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Quanto dura uma câmera digital?

seg, 28/11/11
por Julio Preuss |
categoria duvidas

Uma das maiores vantagens das câmeras digitais é que se pode fotografar à vontade, sem preocupação com o preço de filme ou revelação. A conseqüência mais óbvia disso é que muito mais gente passou a tirar dezenas de milhares de fotos em questão de meses, algo que nos tempos do filme só os profissionais podiam fazer. E passaram a ter que prestar atenção em uma especificação técnica que até então só era preocupante para os profissionais: a expectativa de vida do obturador.

De vez em quando alguém até pergunta sobre a vida útil das câmeras digitais, mas desconfio que a maioria nunca pensou nisso. Pois saibam que muitas reflex digitais amadoras são feitas para durar “apenas” 50 mil fotos, enquanto algumas Micro Four Thirds têm expectativa de vida de 30 mil – algo que quem gosta de “largar o dedo” no disparador consegue atingir em coisa de um ano, ainda mais nos modelos capazes de “bursts” de mais de 10 quadros por segundo. Não por acaso, a durabilidade do obturador é uma das diferenças para os modelos profissionais, preparados para agüentar entre 100 e 300 mil cliques.

A boa notícia é que, para quem tem uma câmera compacta e cuida bem dela, a durabilidade raramente será um problema. Muitas dessas câmeras mais simples têm obturadores eletrônicos, bem mais resistentes que os mecânicos das câmeras reflex pelo simples fato de não terem partes móveis. Outras combinam os dois tipos, mas ainda assim têm uma expectativa de vida maior que a das reflex amadoras porque seu obturador mecânico é mais simples. Sem falar que é bem menos comum tirar tantas fotos com uma compacta e você provavelmente vai querer trocá-la por um modelo mais moderno antes de chegar ao limite.

É claro que a câmera – ou, mais precisamente, seu obturador – não se autodestrói espontaneamente quando o contador chega nesses patamares. Existem exemplares que duram bem mais, e outros que falham antes – como fica evidente no extenso banco de dados compilado pelo fotógrafo e programador Oleg Kikin. O que o número indica é a durabilidade estimada pelo fabricante, ainda que poucos se dêem ao trabalho de divulgar a informação nas especificações técnicas.

Na eventualidade do obturador falhar, até é possível recorrer a uma assistência técnica para substituí-lo. Só que o custo raramente compensa para uma câmera amadora – justamente aquelas com menor expectativa de vida. Na época que qualquer reflex digital custava milhares de dólares, podia até ser. Hoje, só mesmo para as topo-de-linha.

Quantas fotos já tirei?

Se, a esta altura, você está se perguntando quantas fotos já tirou com a sua câmera, uma opção é simplesmente olhar o número no final dos nomes dos arquivos gravados por ela – o problema é que está contagem pode ser zerada manualmente ou totalmente alterada se você usar os mesmos cartões de memória em mais de uma câmera. E o contador costuma “virar” a cada 10 mil fotos, então só daria para ter certeza com um acompanhamento mais sistemático.

Uma dica é apelar para o site MyShutterCount. Basta fazer o upload de uma foto recente, sem edição fora da câmera, que o serviço extrai o número de disparos registrado nos metadados EXIF do arquivo. Pode não funcionar para algumas marcas e modelos, mas é um bom  ponto de partida. Existem também programas como PhotoME, que exibem todas as informações disponíveis no arquivo, e o EOSInfo, para alguns modelos da Canon, que extraem a contagem direto da câmera.

Quem for realmente obsessivo e resolver comparar a numeração do cartão com a obtida por um desses programas provavelmente encontrará duas contagens diferentes. É assim mesmo… o contador da câmera já vem com algumas exposições “de fábrica”, provavelmente resultado de testes, e avança mesmo quando disparamos a câmera sem cartão de memória, aumentando  discrepância.

Saber o número de fotos tiradas por uma câmera pode ser especialmente importante na hora de adquirir uma reflex usada. Embora a única forma de ter certeza da contagem seja levar a câmera numa assistência técnica, muitas vezes basta perguntar ao vendedor. Se um modelo com vida útil estimada em 50 mil cliques já tiver chegado aos 40 mil, por exemplo, é melhor continuar procurando.

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Espelho, espelho meu: por que as câmeras EVIL estão no apogeu?

qui, 22/09/11
por Julio Preuss |
categoria mercado

Depois de antecipado, desmentido e novamente previsto durante meses, o lançamento das primeiras câmeras “EVIL” pela japonesa Nikon finalmente virou realidade. Mas qual a importância disso? Aliás, o que vem a ser as tais câmeras evil? Já abordei rapidamente o assunto ao escrever sobre os diversos tipos de câmera, mas não custa relembrar – ainda mais agora que quase todos os grandes fabricantes de câmeras adotaram a novidade. A Canon, apesar dos boatos, continua sendo a ausência mais notável no segmento.

Evil, que em inglês significa “mal”, nada mais é do que a abreviatura de Electronic Viewfinder with Intechangeable Lens – em português, visor eletrônico com lente intercambiável. Segundo a Wikipédia, o termo foi criado em 2007, por Charlie Davis, e não serve para descrever corretamente esta nova categoria de câmeras, pois nem todas teriam o tal visor eletrônico.

A comunidade da enciclopédia colaborativa prefere a expressão “MILC”, de Mirrorless Interchangeable-Lens Camera (câmera com lente intercambiável e sem espelho), frequentemente encurtada para “mirrorless”, mas este nome também está longe de ser uma unanimidade. No final das contas, dependendo do fabricante ou da publicação, podemos encontrar uma meia dúzia de termos diferentes para a mesma coisa.

A dupla Olympus e Panasonic, que praticamente inaugurou o segmento com o seu padrão Micro Four Thirds, em 2008, já se referiu à categoria como new-generation system câmeras, compact system cameras e compact hybrid cameras. Outros preferem o termo ILC, abreviatura de interchangeable-lens compact, ou ainda SLD, para single-lens digital (em oposição às SLRs, de single lens reflex).

