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A bomba-relógio dos iPads e da Mídia Digital

ter, 17/05/11
por Cardoso |
categoria Formatos

 

Galileu no iPad - funciona redondinha.

Hoje não resisti a brincar com um jornalista inglês correspondente no Paquistão; ele estranhou não ter recebido seus jornais, perguntou se era feriado. Respondi que era o Século XXI.

A mídia impressa cada vez mais se rende ao formato eletrônico, as editoras brasileiras abraçaram o iPad e já estão de olho no Android, essas safadinhas…

No exterior surgem periódicos específicos para a mídia tablet, como a Project de Tony Stark Richard Branson, e The Daily, de Montgomery Burns Ruppert Murdoch.

Ler revistas no iPad é excelente, a possibilidade de compartilhar as informações via redes sociais é muito atraente, e o simples fato de não ter que carregar uma pilha de papel de um lado para outro já é vantagem. Quando olho minha coleção da Wired ocupando boa parte da prateleira fico feliz de viver no futuro.

Mas… será que tudo são flores? Será que esse futuro maravilhoso da mídia digital é tão bom assim? As árvores dizem que é, mas da mesma forma que campanhas pró-vegetarianismo estreladas por vacas, há um interesse oculto. Deve existir algum ponto negativo.

Há. E é um problema sério, que não foi pensado, ou pelo menos tornado público.

Ter centenas de livros no iPad ou no Kindle é algo viável, palavras ocupam muito pouco espaço, mas revistas, principalmente projetadas para tablets são outra história. Uma edição de uma revista relativamente fina ocupa pelo menos 200MB. Se for uma edição com muitas imagens e vídeos, conteúdo multimídia que cada vez mais se torna obrigatório, esse número aumenta. O primeiro número da Wired chegou a quase 500MB.

 

A Época é outra que se adaptou bem.

Digamos que você assine a Época, com uma média de 200MB por exemplar. Em dez semanas temos 2GB de revistas em seu iPad. Se for um modelo de 16GB mais de 10% de seu espaço de armazenamento estará ocupado por UMA revista. Se você for um leitor contumaz, ou mesmo SEM o Tumaz, lerá mais de um titulo.

Duas revistas, 20% do armazenamento.

52 semanas em um ano. Multiplicando por 200MB temos 10.4GB.

O espaço ocupado na estante deixa de ser tão feio, né?

“ah, mas não é preciso guardar tudo”

Claro que não, mas e se eu quiser, ou precisar consultar a revista? Uma das grandes vantagens da mídia eletrônica é a facilidade com que pesquisamos grandes volumes de informação. Uma revista em formato digital deixa de ser papel parado e se torna uma fonte rica e viva de dados.

O armazenamento em tablets é bem precioso, ainda é caro e limitado. Cartões de memória não resolvem, são mais coisas pra gente perder, e Murphy garantirá que você irá precisar de materiais em dois cartões diferentes simultaneamente.

Existe a possibilidade da Nuvem, mas no Mundo Real, fora das demonstrações de feiras de tecnologia a velocidade e confiabilidade das conexões wireless ainda deixa a desejar. Há muitos pontos cegos e pontos de baixa performance, além do custo de manter e disponibilizar esse conteúdo para eventual consulta.

Para alguns isso já ocorre, mas eu entendo que o sujeito tem que ser um louco furioso igual ao Murdock do Esquadrão A para querer levar 40 mil músicas e 10 temporadas de Smallville de um lado para outro. Pessoas normais gerenciam suas bibliotecas de mídia e só colocam nos dispositivos moveis um subconjunto do que possuem.

Só que mesmo pessoas normais sempre levam TODOS os livros digitais em seu dispositivo.

Mídia de leitura e consulta é percebida de forma diferente na cabeça do leitor. Sua própria necessidade tem um timing diferente. Ninguém concebe espear um download de 200MB para procurar algo em uma revista, muito menos quando nem lembramos do número onde a matéria saiu.

Principalmente, a compra digital ainda é algo que não foi bem assimilado pelo leitor. A falta de algo físico para interagir deixa muita gente desconfortável. Por mais cruel que seja, o papel é real, a informação é intangível.

A sensação de apagar um número de uma revista digital, para liberar espaço no tablet soa como jogar dinheiro fora, por mais que jogar uma revista velha no lixo não pareça –e seja- a mesma coisa.

Portanto é provável que em um futuro próximo nossos iPads estejam lotados e tenhamos que fazer várias Escolhas de Sofia,  por mais doloroso que seja.

Como resolver?

