Video game

21/11/2013 17h24 - Atualizado em 21/11/2013 17h57

Desenvolvedores do Brasil revelam os bastidores de parcerias com a Sony

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

A Brasil Game Show (BGS), evento de games que ocorreu em outubro, trouxe importantes parcerias para o mercado nacional de games. Durante o evento foi anunciada a associação entre a Sony, famosa desenvolvedora de consoles, e 19 empresas brasileiras de jogos digitais. Behold Studios, BitCake Studio, Corbett Software, Deep Knight Games, Diamond Dogs, Everywhere Mobile, Fire Horse Studio, Harpa Game Studio, Hoplon, Ilusis, JoyMasher, Jynx, PetitFabrik, Pixel Snack, QUByte, Rockhead, TotenDev e Vortex Game Studio receberão kits PlayStation até o começo de 2014 para criar games para PS4 e PS Vita. Algumas destas empresas já foram entrevistadas pela Coluna Geração Gamer.

PS Vita atualizado para chegada do PS4 (Foto: Divulgação) (Foto: PS Vita atualizado para chegada do PS4 (Foto: Divulgação))Empresas fecham parceria com a Sony para produzir jogos de PS Vita e PS4 (Foto: Divulgação)

A coluna de games do TechTudo entrevistou dois representantes de diferentes empresas brasileiras que nos forneceram detalhes sobre a parceria da Sony com startups em nosso país. Confira os depoimentos.

A reunião próxima dos dias da BGS

Evento brasileiro permitiu a reunião entre a Sony e as desenvolvedoras (Foto: Divulgação/BGS)Evento brasileiro permitiu a reunião entre a Sony e as desenvolvedoras (Foto: Divulgação/BGS)

Rodrigo Zangelmi, um dos desenvolvedores da Pocket Trap, empresa que já fez games nas plataformas iOS e Android, conta como foi a saga para encontrar os representantes da PlayStation. “Nós tivemos uma reunião com o pessoal da Playstation Incubation – Latin America meio que sem querer. Nós pretendíamos conversar com eles durante a BGS, caçando-os pela feira, mas aí surgiu uma oportunidade de irmos com o Marcos Venturelli da Rogue Snail (ex-Critical Studio) para a reunião que ele tinha marcado com eles”. A conversa entre as pequenas e médias corporações brasileiras ocorreu antes da palestra da Sony pré-BGS, quando a empresa anunciou jogos em português no PS4, a PS Plus brasileira e a edição especial de Ayrton Senna de Gran Turismo 6.

Rodrigo Zangelmi, da Pocket Trap, desenvolvedor que conversou com a Sony (Foto: André Rossi)Rodrigo Zangelmi, da Pocket Trap, desenvolvedor que conversou com a Sony (Foto: André Rossi)

Ao se reunirem com os executivos da Sony, os brasileiros demonstraram como criaram seus games. “Diante deles, nós nos apresentamos e mostramos o Ninjin, nosso primeiro e até então único jogo. Depois de jogarem, eles nos perguntaram ‘o que vai fazer o seu jogo de um dólar para iPhone e iPad virar um de 10 dólares no Vita?’ e foi ai que pudemos falar que gostaríamos de criar o Ninjin 2, sua continuação”, afirmou Rodrigo, da Pocket Trap. Ou seja, a Sony aceitou desenvolvedoras que já tivessem projetos viáveis para seus consoles, tanto de mesa quanto os portáteis.

“Esse foi ponto da conversa da Sony foi muito legal, porque, ao entenderem que queremos criar uma continuação, eles nos deram sugestões boas. Acho que o que fez eles nos aceitarem foi justamente o Ninjin 2 cair como uma luva em um hardware como o Vita. Não adianta você fazer o discurso mais incrível do universo se nunca produziu nada e não tem como provar que você consegue de fato produzir algo concreto”, completa o designer de games.

Os desenvolvedores brasileiros receberão kits para criar jogos, também, no PS3 (Foto: Divulgação) (Foto: Os desenvolvedores brasileiros receberão kits para criar jogos, também, no PS3 (Foto: Divulgação))Os desenvolvedores brasileiros receberão kits para criar jogos, também, no PS3 (Foto: Divulgação)

Detalhes técnicos ajudaram a Pocket Trap a fechar acordo com a empresa japonesa. Zangelmi explica: “Levando em conta que o jogo possui dois analógicos digitais no iOS, o Vita é a plataforma perfeita para sua continuação, mantendo o fator portátil e tendo botões físicos que melhoram a precisão na experiência do jogador. E, sem querer puxar saco, nós sempre pensamos que o Vita seria incrível para o Ninjin exatamente por causa dos botões. No entanto, nunca tínhamos levado essa ideia à sério porque não pensávamos que esse contato com a Sony pudesse existir”. Os kits de desenvolvimento para os consoles PS Vita e PS3 serão entregue às empresas brasileiras até 2014. Provavelmente elas desenvolverão ao longo do ano que vem.

Saulo Camarotti, da Behold Studios: Sony convocou empresas brasileiras buscando startups na América Latina (Foto: Arquivo Pessoal)Saulo Camarotti, da Behold Studios: Sony convocou empresas brasileiras buscando startups na América Latina (Foto: Arquivo Pessoal)

Saulo Camarotti começou a jogar videogames entre os três e quatro anos de idade, foi Nintendo quando pequeno e depois migrou para a plataforma PC. Faz jogos por hobby desde os 12 anos. Quando esteve em reunião com a Sony pela Behold Studios, também teve que mostrar um projeto adiantado. “Mostramos a eles o Knights of Pen & Paper, que é sucesso nos smartphones e no Steam, além dos prêmios que ganhamos com ele. Mas também mostramos o nosso novo projeto Chroma Squad, além de nossa intenção de lançar uma versão para os consoles, inclusive da Sony”, disse o designer de games.

