Internet

17/09/2014 10h47 - Atualizado em 17/09/2014 10h48

Após polêmica com nomes de drag queens, Facebook recebe ativistas

João Kurtz
por
Para o TechTudo

Representantes do Facebook concordaram em se encontrar com ativistas do movimento LGBT de San Francisco para debater as políticas de nomes em perfis da rede social. O encontro foi agendado em resposta ao problema que várias drag queens têm enfrentado por serem obrigadas a usar seus nomes de batismo em seus perfis e, ao lado, seus nomes artísticos entre parênteses, como "nome alternativo".

Recrie no seu Facebook a polêmica experiência que manipulou feeds

Drag Queens protestam política do Facebook que exige nomes de batismo (foto: Reprodução/Twitter)Drag Queens protestam política do Facebook que exige nomes de batismo (foto: Reprodução/Twitter)

A reunião, agendada para a próxima quarta-feira (17), foi conseguida graças aos esforços do supervisor da cidade David Campos. Ele é conhecido por dar suporte a várias causas da comunidade LGBT e seu descontentamento com a posição do Facebook já era conhecida antes do caso se tornar popular.

A drag queen Sister Roma denunciou o problema. Ela também foi atingida pela rigidez da política, sendo obrigada a usar seu nome de batismo, Michael Williams, o qual ela havia abandonado há cerca de 30 anos, no seu perfil pessoal do Facebook. “Eu fiquei comovida com os diversos e-mails que recebi de pessoas que estão passando pelo mesmo problema”, aponta.

Facebook não carrega em nenhum browser, como resolver? Veja no Fórum do TechTudo.

Os transexuais lembram que o problema não afeta apenas a eles. Outras pessoas – como vítimas de abuso doméstico, viciados em drogas ou jogo e pessoas que sofrem discriminação – também querem usar o Facebook com pseudônimos como forma de se manterem protegidas.

Facebook envia alerta para usuária da rede social pedindo ajuste no nome do perfil (Foto: Reprodução/Twitter)Facebook envia alerta para usuária da rede social pedindo ajuste no nome do perfil (Foto: Reprodução/Twitter)

O caso se espalhou além do Facebook. No Twitter, os usuários passaram a usar a hashtag #mynameis (“meu nome é”) para falar da polêmica. Além disso, uma petição online no change.org requisitando que a rede social modifique suas políticas foi criada e já conseguiu mais de 18 mil assinaturas.

Em tuíte, Sister Roma confirma encontro com representantes do Facebook (Foto: Reprodução/Twitter)Em tuíte, Sister Roma confirma encontro com representantes do Facebook (Foto: Reprodução/Twitter)

Questionado sobre o assunto, o Facebook respondeu ao TechTudo, em nota, que possui vários recursos que permitem aos usuários usar nomes diferentes. É possível adicionar um apelido que é colocado junto ao nome, entre parênteses, ou criar uma página específica para uma identidade alternativa, como um personagem.

"Como parte das regras de nossa comunidade, nós pedimos às pessoas que usem os seus nomes reais em seus perfis. Se as pessoas querem utilizar um outro nome no Facebook, existem algumas opções que podem utilizar como, por exemplo, incluir um nome alternativo - que irá aparecer entre parênteses no perfil, ou criar uma página", diz a nota.

Porém, drags afirmam que a sugestão não resolve o problema. A diferença é que elas não se consideram empresas vendendo produtos para terem páginas de marca ou fãs. “Nós queremos encorajar amigos a virem para nossos eventos e performances, promover caridades e interagir com outras pessoas como qualquer usuário do Facebook”, explica Olivia LaGarce.

Outro supervisor de São Francisco, Scott Wiener, também se manifestou contra a política, “Eu entendo o desejo do Facebook de criar perfis transparentes, sem permitir que pessoas se escondam atrás de identidades falsas. O problema é que, para muitas drag queens, seu nome artístico é, na verdade, sua identidade verdadeira e a rede social precisa entender a realidade desta comunidade e ajustar suas políticas para permitir a diversidade”, afirmou.

Esta não é a primeira polêmica envolvendo nomes enfrentada pela rede social. No Brasil, vários usuários tiveram problemas com seus perfis por que seus nomes que, embora verdadeiros, eram bloqueados pelo Facebook por serem barrados na política de termos ofensivos; veja os casos das famílias Fuck e Piroca. Nos Estados Unidos, a internauta Melinda Kiss teve que comprovar que seu sobrenome não era uma brincadeira. Todos perderam ou foram ameaçados de perder suas contas.

Via Mashable

Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

recentes

populares