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Aposentadoria Gamer: Arcade

dom, 29/01/12
por Ricardo Farah |
categoria Aposentadoria Gamer, Jogos
| tags game over, Pra sempre, Vida Gamer

Ah, os jogos de fliperama. Bons tempos foram os anos 1990 no Brasil nos quais em praticamente qualquer esquina se encontrava uma máquina com um Street Fighter ou Space Invaders perdido. A história dos Arcades é curiosa, porque ela teve uma passagem consideravelmente curta no ocidente, mas ao mesmo tempo ainda faz parte da cultura no oriente. Só quem viveu essa época sabe o quão divertido era jogar um game em uma máquina de rua.

Começando pela experiência coletiva, afinal, essa foi a primeira oportunidade que tivemos de jogar games para mais jogadores simultâneos sem que estivéssemos em nossos lares – o que nos trouxe os primeiros “oponentes desconhecidos”, como aquele novo morador do bairro que sabia jogar Tekken melhor do que qualquer um.

A “enxuta” história dos Arcades pelo mundo
Talvez muita gente não lembre, mas a origem dos Arcades foi fundamental para a origem dos videogames caseiros e de toda a evolução da história dos jogos eletrônicos. Isso porque lá no início dos anos 1920, as “máquinas de jogos” conhecidas eram aquelas clássicas e mecânicas que haviam nos parques de diversões, como jogos de atirar bolas ou tiro ao alvo.

Porém, foi lá no Japão, em 1966 que uma empresa chamada SEGA (ela mesma), criou o Periscope, a primeira máquina de jogos controlada por mecanismos eletrônicos. Deste período até o início da década de 1970, empresas como Taito e Nintendo invadiram o mercado de entretenimento no mundo todo com máquinas cada vez mais complexas para jogos que simulavam experiência como tiro e corrida, época na qual os Pinballs eletrônicos também se popularizaram (ainda que os Pinballs tenham surgido no século XVII, caso você não saiba).

Em meados de 1972 começaram a surgir os primeiros fliperamas eletrônicos, com a popularização de Pong no ocidente e, a explosão da tecnologia no Japão com Space Invaders, Galaxian, Pac-Man e Donkey Kong, este último criado no Japão mas lançado inicialmente nos EUA em uma tentativa (de sucesso) da Nintendo de sobreviver ao mercado ocidental. O “boom” dos fliperamas foi sem precedentes, mas esfriou em meados da década de 1980 graças ao surgimento dos primeiros videogames caseiros, como Atari, NES/Famicom e Master System.

O mercado de jogos de rua ressurgir mesmo no início dos anos 1990, com os primeiros Arcades e seus jogos de luta para até dois jogadores. Foi graças a Street Fighter, Mortal Kombat e muitos outros, que iniciou-se uma nova febre nos fliperamas no mundo todo (inclusive no Brasil, que contava com representação comercial de gigantes como Capcom e SNK na época). Anos mais tarde, o mercado de Arcades foi ultrapassado pelos jogos para computador (que ganhavam suas primeiras placas aceleradoras 3D) e videogames, de forma que sua popularização só continuou graças a experiências de jogos que só eram possíveis em ambientes como os que tinham os fliperamas, como os jogos de tiro e corrida.

Justamente por esse motivo que no ocidente, culturalmente acabamos nos moldando para as experiências cada vez mais realistas em jogos (algo que só os consoles e PCs mais modernos fazem hoje). No Brasil, os fliperamas perderam o espaço no mercado também por conta dos altos impostos (sempre eles).

Já, no Japão, os Arcades evoluíram da mesma forma que os consoles de mesa e os computadores. Até hoje, você encontra não apenas os fliperamas clássicos e Pinballs modernos em praticamente todos os bairros de Tokyo e outras grandes metrópoles do país, mas também máquinas que só se popularizaram por lá, como os Pachinkos (parecidos com Pinballs verticais, mas sem as alavancas e com o objetivo de posicionar o maior número de bolinhas em pontos específicos da máquina a fim de ganhar prêmios dos mais variados), os jogos de esporte e aposta (como Gallop Racer), os Purikuras (para fotografia entre amigos) e os musicais, como Drum Mania e Taiko no Tatsujin.