Pois é justamente comparando uma dessas câmeras híbridas (ou seja lá como for que você queira chamar) com as reflex que podemos entender o que exatamente elas representam. Uma reflex tem esse nome por causa do espelho usado para redirecionar os raios de luz que formam a imagem – ora para o sensor (ou filme nas câmeras tradicionais), ora para o visor ótico.

É justamente por causa desse movimento do espelho que o visor de uma reflex fica preto no momento do disparo. Afinal, durante o clique o espelho que normalmente levaria a imagem para o visor precisa sair do caminho para permitir que ela seja capturada pelo sensor. Isso também explica por que, por muito tempo, essas câmeras eram incapazes de filmar ou exibir uma prévia da imagem no LCD: se o espelho estava desviando a imagem para o visor ótico, o sensor não “via” nada.

Já nas câmeras sem espelho, nada disso acontece mais. Como elas não têm o tal visor ótico, o sensor pode ficar ativo 100% do tempo. Em compensação, só dá para enquadrar a foto na telinha de LCD ou, em alguns modelos mais completos, no EVF (abreviatura de electronic viewfinder) – se tiver curiosidade, você pode ler mais sobre os diferentes tipos de visores nesta coluna.

Esquema do padrão Micro Four ThirdsA principal vantagem de se abrir mão do espelho, no entanto, nada tem a ver com o tipo de visor, e sim com o tamanho da câmera. Como se pode ver na ilustração ao lado, copiada do site do padrão Micro Four Thirds, a remoção do compartimento do espelho reduziu pela metade o espaço necessário entre o encaixe da lente e o sensor, permitindo que as câmeras sejam bem mais compactas.

Justiça seja feita, a redução do tamanho das câmeras tem a ver também com o uso de sensores menores, o que não é uma boa por conta do ruído causado pela grande quantidade de pixels em uma área reduzida. Isso fica claro quando comparamos os fatores de conversão dos diferentes sistemas: enquanto a maioria das reflex digitais da Canon e Nikon têm fatores de 1,6X e 1,5X, respectivamente, as Four Thirds são 2X e as novas Nikon, 2,7X – a maior crítica dos entusiastas a estes lançamentos.

Por menores que sejam, entretanto, os sensores das câmeras evil já são uma bela evolução em relação à maioria das compactas – o que faz dessas câmeras uma boa pedida para quem não está satisfeito com a qualidade de imagem dos modelos compactos, mas também não quer lidar com a trabalheira que dá carregar uma reflex e sua coleção de lentes.

Aparentemente, muita gente se enquadra nessa categoria. No Japão, a Meca da fotografia, Canon e Nikon viram sua participação no mercado de câmeras de lentes intercambiáveis encolher 35% – tudo por conta da migração dos consumidores para os modelos sem espelho da Panasonic, Samsung, Sony e afins. Com os lançamentos de ontem, a Nikon espera recuperar o tempo perdido – resta saber quando a Canon fará o mesmo.

 

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Mais sobre lentes: do ponto nodal às panquecas e ótica dobrada

seg, 29/08/11
por Julio Preuss |
categoria acessórios, fundamentos

Em uma das primeiras edições desta coluna, ao descrever o funcionamento do zoom, expliquei rapidamente o conceito de distância focal – a distância entre o plano do sensor e o centro ótico da lente; ou o espaço entre o ponto nodal e o focal, para ser mais preciso. Na ocasião, comentei também que, às vezes, o tal centro ótico pode estar fora da lente. Hoje veremos porque isso é importante.

Em tese, quanto maior a distância focal, mais comprida tem que ser a objetiva. E, de fato, uma tele costuma ser bem mais longa do que uma grande angular – mas raramente tão comprida quanto as medidas da distância focal levariam a crer. Uma teleobjetiva de 300mm, por exemplo, não mede 30 cm de comprimento, assim como uma supertele de 500mm não chega nem perto de meio metro – felizmente!

Em ambos os casos, o tal ponto nodal está à frente da objetiva. Na verdade, é isso que define uma lente “telefoto”, e não a distância focal avantajada. A projeção do ponto nodal para fora da lente é obtida graças ao uso de um elemento negativo próximo ao corpo da câmera. Esse elemento tanto pode ser embutido na objetiva, quanto encaixado entre ela e a câmera – os populares teleconversores ou extensores, como o da foto ao lado. De um jeito ou de outro, ganha-se distância focal, mas perde-se luminosidade e nitidez.

 

O uso desses tais componentes negativos faz parte da engenhosa combinação de algo entre 10 e 20 elementos óticos característicos das lentes modernas: até a mais simples das objetivas atuais é composta de, no mínimo, uma meia dúzia de discos de vidro (lente de plástico, só em celular e câmera de baixa qualidade). E para produzir um bom resultado, minimizando as chamadas “aberrações óticas” (assunto de uma futura coluna), esses discos precisam ser de materiais e formatos diversos.

Na composição, fala-se muito em lentes de fluoreto de cálcio e vidro de dispersão ultrabaixa. Quanto ao formato, a moda são os elementos asféricos (com “a”, mesmo, diferentes dos esféricos) e de ótica difrativa (em oposição à refrativa). Pode ver que sempre que uma lente usa alguma dessas firulas óticas, o fabricante faz questão de anunciar, nem que seja com mais uma sigla após o modelo da lente – ASPH, para as asféricas, e DO, para as de ótica difrativa, por exemplo.

 

Vai uma panqueca?

Por falar em moda, a nova mania entre os fabricantes que aderiram ao padrão Micro Four Thirds (Panasonic e Olympus) são as lentes pancake – o apelido dado às objetivas bem curtas, geralmente de distância focal fixa. Compreensível, já que só elas são capazes de preservar a portabilidade alardeada pelas câmeras de visor eletrônico e lente intercambiável – EVIL, para os íntimos – , mas quase sempre comprometida por lentes bem mais profundas do que a própria câmera.

