10/09/2014 07h04 - Atualizado em 10/09/2014 07h04

Cabal Online: Playspot assume o game e trabalhará com jogos nacionais

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

A Playspot iniciou suas atividades no dia 27 de agosto de 2014 assumindo, de cara, o game sul-coreano Cabal Online no Brasil, criado pela ESTsoft. À coluna Geração Gamer, Byong Hwan Kang (31), diretor de operações da publisher, e Anderson Abraços (36), diretor de marketing, afirmaram que vão trabalhar com jogos brasileiros após conhecer a cena nacional no Brazil’s Game Festival, o BIG, que ocorreu entre 10 e 18 de maio deste ano. Confira o depoimento.

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Playspot chega ao Brasil e vai divulgar jogos internacionais e nacionais, dizem executivos (Foto: Divulgação)Playspot chega ao Brasil e vai divulgar jogos internacionais e nacionais, dizem executivos (Foto: Divulgação)

Situação do Brasil no mercado de videogames

“Sim, nós temos planos de investir no Brasil! Tivemos esta ideia quando visitamos o BIG Festival. Os jogos aqui têm muita qualidade, só que ainda pecam pela questão da monetização. Gráficos e jogabilidade são importantes, mas pensar em como ganhar dinheiro com o produto é fundamental”, diz Anderson Abraços. O diretor de marketing diz que os games online dependem de um sólido financiamento: “Eles necessitam de um cash shop de qualidade, com itens para gamers”.

BIG é o maior evento de jogos brasileiros e ocorreu no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo (Foto: Divulgação)BIG é o maior evento de jogos brasileiros e ocorreu no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo (Foto: Divulgação)

O diretor Byong Hwan Kang é mais crítico e menos entusiasmado com os jogos do Brasil. “Existe falta de incentivo e preconceito. Existe uma aura preconceituosa ao redor da cultura gamer e dos profissionais dessas empresas. É muito comum eu ouvir questionamentos como ‘nossa, você trabalha em empresa de jogos? Você joga todo dia?” Ou ‘ô vidão! Isso que é trabalho. Eu queria ganhar para jogar todo dia, assim como você!’. O preconceito vem das próprias pessoas ao nosso redor, o que diz muito sobre a percepção do mercado de games no território nacional”, frisa.

Byong Hwan Kang e Anderson Abraços, diretores da Playspot (Foto: Arquivo Pessoal)Byong Hwan Kang e Anderson Abraços, diretores da Playspot (Foto: Arquivo Pessoal)

Na questão de falta de participação do governo na consolidação do mercado, Kang faz críticas mais profundas: “Só os empresários sabem como é árduo criar, manter e ter sucesso com uma empresa no Brasil devido aos altos custos. O governo deu, por vários anos, incentivos para produtos de informática e, recentemente, anunciou que a redução de 80% do IPI, que acabaria no fim de 2014, continuará até 2024. O que aconteceu nestes últimos anos? Aumento da popularização e penetração de produtos de informática no Brasil. Não existe segredo e nem mágica. Basta o governo oferecer incentivos para cursos, escolas, desenvolvedores, publicadores, importadores e exportadores de jogos. Infelizmente ou felizmente, o nosso mercado cresceu sem a ajuda do governo, pois ele nunca se interessou em incentivar. Cito o antigo bloqueio comercial feito para o Counter-Strike em 2002, alegando ‘estímulo à violência’”.

Playspot assume um jogo consolidado entre os MMORPGs (Foto: Divulgação)Playspot assume um jogo consolidado entre os MMORPGs (Foto: Divulgação)

Byong Hwan Kang também acredita que o estereótipo de nerd precisa acabar dentro dos videogames e que os crimes devem parar de ser associados com diversões eletrônicas, como se fosse um padrão fora do comum na sociedade. O executivo vê uma conexão entre desenvolvedores, gamers e produtos para desconstruir entraves no país e avançar nas criações tecnológicas.

Assumindo o jogo Cabal Online

Cabal é um MMORPG que existe desde 2005, lançado inicialmente na Coreia do Sul pela ESTsoft. O jogo abusa do modo free-to-play, ou seja, é gratuito inicialmente com uma variedade de itens pagos que melhoram seu personagem e sustentam todo o ecossistema do game.