O vídeo abaixo mostra o quanto os Arcades ainda são popular no Japão. Mas, se você quiser mesmo saber a história e as várias vertentes dos jogos de rua no oriente, recomendo a leitura do livro “Arcade Mania”, escrito pelo jornalista Brian Ashcraft do Kotaku.

Street Fighter II
O melhor jogo de luta da história? Nem de longe. Street Fighter II foi na verdade o primeiro jogo de luta empolgante e competitivo dos Arcades. Graças a ele que muitos outros games surgiram, justamente por ele quebrar uma série de barreiras até então não imaginadas.

A começar pelo estilo de jogo: dois jogadores, um contra o outro, escolhendo seu personagem com estilo de combate único e, uma única magia secreta, realizada graças a uma sequência específica de movimentação dos controles e de um dos botões de ataque. Entre Hadoukens e “Facões”, Street Fighter II fez a história da Capcom nos fliperamas mudar completamente. Os jogos que surgiram depois dele perderam o preconceito da “pancadaria exacerbada”. Mais do que isso, o game de luta mais famoso dos Arcades soube envelhecer com o tempo – até hoje a diversão é garantida com ele.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time
As Tartarugas Ninja foram, possivelmente, meus primeiros grandes heróis da infância. Lembro de assistir todos os dias o desenho animado e, praticamente toda semana rever um dos três primeiros filmes da série. Agora, mais do que isso, só mesmo os games da série que me conquistaram de verdade – a grande maioria no estilo Beat ‘em Up.

Turtles in Time também foi lançado para SNES (e eu o joguei incontáveis vezes, acredite). Mas sua contraparte nos Arcades era ainda mais impressionante. A qualidade (e quantidade) dos sprites na tela, a trilha sonora melhor trabalhada e, a lendária máquina para até quatro jogadores simultâneos foram motivos suficientes para eu investir muitas fichas por muito tempo.

Final Fight
Guy, Cody e Haggar só foram me conquistar mesmo anos mais tarde que a febre Final Fight já havia esfriado. Isso porque tinha um pensamento claro de que se eu quisesse curtir um Beat ‘em Up com personagens humanos e clima de rua, minha escolha sempre pendia para a série Streets of Rage no Mega Drive. Nos Arcades, por ter que pagar para jogá-los, eu acabava escolhendo games do gênero os quais o tema era completamente surreal (como o TMNT acima).

Mesmo assim Final Fight ganhou meu respeito e admiração. O game é simples e ao mesmo tempo criativo. Os inimigos são muitos e os chefes sempre empolgam. Mais do que isso, o Beat ‘em Up da Capcom passava uma imersão única justamente pelo tamanho exagerado dos personagens e cenário, algo que nos Arcades fazia toda diferença.

TOP 10 – Diversão sem compromisso

Não foi difícil escolher meus dez games favoritos nos Arcades. Isso porque eu segui um padrão de estilo de jogo limitando-o a dois fatores simples: games que foram lançados no Brasil (e que eu joguei de verdade nos fliperamas) e jogos os quais dependiam unicamente da clássica combinação de alavanca e botões de ação – apenas um dos dez games fugiu dessa regra. Veja minha lista de favoritos e entenda meus motivos:

1. Street Fighter II
2. TMNT: Turtles in Time
3. Final Fight
4. Alien vs Predator
5. The Simpsons
6. X-Men vs Street Fighter
7. The King of Fighters `98
8. Cruis’n USA
9. Golden Axe
10. Killer Instinct

Nove dos dez games são do gênero luta (claro que cada qual no seu estilo). Indo diretamente ao quarto da lista, Alien vs Predator é até hoje o melhor game que um fã dos filmes vai jogar. O Beat ‘em Up da Capcom que nunca foi lançado para outra plataforma trazia a opção de jogar com humanos ou Predadores contra Aliens no melhor estilo frenético. O mesmo pode ser dito de The Simpsons, que apesar de mostrar um lado mais agressivo dos personagens do desenho, trazia uma das melhores experiências cooperativas em um fliperama (ainda mais para as máquinas que traziam quatro controles).