Saulo Camarotti, da Behold Studios conta que a empresa só precisou preencher uma documentação entre companhias latino-americanas para serem convocados pela corporação japonesa. “O projeto da Sony de incubação já existe há muito tempo, e consiste na oficialização de uma parceria entre os pequenos desenvolvedores e a empresa. Este ano, eles abriram um formulário para desenvolvedores independentes da America Latina, e anunciaram com o PS4 a possibilidade de lançarmos jogos para a plataforma”.

Knights of Pen & Paper, o jogo que a Behold Studios usou para selar a parceria com a Sony (Divulgação)Knights of Pen & Paper, o jogo que a Behold Studios usou para selar a parceria com a Sony (Divulgação)

A aprovação veio logo, de acordo com o criador de jogos. “Uns dias depois, eles entrarem em contato conosco, e começamos a oficializar a parceria com contratos e outras coisas. Eles incubaram diversas empresas, e deixaram claro que esta parceria não garante um lugar automaticamente na loja da PSN. Os jogos ainda vão passar por um filtro de qualidade, o que me deixa muito feliz, pois sei que a plataforma merece bons jogos”, explicou Camarotti.

Uma continuação de Ninjin, da Pocket Trap, será produzida para o PS Vita (Foto: Divulgação)Uma continuação de Ninjin, da Pocket Trap, será produzida para o PS Vita (Foto: Divulgação)

Rodrigo Zangelmi diz que não há tantas diferenças entre fazer jogos para smartphones ou mesmo para videogames convencionais. “Nós da Pocket Trap fizemos o Ninjin para iOS e um jogo de Jam, chamado Hell Broker, que foi finalista do Indie Speed Run, para PC. A questão de desenvolver ‘para console’ é cada vez mais sutil. Com as engines de criação de games, importa cada vez menos o ‘para onde’ você faz seu jogo, já que é cada vez mais comum que essas ferramentas exportarem para tudo. Estamos usando a Unity 3D para o Ninjin 2, por exemplo, e ela exporta para todas as plataformas”, diz.

E o PS4? Qual é a opinião dos desenvolvedores brasileiros?

Luzes LED chamam atenção no PlayStation 4 (Foto: Thiago Barros/TechTudo)Luzes LED chamam atenção no PlayStation 4 (Foto: Thiago Barros/TechTudo)

O PlayStation 4 chegou ao Brasil pelo preço de R$ 4 mil, o mais caro no mundo. A Sony culpou os impostos do governo pelo alto custo. Os gamers, por outro lado, rebateram reclamando do cálculo da empresa ao lançar o aparelho no país.

Os desenvolvedores brasileiros tem uma opinião favorável ao videogame, mas com algumas ressalvas. “Não vejo a hora de ter um, e falo como desenvolvedor, entusiasta de jogos indie, triple A e de tecnologia. Não tem como negar que o preço está alto, ainda mais com o Xbox sendo mais caro lá fora e aqui estando pela metade do preço. Mas até aí, lembro de quando o PS3 foi lançado e chegou não oficialmente no Brasil, custando R$ 6 mil e vendendo”, diz Rodrigo Zangelmi da Pocket Trap.

A Sony ainda não vai liberar as ferramentas de desenvolvimento para o seu novíssimo console às empresas brasileiras. No entanto, os criadores de games têm esperanças. “Eles querem estabelecer a indústria de games por aqui ainda com o PS3 e o Vita, não ainda com o PS4. O PlayStation 3 ainda é muito vendido e já possui uma base de usuários muito satisfatória. Para nós aqui da Behold, que trabalhamos com jogos indies, não será muito difícil e não nos tomará muito tempo de portar nosso jogo do PS3 para o PS4 depois de lançado. Estamos torcendo para que isso ocorra logo”, afirma Saulo Camarotti

Playstation 4 foi lançado dia 15 de Novembro nos Estados Unidos. (Foto: Divulgação) (Foto: Playstation 4 foi lançado dia 15 de Novembro nos Estados Unidos. (Foto: Divulgação))Playstation 4 foi lançado dia 15 de Novembro nos Estados Unidos. (Foto: Divulgação)

“O PS4 é atraente, com certeza. Só acho estranho eles terem dito que o Xbox One é mais barato porque é montado aqui e o PS4 não. O Wii U também não é montado aqui e custa US$ 50 a menos que o PS4, porque chegou com preço parecido com do Xbox One. Vai entender…”, desabafa Zangelmi, com um pouco de estranheza quanto aos preços.

O futuro continua sendo mobile?

Apesar das oportunidades com os consoles da Sony, os desenvolvedores ainda apontam o cenário de smartphones e tablets como produtivo para a cena independente de jogos. “Se você pensar que grupos indies têm pouca gente, isso muda tudo na criação de um game. Na Pocket Trap, nós temos só um programador. Por isso, graças às engines atuais, o que impede as pessoas de produzirem para consoles é não ter acesso/permissão para isso. Essa foi a vantagem do mercado mobile, que deixou qualquer pessoa que quisesse desenvolver, desenvolver. E isso afetou toda a indústria”, afirma Rodrigo Zangelmi.

Se não fossem os games prontos para funcionar em um sistema de celulares, a Sony não teria se interessado pelo trabalho das empresas brasileiras. E, para que nosso país ganhe mais relevância na criação de jogos digitais, é fundamental que o mercado mobile continue se consolidando. Exemplos como o da Pocket Trap e o da Behold Studios são a comprovação desta tese.

Entre Xbox One e PS4, qual terá os melhores jogos exclusivos? Opine no Fórum do TechTudo.

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