Impressora 3D

29/10/2014 09h40 - Atualizado em 29/10/2014 15h25

Impressora 3D já pode salvar vidas e melhorar qualidade delas também

Gabriel Ribeiro
por
Para o TechTudo

As impressoras 3D podem produzir coisas incríveis, desde alimentos a até mesmo carros. Mas a aplicação apontada como a principal revolução está relacionada à área de saúde. A mais comum solução com a tecnologia são as próteses para amputados, porém há impressão tridimensional de crânios, artérias e até mesmo órgãos. Saiba o que já é realidade e como a alternativa pode melhorar os tratamentos médicos.

CubePro, impressora 3D avançada, chega ao Brasil com preço para poucos

Molde de coração fabricado por uma impressora 3D  (Foto: Divulgação/Materialise)Molde de coração fabricado por uma impressora 3D (Foto: Divulgação/Materialise)


Moldes e próteses

Um dos maiores exemplos de sucesso das impressoras 3D utilizadas para fins medicinais aconteceu em julho deste ano no Hospital Infantil Morgan Stanley, em Nova York. Um recém-nascido foi diagnosticado com uma cardiopatia congênita, onde o pequeno coração, misturava os sangues oxigenados e não oxigenados, ocasionada por um defeito nas válvulas.

Para manter o bebê vivo, a única chance seria fazer uma cirurgia, que era considerada de alto risco por causa do tamanho minúsculo do órgão. Como era muito pequeno, os médicos não tinham a real dimensão do problema, e a única forma encontrada foi a construção de um modelo ampliado a partir de uma impressora 3D.

O molde foi desenvolvido pela empresa belga Materialise. Utilizando celuloide maleável, a empresa conseguiu reproduzir a textura e os defeitos que o coração da criança apresentava. Com isso, os médicos puderam ter um guia para realizar o procedimento, evitando situações de risco como ter que parar o coração. Além disso, eles puderam consertar o problema em apenas uma operação, o que, sem o modelo artificial, só seria possível após três ou quatro procedimentos.

Outro caso que ficou bastante famoso foi o do chinês Hu, de 46 anos. Após cair de um prédio de três andares, o fazendeiro perdeu parte do crânio. Sua cabeça ficou deformada. A solução encontrada pelos médicos foi desenvolver uma malha de titânio fabricada em 3D. A prótese foi colocada junto aos ossos do crânio, e o chinês teve parte da sua cabeça reconstruída.

Homem tem crânio reconstruído graças a malha de metal criada por impressora 3D (Foto: Reprodução/China Daily)Homem tem crânio reconstruído por malha de metal criada por impressora 3D (Foto: Reprodução/China Daily)

No início de 2014, uma mulher teve o seu crânio substituído por um molde de plástico fabricado por uma impressora 3D, em Utretch, na Holanda. Foi o primeira operação desse tipo no mundo. Os médicos disseram que, além de conseguir criar uma peça do tamanho ideal, a recuperação da paciente foi surpreendente, sem sequelas mais graves.

Em março de 2014, Garret Peterson, um bebê americano de 16 meses, foi salvo graças a uma peça de plástico feita por uma impressora 3D. Ele sofria de uma doença rara, que deixava a traqueia flácida e dificultava a sua respiração. Após o procedimento, o pequeno Garret pôde ter uma vida normal.

Diagnosticado com doença rara, pequeno Garrett se recupera após cirurgia para colocar peça de plástico na garganta  (Foto: Reprodução/Garrett The Brave)Pequeno Garrett após cirurgia para colocar peça de plástico na garganta (Foto: Reprodução/Garrett The Brave)

Casos de reconstrução beneficiados por impressoras 3D serão cada vez mais comuns com o passar dos anos. Para Jorge Lopes, professor do departamento de Design da PUC-Rio, isso só é possível graças ao avanço no diagnóstico visual. “Informações de imagem, como ultrassom e ressonância, é a base para a construção de peças em 3D na área médica”, disse.