Cabal é um MMORPG consagrado (Foto: Reprodução)Cabal é um MMORPG consagrado (Foto: Reprodução)

“A parceria com o Cabal foi tranquila e sabemos que o Cabal é um jogo que enfrentou problemas no passado. O maior desafio daqui para frente será a mediação entre a comunidade e a ESTsoft. Nós trabalharemos em conjunto com eles para coletar informações dos jogadores com foco em qualidade e diversão”, explicou Byong Hwan Kang. Além de Cabal Online, a Playspot também trabalhará com os games Divine Souls, Magic Campus e Red Crucible 2.

“Vamos trabalhar com os três títulos. O Divine Souls será retraduzido e receberá dublagem em português. Além disso, temos uma equipe cuidando das atualizações do jogo para que ele tenha mais conteúdo e novos desafios para os jogadores”, afirma Anderson Abraços. Com a nova publisher no mercado, Magic Campus e Red Crucible 2 também devem receber um segundo trabalho de tradução para o português, além de suporte técnico para os gamers, de acordo com a empresa.

A Playspot e o futuro dos games

Executivos da Playspot querem levar games a sério, especialmente como e-sport (Foto: Divulgação)Executivos da Playspot querem levar games a sério, especialmente como e-sport (Foto: Divulgação)

Byong Hwan Kang não gosta muito de consoles e prefere jogar no PC, apreciando jogos como Clash of Clans. Já Anderson Abraços é fã de Final Fantasy, Pokémon, Street Fighter, FIFA e Elder Scrolls, além de ter vários consoles, como Xbox One, PlayStation 4, Xbox 360, PSVita e o Nintendo 3DS.

De acordo com eles, a Playspot funciona como uma publisher startup com apenas dois funcionários e empresas terceirizadas que lidam com redes sociais na internet e a chamada “web 2.0″. A ideia é fornecer um networking entre desenvolvedores e ferramentas que facilitem a venda de jogos com clientes, formando uma comunidade de jogadores.

“Nós fomos contatados por um grupo de investidores chineses que tem vários negócios ao redor do mundo. Eles tinham muitas informações sobre o mercado brasileiro. Por ser um país emergente, apesar de estar aquém dos outros em termos de velocidade de internet e preço, estamos tentando agregar valor, oferecendo diferentes tipos de entretenimento concentrados em um único lugar”, explica Kang sobre a natureza de seu negócio como publisher.

Playspot quer trabalhar, sobretudo, com networking em desenvolvimento de games (Foto: Divulgação) (Foto: Playspot quer trabalhar, sobretudo, com networking em desenvolvimento de games (Foto: Divulgação))Playspot quer trabalhar, sobretudo, com networking em desenvolvimento de games (Foto: Divulgação)

E o futuro dos videogames? Os executivos entrevistados fazem algumas apostas. Para Abraços: “Vamos evoluir pouco graficamente, e o futuro parece mesmo ser a realidade virtual, pela movimentação das empresas”. Enquanto isso, Kang pensa de maneira diferente. “O videogame irá se consolidar como um entretenimento sério, como acontece com o futebol, cinema ou música. São impressionantes os prêmios de jogos renomados como League of Legends e DotA 2. Estamos falando de 10 milhões de dólares para jogadores”.

O diretor Byong Hwan Kang comparou a premiação de musculação do concurso Mr. Olympia com os videogames. O primeiro colocado em 2013 ganhou 250 mil dólares, enquanto o segundo levou 125 mil e o terceiro, 80 mil. Ao todo, foram 455 mil aos fisiculturistas, 4% da premiação atual do DotA.

“Vejo o gamer como um atleta em um futuro muito próximo. Se salários milionários são possíveis para pessoas que correm atrás de uma bola, por que isso não poderia acontecer com quem clica e aperta inúmeros botões ao mesmo tempo? Assim como o futebol, o gamer profissional precisa de treinamento, raciocínio lógico e criatividade para se adaptar às situações que ocorrem em tempo real. Prevejo um canal de TV voltada apenas para jogos”, finaliza Kang, lembrando que emissoras norte-americanas começaram a transmitir torneios de DotA neste ano.

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