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Quando megapixels demais atrapalham

qua, 08/12/10 por Julio Preuss | categoria fundamentos

O assunto é recorrente, mas tão inevitável que foi escolhido para a primeira edição de todas as colunas sobre fotografia digital que já assinei. No TechTudo não poderia ser diferente, então tratemos de esclarecer logo todas as dúvidas que alguém possa ter sobre os famosos megapixels, antes de explorar temas mais complexos. E, desde já, fiquem à vontade para sugerir idéias para as próximas colunas!

Pixel, contração de “picture+element”, nada mais é do que cada um dos pontinhos que compõem uma imagem digital. O prefixo “mega”, assim como define um megahertz como um milhão de hertz, significa que um megapixel contém um milhão de pontinhos. Por ser praticamente o mínimo necessário para uma foto de boa qualidade, acabou virando a unidade de medida de resolução das câmeras digitais.

Quando comecei a escrever sobre o assunto, câmeras de três megapixels eram consideradas adequadas e as de cinco, verdadeiros sonhos de consumo. Hoje, a contagem de megapixels das câmeras mais básicas já começa nos dois dígitos, com a maioria dos modelos populares de 2010 trazendo nada menos que 14 megapixels. O que, infelizmente, não é tão bom quanto parece.

Para entender por que, voltemos aos cinco megapixels “de antigamente”. Com essa resolução já era possível imprimir uma imagem com qualidade fotográfica em tamanho 20 x 30cm, o máximo que a maioria das pessoas costuma precisar. Isso não quer dizer que mais megapixels não sirvam para nada (eles são úteis quando se deseja ampliar só um detalhe de uma foto, por exemplo), apenas que não são estritamente necessários.

Mais pode ser menos

O problema é que, além de nem sempre serem necessários, os megapixels adicionais podem piorar a qualidade da imagem capturada – principalmente quando falamos de câmeras pequenas. Menores do que uma unha, os sensores das digitais ultracompactas andam com muito mais pixels do que o espaço permite, provocando o chamado “ruído” na imagem, sobre o qual falaremos em uma futura coluna.

Para controlar o ruído, os fabricantes têm investido em processadores de imagem capazes de filtrar esses defeitos automaticamente, mas com isso freqüentemente acabam comprometendo também a definição da foto. Em outras palavras, uma imagem de 14 megapixels pode ficar com o mesmo nível de detalhe de uma com a metade disso. Sem falar que as lentes também tem uma definição máxima de captura, há muito excedida nas câmeras mais modestas.

Felizmente, nos últimos dois anos algumas marcas perceberam que os fãs de fotografia não estavam mais caindo no papo marqueteiro das dezenas de megapixels e começaram a equipar seus modelos “para entusiastas” com sensores um pouco maiores e de resolução relativamente menor. Alguns exemplos recentes são a Lumix LX5, da Panasonic; a Coolpix P7000, da Nikon; e a Powershot G12, da Canon – todas topo-de-linha e recém-lançadas, mas com “apenas” 10 megapixels.

Tamanho é documento

O segredo dessas câmeras está em uma outra especificação que devemos nos acostumar a acompanhar, mais até do que o número de megapixels: sua densidade. Minha primeira câmera de 5 megapixels, uma Nikon Coolpix 5000, usava um sensor de 8,8 x 6,6mm. Dividindo o total de pixels pela área do sensor, obtém-se uma densidade de 8 megapixels por centímetro quadrado. A mais nova ultracompacta da marca, a Coolpix S80, espremeu 14 megapixels em um sensor de 6,2 x 4,6 mm com densidade de 50 MP/cm² – mais de seis vezes maior e uma fonte certa de ruído!

Enquanto isso, os modestos 10 megapixels da P7000, junto a um sensor maior, resultam em 23 MP/cm², um número bem mais aceitável. E, para quem não se contenta com pouco, uma digital profissional, como a Nikon D3X, pode esbanjar seus quase 25 megapixels sem medo, pois o sensor de tamanho avantajado lhe rende uma densidade de meros 2,8 MP/cm².

A esta altura, já deve ter gente se perguntando como descobrir o tamanho do sensor daquela câmera que acabou de comprar. Nem sempre o fabricante se dá ao trabalho de informar, mas o pessoal do site especializado Digital Photography Review mantém um excelente banco de dados com as especificações de quase todas as câmeras já lançadas – inclusive as dimensões dos sensores e sua densidade, para não precisarmos nem de calculadora. Mas fique com ela à mão, pois na semana que vem teremos novas continhas para fazer. Até lá!

17 Comentários para “Quando megapixels demais atrapalham”

  1. 1
    Daniel:
    8 dezembro, 2010 as 23:10

    ATE QUE ENFIM UM SER VIVO PENSANTE rs…. as empresas fazem propaganda enfatizando o MP como sendo o fator definitivo de uma foto perfeita.. e NAO e. Isos quel i aacima e mais detalhado e nao sabia… mas ha outro fator tbm que e importante… cada marca, lente, etc… tem seu modo de capturar a imagem… eu tive uma Fuji que na epoca era TOP com 1.3MP rs… a foto nao era gigante mas MUITO boa, definida, detalhada, NITIDA.. se comparar com cam de celular de 2 ou mais MP a minha antiga Fuji superava em qualidade… claro que digo de camera de cel comum ok, afinal ja tem modelo com camera DECENTES, FLASH etc…

    MUITO BOM O TEXTO… adorei o site

  2. 2
    Fernando André S.:
    9 dezembro, 2010 as 0:42

    Show de bola!

