10/07/2015 15h26 - Atualizado em 13/07/2015 10h37

FISL 16: Maddog incentiva a capacitação de jovens em TI com Projeto Cauã

Giordano Tronco
por
do FISL 16

Jon "Maddog" Hall, diretor-executivo da Linux, é considerado o guru do software livre. Na sexta-feira (10), ele apresentou no Fórum Internacional de Software Livre (FISL) o Projeto Cauã, que trabalha na promoção de educação, emprego e tecnologia. Atualmente, a ONG está com um campo de experimentação no Brasil. O desenvolvedor afirma que o incentivo pode gerar resultados importantes para a economia.

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Jon Maddog Hall (Foto: Divulgação/FISL 16)Jon "Maddog" Hall (Foto: Divulgação/FISL 16)


Capacitação de jovens

O objetivo do Projeto Cauã é criar empregos através da colaboração entre pequenos negócios e microempreendedores no ramo da informática. Através da capacitação de jovens universitários da área de TI, a ONG busca a construção de microempreendimentos individuais, com todo o respaldo legal necessário.

Os estudantes oferecem contratos de serviços para empresas pequenas, onde se comprometem a dedicar algumas horas da semana no cuidado da rede, na instalação e na configuração dos computadores, na capacitação da equipe sobre como usar os softwares e outras tarefas similares.

Para Maddog a inserção de estudantes no mercado pode ter resultados importantes para a economia do país, já que o Brasil funciona a base de pequenos negócios, que nem sempre dispõem de um especialista em informática.

“No Brasil, 86% de todos os bens e serviços são feitos por pequenas empresas, com no máximo trezentos funcionários. Eles treinam as pessoas da própria companhia para cuidar dos computadores. Às vezes é a secretária. Às vezes, pior ainda, é o chefe. Eles não são engenheiros, então cometem erros”, explica Maddog.

Os estudantes capacitados pelo Projeto Cauã batem de porta em porta nas pequenas empresas, apresentando os serviços que podem beneficiá-la. Em troca de algumas horas de trabalho semanal, os microempreendedores podem cobrar até R$ 300. Como parte do trabalho pode ser feito de casa, um estudante pode trabalhar com até oito companhias semanalmente e ainda ter tempo para estudar.

Maddog acredita que, casos as empresas sejam apresentadas ao software livre, elas irão adotá-lo naturalmente, sem precisar forçar o uso do Linux. “Se você chegar gritando: ‘ei, eu tenho esse sistema operacional, o Linux, ele é ótimo!’, vão fechar a porta na sua cara, porque as empresas usam Windows. Ao dizer que pode fazer o Windows funcionar melhor, vão deixá-lo entrar. Assim, quando a Microsoft pedir a atualização do sistema operacional você pode dizer ‘bem, dá para usar o Linux’. E, assim, um dia eles vão perguntar 'você pode me contar mais sobre esse Linux?'".

Maddog no FISL 16 (Foto: divulgação/FISL 16)Maddog no FISL 16 (Foto: divulgação/FISL 16)

Presente e futuro do projeto

O Cauã tem ainda outros objetivos ambiciosos, como a criação de bolhas de acesso grátis à Internet que englobem aglomerados urbanos inteiros e o compartilhamento de capacidade de processamento via wireless, a custo zero ou muito baixo. “Queremos dar à vocês a capacidade dos melhores supercomputadores do mundo nas suas casas”, diz Maddog.

Porém, tais metas ainda estão distantes. Apesar de estar em formulação desde 2007, o Cauã tem em torno de 60 microempreendedores de estudantes capacitados na ativa em São Paulo, a primeira cidade com o Projeto, que atendem a 300 pequenos negócios. As ações de capacitação serão estendidas para Florianópolis e Porto Alegre ainda neste ano e se o projeto der certo no Brasil, o plano é expandi-lo para a América Latina.

“Os números são pequenos ainda. Estamos testando”, admite Maddog. “Farei uma oficina de capacitação no FISL onde devem comparecer trezentos interessados. Talvez 25 deles tenham sucesso no projeto. O objetivo é geral um milhão de empregos. Mas se eu fizer 1% disso já são 10 mil. Você acha que eu posso dormir à noite com isso? Acho que eu posso”, completa.

O Projeto Cauã oferece capacitações sobre o modelo de negócios, fornece modelos de contrato e mantém um fórum onde os empreendedores podem ajudar uns aos outros na resolução de problemas técnicos. Nem Maddog nem a equipe do projeto embolsam nada com isso: “todo centavo que você fizer vai para o seu bolso”, ressalta o executivo.

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