Imagino que uma alternativa seja as editoras criarem agregadores, arquivando exemplares antigos das revistas sob sua bandeira. Esses exemplares seriam armazenados sem imagens, com o texto extremamente compactado e com muitos índices de pesquisa.

Com isso o leitor/pesquisador evitaria ao máximo a consulta online, teria acesso ao grosso das citações e matérias, e se fosse o caso aí sim baixaria somente o artigo que interessa.

Resolveria o problema do uso offline ou em condições não-ideais, resolveria o problema do espaço (a idéia é que os tablets mais novos venham sempre com mais memória) e resolveria o problema da “sensação de propriedade”. Você não apagou nem abriu mão de nada, só guardou as revistas velhas na versão digital do armário da garagem.

 

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Telefone: A Millennium Falcon Movida à Lenha

qui, 20/01/11
por Cardoso |
categoria Formatos

Imagine que você tem uma nave espacial. Com capacidade de Dobra, escudos, inteligência artificial, phasers, sensores avançados, teleporte, torpedos fotônicos, camuflagem e capaz de fazer a Corrida de Kessel em menos de 11 Parsecs. Agora imagine que sua oficial de comunicação usa um telégrafo. Imaginou? Esse é seu telefone.

Nos primórdios da telefonia (ou até semana passada em certas operadoras celulares, dizem as más línguas) toda a conexão entre ligações era manual. Assim que você tirava o telefone do gancho, uma telefonista perguntava para quem queria ligar. Você respondia por exemplo “Alejandro”. Em seguida ela inseria dois conectores em um painel, literalmente conectando as duas linhas.

Telefonistas do Depto de Polícia de New York, 1909 – crédito: George Grantham Bain Collection, Biblioteca do Congresso, EUA

As ligações eram somente locais, assim muitas vezes as telefonistas não só conheciam pessoalmente o assinante como eram capazes de entender variações como “me ligue com o dono da farmácia”, “quero falar com o dono da farmácia”, “João farmacêutico” ou mesmo “preciso… soro… antiofídico… agora!”

OK, é brincadeira. O soro antiofídico foi criado em 1895, o cenário acima acontecia por volta de 1870, você teria morrido, sorry.

O modelo era muito cômodo, mas a dependência do conhecimento da telefonista já era algo perigoso, pois se ela faltasse, a substituta levaria muito mais tempo para realizar as mesmas funções.

Isso foi percebido nos EUA, no começo de 1880. Durante uma epidemia de Sarampo um médico chamado Moses Parker  ficou preocupado com a possibilidade das quatro telefonistas da cidade, que cuidavam das 200 linhas telefônicas ficarem doentes. Ele teve a ideia de atribuir números aos terminais, assim os usuários não precisariam saber o nome todo do Cosme da Birosca para conseguir completar uma ligação, mesmo que a única telefonista que soubesse quem era o Cosme da Birosca estivesse doente.

A ideia pegou, para alegria de todos os John Smiths. Não que houvesse opção, no início do Século a tecnologia dos computadores ainda tinha alguns pontos a resolver (como ser inventada) antes de poder ser aplicada à telefonia. A única forma de automatizar ligações era com números, e por volta de 1900 as primeiras centrais automáticas apareceram.

Ao contrário do que costuma acontecer, a instituição da telefonista não desapareceu, principalmente na área de chamadas de longa distância, onde ela esteve firme e forte no Brasil até meados da década de 1980. Quando era criança eu ia visitar parentes em Bom Jesus do Norte, Espírito Santo. A cidade tinha um posto telefônico, onde você solicitava uma ligação para outro Estado, deixava o número e uma ou duas horas depois voltava para fazer a chamada, era o tempo de conectarem e interligarem manualmente as várias centrais no caminho.

Antes do DDD uma ligação de longa distância era feita ligando-se  para a telefonista, solicitando a chamada, recebendo um prazo e esperando uma ligação de retorno. No caso de internacionais levava até algumas horas para uma chamada ser completada.

O preço também não era convidativo. Até hoje o pessoal mais velho está condicionado a ter medo de fazer DDD, pelo custo “altíssimo”.

Assim foi até o dia que Al Gore inventou a Internet, na Campus Party de 2007 (fonte: Wikipédia).  As pessoas começaram a usar serviços de telefonia IP como Skype, Gtalk, Live Messenger e perceberam que a imagem de operadora de telefonia com um fio indo da sua casa até a central havia se tornado obsoleta. Seu telefone pode estar em qualquer lugar.

As operadoras por sua vez já trafegavam todos os seus dados em redes digitais de alta capacidade, não havia mais uma ligação física entre seu telefone, seu número e seu endereço.

