TechTudo

Internet – TechTudo
  • REVIEWS
  • BLOGS
  • DICAS & TUTORIAIS
  • ARTIGOS
  • JOGOS
  • DOWNLOADS
  • FÓRUM

Muito ajuda quem não atrapalha

qua, 18/01/12
por Roberto Cassano |
categoria Internet
| tags ai5, sopa

No Brasil, o Orkut e a proliferação de lan houses foram responsáveis pela popularização da internet. O primeiro, iniciativa de uma mente brilhante dentro de uma gigante multinacional. Os segundos, micronegócios tocados por brasileiros empreendedores, com poucos recursos, muito suor e nenhum apoio.

Antes disso, enquanto o governo proibia a importação de equipamentos de informática, pioneiros se reuniam em grupos, montavam suas próprias máquinas com peças contrabandeadas e criavam os primeiros BBS, núcleos de comunicação em rede.

Como brasileiros, entendemos muito bem o papel do Estado no que diz respeito a tecnologia, conhecimento e comunicação: ele muito ajuda se não atrapalhar. O problema é que se torna irresistível meter o bedelho em tema tão quente e popular quanto a internet e todo seu ecossistema. E bedelho do Estado tem, invariavelmente, uma leitura: complicação, desinformação, atraso.

E isso por aqui, onde nossa cultura aceita, cultura e espera do Estado uma atuação, forte, presente, paterna. E isso por aqui, onde coexistem aqueles que acreditam nas oportunidades de empreender – da barraquinha de churros à empresa de tecnologia – com aqueles que se empenham em conquistar uma vaga no serviço público, em busca da estabilidade que ele garante.

Imagine, então, como o povo norte-americano está reagindo ao afronte da vez chamado Stop Online Piracy Act, na sigla pronta para trocadilhos, SOPA. A lei, se aprovada, matará a internet como a conhecemos, mesmo sendo um bedelho americano em solo americano.

Já dizia minha avó: “Em cozinha em que muita gente mete a mão, a sopa desanda.” E vai desandar para todo mundo porque o projeto de lei pode tornar inviável qualquer espaço digital aberto à produção de conteúdo por nós, usuários, muitos desses mantidos por empresas norte-americanas. Gmail, Picasa, Flickr, YouTube, Facebook… qualquer desses sites pode, na visão do texto da lei, ser acessado por americanos e usado para roubo de propriedade intelectual norte-americana. Isso inclui a postagem, sei lá, da senha de acesso ao Pentágono ou a simples publicação do vídeo da festa de aniversário de seu filho, repleto de imagens de isopor do Pato Donald, numa grave ofensa aos direitos autorais da Disney.

Além de permitir ao governo censurar todo e qualquer site, a lei ainda facilitará que os donos de direitos autorais punam financeiramente sites e usuários, sem muito espaço para defesa.

Não quero entrar aqui na discussão-anos-90 sobre Propriedade Intelectual, Creative Commons, Anarquia e afins. Mas há uma diferença enorme entre você se filmar cantando uma música de Glee e você vender um DVD de Tropa de Elite no camelô.

Na visão da Lei, é tudo igual. E uma lei que seja aprovada nos EUA – especialmente se nossos parlamentares virem nisso uma forma de engordar o caixa governamental e, por tabela, suas emendas ao Orçamento -, tem meio caminho andado para desembarcar por aqui. Não será novidade, pois temos um projeto de teor similar, que circula desde 1999, de autoria de Luiz Piauhylino (PSDB/PE), e ressuscitad o dez anos depoispelo também deputado Eduardo Azeredo (PSDB/MG). Pergunto, qual a chance de um texto legal sobre internet, que ganha emendas, ajustes e revisões há 13 anos, ser compatível com a realidade dos fatos? Ser de fato útil à sociedade?

Nessas horas, a cultura pop é sempre um alento.  Lembro da cena de Guerra nas Estrelas quando o Senador Palpatine transformou a república galática em Império, em nome de uma suposta luta contra ameaças a segurança de todos. Padmé Amidala, mãe de Luke Skywalker, então jovem moçoila e também senadora, desabafou com a frase clássica: “Então é assim que morre a liberdade: com uma clamorosa salva de palmas.”

É o que a classe política vem tentando fazer mundo afora. Parece que aos políticos, no fim das contas, a liberdade é uma aterrorizante e nefasta aberração.

15 comentários »

Delícia, delícia, assim você me mata… Um texto sobre você sabe o quê

qui, 05/01/12
por Roberto Cassano |
categoria Comportamento, Foursquare

Ai se seu te pego, ai, ai se eu pego. Sim, você sabe do que estou falando. E, sim, você vai passar algumas horas com esse refrão grudento em sua cabeça. Foi mal.

O gancho para entrar nesta celeuma que envolve letras fáceis, repetitivas e cheias de saliência, sucesso global, complexo de vira-lata e dor-de-cotovelo é um aviso importante para quem trabalha do mesmo lado que eu da tela de seu laptop ou tablet: nem tudo gira em torno da internet. Pelo menos não o tempo todo.

Michel Teló (divulgação)

No fundo, a gente já deveria ter aprendido isso com funk, Calypso e outras manifestações musicais que explodiram nas ruas, nos bailes e na TV antes de chegarem à internet. Mas volta e meia a gente esquece que os ideiavírus (os memes, jargões, ideias, modas e comportamentos virais) sempre existiram, mesmo antes da gente ligar essa tal de internet na tomada.

E que um fenômeno originado das ruas não é menor ou maior que um que começou no YouTube. Essa parece ser a reação de muitos do universo digital – ou ao menos de meu mundinho digital, o dos “conectados mudernos”.

