Google acirra disputa entre padrões do HTML5 contra Apple e Microsoft
O Google anunciou esta semana que, com o objetivo de fortalecer tecnologias abertas como WebM (VP8) e Theora, vai abandonar o codec H.264 nas próximas versões de seu navegador Chrome. Descrito pela Wikipédia como “um padrão para compressão de vídeo capaz de fornecer boa qualidade de vídeo com uma taxa de bitrate muito baixa em relação aos padrões já existentes, mas sem aumentar a complexidade do projeto”, o licenciamento do H.264 poderia, na visão da gigante das buscas, atrapalhar a inovação na web, ou seja, o desenvolvimento de ferramentas livres e abertas.
“Esperamos uma inovação ainda mais rápida na plataforma no próximo ano e, por isso, estamos concentrando nossos investimentos em tecnologias que são desenvolvidas e licenciadas com base nos princípios da web aberta”, disse o Google. “Queremos mudar o HTML5 do Chrome para torná-lo compatível com os codecs já apoiados pelo projeto Chromium. Mais especificamente, estamos apoiando o WebM (VP8) e codecs de vídeo Theora”, completou a empresa.
Embora as notícias recentes chamem a atenção, o Chrome não é o primeiro navegador a se posicionar contra o H.264. A Fundação Mozilla, desenvolvedora do Firefox, e a Opera, dona do navegador de mesmo nome, também rebatem a necessidade do codec. Por outro lado, porém, Apple e Microsoft demonstram estar favoráveis a plataforma, sendo utilizada por padrão nos navegadores Safari (incluindo iOS) e Internet Explorer.
A decisão da firma de Mountain View, que vem acompanhada de muitas críticas externas, empurra os projetos alternativos do WebM para a superfície. Segundo alguns desenvolvedores consultados por esta coluna, o problema das novas plataformas está no estágio inicial de desenvolvimento e suas limitações. A falta de suporte por parte da Apple e Microsoft, é tida como um dos principais pontos negativos. Ambas as empresas não avaliam, neste momento, a possibilidade de integrar o WebM em seus produtos, o que indiretamente cria uma nova confusão entre os padrões do HTML5 e as tecnologias suportadas por cada navegador.

O que fazer nesta situação?
Para os desenvolvedores, a única saída neste momento está em retomar ao velho e conhecido Flash, pelo menos se tratando de vídeos online. Com a chegada dos recursos de aceleração gráfica e suporte a Flash no WebM até o final do ano, a situação deve melhorar àqueles que decidirem partir para o lado aberto da força. Há, também, um consenso de que esta fragmentação poderá fazer com que os sites tenham diversas formas de visualização.
Com o abandono, o H.264 passa a ficar retido ao Safari e Internet Explorer 9, chegando somente a 6% dos usuários. No caso do WebM/Ogg, presente no Chrome, Firefox e Opera, o alcance da tecnologia aberta já atinge 35%, o que pode levar Steve Jobs e Steve Ballmer a mudarem de opinião.
Estaria o Google querendo controlar o formato dos vídeos?
A empresa nega qualquer intenção de ter o controle dos formato dos vídeos, sendo esta iniciativa totalmente voltada à comunidade web, assim como ocorre com o próprio Chrome, Android e outros.
“Nosso objetivo é ver a tag tornar-se uma plataforma de vídeo de primeira classe. Como acontece com outras plataformas web, esperamos que a maioria das organizações e indivíduos contribuam para WebM, não tendo qualquer ligação com o Google ou qualquer outra entidade única”, explicou Mike Jazayeri, Gerente de Produto.
Na visão da Microsoft, a posição tomada pelo Google é extremamente clara e visa forçar as pessoas a falarem a sua língua. Em um texto irônico, intitulado “Carta aberta ao presidente dos Estados Unidos do Google”, Tim Sneath, evangelizador web da Microsoft, diz que a decisão do concorrente é similar a ideia de “banir o inglês dos EUA”. A Apple, por sua vez, preferiu não comentar o assunto.
Para o iOS, o futuro é incerto
Com a possibilidade do Google em converter seus produtos para WebM, é provável que os navegadores como Safari e Internet Explorer passem a não ter mais suporte aos sites. Como o empresa de Larry Page e Sergey Brin não dorme no ponto, já é certo que um complemento, similar ao Chrome Frame seja liberado para resolver a limitação.
No caso do iOS, a confusão está arrumada com a Apple. A queda do codec significa muito para o sistema operacional móvel, pois era a chave para a substituição do Flash. Com a redução da popularidade, os desenvolvedores podem vir a desistir da tecnologia, colocando os milhões de iPhones, iPods e iPads em uma navegação ainda mais limitada.
A confusão em torno do Flash
Em abril de 2010, Andy Rubin, chefe do Android, declarou que, a presença do Flash no sistema móvel da companhia, era diretamente baseada na aceitação popular: “É necessário não adotar uma atitude militante em relação ao conteúdo que o consumidor gosta”, disse
Qual seria, então, a diferença do H.264 para o Flash? Através de sua visão corporativa, o Google parece não se explicar. A hipótese estaria ligada ao Flash ser um plugin, o que torna sua instalação independente do navegador. No caso do Android, o Flash tem sido trabalhado para ser nativo, o que torna a questão muito curiosa.