A última novidade nesta área é a recém-anunciada Lumix G X Vario PZ 14-42mm F3,5-5,6 ASPH Power OIS (isso mesmo, a lente tem mais sobre nomes que um príncipe). Apesar do zoom de 3x, esta maravilha da engenharia ótica consegue ser praticamente tão curta quanto a pancake de 20mm da marca. Para tanto, teve que abrir mão dos anéis de controle do zoom e do foco, substituídos por controles eletrônicos – mas que usa a câmera para filmar vai ficar satisfeito com a troca.

 

Ótica dobrada

Em algumas câmeras ultracompactas, o sensor e a maior parte do conjunto ótico são montados na direção do corpo da câmera, perpendicular ao visor, e um prisma ou espelho é usado para mirar a lente na direção certa. A isso dá se o nome de ótica dobrada, ou folded optics, pois o trajeto da luz é dobrado em 90 graus (e, no caso dos binóculos prismáticos, desviado de volta logo em seguida).

Inicialmente, a grande vantagem era aumentar a distância focal sem necessidade de uma lente protuberante ou elementos externos móveis, tornando a câmera menor e mais resistente. À primeira impressão, podia-se até pensar que essas câmeras não têm zoom ótico (o único que importa, já que zoom digital não passa de uma enganação), mas na verdade ele está lá, embutido no corpo da câmera.

Com o tempo, alguns fabricantes passaram a empregar a técnica também para obter um zoom avantajado sem necessidade de uma lente tão longa à frente da câmera, embora ela se movimente externamente – caso da Lumix TZ1, da Panasonic, e seus então revolucionários 10x de zoom. Daqui a pouco, é bem capaz de inventarem uma câmera em que a lente dobre mais de uma “esquina”, para atingir distâncias focais ainda maiores.

 

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A evolução das câmeras com GPS

sex, 19/08/11
por Julio Preuss |
categoria recursos

Fujifilm FinePix F600 EXRAnunciada na semana passada, conforme noticiado aqui no TechTudo, a FinePix F600 EXR, da Fujifilm, deu mais um passo na integração dos localizadores GPS ao mundo da fotografia. Mas este namoro já vem de longa data, e ninguém precisa trocar de câmera só para usufruir o principal benefício da tecnologia: o georeferenciamento das fotos.

A idéia consiste em “etiquetar” cada arquivo de imagem com as coordenadas (um par de números indicando latitude e longitude, como aprendemos nas aulas de geografia) do local onde ela foi registrada. Esta informação não fica visível na foto, e sim armazenada junto com os dados EXIF – acessíveis pela opção “Propriedades” do gerenciador de arquivos doWindows ou “Get Info”, no Finder do Mac OS. Ou na maioria dos editores e gerenciadores de imagem, claro.

Exemplo dos dados EXIFPara quem ainda não tinha sido apresentado, EXIF é a abreviatura de Exchangeable Image File Format, um conjunto padronizado de metadados (dados a respeito de dados) que revela detalhes sobre a foto – de suas dimensões e data de captura até o modelo da câmera, abertura, velocidade, ISO, distância focal, uso de flash e, eventualmente, coordenadas geográficas. Ótimo para quem está aprendendo a fotografar relembrar os ajustes usados em cada foto.

Georeferenciamento de várias maneiras

Equipar câmeras com GPS não é exatamente uma novidade: em 2002 a Nikon já oferecia a possibilidade de conectar um às suas SLRs profissionais D1X e D1H. Em 2008, lançou a compacta Coolpix P6000, que já contava com um GPS embutido. E, de lá para cá, quase todos os fabricantes já começaram a explorar o terreno, integrando GPSs até em modelos relativamente simples. Nossa compacta atual, uma Panasonic Lumix ZS7 comprada principalmente por causa do GPS, é a prova disso.

Atualmente, qualquer celular mais avançado é capaz de georeferenciar as fotos que captura – seja graças ao receptor GPS embutido, seja por meio da triangulação da posição das antenas de telefonia (e, às vezes, até das redes WiFi) mais próximas – ainda que este segundo método seja bem menos preciso, especialmente em áreas com menor densidade de antenas.

GPS PhotoTrackr, da GisteqMas ninguém precisa de uma câmera com GPS embutido ou de um celular poderoso para georeferenciar suas fotos: por menos de US$ 100, é possível comprar um acessório que se encarrega da tarefa – ainda que acrescente um passo extra ao processo. Um bom exemplo, ainda que já bem antigo, é o PhotoTrackr, da Gisteq, que adquiri há 3 anos. Mas existem vários outros produtos equivalentes.

A engenhosidade deste tipo de GPS é que ele dispensa qualquer tipo de conexão com a câmera. Na verdade, tudo o que ele faz é armazenar sua posição ao longo do tempo. Depois, na hora de descarregar as fotos para o computador, um programa cuida de “taguear” cada uma delas com as coordenadas geográficas, usando data e hora como  referencia – o único cuidado que se deve ter é de acertar o relógio da câmera pelo do GPS antes de começar a fotografar.

Serve para encontrar o caminho?

Tanto quando comecei a usar o PhotoTrackr, quanto com a Lumix ZS7, precisei explicar para amigos e familiares interessados nos meus GPSs fotográficos que não, eles não serviam para encontrar a rota até determinado endereço. Diferente dos GPSs para navegação (categoria na qual se incluem os cada vez mais populares modelos automotivos e os celulares com GPS), aqueles apenas registravam sua localização nas fotos e nada mais.

E com isso voltamos à tal FinePix F600 EXR que a Fuji lançou na semana passada: sua grande novidade é a capacidade de usar o GPS também para orientar o fotografo. Ainda não é como o navegador de verdade, mas a câmera já ajuda a encontrar um milhão de pontos turísticos espalhados pelo mundo todo, indicando direção e distância.