Descobri Michel Teló em dezembro, no dia em que o Barcelona massacrou o Santos na final do Mundial de Clubes. Foi rápido assim. Saí para tomar café da manhã (estava 3 a 0) e quando voltei, o jogo estava 4 x 0 e eu já tinha ouvido umas três vezes pessoas cantando “Ai se eu te pego…”. Até o fim dessa mesma semana, já teriam sido umas 10 vezes, entre pessoas cantarolando e trechos ouvidos por acaso em rádios alheios, TV ou sei lá onde.

É chato. A música é ruim, grudenta, de baixo nível, coisa e tal. Mas eu acho isso de quase toda a música que faz sucesso no Brasil – pagodes, funks e afins. Não posso julgar por meu prisma. Mas é o que fez minha timeline, e os debates, posts e cartas abertas de protesto se proliferaram, mais chatas que a música que os provocou.

Deixo a polêmica de lado para me focar na constatação óbvia de que existe vida fora da internet. Vida criativa, memes, modas. E que a TV e as celebridades tradicionais possuem impacto profundo no comportamento. Por vezes conduzindo multidões como se fossem manadas. Exatamente como era no auge do domínio da TV. Exatamente como muitos de nós alardeiam que acabou.

Mudou? Claro. Profundamente. A TV já não reina absoluta na sala e o Twitter e o YouTube viraram plataformas fortemente integradas a ela: uma é o termômetro do que está na tela, e a outra o repositório de tudo o que vale ver de novo. Pululam exemplos de vídeos de TV que só foram bombar quando caíram na rede. Que o digam as piadas envolvendo mamão e gafes em geral.

Para mim, um termômetro tão importante quando um trending topic do Twitter é algo foi parar nos camelôs, no comércio de rua, seja original ou falsificado. Eles são um indicador fortíssimo de que algo atingiu seu ponto de desequilíbrio e explodiu para o sucesso. E perceber (e valorizar) o mundo que há lá fora ajuda e muito a planejar, criar, fazer, acontecer na internet.

A internet é plural. É democrática no mesmo contexto em que a praia ou o estádio de futebol são democráticos, pois misturam classes sociais e ideologias em um mesmo lugar, sob os mesmos trajes. Por mais que nossas redes sejam de pessoas com quem temos afinidade, sempre alguém trará esses fragmentos do “mundo real”, do que a revista Época chamou de “tradução de nossa cultura popular”. É nessas horas que precisamos, como produtores e curadores de conteúdo, estar atentos para os ideiavírus que estiverem fazendo o caminho inverso ao que nos condicionamos a acreditar, vindo das ruas para a rede.

O Papa é pop. A internet também. E o pop não poupa ninguém. Ignorar os memes do mundo offline? Que deselegante!

sem comentário »

Guia prático de etiqueta virtual (ou quase) para as Festas

seg, 26/12/11
por Roberto Cassano |
categoria Comportamento
| tags natal, netiquetta

No finzinho dos anos 90, mais e mais pessoas e empresas descobriam a internet. Naqueles tempos longinquos as regras não estavam claras. Faltava um Arnaldo Cesar Coelho para os relacionamentos virtuais, e ele surgiu na forma da chamada Netiquetta.

A Netiquetta era a série de regras de bom comportamento virtual, e incluíam dicas básicas, como NÃO ESCREVER TUDO EM CAIXA ALTA (sob risco de ninguém querer conversar mais com você ou com sua filha) e não responder mensagens com 200 pessoas em cópia.

Hoje esse tipo de conteúdo é mais raro, mas nem por isso desnecessário. Há algumas semanas, ganhou fôlego uma campanha pelo correto preenchimento dos campos básicos do Facebook (veja quantos de seus amigos escreveram COMPLETO no lugar do nome da escola onde terminaram o Ensino Médio). E volta e meia se discute o que vale e o que não vale.

Mas tem algo ainda mais crítico. O que fazer nessa época de festas, comemorações e afins. Ainda mais se você for, como eu, do tipo “ranzinza digital”.

Seguem aqui algumas sugestões:

 

1) Mensagens de Natal e Ano Novo

Então você recebeu 18 e-mails com votos de Feliz Natal, Próspero Ano Novo e afins. O que fazer com eles?

Bem, ninguém espera que você imprima e prenda na parede para a posteridade. Tenho uma regra para lidar com essa situação: se o cartão foi enviado para um grupo oculto de pessoas (ou seja, para um mailing de quem enviou), e não há uma mensagem essencialmente pessoal, não respondo. Imagina se o cara enviou o cartão para 500 pessoas, o que ele vai fazer com 500 mensagens de “Para você também!”?

Logo, não responder é um serviço de utilidade pública e manifestação de amor ao próximo.

Agora, se a mensagem foi escrita no corpo do e-mail, sem firulas visuais, e nitidamente para você, é de bom tom responder. Pode até ser que demore, mas responda. A quem eu ainda não tenha respondido, vale uma segunda dica: como muita gente viaja ou entra em recesso nestes dias, mensagens no início de janeiro valem como respostas tanto aos desejos de Natal quanto de Ano Novo.

 

2) Festa da Firma

O que acontece na festa da firma fica na festa da firma. Não convém fotografar os colegas de trabalho em elevada concentração etílica, e muito menos postar isso no Facebook. Não ajuda em nada mensagens sem imagens mas com textos do tipo “E o Fernandinho do RH, hein? Revelação da festa!”.

Mas vale fazer checkin no Foursquare ou publicar uma foto de objeto (bola de futebol? Copo de chopp ainda cheio?) com o simples e humanamente aceito objetivo de causar inveja nas pessoas de sua timeline que estarão vendo sua postagem do frio congelante do ar-condicionado do escritório.

 

3) Piadinhas

Acredite: piadas com pavê, “Não te vejo desde o ano passado”, “Perú de Natal” e “agora só ano que vem” não são engraçadas nem em sua confraternização de família, quanto mais na Terra do 9Gag. Guarde-as para seus tios engraçadinhos.

