS ou até mesmo do Virtual Boy, ainda na década de 80. Mas, antes dela, a Smith Engineering trouxe ao mundo o que pode ser considerado como o primeiro videogame a utilizar um sistema do tipo, o Vectrex. O Vectrex nada mais era que um videogame embutido em uma mini-televisão. O aparelho mais lembrava um pequeno fliperama, pela sua orientação vertical, e acompanhava também um controle embutido e encaixável. O console foi lançado em 1982, mas recebeu, pouco tempo depois, dois periféricos.

Vectrex 3D Imager (Foto: Reprodução)Apesar de gigantesco, o design de Vectrex 3D Imager impressionou positivamente (Foto: Reprodução)

Um deles era o Vectrex 3D Imager, que pode ser considerado o pai do Virtual Boy. Tratava-se de um gigantesco aparelho que era encaixado na cabeça do jogador, para que ele pudesse ver seus jogos com alguma profundidade de campo. Ainda que não mostrasse um efeito tão impressionante e tão desenvolvido, impressionava na época só por conta do design do acessório. Afinal, naquela época, ninguém esperava algo do tipo em um videogame, ainda mais na chamada ”segunda geração”.

SegaScope 3-D – Sega

Claro que a Sega não poderia ficar de fora da festa do 3D, quando seu principal concorrente também tinha tal funcionalidade, bem como outros consoles e aparelhos. O óculos SegaScope 3-D, para Master System, funcionava de forma similar ao periférico da Nintendo, mas com algumas melhorias. Seu sistema permitia 3D com o aproveitamento total das cores dos jogos, o que agradava muito.

SegaScope 3-D (Foto: Reprodução)A maior qualidade de SegaScope 3-D era o aproveitamento total das cores dos jogos (Foto: Reprodução)

O grande problema do aparelho é que ele era compatível apenas com o Master System original, deixando os donos de outros modelos chupando o dedo. Tudo por conta de seu sistema de conexão, que ia em uma porta específica do primeiro console, ausente nos Master System seguintes. Com o passar do tempo, os modelos seguintes do console ficaram mais populares e o SegaScope acabou caindo um pouco no esquecimento.

Outros aparelhos e acessórios

Independente de periféricos com funções 3D, tivemos alguns games que apresentavam a tecnologia, nestes casos apenas com o uso de óculos especiais e simples, que geralmente vinham com os títulos.

Um deles é Orb-3D, game do Nintendinho lançado em 1991. O game utilizava um efeito conhecido como ”pulfrich”, que era gerado por meio de um óculos especial que acompanhava o jogo – com somente uma das lentes escurecida (a outra era transparente). O 3D era bem simples, mas perceptível. Bastava colocar os óculos e jogar.

O Orb 3D era um antigo jogo que usava a tecnologia (Foto: Reprodução)O Orb 3D era um antigo jogo que usava a tecnologia (Foto: Reprodução)

Outro exemplo é o Cubicute, jogo online gratuito que usava a técnica do 3D anáglifo para gerar seu mote. Com o famoso óculos de celofane, você tem a missão de elevar cubos com uma regra de quebra-cabeças bem inteligente. É possível jogar Cubicute, mas é necessário que você providencie um daqueles óculos vermelho e azul.

Em relação a nomes mais famosos, uma série de games do passado (principalmente para PC) apresentavam modos 3D. Os exemplos que lembramos são Magic Carpet, Descent e Duke Nukem 3D.

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