X-Men vs Street Fighter foi meu sonho de infância sendo realizado. Meus heróis dos quadrinhos favoritos enfrentando os lutadores mais famosos dos games. Simples assim; The King of Fighters 98 era um daqueles games que você só podia jogar se gostava dos clássicos da SNK ou não ligava de “apanhar” do vizinho do bairro toda hora no game; Golden Axe e Killer Instinct seguem o mesmo preceito de TMNT: são ótimos games nos consoles, mas suas versões para Arcade são ainda mais impressionantes.

Por fim, Cruis’n USA é solitário no seu gênero e formato de fliperama. Incluo ele entre os dez mais pela forma como ele popularizou os jogos de corrida em Arcades no mundo todo, mas principalmente os fliperamas no Brasil. Até hoje, se você encontrar algum lugar com Arcades na sua cidade, tenha certeza que haverá uma máquina de Cruis’n USA para ser jogado. Ele é o Counter-Strike dos fliperamas no Brasil e merece todos os créditos por isso.

O que ficou faltando na lista? Muito game bom, acredite. Seguindo as regras que eu me impus, relembro jogos como Pit-Fighter, Mortal Kombat, Dungeon’s and Dragons, Moonwalker, Metal Slug (qualquer um), qualquer crossover da Capcom com a Marvel, Virtua Fighter, Tekken e muitos outros que eu tenho certeza que você deve lembrar.

Mas existem uma infinidade de jogos que buscam uma experiência singular nos Arcades que eu deixei de fora justamente pela dificuldade que terei de jogá-los na sonhada “Aposentadoria Gamer”. Seguindo a mesma rota de Cruis’n USA, não tem como deixar de lembrar de Daytona USA, SEGA Rally Championship ou até 18 Wheeler: American Pro Trucker. E os games de tiro? Nossa, quanto joguei Time Crisis, The House of Dead e Silent Scope. Sem falar nos jogos musicais, com Dance Dance Revolution no topo da lista sempre.

Onde jogar os clássicos de Arcade hoje
Se estamos falando unicamente de jogos que não dependem de outro tipo de controle (como tapetes e pistolas), praticamente todos os melhores games de Arcade podem ser jogados através de emulação. Pois é, pela primeira vez na minha coluna estou assumindo o valor da emulação de jogos. Afinal, como jogar tanto game de fliperama hoje em dia?

Ainda assim, devo lembrá-lo que a grande maioria dos clássicos também ganharam seus remakes imperdíveis. Os três primeiros games da minha lista, por exemplo, ganharam versões em HD ou totalmente 3D (no caso de TMNT) para as redes online Xbox Live e PlayStation Network. Portanto recomendo que você procure o remake do seu game favorito antes de jogá-lo em um emulador qualquer.

….

E aí, o que achou deste especial dos Arcades? Quais foram os games que você jogou que gostaria de ter na sua casa, ocupando a sala de estar da sua mãe com uma linda máquina de fliperama? E qual é a sua história com os “jogos de rua”? Conte para nós.

A “Aposentadoria Gamer” como eu a planejei está chegando ao fim, amigo. Na próxima semana, fecharei este mega-especial de consoles com uma plataforma que ainda é comercializada no mercado, mas que já está praticamente aposentada: o PSP da Sony. Julgo que esta será a melhor oportunidade para, iniciar uma nova sequência de especiais por aqui e, ao mesmo tempo, relembrar o quanto o primeiro portátil da Sony foi determinante para que o PSVita chegasse a esse nível de design e experiência (prestes a iniciar no final de fevereiro, com seu lançamento no ocidente).

Portanto, enquanto a próxima semana não chega, aproveite para relembrar todas as demais plataformas que passaram por aqui:

Atari 2600
NES
Master System
Neo Geo / Neo Geo CD
Super Nintendo
Mega Drive
Game Boy / Game Boy Color
3DO
Jaguar / Jaguar CD
Nintendo 64
PlayStation
SEGA Saturn
Game Boy Advance
Dreamcast
GameCube
Xbox
PlayStation 2
PC (1980-1999)
PC (2000-2010)

41 comentários »

Uma reunião com o Sr. Thompson (Parte 2)

sex, 27/01/12
por Affonso Solano |
categoria Jogos, Mundinho
| tags Mundinho, Sr Thompson

(Para ler a primeira parte, clique AQUI.)