Além disso, a F600 EXR pode apontar o caminho de volta ao lugar onde cada foto foi tirada e, já num computador, traçar a rota percorrida no Google Maps. Sem falar, é claro, no sensor retroiluminado de 16 megapixels otimizado para fotos com pouca luz ou na lente com zoom de 15x, equivalente a uma 24-360mm. Afinal, estamos falando de uma bela câmera com GPS – e não de um GPS que tira fotos, como o Garmin Oregon 550. É tudo uma questão de prioridade…

Fujifilm FinePix F600 EXR

Fujifilm FinePix F600 EXR é uma câmera com GPS, e não o contrário

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Macrofotografia: fotos dos mínimos detalhes

dom, 07/08/11
por Julio Preuss |
categoria acessórios, fundamentos

Símbolo do modo macro ou close-upVocê certamente já ouviu falar de “fotos de macro”, a forma mais popular de nos referirmos à macrofotografia. E, muito provavelmente, ouviu a expressão aplicada a imagens que, tecnicamente, não eram macros de verdade. Tudo porque, hoje em dia, usa-se o termo macro para qualquer foto bem próxima (em close-up, portanto) de objetos bem pequenos – como aquelas capturadas usando o modo simbolizado por uma florzinha na maioria das digitais compactas.

Fly macro - foto de Louise DockerPois saiba que, originalmente, para ser considerada macrofotografia, uma foto deve capturar uma imagem em que o objeto tenha, pelo menos, o mesmo tamanho que no mundo real. Ou seja, uma foto de uma mosca com 3mm de comprimento deve retratar o inseto com os mesmos 3mm ou mais. Se o tamanho do objeto na foto for igual ao do mundo real, temos uma macro 1:1. Se for o dobro, é 1:2, e por aí vai.

Ah, mas vale lembrar que tudo isso diz respeito ao tamanho da imagem no filme ou sensor, e não na foto impressa (quase sempre uma ampliação) ou na tela do computador. Como o sensor de uma compacta costuma ser pouco maior do que a própria mosca, já dá para imaginar por que as macros de verdade são tão raras neste tipo de câmera.

Por outro lado, as câmeras compactas são excelentes para fotografar objetos pequenos de bem perto – mesmo que, a rigor, a técnica devesse ser chamada de close-up, mas não de macro. Isso acontece graças à generosa profundidade de campo proporcionada pelas lentes de distancia focal real muito menor do que sua equivalência às câmeras de 35mm.

Canon EF 100mm MacroNa verdade, até as EVIL e a maioria das reflex digitais são melhores para closes e macros do que as câmeras de filme e as poucas DSLRs equipadas com sensores full-frame, de dimensões iguais às de um negativo de 35mm. Ironicamente, embora sensores maiores capturem imagem de melhor qualidade, quando o assunto é profundidade de campo, menos é mais. Câmeras com sensores grandes precisam de lentes específicas para macro, como a Canon EF 100mm Macro da foto ao lado, que custam, no mínimo, o preço de uma máquina compacta capaz de bons macros sem acessório algum.

Para entender por que isso acontece, imagine uma câmera Micro Four Thirds, cujo sensor tem a metade do tamanho de um fotograma de 35mm, resultando em um fator de conversão de 2X. Nessas câmeras, uma lente 50mm se comporta como uma 100mm sob quase todos os aspectos – exceto a profundidade de campo. Já se pensarmos numa compacta como a Canon SX30 IS, cuja lente 4,3-150,5mm equivale a uma 24-840mm (fator de conversão de 5,58X), temos o equivalente a 100mm com a lente ajustada para pouco menos de 18mm!

Como distancias focais (reais) maiores se traduzem em menos profundidade de campo, obter a aproximação de uma 100mm com uma 50mm ou uma 18mm representa um ganho e tanto em profundidade. Nem sempre essa profundidade de campo adicional é vantajosa – é por causa dela que as câmeras compactas não conseguem desfocar o fundo das fotos como as reflex. Mas para close-up e macros, é uma grande vantagem, já que não precisam das caras lentes especializadas.

 

Equipamento improvisado

Para quem não tem acesso a uma reflex com uma legítima lente macro, existem algumas alternativas para melhorar suas fotos de objetos pequenos. Se a câmera em questão aceitar filtros, é possível atarraxar um ou mais filtros de close-up à frente da lente, como se fossem óculos de leitura. O acréscimo de mais camadas de vidro diminui a qualidade da imagem e a luminosidade, mas funciona.

Anel inversor da NovoflexPara quem já tem uma reflex, mas não a lente macro, outra opção são tubos extensores, encaixados entre a câmera e uma lente comum para reduzir a distancia mínima de foco. Mas uma gambiarra ainda mais ousada é montar uma lente comum invertida – seja direto no corpo da máquina, com um anel inversor, seja à frente de uma outra lente, com um anel acoplador. Só tome cuidado para o peso da lente extra não danificar a outra.

 

Iluminação é um desafio à parte

Como a macrofotografia requer o uso de aberturas pequenas para maximizar a profundidade de campo, a cena precisa ser muito bem iluminada. Pior: o elemento frontal da lente costuma ficar tão próximo do objeto que projeta sua sombra sobre a imagem e impede o uso do flash embutido ou mesmo de um flash externo comum. Quando isso acontece, é hora de apelar para um flash de macro.

Flash circular EM-140 DG, da SigmaOs modelos mais comuns são os chamados flash circulares, com um orifício onde se encaixa a lente e um disco iluminado por múltiplos tubos fluorescentes ou leds. Mais recentemente, alguns fabricantes passaram a produzir também sistemas de iluminação para macro com leds montados em hastes flexíveis, que permitem que a luz seja direcionada a qualquer ponto da cena.

 

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Light painting: pinturas de luz esbanjam criatividade desde Picasso até a foto digital

qui, 28/07/11
por Julio Preuss |
categoria tecnicas

Você já ouviu falar em light painting? Esta técnica fotográfica, literalmente traduzida como “pintura de luz”, existe há pelo menos 60 anos: lá nos idos de 1949, o célebre fotografo Gjon Mili capturou uma série de emblemáticas pinturas de luz do não menos famoso Pablo Picasso, atualmente expostas numa galeria virtual da Life:

 

Reprodução da revista Life

 

Assim como várias outras técnicas, o light painting vem se popularizando na última década graças às câmeras digitais – vide o sucesso de grupos como o Light Painting – The Real Deal, no Flickr, e de coletâneas como esta da Tripwire. Afinal, agora é muito mais fácil conferir se o experimento está dando certo e corrigir detalhes, sem precisar esperar a revelação do filme.

