Áudio e Vídeo

19/01/2015 07h00 - Atualizado em 19/01/2015 07h00

Áudio em alta definição: entenda a tecnologia e sua aplicabilidade

Henrique Duarte
por
Para o TechTudo

O conceito de áudio HD vem ganha força no mercado, prometendo experiências sonoras únicas em tempos de fidelidade tecnológica avançada. Entretanto, existe um pouco de dúvida a respeito de sua diferença para os formatos que estamos acostumados, como o CD e MP3. Além disso, até onde o ouvido humano consegue perceber a qualidade do som? Para esclarecer dúvidas sobre essa tecnologia, o TechTudo preparou um texto especial.

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Acabamento do fone chama a atenção por onde passa (Foto: Luciana Maline/TechTudo)Até onde o ouvido humano consegue perceber um áudio em HD? (Foto: Luciana Maline/TechTudo)


O conceito de áudio em alta resolução diz respeito a outros dois conceitos: taxas de amostragem e bitrate altos. A taxa de amostragem é a quantidade de um sinal analógico coletadas durante certo tempo e depois convertidas para dados digitais. O CD, por exemplo, possui 44,1 KHz, o que significa que, em um segundo, criam-se 44,1 mil pontos de dados para serem novamente reproduzidos no mundo físico.

Como uma taxa de amostragem maior, consegue-se registrar mais frequências. De acordo com o Teorema de Nyquist, a taxa de amostragem ideal deve ser o dobro da frequência que queira-se registrar. Se você deseja captar a frequência de 20hz, a taxa de amostragem deve ser de 40Khz, basicamente a mesma de um CD.  E é ai que começa uma das questões discutidas ainda hoje, visto que o ouvido do ser humano só consegue captar sons de 20Hz até 20Khz.

Taxa de amostragem de um sinal analógico convertido para CD e audio HQ (Foto:Reprodução/Sony)Taxa de amostragem de um sinal analógico convertido para CD e audio HQ (Foto:Reprodução/Sony)

Muita  gente defende que as mudanças de qualidade sonora de arquivos acima de 44,1KHz são praticamente imperceptíveis, visto que nossa capacidade de audição não ultrapassa o que o CD, com seus 44,1Khz, consegue nos dar. Com 96Khz, por exemplo, estamos lidando com musicas com frequências de 47Khz, mais que o dobro do que nosso ouvido é capaz de perceber. Muitos dizem que são músicas para golfinhos.

O CD representou uma das maiores inovações no armazenamento e reprodução de áudio (Foto:Reprodução/wikimedia) (Foto: O CD representou uma das maiores inovações no armazenamento e reprodução de áudio (Foto:Reprodução/wikimedia))Na teoria, o CD já seria satisfatório para nossas ambições sonoras (Foto:Reprodução/wikimedia)

Por outro lado, outras pessoas defendem que harmônicos (frequências que compões o sinal e que são múltiplos inteiros da frequência fundamental do instrumento) podem ser reproduzidos com extrema fidelidade com taxas de amostragem altíssimas e que, mesmo sendo frequências acima da capacidade de audição, sua presença interfere no som original do instrumento. Pode ser verdade para algumas pessoas, mas a subjetividade é tamanha que não se pode tomar uma conclusão a prova de falhas.

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Já o bitrate é uma espécie de resolução (qualidade) dessa amostra, a quantidade de informação binária (valores 0 e 1). Quanto maior o bitrate, mais informações do som são armazenadas, e mais fiel ao áudio original é a sua versão digital.

Ele influencia diretamente na dinâmica do som: a variação entre o som mais baixo e o mais alto de certa música. Na música clássica, por exemplo, existe muita dinâmica nas músicas, com passagens quase inaudíveis aos desatentos até trechos onde o volume e a intensidade da música tornam-se poderosíssimos.

Concertos gravados se beneficiariam de um bitrate alto, pois possuem uma grande dinâmica musical (Foto:Reprodução/napolidavivere.it)Concertos gravados se beneficiariam de um bitrate alto, pois possuem uma grande dinâmica musical (Foto:Reprodução/napolidavivere.it)

Na fórmula, cada 1 bit representa uma variação de 6dB de volume entre o ponto mais baixo da música e o mais alto. Sendo assim, um CD, com 16 Bits, representa uma variação de 96dB de dinâmica musical, valor satisfatório para nossa capacidade humana de discernir volumes.

Em resumo, o áudio em alta resolução apresenta melhorias dinâmicas e na taxa de frequências reproduzidas, porém serão imperceptíveis para muita gente. Nada disso irá adiantar, por exemplo, se você utilizar fones de ouvido ou caixas de som de baixa qualidade para ouvir um álbum em alta qualidade.

Equipamentos ruins em geral não conseguem reproduzir frequências acima do limiar da audição humana, e com volumes baixos o suficiente que você irá perder passagens mais calmas de um concerto de Tchaikovsky.

Além disso, como dito antes, a qualidade de um som e a diferença de percepção são questões extremamente subjetivas, sendo difícil chegar a uma conclusão óbvia. Diferente de uma imagem pixelada e outra com boa resolução, por exemplo.

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  • Rafael21
    2015-01-19T18:41:58

    Não escutamos acima de 20KHz, mas para reproduzir picos rápidos musicais (transientes) precisamos de sistema de alta velocidade, mas vamos a outro ponto! O processo digital gera ruido em alta frequência que precisa ser filtrado, estendendo a resposta em frequência aplica-se filtros em frequência mais alta perdendo menos informação na faixa audível. A técnica de aumentar a amostragem e filtra-la é usada desde o inicio do áudio digital na década de 80, isso se chama Oversampling, multiplica-se o sinal de 44,1KHz por 4x ou 8x aplica o filtro e depois retorna a velocidade de 44,1KHz

  • Henrique Moreira
    2015-01-19T08:46:21  

    Eu particularmente amo e defendo muito a música em alta definição, acho que de qualquer forma a música deve acompanhar a evolução... afinal, quanto celulares são fabricados hoje e o dono não aproveita nem a metade das funções? Isso acontece muito, mas mesmo assim nunca vão parar de fabricar smartphones e imagino que será do mesmo jeito com a música de alta definição.

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    • Henrique Moreira
      2015-01-19T08:46:21  

      Henrique, sem sombra de dúvidas a música deve e acompanha a evolução tecnológica. Basta ver a usabilidade de computadores poderosos, hoje em dia acessíveis, na construção de músicas por milhares de pessoas ao redor do mundo, descentralizando a produção fonográfica e tirando-a das grandes gravadoras. A questão da matéria é outra, e versa sobre a real diferença na audição de músicas no que chamamos hoje em dia de alta definição, e explicitando que na verdade, na grande maioria das vezes, não conseguimos perceber alguma.