…

- Entre!

- Com licença, Sr. Thomp…

- Jesus, até que enfim, garoto! Entre logo, venha até aqui… Olhe, eu não tenho mais como velejar na internet neste computador, não sei o que diabos aconteceu.

- “Velejar”, senhor..?

- Não é assim que vocês jovens falam? Aqui, onde está o maldito ícone azul da Internet? Eu só vejo essa raposa laranja e essa bolota colorida aqui…

- Bom, Sr., eles sã -

- Jesus, não me interessa o que eles são, se estava funcionando com o outro por que diabos o tiraram daqui? Vocês garotos estão sofrendo lavagem cerebral, isso sim! Andando por aí com esses computadores japoneses cheios de maçãs e enfraquecendo nossa economia!

- Japoneses, senhor?

- Esqueça, menino, você é muito novo para entender… Só me coloque o ícone azul da internet de volta, eu não tenho todo o tempo do mundo. Ainda tenho uma reunião com aquele rapaz meio lento do desenvolvimento daqui há pouco.

- Ãhn, sim, Sr. Thompson… a reunião é comigo.

- Com você?

- Eu sou o David, senhor, o… designer de jogos que o senhor conversou no início da semana, lembra?

- Tem certeza?

- T-tenho, senhor.

- Jesus, Maria e José, achei que você fosse o menino do computador! Você cortou o cabelo ou algo assim?

- Acho que não, senhor.

- Você não tinha um daqueles cabelos cheios de gel caídos pra o lado assim, como um daqueles frescos do terceiro andar?

- Ãhn… Não, senhor. Talvez eu tenha mudado a camisa, mas…

- Ok, ok, esqueça o que eu falei… Da última vez que me referi a um de vocês assim o departamento legal pegou no meu pé. Vamos ao que interessa; você fez a lista?

- Sim senhor, aqui está.

- Ótimo, deixe-me dar uma olhada…

__________________________

 

Projeto “Jogo Natalino X” (requerimento pessoal do Sr. Thompson)

Data de lançamento: 25 de Dezembro (prazo estabelecido pelo Sr. Thompson)

Designer responsável: David W.

__________________________

- Proposta #001 -

Nomes sugeridos: “DURO DE NATAL” ou “HOHOHO, NOW I HAVE A MACHINEGUN”

Gênero: FPS (tiro em primeira pessoa)

Conceito: Faltando apenas uma semana para o Natal, a fábrica de brinquedos de Papai Noel é invadida no meio da madrugada por centenas de robôs fortemente armados, que fazem os duendes, Noel e sua esposa de reféns. Buddy – um dos duendes do setor 5 – consegue roubar a metralhadora NERF de um dos robôs e se esconder no duto de ventilação.

Quem será o responsável pela invasão? Conseguirá Buddy salvar o Natal?

Marketing: “Ele está sozinho, cansado e sem sapatos pontudos… mas é a última chance que eles têm.”

____________________________

- Proposta #002 -

Nomes sugeridos: “GOD OF LOVE” ou “THE SON OF MAN”

Gênero: Ação

Conceito: O dia 25 de Dezembro de 2012 chega, e com ele uma traição: Lúcifer quebra o acordo com o Céu e invade a Terra com seu exército de demônios antes do Apocalipse. Despreparado, Deus envia seu único filho como a última esperança da humanidade… pela segunda vez!

Jogue como o Filho de Deus em 12 fases repletas de ação, utilizando mais de 80 golpes (incluindo o poderoso “Tapa de Jesus”) e 20 armas diferentes contra os inimigos do Senhor!

Marketing: “Desta vez ele não vai oferecer a outra face.”


____________________________

- Proposta #003 -

Nomes sugeridos: “THE LEGEND OF NATHAL” ou “LORD OF THE GORROS”

Gênero: RPG (Role Playing Game)

Conceito: No fantástico mundo de NATHAL, Alcott é um jovem duende criador de renas que vive em paz em seu condado. Certo dia, Crumpet (seu velho amigo feiticeiro) lhe paga uma visita alertando que Grinch, o Senhor das Trevas, ressurgiu com seu exército de bonecos de neve, vasculhando o mundo em busca de seu artefato perdido: o lendário Gorro de Noell, que estava de posse… do falecido tio de Alcott!