O grande diferencial dos métodos que utilizam impressão 3D está na possibilidade de customização. Além disso, é mais rápido e prático a fabricação com a tecnologia. Cada pessoa recebe uma peça única, adaptada a seu corpo, o que reduz o risco e melhora a recuperação. Não será incomum se, no futuro, cada hospital estiver equipado com uma impressora 3D.

Bioimpressão

Contudo, não são só os moldes e próteses que estão ajudando o tratamento dos pacientes. Outro método que ainda está engatinhando, mas tem grande potencial, é a bioimpressão. Milhões de mulheres ao redor do mundo são submetidas a cortes e mutilações nos seios ocasionadas pelo câncer de mama. E é justamente na reconstrução do seio por meio de uma impressora 3D que a empresa americana TeVido BioDevices quer atuar.

Junção e ampliação de células de um tecido fabricado por uma impressora 3D (Foto: Divulgação/Organovo) (Foto: Junção e ampliação de células de um tecido fabricado por uma impressora 3D (Foto: Divulgação/Organovo))Junção e ampliação de células de um tecido fabricado por uma impressora 3D (Foto: Divulgação/Organovo)

A companhia utiliza células e gordura para criar um enxerto e desenvolver um mamilo. O material genético é retirado da própria paciente, o que diminui as complicações causadas pela rejeição. O grande diferencial da técnica com a impressora 3D é que o mamilo permanecerá no lugar sem precisar ser reconstruído várias vezes, o que é muito comum em cirurgias reparadoras normais.

Procedimentos desse tipo, em que pequenos partes do corpo são fabricadas em impressoras 3D, estão mais pertos da realidade do que a impressão de órgãos como coração ou fígado, por exemplo. O funcionamento destes é bem mais complexos do que um pedaço de pele, e fabricá-los e mantê-los vivos fora do corpo requer uma estrutura muito maior do que pequenas partes de tecido.

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No entanto, em um futuro próximo, isso será realidade. Imaginem quantas milhões de pessoas que necessitam de transplante seriam beneficiadas e quantas vidas poderão ser salvas. Imaginem também os debates éticos que esse tipo de procedimentos provocará. A Organovo, empresa americana pioneira no uso da bioimpressão, já está desenvolvendo fígados humanos que serão utilizados para testes de drogas, o que poderá evitar testes em animais.

Órgãos completos e prontos para transplante ainda podem estar distante, mas a aposta mais próxima apontada pelos especialistas, como o doutor Anthony Atala, do Wake Forest Institute, estão nos pequenos pedaços de tecido que poderão ser usados para reparar órgãos.

Como são fabricados?

Apesar de parecer surreal, o procedimento de fabricação de um órgão não é muito diferente da impressão de uma peça de plástico em uma impressora 3D comum. A primeira etapa está na coleta das células, que pode ser feitas por uma biópsia ou pelas células troncos de um cordão umbilical, por exemplo.

Máquina utilizada para bioimpressão (Foto: Divulgação/CellJet)Máquina utilizada para bioimpressão (Foto: Divulgação/CellJet)

Após a coleta das células, elas são cultivadas até estar em número suficiente para o tamanho da peça que será produzida. Nesse processo, elas são transformadas em uma espécie de tinta de células, também chamada de biotinta. Esse material é colocado na máquina e, com a ajuda de um software, uma quantidade exata de biotinta é injetada.

Depois, é adicionado um gel responsável por manter a estrutura das células no lugar exato. Em seguida, o modelo é deixado em uma espécie de encubadora. Agora, é só esperar e deixar a natureza trabalhar. O código genético das células faz com que elas tomem a forma que são designadas.


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  • Paulo Silva
    2014-11-14T09:04:41

    Repo man da realidade!

  • Ivan Araujo
    2014-10-30T10:56:10

    o homen já mata mas do q salva tinha q acabar guerras e todos se unir e ficar em paz sem guerras e ódio

  • Geraldo Gomes
    2014-10-29T15:50:57

    Acho que também estamos perto de ver próteses dentárias sendo feitas nos consultórios dentários.