Existem dois tipos de pinturas de luz: aquelas em que a iluminação é apontada direto para a câmera, criando rastros luminosos como tubos de neon, e outras mais sutis, em que a fonte de luz é usada para iluminar seletivamente uma imagem. Em outras palavras, no primeiro tipo a própria luz se torna o assunto da foto, enquanto no segundo, ela só revela ou destaca detalhes do assunto.

A maioria das fotos das galerias mencionadas acima são do primeiro tipo, talvez porque seja a técnica mais fácil de executar e com resultados mais chamativos. Nela, tanto se pode mover as fontes de luz diante da câmera, quanto mover a própria câmera, como neste exemplo em que o americano Kevin Dooley ficou andando com a sua máquina ao redor de uma árvore de Natal:

 

Reproduzida sob licença Creative Commons

 

Uma experiência bem mais radical é o chamado camera toss, em que o fotógrafo arremessa a câmera para o alto e deixa o acaso e a gravidade decidirem a imagem que será capturada. Como isso geralmente é feito no escuro, para registrar trilhas de luzes, não deixa de ser um exemplo de light painting em que é a câmera que se move. Só que se você não tomar cuidado, pode se tornar um passatempo meio caro.

Por mais que essas imagens abstratas sejam divertidas, no entanto, os melhores exemplos de light painting são como as obras de Mili e Picasso: desenhos luminosos relativamente concretos. E você não precisa nem saber desenhar a mão livre (e às cegas) – basta traçar o contorno de algum objeto para obter efeitos interessantíssimos, como a “guitarra elétrica” do inglês Sean Rogers:

 

Reproduzida sob licença Creative Commons

 

A guitarra, na verdade, pode até ser considerada um híbrido dos dois tipos de light painting que citei no início da coluna, já que a mesma luz que deixou o rastro ao seu redor serviu para realçar detalhes do instrumento em um ambiente originalmente escuro. Se a fonte de luz não tivesse sido apontada para a lente, não haveria o rastro e o resultado seria semelhante à imagem desses suculentos tomates capturados pelo italiano Marco Fillinesi:

 

Reproduzida sob licença Creative Commons

 

Confesso que gosto mais desses exemplos mais sutis (e raros) de pintura de luz, em que o desafio está mais em obter uma iluminação agradável como a dos retratos tradicionais – vide os exemplos da “garota tímida” capturada pela alemã Geraldine  Feltekatze – do que em criar efeitos especiais.

 

Reproduzida sob licença Creative Commons

 

Mas claro que isso é só minha opinião pessoal e não significa que eu não aprecie também os light paintings mais ousados, como os que um grupo de estudantes criou usando um monte de aspiradores de pó robôs Roomba. Aliás, agora estou pensando em amarrar uns leds no rabo da nossa cadela para ver no que dá.

 

Experimente o light painting

Para criar suas próprias pinturas de luz, você vai precisar de uma câmera capaz de registrar exposições longas e de uma ou mais fontes de luz como pequenas lanternas, aqueles chaveiros com leds ou até velas. Alem, é claro, de um ambiente suficientemente escuro e, na maioria dos casos, de um tripé ou outro tipo de apoio para manter a câmera parada enquanto você vai “pincelando” a cena com a sua lanterna ou coisa parecida.

A velocidade a ser usada vai depender muito das condições do ambiente e da intensidade das fontes de luz, então experimente começar em torno de um ou dois segundos e ir aumentando até ficar satisfeito com o resultado. Para a câmera não captar luz demais, tome o cuidado de configurar a sensibilidade (ISO) para um valor baixo e, se possível, escolher uma abertura intermediária.

Outro detalhe importante é o foco: se a câmera contar com foco manual, o ideal é ajustá-lo antecipadamente, para evitar que o autofoco “mire” no lugar errado ou, nas fotos abstratas, que uma câmera desfocada acabe captando muito mais luz do que o desejado. Por fim, se a câmera for ficar parada, use aquele recurso de disparo automático, apos uma contagem regressiva, para ter certeza de que o apertar do disparador não vai fazê-la tremer.

 

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Em busca da câmera ideal para fotos noturnas

sex, 22/07/11
por Julio Preuss |
categoria duvidas, recursos

Há algum tempo não escrevo uma daquelas colunas com perguntas e respostas, principalmente porque não tem aparecido muitas dúvidas novas no nosso forum de fotografia. Mas as últimas que surgiram, tanto lá quanto aqui nos comentários do blog, giram todas ao redor de um mesmo tema: o desempenho das câmeras digitais em fotos noturnas. Vejam só:

Estou em duvida sobre câmeras que posso comprar. tenho uma DSC -W125 7.2 mega. Gosto dela, mais não é muito boa para fotografar a noite. Qual seria a câmera que você escolheria?  – Joana

Para fotografar bem com pouca luz, existem dois fatores gerais e outros mais específicos. Em primeiro lugar, precisamos de uma lente de grande abertura máxima, representada por um número pequeno, como f/2,8 ou inferior (confira a coluna sobre exposição para entender por que). Aliás, à medida que a distância focal aumenta, é normal a abertura máxima diminuir, então evite usar o zoom em fotos noturnas. De modo geral, quanto mais grande-angular, mais luz a lente capta.

Além disso, um sensor capaz de captar mais luz, por meio de um ISO elevado, faz toda a diferença – o único problema é que isso freqüentemente se traduz em níveis de ruído inaceitáveis, então é bom consultar testes práticos da câmera em questão para ver se aquele ISO 6400 produz fotos de qualidade aceitável ou se só faz sentido em situações de desespero. Vale lembrar que a escala de ISO é exponencial (100, 200, 400, 800, 1600, 3200 e assim por diante), então o ISO 6400 não é 64 vezes melhor que o ISO 100, como se poderia acreditar.