Celular é Preciso

Os primeiros celulares eram burros, muito burros. Tão burros quanto um telefone de mesa normal. Talvez mais um pouco, os primeiros celulares eram um telefone de mesa que sentava no fundo da sala e só passava de ano colando.

Hoje os celulares evoluíram de forma quase milagrosa, enquanto os telefones fixos continuam idênticos a seu design original. Um design inteligente mas ultrapassado.

Um celular, mesmo o mais simples é um computador completo, realizando inimagináveis cálculos por segundo, gerenciando desde a potência do sinal até a solicitação do sinal de GPS inexistente, como gostam de mostrar em Lei & Ordem.

Os smartphones estão em outro patamar. São jogos melhores que alguns consoles, home banking, home office, vídeos e músicas, redes sociais, compras, mapas, e-mails, edição de vídeo, tudo. Smartphones modernos são como os telefones da falecida TELERJ: Só faltam falar. Ou nem isso, para gente como eu que não gosta de papo.

Anacronismo Crônico

A única coisa que não evoluiu na telefonia foi… o número. Nós gerenciamos nossos contatos nos celulares mas dependemos do número. Uma tecnologia que atravessou dois Séculos não se livrou da parte mais frágil: Fazer pessoas decorarem números.

Antes do advento do celular existia um negócio chamado Agenda de Telefone, um bloquinho que ficava na sala, do lado do aparelho  e era repleto de rasuras, pois ninguém tinha paciência de passar a limpo as alterações para um caderninho novo de vez em quando.

Pessoas eram e são associadas a números, há uma ligação forte entre eles que era válida quando a tecnologia assim obrigava. Não mais.

Há dois hábitos que nunca cultivei: Encontros casuais com supermodelos para fins recreativos e decorar números de telefone. Da primeira eu entendo, mas incrivelmente há gente que se orgulhe da segunda habilidade.

Meu cérebro não foi feito para decorar números, embora abra exceção para números de supermodelos. Não que seja uma área muito utilizada, mas divago. Sempre andei com agendinhas, tive uma calculadora que comportava incríveis 20 números telefônicos e com o advento dos PDAs, mesmo antes dos celulares desencanei de vez da decoreba.

Hoje todo mundo faz isso, coloca o contato na agenda do celular e escolhe pelo nome. O próprio aparelho cuida de achar o número e discar. Se você tiver paciência pode inclusive chamar por voz, dizendo nome ou apelido da pessoa e se quer número de casa, trabalho, celular.

É possível passar a vida toda mantendo contato sem saber o número de alguém. É informação redundante. Interessa que é a pessoa chamando, não de onde. Você configura e esquece.

Da mesma forma a localização de números não faz mais sentido. Digamos que eu queira convidar a Dilma para meu aniversário. Para isso preciso falar com o Chefe de Cerimonial dela. Eu não quero o aparelho, não quero o número, quero o Chefe. Deveria poder dizer a meu celular “Ligue para o Chefe do Cerimonial da Presidência da República”, independente de ter o número na minha agenda. É um telefone único e público, afinal de contas.

Se você colocar no Google o primeiro resultado já traz o telefone do Embaixador Paulo César de Oliveira Campos. Todo o resto do trabalho de selecionar o número e ligar é manual, mas não deveria ser.

Hoje já temos a tecnologia para tornar o número de telefone algo tão fora de vista quando os endereços IP dos sites que acessamos. Todo mundo digita http://www.techtudo.com.br/, mas por baixo dos panos seu computador entende e se comunica através do endereço IP, que é 201.7.178.155. Temos a tecnologia para ir mais além, inclusive.

Associar um nome a um número é simples, a agenda de seu celular faz isso.  Mas não é suficiente. Não quero ter que me lembrar do número de emergência de cada país que visitar, por mais que a Inglaterra tenha facilitada a vida, ao mudar do complicado “999” para o inesquecível “ 0118 999 881 999 119 725 3”. Quero gritar “HALP!” e pronto.

O desafio, que acho que será vencido em menos de 10 anos é jogar o número pra escanteio. O celular se tornará uma ferramenta muito mais social, filtrando chamadas de acordo com o grau de proximidade com quem está ligando. Será o fim das agendas desatualizadas, pois você chamará pessoas e não números. Essas pessoas serão identificadas por agentes inteligentes na Rede, de acordo com sua área de convívio.

Não é difícil, fazemos isso o tempo todo.

Leonardo [nome] Da Vinci [localização], pintor [profissão]

Nick Ellis [nome] do Digital Drops [ocupação]

Boninho [Boninho]

É possível identificar de forma única uma pessoa com muito menos esforço do que através de números, ao usarmos uma base de fatores restritivos, como no exemplo acima.  A única exigência é que haja do outro lado uma inteligência com versatilidade suficiente para lidar com essas variáveis.