Mashups, porém, são bem-vindos. Vide os votos atrasados de Feliz Natal com foto do Rubinho Barrichelo que inundaram o Facebook.

 

4) Férias

Se você pretende causar inveja e demonstrar que finalmente sua vida ficou tão divertida quanto a de todas as outras pessoas, compartilhe efusivamente suas férias. Faça check in no aeroporto, suba foto do bilhete de embarque, comente a roupa da aeromoça, poste fotos de todos os cafés e pontos turísticos e não se esqueça de faze queixas blasé, tipo “ah, essa fila da Torre Eiffel é um saco”.

Mas lembre-se que 90% desse conteúdo não terá qualquer relevância ou propósito a não ser garantir que seus conhecidos não esquecerão jamais que você está se divertindo pacas e que eles estarão loucos para suas férias acabarem logo e você parar de perturbar eles com fotos de cafés, comentários sobre aeromoças e queixas blasé.

 

5) Trânsito

Dicas de trânsito são sempre úteis. Mas não adianta ou ajuda muito fazer cobertura em tempo real do engarragamento de véspera de Ano Novo na Ponte Rio-Niterói ou na saída de São Paulo para o litoral. Todo mundo sabe exatamente o que vai acontecer por lá.

Isso posto, Feliz Ano Novo!

Post agora, só ano que vem! (ops, I did it again!)

 

5 comentários »

Internet na TV, cola?

sex, 02/12/11
por Roberto Cassano |
categoria Internet

Em setembro do ano passado, a Wired dedicou uma capa polêmica ao futuro da Web como nós a conhecemos. Com o provocativo título de “A Web morreu” (confira aqui), o texto de Chris Anderson e Michael Wolff analisa as tendências de tráfego de dados para concluir que o reino dos browsers e “www”s está em declínio.

Passado pouco mais de um ano, já podemos ver o quanto a previsão tinha de acertada e de alarmista. Do tráfego brasileiro de dados, segundo dados da Comscore do segundo semestre de 2011, 1% vem de dispositivos móveis – celulares, tablets e smartphones. Parece pouco, e é, mas é um crescimento considerável face aos 0,4% da medição anterior.

Os tablets ainda são um sucesso de vendas e despontam como as vedetes do Natal que se aproxima. Idem para poderosos smartphones e televisores inteligentes.

Em comum aos três está a forma de interagirmos com conteúdo e serviços online. Em todos, a melhor experiência se dá fora dos navegadores, em aplicativos independentes e específicos.

Você não acessa o site da previsão do tempo, mas instala um widget ou aplicativo que traz os dados que você precisa.

A era dos apps – já antecipada pela matéria da Wired -, transfere muito do poder da web para os dispositivos aonde consumimos ou produzimos informação.

Isso muda tudo no jogo de poder, visto que o papel dos buscadores, como Google e Bing, precisa mudar. Já não se busca conteúdo, ele vem até a gente. Também muda tudo no mundo da publicidade. Em 2009, o Google comprou a AdMob, empresa especializada em exibir publicidade dentro de apps em celulares e smartphones. No ano seguinte, com os iAds, a Apple seguiu o mesmo caminho.

Os últimos a entrar nessa briga foram os fabricantes de televisores, em movimento puxado pela sul-coreana Samsung e pelo Google, com sua Google TV.

O Google TV teve recepção fria nos EUA e não chegou a ser testado por aqui. Já Samsung teve melhor sorte com suas Smart TV, que estão entre as soluções mais bem-sucedidas de se levar a experiência “aplicativos + loja virtual de apps” para a TV. Seus aparelhos – mesmo os mais modestos – trazem as principais redes sociais, jogos, sites de vídeo por streaming e até bancos.

Uma coisa é vender os televisores com a promessa de se ter praticamente um computador dentro deles. Outra é fazer as pessoas usarem. Existe um elemento entre um ponto e outro que se chama Cultura, e que jamais deve ser desprezado.

Tablets e smartphones são dispositivos essencialmente pessoais e portáteis. Tiveram sucesso porque permitem que o mundo virtual possa acompanhar nosso ritmo e nos seguir por onde formos. E, já que as redes sociais são complementos digitais de cada um de nós, nada mais natural que esses dispositivos sejam a chave de acesso a estes ambientes.

TVs são completamente diferentes. Para começar, são por natureza coletivas, e não pessoais. A TV é da sala do João, não do João. Ficam em local público e, por definição, sem privacidade. A TV é da família.

Quando o preço de Smart TVs cair o suficiente para termos um aparelho de 20 polegadas em nosso quarto, com acesso a todos esses conteúdos, faz sentido pensar nele como algo mais ligado a nossos perfis, mas nos modelos de 40, 50, 60 polegadas, a coisa não encaixa.

Entra aí o primeiro ponto, que é tentar integrar um dispositivo público com ferramentas que são melhor aproveitadas se personalizados para uma pessoa – não para você, sua prima e seu cunhado.

Depois vem a questão da performance. Com o barateamento das tecnologias de transmissão de conteúdo sem fio, pode ser mais interessante integrar a TV aos smartphones, tablets ou computadores e deixar que eles baixem e processem conteúdo (tornando a TV um mero monitor gigante) do que esperar que o hardware e software do televisor dê conta de tudo. A tendência é que esses outros dispositivos tenham sempre hardware e softwares mais poderosos.

É o que parece ser a abordagem da Apple, onde sua Apple TV – prestes a desembarcar oficialmente no Brasil – tira proveito dos demais dispositivos iOS da casa e do conteúdo nas nuvens do iTunes. E também é a do Google, que trabalha tanto com cenários de aplicativos em Chrome OS (ou seja, HTML) como Android em televisores.