Embarque em uma aventura épica pelo mundo medieval de Nathal, na tentativa de destruir o Gorro de Noell e ajudar Alcott a descobrir que até a menor das criaturas pode fazer a diferença!

Marketing: “Um Gorro para todos governar, um Gorro para encontrá-los… Um Gorro para todos trazer e na escuridão aprisioná-los.”

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- Proposta #004 -

Nomes sugeridos: “JERUSALEM VILLE” ou “JERUSALEM CROPS”

Gênero: Social Network Game

Conceito: Crie e administre sua própria fazenda de cabras utilizando sua rede social favorita, enquanto aguarda o nascimento do menino Jesus. Convide seus amigos para se tornarem seus vizinhos e escolha três deles para interpretar os Reis Magos!

Marketing: “Cuidado com os soldados do Rei Herodes!”

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- Proposta #005 -

Nomes sugeridos: “CHRISTMAS FIGHTER” ou “SUPER JIMMY BRAWL”

Gênero: Luta

Conceito: Durante a ceia de Natal, o adolescente Jimmy conta para sua irmã de sete anos que Papai Noel não existe, causando uma discussão em família. Anton, o Cunhado Judeu, aproveita a confusão para questionar o papel de Jesus, apenas para enfurecer Otto, o tio embriagado.

Escolha seu personagem e lute para descobrir qual o verdadeiro sentido do Natal!

(Personagens jogáveis: Jimmy, Jesus, Papai Noel, Rudolph: a Rena do Nariz Vermelho, Belchior, Baltasar, Gaspar, Anton: o Cunhado Judeu, Otto: o Tio Embriagado)

Marketing: “Neste Natal só uma verdade sairá vitoriosa!”

 

- Affonso Solano adora o Natal

53 comentários »

Aposentadoria Gamer: PC (2000-2010)

dom, 22/01/12
por Ricardo Farah |
categoria Aposentadoria Gamer, Jogos
| tags game over, Pra sempre, Vida Gamer

Cá estamos para fechar com chave de ouro a história dos games no PC. Na semana passada, relembrei os games que fizeram a história dos computadores entre os anos 1980 e 1999. Desta vez a lista inclui os 11 anos seguintes, época na qual vislumbramos a mais rápida evolução da tecnologia.

Entre 2000 e 2010 os games para PC deram um verdadeiro salto quântico em sua qualidade visual. Em onze anos, tudo evoluiu nos computadores. Os HDs ficaram maiores, as memórias se tornaram mais poderosas, as placas de som ganharam a qualidade de reproduzir som com qualidade de cinema. Mas nada disso seria útil se não fosse a evolução das placas de vídeo, que passaram a trabalhar em função dos processadores principais.

Tamanha evolução nos PCs significa também que mudamos a forma como curtir essa experiência. O que antes seria a plataforma perfeita apenas para FPS, RTS e Adventures, tornou-se a plataforma mais versátil e poderosa do mercado. Graças aos PCs que os jogos multiplayer em rede se tornaram um sucesso. Graças aos PCs que a indústria viu um futuro promissor nos games com suporte a jogatina online. Graças ao PC (ok, e um pouco também ao primeiro Xbox) que o mercado de distribuição de jogos digitalmente provou ser o futuro da indústria, com o Steam comandando essa nau.

Por esse mesmo motivo que escolher apenas dez entre os incontáveis jogos lançados neste período foi um desafio sem precedentes. Mas eu fiz o possível. Acompanhe:

TOP 3 – Todo PC precisa de um bom FPS

The Orange Box (2007)
Pode parecer “trapaça” escolher The Orange Box como o melhor lançamento de PC da primeira década deste século. Afinal, estamos falando de uma compilação de cinco jogos e não apenas um. Mas, tem como deixar de incluir em um TOP de PC um destes cinco games presentes nesta compilação?

Pois é, Half-Life 2, suas continuações Episode One e Episode Two, o genial puzzle Portal e o multiplayer divertidíssimo Team Fortress 2 (baseado em um mod de Quake) são jogos praticamente obrigatórios para qualquer lista de jogos de PC. Só por Half-Life 2 e suas continuações o pacote já vale a pena. Porém, a grande surpresa mesmo ficou para Portal, game que teve seu conceito criado por estudantes da Digipen (uma das maiores escolas de desenvolvimento de games nos EUA), que foram convidados a trabalhar na Valve para dar vida ao jogo que conhecemos.