  3. 3
    Lilian Moura:
    9 dezembro, 2010 as 2:20

    Excelente post Julio. Ótimo para ajudar na escolha da minha próxima máquina fotográfica.

  4. 4
    Gluz:
    9 dezembro, 2010 as 2:59

    Feliz por sua volta ao mundo dos reviews, Julio! E ainda aprendi q tamanho é documento :-) abs!

  5. 5
    Marcos Paulo:
    9 dezembro, 2010 as 16:31

    Excelente post amigo! Me interesso muito pelo assunto e gostaria de um post sobre a linha Rebel XT da Canon. Abrax!

  6. 6
    Luiz Gustavo Amorim:
    9 dezembro, 2010 as 18:34

    Ótimo artigo Julio. Essa visão por densidade é novidade para mim.

  7. 7
    Bruno Pinheiro:
    9 dezembro, 2010 as 18:41

    Grande Júlio, legal o post. Queria só saber qual seria se existe uma faixa ótima para densidade. Tipo, entre 2 MP/cm² e 10 MP/cm², algo assim. Existe uma densidade ideal?

    Abraços!

  8. 8
    Miriam Medeiros:
    11 dezembro, 2010 as 12:07

    Post muito legal!
    Gostei muito da maneira clara e descomplicada como vc apresentou a questão. Permite que os não “entendidos” possam, realmente, fazer uso das informações que vc passa (como, aliás, em outras colunas suas que já li). PARABÉNS! Sucesso no novo empreendimento!
    Miriam

  9. 9
    Francisco Lima:
    23 dezembro, 2010 as 13:12

    Esse Júlio Preuss é f…, gostei demais das dicas, sou doido por fotografias, apesar de gostar muito de ser fotografado, pois sempre saiu torto, é incrivel mas isso é desde criancinha.

  10. 10
    Paulo Messias Pereira:
    23 dezembro, 2010 as 16:23

    Excelente a matéria que você tem publicado. Parabens, pois você consegue explicar tudo com muita clareza.
    Eu tenho uma Sony DSC H50 com 32 MP/cm2 e sensor do tipo CCD.
    Quando eu comprei (há mais de dois anos) eu não avaliei estes itens.

  11. 11
    Otto Zalim:
    4 janeiro, 2011 as 18:41

    Pois é, e isso me da saudade de minha primeira camera Olimpus de 1,2 megapixels…. Pela velocidade de captura, e pela qualidade das fotos, que as Sony de meus filhos (modernas) nao conseguem acompanhar.
    Alias, sempre achei que se voce quer uma camera digital, compre de uma marca que ja fazia cameras com filmes, pois elas tem quase um ´seculo de experiência na frente das outras que começaram praticamente agora…..

  12. 12
    Dj Rammil Flecha:
    2 fevereiro, 2011 as 18:24

    Finalmente encontrei melhor entendimento e explicacao quanto ao assunto megapixel, sempre estranhei algumas vezes quando via em anuncios cameras de menos pixels, mais caras dos que as que tinham mais pixels, hoje entendo a importancia que o sensor e o seu tamanho exercem, parabéns e obrigado esclareceu algumas das principais duvidas dos iniciantes amantes de fotografia. Obrigado!

  13. 13
    chanel:
    14 fevereiro, 2011 as 2:57

    oi julio,
    eu tenho uma nikon d700, mas naum sei usar direito ainda e gostaria de saber se essa maquina e boa para fotografar a noite e coisas em movimento.
    por exemplo eu vou muito em shows e viajo bastante minha maquina digital naum funciona bem a noite….entaum pode me ajudar com a nikon d700.
    brigadinhoooo..bjim!!!

  14. 14
    mariana:
    14 abril, 2011 as 11:26

    eu tenho uma fujifilm,
    gosto muito dela, a resolução é ótima… porém, eu gostaria de equipa-la e nao sei como funciona, já procurei em vários sites e nao sei mesmo como funciona e se é possivel!
    se vcs me ajugarem, ficarei muito grata!
    obrigada

  15. 15
    Emerson:
    3 novembro, 2011 as 13:08

    Júlio, as câmeras digitais permitem configurar a resolução a ser usada. Se, por exemplo, em uma câmera de 14MP configurarmos para que ela use, digamos, 9MP, haverá algum ganho na qualidade da foto?

  16. 16
    Elder:
    21 novembro, 2011 as 2:15

    Quando terminei de ler o artigo, pensei exatamente o que o Emerson colocou no comentário acima. Configurando uma resolução menor na câmera, a imagem teria uma qualidade maior? Ou somente uma parte do sensor seria utilizada para capturar a foto e, sendo assim, a foto teria as mesmas qualidades e defeitos não importando a resolução escolhida.

  17. 17
    Elder:
    24 novembro, 2011 as 4:37

    Quando terminei de ler o artigo, pensei exatamente o que o Emerson colocou no comentário acima. Configurando uma resolução menor na câmera, a imagem teria uma qualidade maior? Ou somente uma parte do sensor seria utilizada para capturar a foto e, sendo assim, a foto teria a mesma qualidade não importando a resolução escolhida.

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  • Julio Preuss

    Julio Preuss escreveu o primeiro livro brasileiro sobre Fotografia Digital e já colaborou com mais de 20 publicações, entre jornais, revistas e sites. Atualmente é colunista do Fórum PCs e da revista Sexy e faz mestrado em Informação na Universidade de Toronto.

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