Um terceiro elemento é a usabilidade. Ainda não temos TVs touch screen – pausa para imaginar seus filhos comendo pizza e “clicando” com os dedos em sua TV LED de 52’’-, e os controles remotos são o maior pesadelo de usabilidade dos tempos modernos. Controles com teclado existem no mercado, mas eles me lembram as primeiras e sofríveis iniciativas de “WebTVs”, do final da década de 90. Nesse campo, a promessa é o possível televisor da Apple, ventilado na biografia de Steve Jobs, que poderia vir a ser controlada integralmente por voz, usando a tecnologia SIRI, da Apple.

Fica, por fim, a dúvida sobre qual será o papel dos televisores na “morte da Web”. Conseguirão eles ser mais sedutores que nossos tablets e smartphones? Ou quem corre risco de vida, na verdade, são os canais de TV aberta ou por assinatura, substituídos por aplicativos de streaming como YouTube, Vimeo, Netflix, NetMovies, iTunes etc? Será que as Internet TVs mudarão o jogo ou serão apenas mais um coadjuvante? Onde ficam os consoles de games nesse cenário?

O que vocês acham?

12 comentários »

Chuva na Tailândia prejudica festa do Pedrinho

sex, 18/11/11
por Roberto Cassano |
categoria Mercado

A gente só se dá conta da globalização quando ela dá errado. Foi o que pudemos ver quando uma enchente de grandes proporções na Tailândia alagou casas, escritórios, empresas e as principais fábricas de discos rígidos do planeta.

Com a chuva, provocada pelo período de monções mais intensos dos últimos 50 anos, as exportações de HDs pelo país já caíram mais de 20%. Em diversos mercados pelo mundo, já se sente um encarecimento no custo dos computadores e a alta pode persistir até o segundo semestre de 2012. Segundo Loren Loverde, Vice Presidente da empresa de consultoria IDC, crises no fornecimento de componentes não são novidade para a indústria de fabricação de PCs, mas uma falta de hard disks será um choque, já que a Tailândia responde por quase 45% de todo o mercado, com empresas do porte da Seagate e Western Digital.

Aumento de preço é sempre ruim, claro, mas para nossas necessidades cotidianas, o máximo que pode acontecer é postergarmos um pouco a compra daquele HD externo de 2 TB. Imagine o impacto do encarecimento ou, pior, do total desaparecimento dos HDs para as gigantes da Web, cada vez mais mergulhadas de cabeça na oferta de soluções baseadas em hospedagem de dados e de aplicações online, o cloud computing.

Amazon, Google, Apple, todas apostam nisso, sugando e armazenando milhões de megabytes de fotos, músicas, planilhas, receitas de bolo e vídeos. Sem discos para suprir a insaciável demanda por hospedagem, as gigantes ficariam numa baita encruzilhada, que poderia derrubar suas ações nas bolsas de valores e iniciar uma grave crise de confiança do mercado aos cada vez mais prevalentes modelos baseados na Nuvem. Tudo isso porque outras nuvens carregadas fizeram chover além da conta na Tailândia.

O bad block global ainda não aconteceu, mas a simples possibilidade me fez pensar que não estamos tratando o conteúdo digital com o devido respeito no que tange ao uso racional de recursos. Temos para nós que o espaço na Nuvem é infinito e a cada dia mais barato.

O Chris Anderson, editor executivo da fantástica revista Wired, baseou seu best-seller “A Cauda Longa” em algumas premissas, sendo uma delas justamente a de que o preço do megabyte tende a zero. E zilhões de planos de negócio e palestras repetiram e se basearam nesse conceito. Faltou combinar com os russos, japoneses, chineses, tailandeses e com São Pedro.

“E se estiver tudo errado?” é um péssimo pensamento para se ter quando você está no meio de uma empreitada, como pular de paraquedas, por exemplo, mas é melhor refletir sobre o tema agora do que depois que a História responder por nós. Fato é que essa cultura do megabyte infinito está por toda parte, até mesmo em salões de festas infantis, onde pais babões registram seus pimpolhos em câmeras digitais a 14 megapixels quando 2 megapixels seriam totalmente necessários para dar o devido brilho às fotos tremidas e sem foco de crianças correndo em círculos.

Uma foto de 2 megapixels possui resolução de 1600 x 1200 pontos, o suficiente para imprimir em 10×15 (o tamanho padrão de fotos) e para exibição em telas de alta definição. E tudo isso em 0,9 Mb por foto.

Com 14 megapixels, a mesma imagem teria 4320 x 3240 pontos e ocuparia 2,7 Mb, ou três vezes mais em JPG com 100% de compressão. Dá para imprimir um pôster de 73×55 cm, coisa que nem eu nem você fazemos toda semana.

Esses 2,7 Mb ficam no cartão de memória, no HD do laptop, no HD externo de backup e na Nuvem, no serviço de álbuns online do cidadão, e em seu perfil no Facebook. Em cada um deles, há ainda réplicas de backup. Ou seja, cada foto de seu filho ocupa pelo menos 7 vezes o tamanho do arquivo, isso para ser conservador. Nessa conta, cada foto de seu pimpolho ocupa 19Mb espalhados pelo mundo. Uma festinha básica, com Bob Esponja, bolo e 100 fotos, ocupam 1,9 Gb por aí.

E por mais que os discos sejam cada vez mais potentes e velozes, eles continuam sendo construídos com minérios raros e recursos naturais, demandam energia elétrica e emitem calor (ok, isso algumas tecnologias já superaram).

Sozinhos, os data centers do Google consomem 260 milhões de Watts, mais ou menos um quarto da produção de uma usina nuclear e suficiente para iluminar 200.000 residências e um pouco menos de casas de festas infantis. Essa energia vem do acesso a dados, desde fotos a vídeos do YouTube, passando pela fatia importante consumida por cada busca realizada. Em 2010, o Google emitiu 1,5 milhão de toneladas cúbicas de carbono, isso porque 25% de sua energia já vem de fontes renováveis, como usinas eólicas.