De Gordon Freeman a GlaDos, aos times Red e Blue de Team Fortress 2, The Orange Box para a nossa sorte é, sim, uma das compilações mais competentes do mundo dos games.

Fallout 3 (2009)
O RPG pós-apocalíptico da Bethesda também não poderia ficar de fora deste TOP 10 de PC. Mais do que isso, Fallout 3 está entre meus três favoritos por ser um dos primeiros RPGs ocidentais que realmente não usou artifício algum dos RPGs orientais. Em outras palavras, Fallout 3 transborda todo clima sombrio e desafiador que a série sempre teve, revitalizado pelo visual em terceira (ou primeira) pessoa mas, sem deixar de lado todo um sistema de jogabilidade complexo e ao mesmo tempo intuitivo.

Fallout 3 possui uma história densa o suficiente para nos prender por meses, mergulhando na entranhas de um futuro nada impossível de se acontecer na realidade (dadas suas devidas proporções, é claro). Some isso ao genial sistema de personalização de personagens e aos NPCs que realmente têm um papel no mundo do jogo e você tem aqui um dos melhores games dessa década.

Crysis (2007)
Muito mais do que um medidor Benchmarks de PCs, Crysis é o resultado perfeito de uma das engines mais bem acabadas do mercado, a CryEngine2 criada pela alemã Crytek e que também deu vida a Far Cry em sua primeira versão. O game tinha tudo para ser apenas “mais um FPS futurista”, mas desbancou qualquer concorrente da época e fez muito tecnófilo descobrir que tinha um PC completamente desatualizado para o mercado de games.

Mas não foram apenas os seus mais de um milhão de linhas de código em sua programação, mais de 1 GB de texturas e mais de 85 mil shaders que fizeram com que Crysis fosse um sucesso. Estamos falando de um FPS com história complexa (e completa), com um modo campanha pra lá de desafiador, atrelado a um incrível modo multiplayer para até 32 jogadores.

TOP 10 – Para todos os gostos

Pois é, eu acreditava que não seria tão desafiador escolher meus dez games favoritos de PC lançados entre 2000 e 2010. Isso porque como eu disse na coluna anterior, eu só consegui acompanhar os lançamentos dessa década com um certo atraso ou graças ao meu trabalho, que me permitiu sempre ficar próximo das novidades. Mas eu estava enganado. Esta foi, seguramente, a melhor fase dos PCs para games e minha humilde lista de favoritos já é uma boa resposta. Veja só:

1. The Orange Box (2007)
2. Fallout 3 (2009)
3. Crysis (2007)
4. Age of Empires III (2005)
5. Unreal Tournament 2004 (2004)
6. The Elder Scrolls IV: Oblivion (2006)
7. Starcraft II: Wings of Liberty (2010)
8. Grand Theft Auto IV (2008)
9. Diablo II (2000)
10. The Sims 2 (2004)

Viu só quanto game bom ficou de fora? Clássicos exclusivos como Spore, Neverwinter Nights 2 e Civilization IV, infelizmente não figuram minha lista, assim como ícones multiplataforma como Doom 3, Fable: The Lost Chapters, Left 4 Dead, Gears of War, Halo 1 e 2, Mass Effect… caramba, como tem jogo bom pra PC. Inclusive jogo que tradicionalmente só funcionaria em console de mesa, como Devil May Cry 4 e Street Fighter IV.

Mas acho que meu TOP 10 merece uma boa explicação, ainda mais porque tenho certeza que quase todo mundo sentirá a falta de ao menos três títulos que mudaram a história dos videogames. Ragnarok Online e World of Warcraft são dois destes games. Qual a semelhança entre eles? Ambos são MMORPGs. Viu que minha lista não tem um único jogo do gênero? Eu já expliquei isso uma vez, mas torno a lembrar o motivo.