No dia que isso for conseguido teremos abandonado os números, telefones voltarão a conectar pessoas e de dois Séculos no passado todas aquelas telefonistas há muito mortas sorrirão vendo que o ciclo se fechou, e elas, afinal de contas, eram o Futuro.

10 comentários »

E o CD morreu sem ficar gagá como o rádio

sáb, 08/01/11
por Cardoso |
categoria Formatos

É isso mesmo, meninos e meninas. Estamos vivendo o fim de uma era, presenciando a evolução quase exponencial da tecnologia. Nós hoje somos testemunhas de mudanças em um ritmo que nos velhos tempos levava gerações.

Pense em quanto tempo ficamos restritos à escrita manuscrita, desde as tabuinhas de argila sumérias até a impressão por tipos móveis se tornar comercialmente viável em 1440, nas mãos de Gutenberg.

Dependemos de tração animal por quase toda a História da Humanidade, a grande mudança, o automóvel começou a se popularizar no final do Século XIX, mas até meados do XX ainda era grande a utilização de cavalos. O exército alemão na Segunda Guerra Mundial era uma força basicamente movida a cavalo. Durante a guerra os nazistas tinham em média 1 milhão e 100 mil cavalos em uso. Das 322 Divisões do exército e da SS em Novembro de 1943, somente 52 eram blindadas e motorizadas.

O LP, o querido bolachão foi lançado em 1931. Seu sucessor comercial, o Compact Disc apareceu em 1982. Foram 50 anos até algo novo tomar o lugar do disco de vinil.

Note, não estou falando de tecnologias alternativas por si só. Falo de quebras de paradigma, sucesso comercial, mudança na própria forma de pensar do público. Alternativas sempre existirão. O excelente MiniDisc da Sony era bem melhor do que CDs, mas nunca saiu do gueto, por falta de visão dos envolvidos.

Agora o CD, que a maior parte dos leitores deste artigo estava viva quando foi lançado, está pela hora da morte.  Em 2009 na Inglaterra as vendas de CDs musicais caíram 6.9%. Em 2010 a queda chegou a 12,4%. Eu nem lembro o último álbum que comprei. Aliás, lembro sim, foi a versão especial de Let It Be, dos Beatles. Que só conseguia ouvir no PC após instalar um programa maligno da gravadora, não podia abrir do iTunes ou do Windows Media Player muito menos ripar as músicas para ouvir no iPod.

O consumo de música está migrando para o formato download muito, muito rápido. Em 2008 o maior vendedor de música (digital ou não) nos EUA deixou de ser o WalMart e se tornou a Apple. Ano passado mais de 25% de toda a música vendida nos EUA foi vendida via iTunes Store.

Hoje todos os geeks “safos” já compartilham sua biblioteca por toda a casa, acessando a mídia de onde quiserem. Logo a geração que fazia questão de possuir fisicamente os álbuns dará lugar aos que preferem a praticidade de acessar suas músicas de qualquer lugar do mundo. Nos games isso já acontece. As vendas via Steam estão a todo vapor (desculpe, foi inevitável) e o desejo de possuir uma caixa para ocupar espaço, com um DVD para você perder e tendo que atualizar o jogo sempre que reinstalar já foi embora do coração da maioria dos gamers.

Algumas gravadoras tentaram migrar para pendrives, mas não deu muito certo. Foi uma manobra desesperada para manter o Business dentro de uma realidade que eles entendam. É compreensível. Durante mais de 100 anos você vendeu objetos físicos, detinha controle sobre a produção, a pirataria era limitada e de baixa qualidade. De um dia para o outro não controla mais nada, sua música roda o mundo em segundos.

As lojas de música online estão demonstrando que é possível sim ganhar muito dinheiro com esse formato. As gravadoras deveriam investir pesado e sem medo, pois elas detém toda a expertise do processo, que vai muito além de gravar CDs empacotar e vender.

Esse investimento é importante pois o CD não teve tempo de criar uma legião de fãs como o LP. Até hoje são gravados discos de vinil em edições limitadas, equipamentos para audiófilos custam milhares de dólares e ninguém se desfaz das coleções. Já o CD não desperta a mesma paixão. É algo basicamente utilitário.

Mesmo quem compra CDs imediatamente ripa o bicho, joga pro iPod e joga o CD pra estante.

