Espelho, espelho meu: por que as câmeras EVIL estão no apogeu?
Depois de antecipado, desmentido e novamente previsto durante meses, o lançamento das primeiras câmeras “EVIL” pela japonesa Nikon finalmente virou realidade. Mas qual a importância disso? Aliás, o que vem a ser as tais câmeras evil? Já abordei rapidamente o assunto ao escrever sobre os diversos tipos de câmera, mas não custa relembrar – ainda mais agora que quase todos os grandes fabricantes de câmeras adotaram a novidade. A Canon, apesar dos boatos, continua sendo a ausência mais notável no segmento.
Evil, que em inglês significa “mal”, nada mais é do que a abreviatura de Electronic Viewfinder with Intechangeable Lens – em português, visor eletrônico com lente intercambiável. Segundo a Wikipédia, o termo foi criado em 2007, por Charlie Davis, e não serve para descrever corretamente esta nova categoria de câmeras, pois nem todas teriam o tal visor eletrônico.
A comunidade da enciclopédia colaborativa prefere a expressão “MILC”, de Mirrorless Interchangeable-Lens Camera (câmera com lente intercambiável e sem espelho), frequentemente encurtada para “mirrorless”, mas este nome também está longe de ser uma unanimidade. No final das contas, dependendo do fabricante ou da publicação, podemos encontrar uma meia dúzia de termos diferentes para a mesma coisa.
A dupla Olympus e Panasonic, que praticamente inaugurou o segmento com o seu padrão Micro Four Thirds, em 2008, já se referiu à categoria como new-generation system câmeras, compact system cameras e compact hybrid cameras. Outros preferem o termo ILC, abreviatura de interchangeable-lens compact, ou ainda SLD, para single-lens digital (em oposição às SLRs, de single lens reflex).
Pois é justamente comparando uma dessas câmeras híbridas (ou seja lá como for que você queira chamar) com as reflex que podemos entender o que exatamente elas representam. Uma reflex tem esse nome por causa do espelho usado para redirecionar os raios de luz que formam a imagem – ora para o sensor (ou filme nas câmeras tradicionais), ora para o visor ótico.
É justamente por causa desse movimento do espelho que o visor de uma reflex fica preto no momento do disparo. Afinal, durante o clique o espelho que normalmente levaria a imagem para o visor precisa sair do caminho para permitir que ela seja capturada pelo sensor. Isso também explica por que, por muito tempo, essas câmeras eram incapazes de filmar ou exibir uma prévia da imagem no LCD: se o espelho estava desviando a imagem para o visor ótico, o sensor não “via” nada.
Já nas câmeras sem espelho, nada disso acontece mais. Como elas não têm o tal visor ótico, o sensor pode ficar ativo 100% do tempo. Em compensação, só dá para enquadrar a foto na telinha de LCD ou, em alguns modelos mais completos, no EVF (abreviatura de electronic viewfinder) – se tiver curiosidade, você pode ler mais sobre os diferentes tipos de visores nesta coluna.
A principal vantagem de se abrir mão do espelho, no entanto, nada tem a ver com o tipo de visor, e sim com o tamanho da câmera. Como se pode ver na ilustração ao lado, copiada do site do padrão Micro Four Thirds, a remoção do compartimento do espelho reduziu pela metade o espaço necessário entre o encaixe da lente e o sensor, permitindo que as câmeras sejam bem mais compactas.
Justiça seja feita, a redução do tamanho das câmeras tem a ver também com o uso de sensores menores, o que não é uma boa por conta do ruído causado pela grande quantidade de pixels em uma área reduzida. Isso fica claro quando comparamos os fatores de conversão dos diferentes sistemas: enquanto a maioria das reflex digitais da Canon e Nikon têm fatores de 1,6X e 1,5X, respectivamente, as Four Thirds são 2X e as novas Nikon, 2,7X – a maior crítica dos entusiastas a estes lançamentos.
Por menores que sejam, entretanto, os sensores das câmeras evil já são uma bela evolução em relação à maioria das compactas – o que faz dessas câmeras uma boa pedida para quem não está satisfeito com a qualidade de imagem dos modelos compactos, mas também não quer lidar com a trabalheira que dá carregar uma reflex e sua coleção de lentes.
Aparentemente, muita gente se enquadra nessa categoria. No Japão, a Meca da fotografia, Canon e Nikon viram sua participação no mercado de câmeras de lentes intercambiáveis encolher 35% – tudo por conta da migração dos consumidores para os modelos sem espelho da Panasonic, Samsung, Sony e afins. Com os lançamentos de ontem, a Nikon espera recuperar o tempo perdido – resta saber quando a Canon fará o mesmo.
21 outubro, 2011 as 23:42
O autor desconsidera totalmente a existência de modelos EVIL/ILC com sensores APS-C, produzidas por Sony, Ricoh, Samsung e talvez outras empresas. Isto invalida a sua lógica de que “a redução do tamanho das câmeras tem a ver também com o uso de sensores menores”. Como se explica, então, o tamanho das Sony NEX-5 ou NEX-5N em comparação com o tamanho de certas DSRL que tem exatamente o mesmo sensor? Como se explica que algumas câmeras Micro Four Thirds são maiores que algumas câmeras com sensores APS-C, cujo sensor é maior? Como se explica que as Nikon 1 sejam maiores que as câmeras Micro Four Thirds, cujo sensor é significativamente maior? Uma meia verdade, portanto. Em termos de qualidade pura de imagem (ou seja, daquela que o sensor pode captar) uma EVIL/ILC pode se igualar a uma DSRL, dependendo do seu sensor e não do seu tamanho. O que está em jogo é uma relativa perda de eficiência na interface e na rapidez do foco, em troca de maior portabilidade e maior discrição. Restringir o sucesso apenas pela perspectiva de quem quer uma evolução a partir de uma compacta é, também, uma meia verdade.
22 novembro, 2011 as 16:49
Julio,
Não faz parte desse post mas reconheço vc como expert em fotografia. Pode me ajudar a saber qual camêra é melhor? Olympus SZ10 ou Fuji S3200?
Grato.