Some a isso o consumo das demais gigantes, das empresas de backup online e etc e temos um lado negro, global e esfumaçado do mundo digital. Em última instância, o mundo pode sobreviver à Guerra Fria e acabar com o excesso de festas infantis e tios com câmeras potentes. Com ou sem chuva na Tailândia.

1 comentário »

Murais: retalhos que não viram colchas

ter, 01/11/11
por Roberto Cassano |
categoria Internet
| tags conteúdo, Facebook

Sempre que algum projeto inovador surge e toma a dianteira do mercado de forma inegável, suas características mais marcantes deixam de ser um retrato do que pensam seus criadores/executivos para ser uma verdade absoluta, um modelo a ser seguido ao pé da letra por quem quiser triunfar no mercado.

Foi assim com o navegador Netscape, com os maiores sucessos da Apple, com o Yahoo!, com o Google e também com o Facebook. E é o mural sua característica mais forte, e a área que ocupa a maior parte da tela e do tempo de quem entra no site. O mural, assim como a timeline do Twitter, é o espaço onde os fragmentos de informação de cada membro da rede social se juntam.

Isso é a magia da rede social e – como o recurso é cada vez mais copiado – das redes sociais em geral. Mas é também seu grande ponto fraco. Ao se reunirem na tela por critérios diversos, como cronológicos, popularidade ou relevância, os fragmentos continuam sendo apenas isso. Pedaços. O mural não é nem uma colcha de retalhos, é uma cesta cheia deles, esperando para serem costurados. Ou não.

Já se falou muito sobre isso, e longe de mim vir aqui atacar de crítico da comunicação digital, mas ao contrário de fóruns, de alguns blogs, das antigas comunidades do Orkut ou outros ambientes digitais que permitem uma troca constante de informações entre um grupo restrito de pessoas, o formato mural não permite que se construa uma ideia sobre pensamentos de outros de forma simples e natural.

É difícil dar sequencia a um pensamento sobre uma ideia postada por alguem quando, segundos depois, você é bombardeado por setas dizendo que  a pessoa acima jamais fez alguma coisa ou um vídeo com uma repórter de TV sendo expulsa do ar por um bando de idiotas.

Ao contrário dos fóruns, dos antigos BBSs ou outros temas onde fugir da pauta era considerado fazer um “off-topic” (literalmente, “fora do tópico”), o mural é essencialmente uma coleção de off-topics.

É claro que muitas coisas bacanas são criadas o tempo todo no Twitter ou no Facebook, mas, especialmente neste último, a mecânica da rede dificulta isso. Como cada vez dedicamos mais tempo a este formato de rede social, que se tornou uma verdade absoluta, o resultado é preocupante para quem defende e acredita que as redes sociais podem ser fundamentais para a consolidação de uma cultura de colaboração, participação e igualdade.

O modelo mural é rico para a disseminação de informações, de bandeiras ideológicas, para convocar adeptos a campanhas, abaixo assinados e ações populares em geral, mas é fraco e inadequado para a construção do conhecimento, autoria coletiva e a construção de fragmentos inacabados de ideias ou conteúdos que em si não tem vida, mas que estão apenas esperando a outra ideia que os completarão em algo inovador.

Mas cada vez mais o Facebook (liderando um batalhão de clones ou outras redes igualmente inovadoras mas que se renderam ao apelo do líder) se vende e é entendido como Uma Rede Para Todos Governar, o que é uma falácia. O Facebook é uma fantástica ferramenta de entretenimento, mas não pode substituir todas as outras ferramentas. Ele pode até se prestar a conteúdos mais aprofundados, mas não é feito para isso. Entretenimento é ótimo, sou, como usuário, apaixonado pelo Facebook, mas diversão não é tudo. A gente também quer comida, arte, fazer amor. Ele é fantástico naquilo a que se destina. O problema somos nós, que teimamos em ver nele a solução para todos os nossos problemas e a cura para a espinhela caída.

O mural é feito para se assistir tentando acompanhar a velocidade das letras, como créditos finais de filmes, só que interessantes e divertidos. Murais são passatempos. Com as mudanças na interface, pode-se apenas sentar em frente à tela e assistir ao vivo à vida e ideias de sua rede de contatos. Como no Twitter. O formato mural permite que sejamos para a internet o que os americanos chamam de couch potato, uma batata de sofá, inerte em frente à tela. Podemos ficar horas consumindo conteúdo e, ao final, não nos lembrarmos de nenhuma informação em especial.

Existe, sim, como criar e consumir conteúdo de forma mais organizada e integrada. As ferramentas para isso estão em todo lugar: hashtags no Twitter, grupos no Facebook e LinkedIn, comunidades no Orkut, fóruns e wikis. O problema é que, para chegar lá, é preciso passar por um buraco negro de tempo e atenção chamado mural. A lâmpada brilhante, divertida e atraente que nós, insetos, aprendemos a amar.

1 comentário »

Empreender é a religião fanática da vez

sex, 28/10/11
por jonnyken |
categoria Empreendedorismo


Será que quando palestro eu viro um pastor empreendedor?

Até hoje não sei se estamos vivendo uma bolha empreendedora ou se eu comecei a acompanhar melhor essa área, mas o fato é que o número de vezes que  me deparei com termos relacionados a empreendedorismo (empreendedor, startup, etc) na internet, tv, mídia impressa e rádio cresceu absurdamente nos últimos meses. Perigoso? Acho que não. O que me assusta realmente são as pessoas que, querendo ou não, acabam atuando como pastores, ao invés de incentivadores.