Já em relação aos fatores específicos, coisas que podem ajudar são a presença de uma sapata para flash externo e controles manuais ou modos de exposição que permitam usar uma velocidade baixa. Obviamente, isso nem sempre resolve, pois existem situações em que o flash não é permitido ou desejado e outras em que o movimento da cena impede o uso de velocidades menores.

Para fotos de uma festa, por exemplo, um bom flash apontado para o teto ou equipado com um difusor faz maravilhas (vide o equipamento dos fotógrafos de casamento). Já para uma paisagem pouco movimentada, a combinação de um tripé (mesmo que improvisado) com a velocidade baixa costuma ser a melhor opção, mas um estabilizador de imagem também pode ajudar. E se a foto for de uma pessoa à frente da tal paisagem, lembre-se do modo slow sync, que dispara o flash mas mantém o obturador aberto para capturar o fundo.

Esta ou aquela?

Possuo uma Sony w310, vou vendê-la para comprar uma melhor e estou com uma grande dúvida. Não gostei muito desta câmera, acho que ela não possui uma qualidade boa de imagem e em fotos noturnas ela consegue ser pior ainda. Tenho dois modelos em vista: Canon sd1400 IS e Sony w380 – Fernando Presa

Sony W380De modo geral prefiro as câmeras da Canon às da Sony, mas uma comparação objetiva das especificações desses dois modelos coloca a W380 em vantagem – pelo menos teoricamente. A Sony tem um zoom maior nos dois sentidos e sua abertura máxima de f/2,4 é ligeiramente maior que os f/2,8 da Canon, além de chegar a ISO 3200, contra os 1600 da SD1400 IS (resta saber com quanto ruído) e ter um flash embutido com maior alcance. Por outro lado, a Canon permite expor uma foto por até 15 segundos, contra 2 da Sony, mas isso só será útil para cenas absolutamente estáticas e também deve produzir ruído.

Estou em busca de uma câmera digital, lendo a máteria sobre a Nikon Coolpix P500 que estava preste a comprar, vi que ela não é boa para fotos noturnas. Gostaria que me ajudasse nessa caminhada. Qual câmera poderia comprar que seja boa para foto noturnas cujo o obturador seja rápido. Pois preciso para eventos noturnos como aniversários, casamentos etc. – Renata Dian

É difícil recomendar um modelo específico, mas eu diria para você procurar uma câmera reflex, cujo sensor maior captura mais luz com menos ruído, e a lente mais clara (de maior abertura máxima) que couber no seu orçamento. Às vezes a solução mais econômica é usar lentes de distancia focal fixa (sem zoom), conhecidas como primes, que oferecem boas aberturas máximas a preços mais em conta. O inconveniente é ter que carregar todas elas e ficar trocando de lente no meio do evento – tanto que alguns profissionais usam duas câmeras ao mesmo tempo, cada uma com uma lente diferente.

Eu tenho uma Nikon d700, mas não sei usar direito ainda e gostaria de saber se essa maquina e boa para fotografar a noite e coisas em movimento. Por exemplo eu vou muito em shows e viajo bastante minha maquina digital não funciona bem a noite….então pode me ajudar com a Nikon d700. – Rachel

Nikon D700Como você já tem uma câmera reflex, vale a dica das lentes da resposta anterior. Provavelmente a objetiva que veio com a máquina não é nenhuma maravilha. Se possível, invista em uma zoom bem clara, que não precisa nem ser da própria Nikon, ou em uma prime na distância focal que você mais costuma usar. A Sigma 17-50mm f/2,8, de US$ 670, e a Nikkor 35mm f/1,8, de US$ 200, são bons exemplos das duas possibilidades. Aí vai depender de quanto se está disposto a gastar. Fora isso, caso você ainda não o tenha feito, experimente fotografar com ISOs mais elevados… sua câmera chega a um impressionante ISO 25600, mas mantém o ruído sob controle ate pelo menos ISO 800. Aproveite!

Você também tem dúvidas sobre fotografia digital? Então deixe um comentário com a sua pergunta ou crie um tópico no nosso fórum de fotografia. Não posso prometer que vou responder tudo (até porque, não devo saber a resposta da maioria), mas a gente tenta. Ah, e as perguntas que virarem tema de uma coluna como esta podem ter seu texto ligeiramente editado, para facilitar a leitura… não fique chateado se eu tiver cortado alguma coisa.

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Novidades e boatos no mercado de câmeras EVIL

qui, 14/07/11
por Julio Preuss |
categoria lançamentos, mercado

Semana passada relatei a polêmica em relação à Pentax Q, menor câmera digital com lentes intercambiáveis da atualidade, mas que para muitos não passa de um brinquedo caro. Um mês atrás, o assunto tinha sido as então recordistas de miniaturização Alpha Nex-C3, da Sony, e Lumix GF-3, da Panasonic. Só que este segmento de câmeras de lente intercambiável e visor eletrônico (EVIL, para os íntimos), um meio termo entre as compactas e as reflex, ou SLR, tem feito tanto sucesso que já temos mais lançamentos e alguns rumores para comentar.

A Olympus, parceira da Panasonic na criação do padrão Micro Four Thirds, anunciou não apenas uma, mas três novas câmeras de sua charmosa linha Digital PEN, inspirada nas clássicas Pen dos anos 1960 a 1980. No topo da coleção está a E-P3, de US$ 900, equipada com uma tela de LED orgânico sensível ao toque, filmagem em 1080i/60, flash embutido e grip removível.

Olympus E-P3

Mas o melhor é que, segundo o fabricante, o autofoco da E-P3 é o mais rápido do mercado – mérito das novas lentes e de um processador dual core mais poderoso, que promete tornar todas as funções da câmera mais ágeis. Como o foco foi, junto com o visor, uma das minhas maiores decepções na primeira PEN digital, só estas novidades já me animaram a encomendar uma E-P3.

