O Maligno Segredo que a Apple (e o Google e a Microsoft e a RIM e a Nokia) não quer que você descubra
Houve um tempo em que existiam smartphones mas contava-se nos dedos a quantidade de aplicativos rodando neles. No meu Nokia E71 (o melhor smartphone não-multimídia de todos os tempos) eu tinha, fora os nativos os seguintes programas:
Gravity – Cliente de Twitter maravilhoso, sinto falta dele até hoje
Joikuspot – Programa que criava um hotspot WIFI compartilhando a rede 3G com notebooks, outros celulares, desktops, etc.
Eu era feliz, sabia e nunca senti necessidade de mais nada. Claro, com o passar do tempo o Symbian foi ficando cada vez mais obsoleto, não aguentava o hardware do N97 e eu precisava de multimídia, não fazia sentido sair carregando um smartphone E um iPod Touch.
Quando migrei para o iPhone não foi uma experiência dolorosa. Eu “perdi” menos de R$30,00, somando os custos dos dois programas acima. Ganhei novas Apps, um aparelho bem mais versátil e que até conseguia tocar um AVI sem engasgar, ao contrário do N97.
Eu poderia ter migrado para um Android, ou mesmo um Blackberry. Talvez um N810 rodando Maemo, aquele Linux esquisito que a Nokia tentou emplacar.
Hoje a menos que o iPhone pare de funcionar no Brasil, anuncie apoio à Al Qaeda ou fale mal da Luciana Vendramini eu não trocarei de sistema operacional.
Não é fidelidade, já passei da idade de ser fanboy de marca, por mais que goste de brincar de Macfag. Tenho uma curiosidade enorme em experimentar um aparelho Windows Phone, posso dizer que do pouco que já mexi é o sistema operacional mobile mais elegante e bem-resolvido da atualidade.
A interface é um primor, ele é todo voltado a ações, não a apps isoladas, e aparelhos como o HTC Ultimate fazem meu velho iPhone fugir fazendo caim caim caim, mas eu não posso mudar.
Não é por causa dos milhares de Dólares que a Apple paga para todos os seus usuários fingirem que estão satisfeitos (sério, já me vieram com essa), mas não deixa de ser uma questão também financeira.
Hoje devo ter fácil uns US$200,00 em Apps entre iPhone e iPad. Faço praticamente tudo com elas, mudar de aparelho migrando para outro sistema operacional seria fatal para minha produtividade.
Não estou dizendo que as Apps iOS são as mais maravilhosas e perfeitas do Universo (mentira, estou sim, macfag, lembra?) mas mesmo que não fossem, mesmo que eu fosse um usuário Android (toc toc toc) eu teria um conjunto de Apps, igualmente pagas que formariam minha suíte de produtividade.
Migrar para o iPhone me deixaria na mesma situação: Tendo que descobrir Apps equivalentes, pagando por elas e saindo no prejuízo mesmo quando estivesse usando uma versão de uma App que já havia sido comprada em outro sistema operacional.
Há raríssimos casos de aplicações que são vendidas no modelo cobrindo todos os ambientes, até pelo custo de desenvolver e manter várias versões.
As operadoras prometem celulares sem bloqueio, sem algemas, mas por design estamos presos aos fabricantes. Quanto mais heavy user, quanto mais produtivo seja nosso dia-a-dia com o smartphone ou o tablete, menos livres somos. Abandonar o smartphone hoje é algo que precisa ser ponderado, como o Brad Pitt pensando na pensão alimentícia.
Por sorte existe uma luz no fim do túnel, as Web Apps em HTML5. A Microsoft demonstrou uma versão do Cut The Rope, um joguinho simpático de iPad, rodando no Internet Explorer, sem plug-ins ou Flash ou mesmo Silverlight. O Twitter chegou ao requinte de criar uma versão web que no iPad é indistinguível da versão nativa. Ou quase, mas não vamos nos ater a minúcias.
Com a evolução dos navegadores e das Web Apps poderemos chegar à Utopia da Multiplataforma, aquela velha promessa que o Java nunca cumpriu. A questão é se os fabricantes querem isso. A Microsoft aposta e promove o HTML5, mas sua plataforma mobile é a com menos aplicações nativas e com a menor fatia de mercado. Os outros não têm interesse nessa popularização do formato.
SE a tendência se firmar, a dinâmica dos heavy users mudará, teremos mais liberdade para flutuar entre aparelhos e sistemas. Do contrário seremos obrigados a escolher um lado e permanecer com ele, até o fim. O que é mais compromisso do que eu estou disposto a aceitar, exceto com a Luciana Vendramini, claro.






Antigamente dava na telha e ligava-se pra um amigo perguntando das novidades. Como o telefone era o único meio de contato, notícias triviais não se propagavam bem, Douglas Adams já deixou claro que as más-notícias é que são a coisa mais rápida do Universo. Assim se seu amigo foi devorado por um Leão-Marinho, você fica sabendo. Se ele comprou o álbum importado do Dire Straits que você era doido pra copiar (em K7, estamos falando do passado) só saberá meses depois.
Temos a impressão totalmente errada de que nada acontece de realmente grandioso nos dias de hoje, que antigamente era legal, um dia alguém inventava eletricidade, no outro tínhamos microondas.



Em nosso relacionamento com o mundo tecnológico somos esses visitantes. Muitas vezes sem maldade, achamos natural sair sem pagar. Uma música, uma foto, um texto. Eu, artesão da palavra e que faço dela o meu viver, acho por vezes antipática a mensagem que alguns sites colocam alertando do justo Copyright de seus textos, quando fazemos um CTRL+V no conteúdo. Imagine quem não tem essa percepção.

