Robótica

14/12/2016 06h00 - Atualizado em 14/12/2016 14h05

Equipe da PUC-Rio conquista campeonatos mundiais com robôs inteligentes

Isabela Giantomaso
por
Da redação

Robôs poderosos, inteligentes e quase indestrutíveis. Filmes como “O Exterminador do Futuro” se tornam realidade. Agora qualquer um pode ter um robô, seja de brinquedo, para ajudar nas tarefas mais básicas da casa, ou até para desativar bombas e colaborar no trabalho em locais de difícil acesso. Para ampliar essas aplicações e o conhecimento na área, equipes de robótica colocam em prática os cálculos ensinados em sala de aula. 

Robôs de brasileiros conquistam prêmios e batalhas; conheça cenário

Na PUC-Rio, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a equipe RioBotz monta e testa diferentes tipos de robôs. Com prêmios em campeonatos mundiais, o grupo trabalha com componentes eletrônicos e mecânicos muitas vezes ainda desconhecidos no Brasil, sendo uma ponte para a inovação na indústria nacional.

Um  dos itens da vitrine da RioBotz é o robô humanoide. O modelo faz todo tipo de movimento, como se fosse um ser humano. É possível programá-lo para subir escadas, pular, jogar futebol e executar golpes marciais. Caso seja necessária uma aplicação mais específica, basta criar um código no computador e ativá-lo para o que quiser.

Segundo o professor Marco Antonio Meggiolaro, coordenador da equipe da PUC-Rio, além de desenvolver tarefas tradicionais de engenharia no manuseio de robôs, os alunos aprendem a montar projetos prontos para o mercado.

“No time, os alunos colocam em prática o know how de como desenvolver um equipamento confiável. Eles adquirem experiência com componentes avançados que permitem trazer algumas coisas para empresas que às vezes elas não tinham. O aluno já sai tendo trabalhado e ganhado um campeonato mundial com os equipamentos”, afirma Meggiolaro.

Equipe de robótica da PUC projeta robôs prontos para o futuro (Foto: Isabela Giantomaso/TechTudo)Equipe de robótica da PUC projeta robôs prontos para o futuro (Foto: Isabela Giantomaso/TechTudo)

Batalha de robôs

A RioBotz tem no currículo 131 medalhas, sendo 69 em campeonatos internacionais. A equipe foi formada em 2003 após um grupo de alunos convidar o professor Meggiolaro, que na época dava aulas de robótica, para liderar o time. Desde então, com apoio e patrocínio em dinheiro principalmente da PUC-Rio e da Radix, empresa de engenharia e software, os alunos começaram a projetar robôs humanoides, sumô e, os mais famosos, de combate.

Uma das vitórias mais comemoradas pela equipe é a do título de “Robô Mais Destruidor” na BattleBots 2016. A equipe carioca foi o único e primeiro time de país de língua não-inglesa a participar da competição, promovida por um canal de TV dos Estados Unidos. O Minotaur, máquina premiada, pesava 113 kg e tinha como arma um tambor que rodava a mais de 10 mil RPMs. O projeto não ganhou o primeiro lugar no combate, mas viralizou ao vencer o BlackSmith, robô americano que compete há 20 anos com um martelo que solta fogo na lateral.

Robô da categoria combate (Foto: Isabella Giantomaso/TechTudo)Robô de combate: modelo parecido foi premiado como "mais destruidor" (Foto: Isabela Giantomaso/TechTudo)

Investimento

O preço de cada robô varia de acordo com a categoria e os componentes escolhidos. Um robô inseto, por exemplo, com peso entre 1,3 kg até 5,5 kg, pode sair por menos de R$ 1 mil. Já as máquinas de combate, mais avançadas, podem custar por volta de US$ 20 mil (cerca de R$ 62.700, em conversão direta), sem contar as peças reservas, que podem dobrar o valor.

O gasto alto se justifica na qualidade dos equipamentos de competição. Os custos de manutenção são elevados e a RioBotz possui robôs ativos há 7 anos com a mesma estrutura externa. No entanto, outros podem precisar de ajustar nos componentes internos por desgaste natural ou mau funcionamento após um forte impacto.

Laboratórios universitários de robótica pelo país trazem prática a teoria (Foto: Isabella Giantomaso/TechTudo)RioBotz projeta todos os robôs em laboratório dentro da PUC-Rio (Foto: Isabela Giantomaso/TechTudo)

De  acordo com o coordenador da equipe, muitas peças podem ser reaproveitadas e recicladas, mas a vida de um robô é imprevisível. “Eles podem ser destruídos ou ficarem obsoletos em apenas uma competição”, conta Meggiolaro.

E os investimentos não se encerram na construção de robôs. Em competições internacionais como a BattleBots, nos EUA, cada integrante da equipe contribui individualmente com o valor das passagens aéreas e hotéis, o que muitas vezes faz com que alguns membros do time não possam viajar. Além disso, o esforço também é colocado a prova nas malas de viagem.

Para uma batalha de robôs de combate, por exemplo, a RioBotz transporta cerca de uma tonelada de equipamentos, incluindo as máquinas, peças reservas e ferramentas. Com isso, cada participante da equipe costuma levar roupas e utensílios básicos na mão, pois cada um é responsável por despachar pelo menos duas malas com o material para a competição.

Empresa de robótica

RioBotz hoje trabalha como uma empresa, com alunos de diversos cursos (Foto: Isabela Giantomaso/TechTudo)RioBotz trabalha como uma empresa, com alunos de diversos cursos (Foto: Isabela Giantomaso/TechTudo)

Segundo a Robocore, responsável pelo ranking dos times de robótica do Brasil, a RioBotz é a maior equipe nacional. A força do grupo faz com que se torne uma pequena empresa, com profissionais, no caso a maioria ainda estudantes, responsáveis por cada área.

Assim, além de alunos de engenharia, o time da PUC-Rio conta com a participação de estudantes de outros cursos da graduação e pós-graduação da Universidade. Entre eles estão representantes de Comunicação Social, que cuidam das redes sociais e do marketing da RioBotz, de Design, para ajudar no projeto dos robôs e, para gerenciar os patrocínios, viagens e custos em geral, alunos de Economia e Administração.

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  • Marcelo Mbag
    2016-12-15T09:07:27

    Realmente se parecem com o exterminador, principalemnte quando ficam cambaleando de um lado pro outro só da dar chauzinho. aff, está muito longe, anos luz.