07/05/2014 07h40 - Atualizado em 07/05/2014 15h05

Splitplay: conheça os criadores do Steam dos jogos indies brasileiros

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

A loja Splitplay, lançada nesta quarta-feira (7), pretende ser o “Steam dos jogos 100% brasileiros”. “Nós estamos apostando nos games do Brasil. A cada ano que se passa, nossa produção nacional dá um salto enorme de qualidade. Só em 2014 vão ser lançados diversos jogos incríveis feitos por brasileiros como Cangaço, Chroma Squad, Pier Solar HD e Tormenta, só pra citar alguns”, diz Rodrigo Coelho Costa Junior (25), um dos desenvolvedores da rede. Em entrevista à coluna Geração Gamer, o time de desenvolvimento revelou, com exclusividade, os 21 games que estarão à venda a partir dessa quarta (7), custando entre R$ 2 e R$ 45. Confira os depoimentos:

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Logotipo do Splitplay: Evento de lançamento terá presença de desenvolvedores brasileiros (Foto: Divulgação)Logotipo do Splitplay: Evento de lançamento terá presença de desenvolvedores brasileiros (Foto: Divulgação)

Loja vai abrir com 21 jogos

“Teremos, de cara, 21 games brasileiros no SplitPlay: Aritana e a Pena da Harpia, Cangaço, Dead Bits, Soul Gambler, Face It, Cataegis – The White Wind, Mr. Bree+, Heroes Rush: Tactics, Bellatorus, Sattelite Rush, Bernie Needs Love, Dreaming Sarah, Chroma Squad, Mahjong Max, Vitrum, Daily Espada, Guy vs The Wicked and Nefarious Land, Pet Playground, Overcast – Walden and the Werewolf, Robot Dir e A Vítima de Ouro. Esses nomes e os detalhes dos jogos serão explicados em nossa conferência ao vivo às 16h de hoje através da nossa página no Twitch, com desenvolvedores convidados”, disse, com exclusividade ao TechTudo, Rodrigo Coelho.

Henrique Bejgel, Eric Prata Salama e Rodrigo Coelho Costa Junior falam sobre o Steam brasileiro (Foto: Divulgação)Henrique Bejgel, Eric Prata Salama e Rodrigo Coelho Costa Junior falam sobre "o Steam brasileiro" (Foto: Divulgação)

O projeto, embora seja ambicioso, fluiu bem entre seus criadores. “Nós estávamos projetando o Splitplay há um ano, mas o desenvolvimento da plataforma começou mesmo em junho de 2013. Entre desenvolvedores, freelancers, assessores de imprensa, designers, ilustradores, motion designers e consultores, 15 pessoas se envolveram nas diferentes partes do projeto”, explica Henrique Bejgel (21). A ideia deles surgiu baseada em problemas dos desenvolvedores brasileiros que eles mesmos viram no mercado.

Desenvolvedores do Splitplay levaram menos de um ano no projeto até criar a loja (Foto: Divulgação)Desenvolvedores do Splitplay levaram menos de um ano no projeto até criar a loja (Foto: Divulgação)

“A ideia do Splitplay começou quando eu, Eric e Henrique nos juntamos para trabalhar criando jogos. Mas, por experiências anteriores, enxergamos que não teríamos muitas chances no Brasil. Em contato com muitos game devs daqui, percebemos que os problemas que passamos eram recorrentes com praticamente todos os estúdios. Por esse motivo, começamos a estudar estado do mercado de jogos indies no Brasil e na América Latina para desenvolver uma solução. O projeto do Splitplay nos ajudou a aprofundar ainda mais os estudos sobre nosso mercado”, completa Rodrigo. Os criadores da loja, inclusive, passaram a dar palestras sobre o mercado brasileiro para divulgar melhor seu real tamanho fora de nosso país.

Cangaço, da Sertão Games, é lançado no primeiro dia da loja Splitplay (Foto: Divulgação)Cangaço, da Sertão Games, é lançado no primeiro dia da loja Splitplay (Foto: Divulgação)

“Os jogos que serão lançados no Splitplay terão preços que variam de dois até 45 reais. Eles são de diversos gêneros, como plataforma 3D, 2D, estratégia em tempo real, FPS, retrô 8-bits, tática, jogos de carta, tabuleiro, gerenciamento, terror e outros!”, falou, com entusiasmo, Rodrigo Coelho. Um dos games na lista de estreias da loja nos moldes do Steam da Valve é Chroma Squad, jogo com personagens similares aos Power Rangers criado pela Behold Studios, de Saulo Camarotti, e pela Rogue Snail, do ex-Critical Studio Marcos Venturelli.

Chroma Squad é o novo jogo de Marcos Venturelli e do Behold Studios, que chega ao Splitplay (Foto: Divulgação)Chroma Squad é o novo jogo de Marcos Venturelli e do Behold Studios, que chega ao Splitplay (Foto: Divulgação)

Quanto custou e quais foram os investimentos do Splitplay?