Quando alguém me pergunta qual a minha religião, sempre respondo “eu não ligo para religião”. Isto é diferente de ser agnóstico ou ateu. No Brasil, existem pessoas que não ligam para o rugby. Eu não ligo para religião. Eu não me importo se existe um ser superior ou não. Assim como há pessoas que não estão nem ai se os All Blacks ganharam a Copa do Mundo de Rugby semana passada.

Entretanto, eu entendo o valor da religião e até agradeço por existir. Muita gente acredita mais na justiça divina do que na justiça dos homens. Levando em consideração o nosso poder judiciário, acredito que se não fosse a religião o Brasil estaria muito pior.

E o que a religião tem a ver com empreendedorismo? A religião em si não tem nada a ver, mas a maneira como alguns tentam “arrebatar novos seguidores”, sim. Toda vez que você lê ou assiste a alguma entrevista com empreendedores, a história é basicamente a mesma: sempre quis ser empreendedor desde criança ou teve uma grande ideia enquanto trabalhava, suou muito a camisa para fazer seu empreendimento dar certo e hoje vive super bem, colhendo os frutos de sua aposta. Legal! Parabéns! Este é REALMENTE um exemplo a ser seguido por pessoas que pretendem empreender.

O problema é que a história é sempre muito empolgante (afinal, a pessoa que conta sempre tem orgulho da sua história de sucesso), levando muitas pessoas a ver negativamente seu momento profissional atual (infeliz com o trabalho ou com a remuneração, chefes exigentes demais, pressão, trabalho desenvolvido pouco acrescenta nada na sua vida) e considerar aquela história de empreendedorismo como uma nova oportunidade de vida. Ver uma pessoa empolgada contando como sua vida mudou da água para o vinho graças ao seu empreendimento é tudo que alguém precisa para falar que é isso o que ela quer para a vida daqui para frente!

Mas até ai, tudo bem! O entrevistado, na grande maioria das vezes, não faz isso por mal. Normalmente, essas histórias realmente dariam um bom livro ou um ótimo filme. A minha crítica é com quem faz isso por acreditar cegamente que uma das (ou “a”) solução do Brasil é o “espírito empreendedor” se espalhar pelo país. Quando vejo alguma palestra ou entrevista desse tipo, sinto-me assistindo a programas religiosos de madrugada, onde o objetivo não é fazer o convertido realizar suas preces, mas sim converter mais e mais pessoas por motivos que realmente desconheço. Por que nessas apresentações só se falam de casos que deram muito certo? Por que só se falam as receitas para atingir o sucesso? Por que nunca se tem o depoimento de alguém que foi enganado por algum sócio ou que por inexperiência acabou assumindo dívidas impagáveis? Por que se é para fazer críticas é sempre para os altos impostos do governo e nunca das burradas que sempre fazemos quando estamos cegos pelas nossas criações? Por que sempre incentivam a começar, mas nunca falam quando é a hora de parar? Ou será que eu não acompanho essa área direito e só vejo o lado ruim das coisas?

Para quem vai empreender, deixo três opiniões. Primeiro: empreender só é legal quando as coisas estão dando certo. Segundo: o fato de só falarem de exemplos positivos não significa que 100% dos casos são positivos. Terceiro: empreenda porque você acha que é a sua vocação, e não porque te convenceram disso.

No mais, se você estiver assistindo a uma apresentação e o palestrante falar “porque no Vale do Silício é assim e assado”, lembre-se de que culturalmente/politicamente/economicamente/fiscalmente Brasil e Estados Unidos são bem diferentes entre si e que se o palestrante não percebeu isso, é porque ele é um pastor empreendedor.

[editado] Bem lembrado pelo tio .faso. Um livro que aborda os lados negativos citados acima é o “O Livro Negro do Empreendedor” do Fernando Trías de Bes (ed. Best Seller). Livro obrigatório antes de tentar se aventurar pelo mundo do empreendimento.

7 comentários »

Acredite no conteúdo, não na biografia

sex, 21/10/11
por jonnyken |
categoria Internet


Quem vê cara, não vê coração, ou quem só vê a qualificação, não vê opinião?

Quando você mostra a alguém como usar email, qual a primeira coisa que você ensina? Não enviar PowerPoint Não repassar corrente Provavelmente diz para a pessoa não acreditar em email de bancos ou qualquer outra mensagem não solicitada. Para a internet eu diria quase a mesma coisa: não acredite em um texto pela qualificação de quem o escreve.

Acredito que todo mundo (inclusive eu) já deu uma aumentada no currículo ou até soltou uma mentirazinha em uma entrevista de emprego. Muito provavelmente porque nós temos a ilusão de que a qualificação é totalmente ligada à qualidade de trabalho que iremos desempenhar. Parecer ser o que não é pode nos dar status temporário, mas é inevitável que alguém acabe tendo problemas depois de algum tempo.

Entretanto, a internet é um território sem lei. Muitas pessoas escrevem o que querem ou falam o que acham que são (ou gostariam de ser). Basta navegar um pouco para encontrar no Linkedin diversos CEOs de empresas que sequer existem ou vários “experts” com “anos no mercado” escrevendo sobre os mais variados assuntos. Infelizmente, é extremamente complicado provar o contrário, pois as pessoas que gostam do escritor(a) preferem não prejudicar a imagem fictícia, enquanto pessoas que descobrem a verdade na grande maioria das vezes preferem não ficar causando barraco na internet por isso.

Então, se a internet possui muito conteúdo criado por pessoas que criam qualificações fantasiosas, quer dizer que estamos consumindo material de segunda linha? Incrivelmente, a resposta é não. Tudo depende da maneira que você consume o conteúdo.