E você, acredita que o Google tenha tomado uma decisão em prol da web?
17 janeiro, 2011 as 11:29
Nesse caso eu acho que o Google tem razão. Eu sou usuário de MAC e iPhone, concordei com a Apple quando ela não colocou o flash no iPhone, mas nesse caso o Google tem razão msm. A ideia não é ter uma web mais aberta? então eles tem que apoiar Codecs Open Source msm.
17 janeiro, 2011 as 11:47
Como desenvolvedor, estou um pouso apreensivo com o estrago que isso vai gerar quanto a padronização do HTML5. Também me preocupo essa coisa de instalar “plugins” em navegadores, o HTML 5 estava chegando para tentar acabar com isso.
Penso que a estratégia do Google é muito boa mas tenho quase certeza que teremos alguma gambiarra para ter que fazer as coisas funcionarem no iOS e internet explorer. Infelizmente.
17 janeiro, 2011 as 21:10
Não concordo com a Google. Por que ela não abandonou suporte ao Flash que é fechado e proprietário? Por que ela também nào retirou suporte ao MP3 ou AAC na tag de audio do HTML5? WebM pode ser aberto hoje, mas ele foi desenvolvido a portas fechadas pela empresa On2 que a Google comprou e seu desenvolvimento não passou por um processo de padronização. Entendo o ponto de não querer pagar os royalties do H.264. Mas usar a bandeira de abertura, de código aberto, é hipocrisia.
18 janeiro, 2011 as 10:04
Olá amigo do techtudo ou discory, primeiro quero elogiar seu blog ou melhor sua capacidade para melhorar nossos conhecimentos.
segundo como faço para indexar via sitemap para indexar todas as postagens, pois meu blog indexar as post e depois desindexas.
O que será?
http://vamogaloo.blogspot.com/
19 janeiro, 2011 as 9:49
E eu achando que com o HTML5 não teríamos mais problemas de crossbrowsing…
Eu acho que a questão é meio-a-meio. A Google, assim como a Mozilla Foundation e a Opera, apoia um código aberto e isso não é problema algum. Agora, nem tudo que a Google faz é assim só para o bem da web. É lógico que para eles é melhor utilizar uma ferramenta Open Source que combina com a política da empresa e que, principalmente, é uma subsidiária dela.
Enfim, ela fez certo em apoiar, mas essa bandeira de que apoia SÓ para o bem da web e liberdade de código e etc, não cola. Lógico que ela fez isso mais para o bem dela mesma.
20 janeiro, 2011 as 3:48
Queria ver a opinião do Ghedin e da Larissa sobre esse assunto, eles foram atacados indiretamente por essa coluna. rs
Parabéns pelo artigo!
20 janeiro, 2011 as 12:38
Eu sempre passo aqui para ver quais as novidades sobre o google e sobre sua teorias, e eu aprendi muito com você na Discovery.
A intenção é fazer parte do seu sonho de descomplicar as ferramentas do Google e mostrar suas verdadeiras funcionalidades.
Eu sou um aprendiz da Google Discovery
http://googleindexa.blogspot.com/
20 janeiro, 2011 as 19:35
Acho essa questão de “estabelecer um padrão” um tanto delicada. Quantos formatos já não apareceram cheios de promessa e sumiram, da mesma forma que alguns ganharam uma força maior sem grandes expectativas. O jeito é ver como a própria web se comporta…
Quanto ao Flash, sempre digo que comecei a “brincar” com web usando muito da tecnologia — na época Flash 3!! — e ele com certeza mudou muita coisa no mercado. Porém, hoje em dia, olho como uma ferramenta desnecessária a cada vez que vejo um uso brilhante de padrões mais leves e eficazes (tanto para o desenvolvedor como para o usuário) apoio mais ainda o seu desuso.
Até mesmo no Mac OS já estou usando as dicas para eliminar de vez o Flash, que ainda é cheio de problemas para os Mac users e não conseguiu me comprar com as últimas atualização. Pelo menos pra mim, como heavy user, Mac user e designer, o tempo do Flash já passou, e a Adobe não soube aprimorar a tecnologia para a web de hoje. Uma pena, de verdade.
Quanto à posição do Google, vamos concordar que boa parte dessa decisão foi para provocar a concorrência, e não vejo mal algum nisso…
Vendo que projetos que prometiam uma nova web acabaram antes mesmo de começar, não tem como prever no que isso vai dar.
Ótimo post e, só pra esclarecer, não me senti atacada de nenhuma forma, hehe! :P
22 janeiro, 2011 as 18:26
Quem achava que o HTML5 resolveria quase tudo, tá ai mais um detalhe que faz atrasar ainda mais a nova “linguagem”
22 janeiro, 2011 as 22:32
A intenção não era cabar com os plugins?
HTML5 era só acessar e pronto, nada de ficar procurando complemento…
7 fevereiro, 2011 as 18:10
Indiferente do que a Google pensa ou deixa de pensar, estou ancioso para utilizar o HTML5 =)