01/10/2014 08h31 - Atualizado em 01/10/2014 08h31

GameCircle: conheça o programa da Amazon que incentivará jogos nacionais

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

A Amazon quer levar os jogos produzidos no Brasil para uma loja nacional no mês de novembro e para o programa GameCircle, que promove a integração dos aplicativos para sistemas móveis Fire OS e Android. A coluna Geração Gamer entrevistou em São Paulo os executivos Peter Heinrich (46), evangelista da empresa nos Estados Unidos, e Milton Neto (38), empresário brasileiro que vai instalar a primeira App Store da companhia em nosso país. Confira.

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Gamecircle é a plataforma de integração de games da Amazon (Foto: Divulgação)Gamecircle é a plataforma de integração de games da Amazon (Foto: Divulgação)

O que é o Gamecircle?

Gamecircle é uma plataforma de engajamento para desenvolvedores de game para Fire OS, sistema operacional de aparelhos como o Kindle Fire. A iniciativa, lançada em 10 de junho de 2012, foi criada para dar achievements nos jogos, sincronizar versões para o sistema proprietário da Amazon com o Android e também conservar os saves dos jogos em diferentes plataformas.

“Hoje os consumidores estão mais engajados e nós da Amazon queremos ajudar os desenvolvedores brasileiros. A arquitetura do Fire OS é acessível e o Android é um sistema aberto com maior acesso entre usuários mobile. Na minha opinião, acredito que o criador de apps deve apostar em jogos free-to-play e micropagamentos”, explicou Peter Heinrich à coluna. O executivo também acredita que os achievements, assim como no Xbox, servem para manter os usuários atraídos pelo jogo. “Vivemos numa era social em que as pessoas adoram compartilhar conteúdo”, completa.

Peter Heinrich, evangelizador da Amazon, falou com a coluna Geração Gamer no Brasil (Foto: Divulgação)Peter Heinrich, evangelizador da Amazon, falou com a coluna Geração Gamer no Brasil (Foto: Divulgação)

O programa tem dois anos de existência, mas a empresa está preparando novidades que devem atrair ainda mais os criadores de jogos digitais nacionais. “O Brasil terá uma App Store oficial da Amazon a partir do dia 22 de novembro de 2014. Além desta novidade, a desenvolvedora brasileira Insane, responsável pelo jogo Coelhadas da Mônica, fez parte das promoções da Amazon neste ano e disponibilizou downloads de graça por um dia, o que ajudou para divulgação de seu jogo”, revelou Milton Neto.

App Store da Amazon chega em novembro no Brasil (Foto: Divulgação)App Store da Amazon chega em novembro no Brasil (Foto: Divulgação)

A empresa Insane deu entrevista à coluna Geração Gamer neste ano sobre outro game, chamado Jogo do Cascão, um game casual para salvar o personagem da chuva. A companhia brasileira, na opinião dos executivos da Amazon, é um exemplo perfeito de como os advergames fazem sucesso no Brasil, principalmente pelo contrato deles com a Maurício de Sousa Produções.

O que a Amazon pensa sobre o Brasil?

“Não acho que vocês têm um mercado pequeno. O Brasil é um dos países mais conectados pela sua dimensão territorial. O único problema é que a indústria de videogames de vocês é formada por pequenas e médias empresas”, afirma o evangelizador Peter Heinrich. O americano também disse que tem informações sobre o nosso mercado. “Cerca de 60% dos desenvolvedores brasileiros fazem games no motor gráfico Unity para nossos apps da Amazon”, disse.

Coelhadas da Mônica é o jogo que recebeu promoção da Amazon (Foto: Divulgação)Coelhadas da Mônica é o jogo que recebeu promoção da Amazon (Foto: Divulgação)

O representante brasileiro da Amazon, Milton Neto, deu ainda mais detalhes sobre o mercado brasileiro com suas impressões. “Me parece que nós somos um país ainda novo no desenvolvimento de jogos, com muitas empresas pequenas, alguns programadores que fazem tudo sozinhos e criadores dependentes de incubadoras das universidades de tecnologia”, falou o executivo. E completou: “Mesmo com essa estrutura pequena, muitos dos brasileiros fazem sucesso lá fora”.

Peter Heinrich deu dicas para quem quer começar a se aventurar no desenvolvimento de jogos aqui pelo Brasil, tendo como exemplo seu país de origem, o mercado norte-americano. “Pense em ter downloads. Como você quer monetizar seu game? Para responder essa pergunta, você precisa descobrir quem é o seu consumidor. Se o teu jogo tiver níveis, é melhor deixar alguns gratuitos. A maioria dos videogames é feito desta forma, então é por isso que o free-to-play faz tanto sucesso”, afirmou.

As grandes desenvolvedoras versus os indies

Antes da Amazon, Peter Heinrich trabalhou na Sega, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)Antes da Amazon, Peter Heinrich trabalhou na Sega, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

Uma enorme discussão tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil é o mercado chamado “triple A”, com jogos que custam milhões, que estão em crise diante do sucesso de games em smartphones e tablets. O mercado brasileiro tem mais empresas pequenas que produzem mais para dispositivos móveis. Já a cena de games americana é dividida entre desenvolvedores tradicionais e os independentes de grandes empresas, chamados de “indies”.

“Eu estive nos dois lados da indústria norte-americana. Entrei no mundo dos games em 1991, trabalhando na Sega com o console Sega CD em Seattle. Vi jogos serem criados por milhões. Em 98, fui para a Amazon para cuidar das wishlists das lojas digitais. Sai da empresa e voltei há três anos, porque adoro meu trabalho. E agora estou cuidando de games com eles”, disse Peter Heinrich. E ele também disse porque alguns jogos baratinhos de celulares estão fazendo muito mais sucesso hoje.

Peter Heinrich trabalhou no Sega CD durante a década de 90 (Foto: Wikimedia Commons)Peter Heinrich trabalhou no Sega CD durante a década de 90 (Foto: Wikimedia Commons)

“São as microtransações. Jogos por valores baixos estão mudando a forma como os consumidores encaram os videogames. Eles estão mais dispostos a comprar programas digitais em quantidade hoje por valores acessíveis. Quando isso pegar melhor no Brasil, vai dar certo”, finalizou.

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