A possibilidade de acessar milhares de músicas é tentadora demais, é a tal quebra de paradigma que mencionei. O CD antes competia com o LP, agora compete com a capacidade de armazenamento da Internet, ou pelo menos de um celular com cartão MicroSD de 4GB, que comporta mais de 800 músicas e custa por volta de R$20,00 no Rio de Janeiro.

Pelo preço de menos de um CD você armazena 50.

Aposto que muita gente aqui tem em uma gaveta um Discman abandonado, que já foi o objeto mais importante em suas vidas, levado na mochila junto com pilhas extras e o inevitável estojo com 20 CDs. Você pode até ter saudades, mas duvido que queira voltar àquele tempo.

Mais ainda: O CD Duplo do Rei, 30 Grandes Sucessos 99 em um popular site de vendas está cotado a R$39,90. Um DRIVE de CD, o leitor físico, acessório para seu computador está sendo vendido no Rio por inacreditáveis R$6,85. Se quiser ser extravagante e comprar um drive de DVD, que também lê CDs, isso custará os mesmos R$39,90 de UM disco.

Enquanto o CD estrebucha em uma mesa enrolado em plástico (só por causa daquela maldita embalagem inviolável  ele já merecia morrer) igual uma vítima de Dexter, comendo pelas beiradas vem aquele senhor de idade avançada, cujas notícias de morte sempre se mostram um tanto ao quanto exagerada: O Rádio.

Homenageado pelo Queen com a linda Radio Gaga (aviso: Nada a ver com Lady Gaga) em 1984 o Rádio já era dado como morto, mas quando você é uma das maiores bandas de todos os tempos, acaba sabendo das coisas, e a letra é clara:

Esperemos que você nunca vá embora, velho amigo
Como todas as coisas boas dependemos de você
Então fique por aí, pois podemos sentir sua falta
Quando nos cansarmos de todo esse visual
Você teve seu tempo, você teve seu poder
Você ainda não teve seu melhor momento

Enquanto o mundo trocava de formatos de mídia o rádio continuava o mesmo. Ainda hoje no Brasil é a principal fonte de informação e entretenimento para boa parte da população. Durante anos acompanhei em meu banho matinal o Show do Antônio Carlos, na Globo AM, daí minha falta de empolgação com o formato podcast. Nada mais é que o bom e velho rádio AM, usando a Internet como estação.

Uma das maiores reclamações contra o iPod é justamente a ausência de um receptor de FM. O ZuneHD da Microsoft, os Sansa e virtualmente todos os players xing-lings de música do mercado tocam FM.

Conclusão:

Uma eterna briga de formatos físicos que dura mais de 100 anos está finalmente chegando a uma conclusão. A indústria, o Mercado, as pessoas, nós, todos os envolvidos levamos um Século para perceber o que o rádio já sabia: Nós consumimos a música, não o formato. Ao entregar a música em um formato consistente não precisamos trocar a biblioteca a cada atualização de equipamento.

Um rádio de cem anos atrás toca sem problemas as estações AM de hoje. Um rádio ultramoderno faz o mesmo com muito mais qualidade, mas não é obrigatório ter um.

A música em formato digital e distribuída de um ponto central encerra a preocupação de ver a biblioteca se tornar obsoleta de um dia para o outro. Ela se torna tão flexível que podemos compartilhar com os amigos nossa seleção musical, atacando de DJ (acharam que eu deixaria escapar esse clichê?) e divulgando aquela banda ótima que só a gente conhece.

A interação do mundo online é uma evolução em relação ao rádio, certo?

Errado. Rádios ao contrário da TV são focadas na interação, seja por carta, telefonema ou mais recentemente email. Décadas antes do surgimento das redes sociais (pra não falar da Internet) rádios como a Fluminense já tinham comunidades de ouvintes fiéis que interagiam na madrugada, faziam encontros e enviavam conteúdo.

Para os que acham que esse modelo é difícil de monetizar (ignorando iTunes, Amazon, etc), fica o exemplo: Nos anos 80 uma rádio do interior já havia aprendido como ganhar dinheiro com conteúdo customizado, sem ser via publicidade.

Quando eu era criança e passava férias em Bom Jesus do Norte, ES a rádio da cidade oferecia um serviço e tanto: Você ia até o estúdio, pagava o equivalente a R$0,50 e podia dedicar uma música para uma menina.

Admito que nunca funcionou ;)

2 comentários »

  • Carlos Cardoso

    Carlos Cardoso é um legítimo filho da Era Espacial, fã de Júlio Verne e Carl Sagan, e um grande apreciador de tudo o que for relacionado a tecnologia. Escreveu 11 livros e atualmente trabalha como blogueiro profissional em seus sites pessoais e no Meio Bit.

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