Junto com a E-P3, a Olympus anunciou também a E-PL3, evolução da linha PEN Lite. Ela difere do modelo top no LCD articulado, em vez da tela OLED fixa, no flash removível, em vez de embutido, e no menor número de filtros artísticos. Por outro lado, captura sequências de fotos a uma velocidade quase duas vezes maior: 5,5 contra 3 quadros por segundo. E, naturalmente, tem dimensões ligeiramente menores, apesar de ter ficado mais grossa por causa da tela articulada.

Olympus E-PL3

Completando a coleção, a E-PM1 inaugura uma linha ainda menor e mais barata. Para seduzir os iniciantes no mundo das lentes intercambiáveis, o modelo será oferecido em uma variedade de cores digna dos modelos compactos. Também perde o botão giratório de controle de exposição e alguns recursos digitais em relação aos modelos superiores, mas como o processador, o sensor e a lente básica são os mesmos, a qualidade das imagens deve ser tão boa quanto a das irmãs.

Olympus E-PM1

 

O que ainda pode estar por vir

Alem das novidades oficiais, os aficionados por câmeras digitais também adoram comentar todo o tipo de boato em relação a possíveis lançamentos. Sites como o Mirroress Rumors e o 4/3Rumors, por exemplo, se especializaram em rumores e especulações sobre o mercado EVIL – com direito até a reproduções de pedidos de patentes e uma escala de classificação da confiabilidade das revelações.

Nas últimas semanas, este sites têm repercutido uma entrevista que a agencia Reuters fez com o chefe da divisão de fotografia da Fujifilm em que fica subentendido que a empresa pretende entrar no mercado de câmeras com lentes intercambiáveis e visor eletrônico. Os boatos dão conta de que isso poderia acontecer com a entrada da Fuji no consórcio Four Thirds, a convite da Olympus.

Novamente baseados em uma notícia da Reuters, os especuladores de plantão apostam que a Canon também estaria prestes a abraçar a tendência e ilustram a informação com imagens fictícias criadas por um designer bastante talentoso, mas que não tem nenhum vínculo com a marca. A não ser, claro, que a Canon goste tanto das ilustrações que contrate o sujeito.

Ilustrações-conceito criadas por um designer independente

Na verdade, tudo o que a declaração da empresa diz é que estão considerando a possibilidade de uma câmera sem espelho. O que, convenhamos, é algo tão óbvio que não merecia virar manchete de site algum. Afinal, tanto para apostar quanto para não apostar no formato, a empresa precisa “considerar” a possibilidade. O que a Canon de fato revelou é que vai lançar um “produto interessante” e pequeno no ano que vem.

Por fim, completando o pacote de especulações, um fórum alemão dá como certa a entrada da Nikon no mercado EVIL. Curiosamente, dizem também que o formato escolhido seria exatamente o mesmo da mal falada Pentax Q! Mas, como esses sites já tinham jurado que a marca japonesa ia lançar suas câmeras sem espelho em Abril, usando sensores da Sony, e que a nova linha ia se chamar Coolpix Pro, como a de um trote de primeiro de abril, já deu para notar que não se pode acreditar em nada, não é? O jeito é esperar para ver.

 

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Pentax Q: cara demais para um brinquedo

qua, 06/07/11
por Julio Preuss |
categoria lançamentos

Três semanas atrás, escrevi sobre as recém-anunciadas câmeras Alpha Nex-C3, da Sony, e Lumix GF-3, da Panasonic. Na ocasião, as duas disputavam o título de menor câmera com lentes intercambiáveis do mercado. A Sony levou a melhor por alguns milímetros, mas a Panasonic se contentou em ser a menor com flash embutido. Por pouco tempo. Dias depois, foi a vez da Pentax assumir a liderança com sua linha Q, tão compacta que faz as rivais parecerem dinossauros.

Pentax Q cabe na palma da mão

O problema dessa história é que, quando tratamos de sensores, tamanho é documento. E, na ânsia de fabricar a menor câmera possível, a Pentax cometeu o pecado mortal de equipá-la com um sensor de 1/2,3 polegadas, dimensões iguais às dos modelos usados em muitas câmeras compactas (sem lentes intercambiáveis). Ou, para efeito de comparação, oito vezes menor que o padrão Micro Four Thirds (vide a foto abaixo) e 13 vezes menor que o APS-C da maioria das reflex básicas – para não falar dos modelos full-frame. O sensor de 12,4 megapixels da Q é um CMOS retroiluminado, o que, em tese, ajuda a combater o ruído, mas o tamanho complica.

Sensores da Pentax Q, Panasonic GF3 e Sony NEXc3

O resultado disso é que, mesmo antes de chegar as lojas, a Pentax Q já virou motivo de piada entre os entusiastas. O pessoal da antiga não demorou a lembrar de uma invenção semelhante, da própria Pentax: em 1978, a empresa lançou sua Auto 110, a menor SLR do mundo, baseada naqueles filmes em cartucho que a Kodak inventou para permitir a miniaturização das câmeras da época. Com a diferença de que até o diminuto fotograma do filme 110 era várias vezes maior que o sensor da Q!

Lentes de brinquedo

Lentes do sistema Pentax Q

Mas e em relação às lentes, tão importantes em um sistema fotográfico quanto o corpo da câmera? As opções iniciais da linha Q são cinco, em duas categorias: alto desempenho (semelhantes às lentes a que estamos acostumados) e “unique” (modelos populares, sem autofoco e de abertura fixa, mais para diversão). A idéia dessas lentes “de brinquedo” até é interessante, mas para o sistema ser levado a sério a Pentax teria que investir em mais variedade e qualidade.

As duas lentes “de verdade” são a prime equivalente a 47mm com abertura máxima f.1,9 incluída no kit e uma zoom equivalente a 27,5-83mm, com abertura máxima de f/2,8-f/4,5, que será vendida por US$300. As “de brinquedo” são uma olho-de-peixe equivalente a 17,5mm (US$ 130) e duas literalmente chamadas de “toy lens”, equivalentes a 35mm e 100mm, com aberturas de f/7,1 e f/8.

