31/01/2013 08h55 - Atualizado em 31/01/2013 10h51

Rainey Reitman defende liberdade e ensina como se proteger na Internet

Nick Ellis
por
Da Campus Party

A ativista Rainey Reitman subiu ao palco principal da Campus Party com uma missão: alertar os campuseiros sobre as ameaças à privacidade e liberdade na Internet. A diretora da Electronic Frontier Foundation (EFF) mostrou que ativistas ao redor do mundo usam email, chat e messenger para falar com suas fontes, mas estes meios de comunicação podem ser monitorados por governos.

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A ativista Rainey Reitman no palco da Campus Party Brasil (Foto: Nick Ellis/TechTudo)A ativista Rainey Reitman no palco da Campus Party Brasil (Foto: Nick Ellis/TechTudo)

Rainey começou sua palestra falando sobre o caso do jovem egípcio Khaled Mohammed Saeed, cujo assassinato pela polícia do Egito foi o estopim da revolução de 2011, motivada por uma página no Facebook. Depois ela citou a censura que a Tunísia exerce sobre as redes sociais, algo que também acontece em outros países africanos. “A censura da web na Etiópia tem motivos políticos. Lá o único provedor de acesso pertence ao governo e impede o acesso de muitos sites de notícias. Também existem leis severas que punem blogueiros e ativistas que falem mal do governo.”

Reitman garante que a ameaça a privacidade isto acontece até mesmo nos Estados Unidos. A ativista mostrou algumas fotos que comprovariam que a empresa AT&T colaborou com o governo para criar um programa para capturar e guardar todos os dados de navegação dos usuários sem autorização. “O processo é parecido com o dos hackers, que instalam um programa malware disfarçado de outro programa, que pode inclusive até transformar o microfone ou a webcam para monitoração remota, além de copiar suas mensagens e acessar detalhes sobre suas chamadas eletrônicas.”

A ativista do EFF também falou sobre a censura de redes sociais na China, que ocorre de forma sutil. “Você pode imaginar que o povo Chinês ficaria chateado por não acessar o Facebook ou Twitter, mas o governo estimula o uso de sites similares, que são monitorados por profissionais que retiram qualquer conteúdo considerado impróprio.” Reitman diz que a empresa americana Cisco vende equipamentos para o governo da China, mas não admite que adapta estes aparelhos a pedido do governo.

“A mesmas tecnologias que são usadas para desenvolvimento e evolução da tecnologia são usadas para censura e vigilância de cidadãos. Mas não adianta falar dos problemas sem apresentar as soluções. O software livre tem um incrível papel para impedir a censura na web. Quero falar sobre quatro ferramentas que já estão disponíveis, e podem ajudar a preservar a sua privacidade online”

TOR

O TOR foi criado pelo Marinha dos Estados Unidos para proteger suas transmissões, mas hoje em dia pode ser usado por qualquer pessoa. Se alguém tem um blog político ou controverso, em um país com uma legislação que persegue este tipo de pessoa, o governo pode descobrir onde esta pessoa mora, e fazer vigilância. Quando ativistas usam o Tor, impedem que sejam localizados.

Pidgin

O Pidgin é um programa de mensagens instantâneas que protege suas conversas, assim mesmo que o governo peça os dados da suas mensagens para o provedor, as informações estarão encriptadas.

Https everywhere
Quando você se conecta a um site com o protocolo https, seus dados estão protegidos. Mesmo que alguém estiver monitorando qual site você está visitando, mas não conseguirão visualizar suas senhas ou os nomes de usuários. “O HTTPS Everywhere pode salvar vidas. Em casos de ataques promovidos por governos, os ativistas que usavam o https everywhere conseguiram escapar da perseguição. Nós precisamos que todos usem esta tecnologia, assim poderemos impedir que a vigilância online continue acontecendo”, comentou Reitman.

TOSBack

A última ferramenta citada por Rainey é o TOSBack. Quando você se inscreve em um site, concorda com os termos de serviço, o problema é que estes termos podem ser mudados a qualquer momento, sem que os usuários tenham noção disto. O TOSBack tem um arquivo de todos os termos de serviço anteriores, assim você pode consultar quais eram os termos de outros anos.

Rainey Reitman atendendo ao público no final da sua palestra (Foto: Nick Ellis/TechTudo)Rainey Reitman atendendo ao público no final da sua palestra (Foto: Nick Ellis/TechTudo)

“A maioria das pessoas não lê os termos de serviço, ou então não entendem. No Facebook você estará violando os termos se informar qualquer informação incorreta, como sua data de nascimento ou seu nome. No site Pandora, você não pode deixar ninguém se logar na sua conta. No caso do NY Times, você viola os termos se deixar algum comentário mal educado”, explica a ativista.

Reitman explica que o TOSBack está com problemas, pois os sites estão complicando a tarefa de copiar os termos de serviço de seus sites. O programa foi tema de um hackaton realizado na Campus Party após a palestra, para que os programadores campuseiros pudessem ajudar a resolver esta questão.

No final de sua palestra, Rainey Reitman ainda se lembrou de Aaron Swartz, programador e ativista americano de 26 anos que se suicidou em janeiro deste ano, após enfrentar um processo movido pelo governo dos Estados Unidos, citando o discurso feito pelo seu colaborador Carl Malamud no seu funeral. “Quando vejo nosso exército, vejo as pessoas que criaram a Wikipédia e o Internet Archive, as pessoas que codificaram o GNU, o Apache e o LINUX. Eu vejo as pessoas que fizeram o EFF e o Creative Commons. Eu vejo as pessoas que criaram a internet como um presente para o mundo.”

Antes de terminar, Rainey deixou um recado para os brasileiros. “Os usuários de Internet do Brasil precisam se envolver com o Marco Civil. Aprendi com o tempo que quando as pessoas estão dispostas a colaborarem para lutar de volta, isto pode fazer toda a diferença. O Brasil precisa de uma organização como a EFF, que lute pela direito a privacidade na internet. Precisamos de mais pessoas para trabalhar aqui no Brasil. Os brasileiros precisam lutar pela sua própria liberdade”, concluiu.

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