Na educação, as pessoas são classificadas em 3 níveis: analfabetas (aquelas que não sabem ler), analfabetas funcionais (conseguem ler, porém não sabem interpretar o conteúdo) e as alfabetizadas plenas (conseguem ler o texto e entendê-lo). Porém, o mais importante não é saber somente interpretar o texto, e sim pegar as idéias, confrontá-las com seu conhecimento e ver se aquilo realmente faz sentido e pode ser utilizado ou não no seu cotidiano. E isso vale não somente para conteúdo na internet. Vale quando você assiste a um telejornal, ouve um editorial de rádio ou lê uma coluna no jornal. Afinal, quantas vezes você já não viu um âncora da TV falar que fulano é culpado sem existir prova alguma contra ele? Ele acha realmente isso? Pode até achar, mas se ele falar que a pessoa é inocente a audiência cai.

Na internet, já vi opiniões completamente absurdas de pessoas comprovadamente gabaritadas na área ou pensamentos geniais de pessoas que para mim se encaixam na lista “sei a verdade, mas prefiro não criar barraco”. Se considerasse somente as qualificações das pessoas para acreditar nas coisas, talvez teria uma opinião completamente deturpada. Deixaria de lado opiniões geniais dadas por pessoas irrelevantes no meio e também tomaria como verdade opiniões equivocadas (no meu ponto de vista, claro) de experts.

Assim, algumas pessoas podem se perguntar “mas como vou saber se aquela opinião é válida?”. Ai que está o ponto chave: somente com bom senso e experiência. Bom senso significa ler, lançar mão de todo seu conhecimento e experiência, extrapolar para o assunto abordado (caso não seja um assunto da sua área) e, por fim, analisar se para você aquela opinião é válida. Caso seja, ótimo. Você ganhou mais pontos em conhecimento. Caso não seja, vale a discussão. Pode ser que seu conhecimento e sua experiência não sejam suficientes para formar uma opinião completa sobre o assunto. Neste caso, o debate de idéias só tem a acrescentar!

Minha dica é: consuma o máximo de conteúdo que puder, encontre sempre o lado positivo das coisas, não aceite as coisas de primeira e saiba questionar tudo e todos. Inclusive esse texto (olha que método bom para conseguir comentários, hein?)

2 comentários »

Rio de Janeiro e a Matrix

qui, 06/10/11
por Roberto Cassano |
categoria Internet
| tags metadados, rio de janeiro

Parece ser inevitável falar sobre Steve Jobs nesses dias que se sucedem à sua partida da Terra. Então recorro a ele para iniciar esse post, pinçando um dos vários conceitos que ele apresenta em sua clássica e popular palestra aos formandos de Stanford, hit do YouTube.

Na fala, de 14 minutos, mais ou menos, ele basicamente fala sobre a importância de se saber ligar os pontos, de se cruzar experiências, saberes e aprendizados que, a princípio não precisam ter qualquer sentido ou finalidade em si, quanto mais serem pensados como algo integrado, único.

Ligar os pontos é saber pegar dados diversos e unir numa ideia, numa informação, numa estratégia. Uso esse gancho para amarrar alguns de meus últimos posts por aqui, do que fala do próprio Jobs ao que se refere à magia dos metadados e cruzamentos de informações e aos que fazem alusão à Gambiarra como fonte de inovação.

No fundo, todos eles falam sobre uma única coisa: a vontade de fazer melhor, diferente, bem-feito, pra valer. E de se fazer isso sem seguir uma cartilha, mas juntando cacos e pedaços do que se vê pelo mundo.

Se humanos como eu, você e Jobs podemos fazer isso, o que dizer de computadores, de sistemas cuja única e fascinante função seja misturar freneticamente dados? É o que poderemos testemunhar muito em breve e na prática no Rio de Janeiro.

A Prefeitura da cidade anunciou ontem (5/10) o projeto Rio Apps (http://rioapps.com.br/), que nasce com um concurso que premiará com quantias em dinheiro (simbólicas, a meu ver) as melhores ideias de aplicativos (web, redes sociais, smartphones, tablets etc) para melhorar a vida de cariocas e turistas. Embora a ação seja extremamente interessante em si, é um pedaço dela que é o mais bacana: a partir de dezembro, todos os bancos de dados da cidade estarão públicos, disponíveis para consulta e para serem utilizados como base para a construção de aplicações as mais diversas.

É o cidadão com acesso direto à matrix municipal, podendo ligar os pontos que quiser – e construir a inovação que bem entender com isso. Eu fico muito feliz, pois esse tipo de abordagem traz para a internet o que acredito que deva ser o modelo democrático: sai o Estado paternalista e entra o Estado facilitador. “Juntei todas as informações para você. Agora se vira para ver o que vai fazer com elas.”

Não sei quais dados exatamente estarão disponíveis para gambiarras digitais, mas o potencial é incrível, uma vez que nos últimos anos foram investidos milhões de reais na construção de centros de controle que coletam e congregam terabytes diários de informações as mais diversas – clima, trânsito, segurança – fora os dados estáticos: escolas, órgãos públicos, áreas de risco, vias expressas etc.

Vejo aplicações acadêmicas surgindo, sem muito uso prático mas intelectualmente inspiradoras, aplicações comerciais com escopo bastante definido e as mais interessantes: aplicações completamente surtadas, feitas por programadores sagazes em seus horários de folga, que façam o mashup dos dados da cidade com outras fontes. A vocês, programadores, faço um pedido: surpreendam-me.

1 comentário »

Se isso, então aquilo – gênios, startups e otimismo

qui, 15/09/11
por Roberto Cassano |
categoria Empreendedorismo
| tags ifttt.com, social media week

Há algumas semanas falei sobre o poder adormecido que a Internet tem de juntar tudo o que sabe e transformar em inteligência e ação automatizada. Dias depois começou a se espalhar pela web o espanto e admiração sobre uma nova ferramenta, de uma startup de São Francisco, o www.ifttt.com . O endereço esquisito é a abreviação de “If This, Then That”, ou, em bom português, “Se Isso, Então Aquilo”.