O preço de US$ 80 destas últimas pode parecer uma pechincha se comparado à da zoom, mas não custa lembrar que a Canon vende uma ótima prime de 50mm com abertura máxima de f/1,8 e foco automático pelo mesmo valor – e é uma lente de verdade! Ou seja, os brinquedos da Pentax ainda estão meio caros para sua proposta, o que tira a graça da linha Q.

 

Flash articulado da Pentax QNa verdade, muita gente tem encarado a câmera como um brinquedo de gente grande. Ela é uma gracinha (exceto pelo bizarro flash articulado) e deve ser divertida de usar, mas será que vale os US$ 800 que a Pentax está pedindo? Isso sem falar nas lentes extras e no visor ótico externo, de US$ 250! Afinal, se a idéia é só ter uma câmera-miniatura pra pendurar no chaveiro, sempre existe a opção de comprar uma Chobi Cam One por pouco mais de US$ 100.

 

 

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Como funciona a câmera plenóptica da Lytro

seg, 27/06/11
por Julio Preuss |
categoria fundamentos, lançamentos, recursos

A empresa americana Lytro anunciou, na semana passada, que pretende lançar ainda este ano a primeira câmera plenóptica comercial, dando início ao que chamou de uma nova era na fotografia e a maior inovação desde a transição do filme para o digital. A novidade foi notícia em toda a imprensa especializada, inclusive aqui no TechTudo, e os exemplos de fotos capturadas com a tecnologia se tornaram sucesso de visitação no site da Lytro. Mas, afinal, o que é e como funciona esta novidade?

Lembram quando expliquei o funcionamento do foco e disse que a lente faz os raios de luz provenientes de uma cena convergirem em um ponto do sensor? Ou quando, na última coluna, sobre tilt-shift, esclareci que este “ponto”, na verdade, se trata de um plano? O que as câmeras plenópticas fazem é, em vez de simplesmente registrar a intensidade da luz que chega a cada ponto deste plano, armazenar também seu ângulo de incidência.

Aproveitando a mesma comparação que Ren Ng, fundador da Lytro, usou na introdução de sua tese de doutorado da Universidade de Stanford, em 2006, é como a diferença entre a gravação de áudio em um único canal e a técnica usada em estúdios, com dezenas de canais separados. Enquanto a primeira só registra a soma de todos os sons a cada momento, a gravação multicanal é capaz de manter cada voz ou instrumento separados, viabilizando toda sorte de mixagem a posteriori.

Voltando ao mundo da imagem, uma câmera dessas não captura uma imagem chapada da cena à sua frente, mas um resumo do comportamento de todos os raios de luz em seu campo de visão. Não por acaso, as câmeras plenópticas são também conhecidas como light field cameras (câmeras de campo luminoso ) – a denominação escolhida pela Lytro. De certa forma, é como se capturassem uma imagem em três dimensões, mas o fabricante prefere se referir à tecnologia como 4D.

Embora uma câmera plenóptica possa ser usada para reconstruir imagens em 3D, para serem visualizadas com aqueles óculos especiais, sua grande inovação não é esta. A maior diferença das light field cameras, como todas as notícias têm alardeado, é a possibilidade de focalizar a imagem depois da captura, via software. Ou seja: não é mais necessário focalizar a câmera, pois o foco pode ser ajustado depois – inclusive em aplicações interativas, como o exemplo abaixo.

 

Para justificar sua importância, a tese de Ng remete ao surgimento da fotografia, lembrando que o foco (ou, mais precisamente, a falta dele) é um problema desde os idos de 1839. Honestamente, não acho que seja um problema tão grande agora que temos excelentes sistemas de autofoco – ainda mais com a generosa profundidade de campo das digitais compactas. Mas isso não tira a graça da novidade.

Aliás, as câmeras plenópticas em si também não são exatamente uma novidade: o conceito da “fotografia integral” em que se baseiam surgiu em 1908! Já na era digital, o assunto vem sendo pesquisado há 20 anos, quando surgiu o termo “plenóptica”. Na prática, a Adobe vem demonstrando protótipos da tecnologia pelo menos desde 2009. O maior mérito da Lytro, na verdade, foi torná-la vendável.

Infelizmente, as tais câmeras que chegam ao mercado este ano ainda não estarão ao alcance de muita gente, já que a única estimativa de preço divulgada até o momento fala em algo entre mil e 10 mil dólares. Nem é tanto para fotógrafos profissionais, mas tenho a sensação de que eles não seriam os principais interessados – especialmente em um primeiro momento – em uma câmera que dispensa o foco. Soa meio como querer vender o conforto do câmbio automático a um piloto de corrida, se é que vocês me entendem…

Além disso, a flexibilidade do foco tem seu preço: como as milhões de microlentes que recobrem cada fotodiodo do sensor precisam ser apontadas em várias direções, para registrar os tais raios de luz em diferentes ângulos de incidência, é como se a resolução total do sensor fosse dividida pela variedade de ângulos. Não que atualmente não possamos abrir mão de alguns milhões de megapixels, mas é preciso estar ciente de que a perda de definição é praticamente inevitável.

Por outro lado, a Lytro promete aproveitar os dados que estariam sendo desperdiçados caso a imagem fosse gerada somente a partir da captura de uma fração dos fotodiodos. Eles podem ser usados para melhorar o desempenho em baixa luminosidade, por exemplo, e uma rápida leitura da tese de Ng leva a crer que também podem ajudar a minimizar ruído e distorções. O jeito é esperar para conferir…

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  • Julio Preuss

    Julio Preuss escreveu o primeiro livro brasileiro sobre Fotografia Digital e já colaborou com mais de 20 publicações, entre jornais, revistas e sites. Atualmente é colunista do Fórum PCs e da revista Sexy e faz mestrado em Informação na Universidade de Toronto.

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