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16/08/2013 08h00 - Atualizado em 16/08/2013 08h00

AMD fala sobre sua estratégia de expansão: 'Há muito talento no Brasil'

Renato Bazan
por
Para o TechTudo

A AMD pretende incluir o Brasil no mapa de sua campanha pelo uso de arquitetura heterogênea na computação a partir do lançamento de sua próxima geração de processadores, Kaveri. O TechTudo conversou com o Chief Technology Officer da fabricante em São Paulo, Mark Papermaster.

Mark Papermaster, CTO da AMD, sobre o setor de TI: "Há muito talento no Brasil. Precisamos alcançar esse público" (Foto: Divulgação/AMD)Mark Papermaster, CTO da AMD, sobre o setor de TI:
"Há muito talento no Brasil. Precisamos alcançar esse
público" (Foto: Divulgação)

Papermaster é conhecido evangelizador das tecnologias de processamento assimétrico, envolvido com os projetos de Sistema-em-um-Chip (SoC) da AMD desde sua primeira versão, em 2011. Ele foi o responsável pela mudança no foco das pesquisas da empresa, que nos últimos anos vem dando importância crescente para circuitos mais eficientes e integrados, adequados para dispositivos móveis.

“Estamos planejando realizar um trabalho próximo às universidades, focado em produzir resultados para o uso adequado das novas APUs que estamos inventando”, explicou. Como exemplo, citou a Universidade de São Paulo e a de Campinas, duas instituições com as quais já teria contato.

De seu ponto de vista, o Brasil precisa ser integrado ao grupo de países com domínio das novas tecnologias de integração computacional, pois conta com um mercado expressivo e um grande grupo de empresas na área de TI. Por isso, revelou também que pretende organizar consultorias sobre as novas técnicas de integração entre processador, placa de vídeo e memória em território nacional para empresas interessadas. Quando isso vai acontecer? “Nós lançaremos nosso primeiro produto baseado em arquitetura heterogênea, o Kaveri, no final deste ano. Será feito para desktops. Mais para frente, vamos integrá-lo em todos os nossos laptops, e veremos o que vai acontecer daí em diante”, respondeu, sem dar maiores contornos.

O diretor de marketing da AMD no Brasil, Roger Melo, explica que a mudança de foco no portfólio da empresa beneficiou o Brasil, estrategicamente falando: “O Brasil sempre aceitou muito bem as placas da AMD no setor de computadores high-end, em especial entre usuários de games e computação visual intensa, mas esse é apenas um nicho. A visão agora é a de ir buscar espaço no mercado de sistemas econômicos [leia-se: tablets e smartphones], e nisso o Brasil é enorme”. Para o executivo, o crescimento explosivo no mercado de portáteis nacional fez com que o país se tornasse parada obrigatória para fabricantes de componentes eletrônicos.

Entenda a Arquitetura de Sistema Heterogêneo (HSA)

O que Papermaster veio ao Brasil para comunicar é a proximidade do lançamento da placa Kaveri, primeiro produto para desktops a incorporar Arquitetura de Sistema Heterogêneo (HSA). Ela é a primeira placa SoC nesse formato, e tem um objetivo ousado: conseguir não apenas substituir processador e placa de vídeo ao mesmo tempo, mas superá-los de forma combinada e ainda gastando menos energia.

O funcionamento da HSA, com processador, memória e GPU integrados (Foto: Reprodução/AMD)O funcionamento da HSA, com processador, memória e GPU integrados (Foto: Reprodução/AMD)

Para realizar a façanha, a empresa criou uma série de protocolos que fazem com que processador e GPU possam usar a mesma memória, ao mesmo tempo, sem ter que perder tempo recopiando ou traduzindo dados a cada interação. Em teoria, as duas partes poderiam até mesmo se comunicar diretamente, sem a necessidade de RAM no caminho.

Os ganhos reais seriam muitos. Segundo a própria AMD, o Kaveri atinge uma performance de processamento até 30% mais veloz do que seus componentes montados de forma tradicional, com placa-mãe, RAM e protocolos de transmissão convencionais. Além disso, por se tratar de uma aglomeração, ocupa muito menos espaço que um sistema comum, sendo ideal para gabinetes de menor porte, e sua agilização nas comunicações simplifica processos de programação, já que CPU e GPU podem ser codificados em um mesmo trabalho. Outro grande benefício, derivado dos anteriores, é um gasto significativamente menor de energia, pois há menos processos, menos transporte, menos replicações.

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