A ideia é simples e fantástica. Ou simplesmente fantástica. Você autoriza o acesso da ferramenta a praticamente todas as suas contas em outros serviços digitais (e-mail, Facebook, Twitter etc) e ele junta tudo em ações automatizadas.

Por exemplo, você pode instruir o serviço a pegar todas as fotos que você tira com o Instagram e, automaticamente, subir para seu álbum no Facebook ou no Picasa. Ou para que ele crie um compromisso no Google Agenda falando para você pegar o guarda-chuva sempre que a meteorologia anunciar chuva para o dia seguinte.

Sério. É isso mesmo. As combinações são infinitas e, o mais legal, você pode compartilhar com os demais as gambiarras que criar com o serviço. Dá para fazer um backup automático de seu Twitter ou Facebook. Ou fazer um download de todas as fotos em que você for marcado no Facebook para sua conta no Dropbox. É assustadoramente incrível.

É claro que esse tipo de novidade traz suas dúvidas. A primeira é nossa disposição em conceder acesso de nossos dados a serviços que, por mais que pareçam simpáticos e amigáveis, são de origem desconhecida. Ao plugarmos toda nossa vida online no Ifttt, estamos dando a eles acesso a ler e alterar todas as nossas fotos, mensagens, status em redes sociais e arquivos armazenados no Dropbox. Requer um mínimo de coragem ou desprendimento.

Ok, mas e o dinheiro?

Outra dúvida, também inevitável, é deixar de lado a visão geek e pensar como negócios. Não parece claro, a princípio, qual o modelo de negócios do Ifttt. Traduzindo: não é claro como os donos do serviço vão conseguir ganhar algum dindin com ele. Uma tática possível é a de nos tornar tão dependentes do serviço que teremos que desembolsar algum para continuar a usá-lo no futuro. Os Termos de Uso da ferramenta, aquele monte de texto que ninguém lê, deixa essa possibilidade aberta, de forma bastante direta: “O Ifttt se reserva o direito de cobrar no futuro taxas pelo uso ou acesso ao site e/ou serviço”. O Last.fm, pioneiro no ramo das rádios online, fez isso e perdeu boa parte de seus milhões de ouvintes para concorrentes que permaneceram gratuitos.

Outra opção é criar uma base de usuários grande o suficiente para atrair o olhar de grandes tubarões, como o Google. Muito do que se vê e usa do mundo Google foi comprado de pequenas startups como essa, que tinham belos produtos que sozinhos não fariam receita, mas que geram valor dentro do ecossistema da gigante colorida.

É bacana quando se consegue apoio para investir numa ideia sem a pressão pelo retorno imediato. A figura dos “anjos”, investidores pessoa-física que apóiam empresas iniciantes, ou das incubadoras são fundamentais para isso. Pois qualquer iniciativa, por menor que seja, tem custos fixos. O Ifttt terá um custo considerável de servidores e conexão à internet, e sua equipe precisa pagar o aluguel, comida e os jogos de Xbox e PS3. Felizmente esse modelo de negócios vem ganhando força no Brasil, com agências e empresas de médio porte incubando pequenos negócios – vejo isso com muita força no cenário Web – e com incubadoras profissionais tendo cada vez mais recursos para investir. A começar pelas acadêmicas e passando pelas ligadas as instituições governamentais ou sindicatos patronais.

Gênios com grandes ideias precisam de caretas com dinheiro no bolso para fazer seus sonhos decolarem. E ambos precisam de usuários que embarquem e propaguem suas novas maravilhas. Escolha seu papel nessa roda e mova esse traseiro gordo, tem um futuro todo esperando para ser desenhado. Se isso, então aquilo.

P.S. Se você se interessa por empreendedorismo, tecnologia, internet, redes sociais e o mundo digital, não perca o Social Media Week, evento mundial que, no Brasil, rolará no Rio de Janeiro e em São Paulo, de 19 a 23 de setembro. Terei a honra de participar de alguns painéis, entre feras de diversas escolas, origens, visões e profissões. Saiba mais aqui: http://socialmediaweek.org/

sem comentário »

« posts anteriores
  • Jonny Ken

    Jonny Ken é o criador do Migre.me, um dos encurtadores de URL mais usados do Brasil e de outras ferramentas na internet como o Kindim ou o Podpods. Também já escreveu em vários blogs corporativos. Atualmente é autor do blog Infopod e do Podcast Decodificando.

    Roberto Cassano

    Roberto Cassano é formado em Jornalismo, com MBA em Marketing. Atua em Publicidade desde 2001 e em Mídia On-line desde 1996. Participou dos movimentos iniciais do primeiro jornal brasileiro na internet, o JB On-Line, e das pioneiras revistas "internet.br" e "Internet Business". Foi executivo do portal de tecnologia Canal Web e diretor de Mídias Digitais na Seluloid. É diretor de Criação e Estratégia da Agência Frog, com ênfase em mídias sociais.

  • Últimos posts

    • Muito ajuda quem não atrapalha
    • Delícia, delícia, assim você me mata… Um texto sobre você sabe o quê
    • Guia prático de etiqueta virtual (ou quase) para as Festas
    • Internet na TV, cola?
    • Chuva na Tailândia prejudica festa do Pedrinho
  • Categorias

    • Comportamento (9)
    • Empreendedorismo (8)
    • Facebook (5)
    • Foursquare (2)
    • Google (1)
    • Internet (16)
    • Mercado (1)
    • Orkut (2)
    • Podcast (1)
    • Segurança (2)
    • Twitter (6)
  • Mais colunas

    • Baixatudo
    • Blogs
    • Fotografia
    • Gadgets
    • Google
    • Hardware
    • Jogos
    • Linux
    • Mac
    • Microsoft
    • Mobile
    • Negócios