“O projeto foi desenvolvido em grande parte pela equipe atual do nosso time: Os três fundadores e mais três desenvolvedores. Eu cuido de toda a parte de design, experiência de usuário, interface e da parte financeira. O Henrique Begjel lidera toda a parte de desenvolvimento de software e o Rodrigo Coelho, que é game designer, cuida dos contatos com a indústria e mídia”, explica Eric Salama (25), que começou a jogar videogame num Sega Genesis com mais ou menos oito anos. Embora fosse fã de Sonic, ele foi para os computadores com Full Throttle e não parou mais, jogando muito os games da Blizzard e da Valve. Ele explica sobre o restante da equipe: “Quem nos ajudou foi o Dimas Cyriaco, desenvolvedor de back-end e nosso fiel escudeiro; Gustavo Corrêa, nosso mestre Jedi em SEO e front-end dev; e Gabriel Dantas, também mestre em front-end criador do site”.

Os games da Splitplay divulgados com exclusividade ao TechTudo (Foto: Divulgação)Os games da Splitplay divulgados com exclusividade ao TechTudo (Foto: Divulgação)

Sobre os reais custos do projeto, quem nos explica melhor é o próprio Rodrigo Coelho, que começou a jogar num Phantom System da Gradiente, aos 4 anos, mas só teve um videogame ao adquirir um NES. “Começamos com um investimento nosso de R$30 mil e recebemos um aporte de R$ 43 mil do governo do Rio de Janeiro através do programa Startup Rio. Depois, entrou R$ 80 mil do governo chileno através do programa Start-Up Chile. Todo o dinheiro foi usado para construir uma plataforma para os jogadores e desenvolvedores brasileiros”.

“São poucos os estúdios brasileiros que têm conhecimento de marketing e dinheiro para conseguir efetivamente levar seus jogos às pessoas. Isso ocorre, em parte, porque nossos canais de mídia especializada cobrem pouco os games feitos aqui no Brasil e não existe um lugar centralizado para esses tipos de videogame. Há um grande interesse em saber mais sobre nossa produção interna, mas a maioria dos jogos indies feitos aqui acabam se perdendo no mar da internet”, afirma Henrieque Bejgel, sobre o possível papel do Splitplay neste cenário. Ele começou nos games aos seis anos, num Nintendo 64 e jogando Banjo-Kazooie, além de ser fã de Okami, Paper Mario e World of Warcraft.

Tela de compra dos games no Splitplay (Foto: Divulgação)Tela de compra dos games no Splitplay (Foto: Divulgação)

Há uma inspiração na equipe ao criar o Splitplay. “O ex-presidente da americana International Game Developers Association (IGDA), Jason Della Rocca, foi também uma inspiração para o nosso processo. Ele diz que o mercado de games movimenta tanto dinheiro em tantas áreas diferentes que está entre os cinco melhores investimentos que um governo pode fazer, junto com biotecnologia e energia renovável. Para esse mercado interno se desenvolver, o país precisa de apoio governamental e uma forma eficiente de distribuição”, diz Rodrigo.

O que é necessário para começar? Qual é o futuro?

Além de desenvolvedor, Rodrigo Coelho é um otimista: “Para desenvolver no Brasil, nunca existiu um momento melhor. Cada vez ferramentas incríveis estão ao alcance por um preço baixo, como a engine Unity e mais recentemente as famosas Unreal Engine e Cry Engine, que podem ser licenciadas por menos de US$ 14,99 por mês. Até para quem não sabe programar, ferramentas como o Game Maker e Construct II se aprimoram cada vez mais com features que permitem fazer um jogo realmente profissional. O difícil atualmente é colocar seu jogo no mercado e torná-lo conhecido para que possa vender. A Splitplay surge para mudar isso”.

Eles realmente acreditam que estão criando um Steam para o público local. Diz Eric Salama: “Splitplay vai ajudar a diminuir o risco que os desenvolvedores têm em investir tempo e recursos em projetos que podem não chegar a obter o retorno ou a visibilidade esperada. A criação de uma loja exclusiva de indies brasileiros e latino-americanos vai auxiliar na longevidade da industria de desenvolvimento independente, especialmente no Brasil”.


E sobre o futuro?

“Creio que, no médio prazo, vamos nos deparar com uma indústria onde os desenvolvedores independentes dominarão o mercado de consoles, que é cada vez mais aberto. Por isso, eles deixarão de ser tão indies assim, tornando-se empresas de médio porte com jogos de alta qualidade. Enquanto isso, os jogos AAA vão ficar cada vez mais caros e arriscados de se produzir. A longo prazo, as empresas que produzem consoles hoje – Nintendo, Sony e Microsoft -, terão que se adaptar a um mercado onde praticamente todos os jogos são multiplataforma e onde as pessoas não compram mais consoles, porque elas já tem em seu pacote de internet e TV a cabo, além de um serviço para jogar os últimos lançamentos dos games”, destaca Rodrigo.

“Pessoalmente, eu acredito na popularização e democratização das ferramentas de Realidade Virtual num futuro próximo. Elas serão bastante exploradas pelos grandes players do mercado”, finaliza Eric.

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  • Lucas Tameiro
    2014-05-07T11:28:29

    Vamo apoia os muleke ai, boa iniciativa. Mais esperamos games de qualidade, quem sabe mais pra frente..

  • Rodrigo Souza
    2014-05-07T10:32:10

    Só vi UM jogo que talvez valha a pena comprar. Enquanto a Steam vai entrar em promoção de verão, com jogos muito melhores por preços menores que essas piadas aí.