Quando planejei o “Aposentadoria Gamer”, como o próprio nome da coluna sugere, o foco era escolher games que eu realmente pretendo jogar para o resto da vida – me aposentar e curti-los com tudo que eles sempre ofereceram. Infelizmente essa não é a realidade de qualquer experiência online que exista até hoje. Games como Ragnarok Online e World of Warcraft definitivamente são importantíssimos pelo que fizeram para o mercado de games mundial. Não fosse por estes dois jogos, os games online massivo não teriam a abrangência que têm hoje, tanto no oriente quanto no ocidente. Porém, ambos jogos (assim como qualquer um do gênero) têm uma vida útil. Período que corresponde exatamente o quanto seus criadores mantiverem seus servidores ligados e, principalmente, enquanto houver jogador suficiente para fazer destes universos o que sempre foram.

É triste chegarmos a essa conclusão, mas incluí-los neste TOP 10 especificamente seria como neglicenciar o inevitável.

O terceiro game que deveria estar nesta lista é Half-Life: Counter-Strike que, por mais defasado que possa estar, merece todo o nosso prestígio pelo que fez com o mercado de jogos multiplayer local. Counter-Strike foi o alicerce para o sucesso de lan-houses no mundo todo (principalmente no Brasil). Mas também é um game que só faz sentido se jogado em modo multiplayer, algo que eu tenho certeza que não será feito durante a “aposentadoria gamer” de ninguém.

….

Caramba, finalmente consegui resumir os games de PC que quero jogar para sempre. O que você achou? Que tal nos contar seus games favoritos de PC que foram lançados entre 2000 e 2010? Tenho certeza que você ajudará a lembrar de muito game bom.

Na próxima semana trago mais uma surpresa para a Aposentadoria Gamer. Você saberá quais são meus 10 games favoritos de Arcade que pretendo jogar para sempre. Isso mesmo, acho que por essa muita gente não esperava. Por mais que seja difícil conservar um Arcade a vida toda, ninguém aqui precisa esconder que há meios ótimos de relembrarmos muitos clássicos dos fliperamas.

Enquanto isso, aproveite para relembrar as demais plataformas que passaram por aqui:

Atari 2600
NES
Master System
Neo Geo / Neo Geo CD
Super Nintendo
Mega Drive
Game Boy / Game Boy Color
3DO
Jaguar / Jaguar CD
Nintendo 64
PlayStation
SEGA Saturn
Game Boy Advance
Dreamcast
GameCube
Xbox
PlayStation 2
PC (1980-1999)

9 comentários »

Aposentadoria Gamer: PC (1980-1999)

dom, 15/01/12
por Ricardo Farah |
categoria Aposentadoria Gamer, Jogos
| tags game over, Pra sempre, Vida Gamer

Ahá! O título já revela o mistério. Nunca em sã consciência que eu conseguiria resumir toda história dos games de PC (são mais de 20 mil jogos, amigo) em um único TOP 10. Obviamente se eu fizesse isso estaria deixando de lado muito clássico.

Quando eu resolvi incluir o PC na minha aposentadoria gamer pensei em dividi-lo por sistema operacional (DOS, Windows 3.x, Windows 95-98 e Windows+DirectX). Mas isso também seria dificílimo de ser feito, tamanho o número colossal de jogos que foram lançados.

Por isso mesmo eu resolvi dividir a história dos jogos para computador em duas partes: os lançados entre os anos 1980 e 1999 (o que incluir a geração de glória do DOS) e os lançados entre 2000 e 2010, quando o PC se tornou de fato uma plataforma hibrida (tendo títulos exclusivos, mas também muito lançamento de peso portado dos consoles ou jogos que realmente só deram certo por conta do ambiente em que estavam, como os MMORPGs e os FPS online).

Minha história com os computadores é curiosa. Meu pai (sempre ele) foi o grande responsável por eu gostar de jogos também para computador. Para a minha sorte, até a minha adolescência nós sempre conseguimos acompanhar a evolução do mercado de informática, jogando praticamente todo grande lançamento da época. De jogos como Sokoban e Prince of Persia, a Carmageddom e Doom, foi no PC que eu e meu pai dividimos a maior parte do nosso tempo juntos para games.

Porém, com a evolução dos videogames, meus PCs foram se tornando cada vez mais a plataforma única para trabalho e estudo – muito também porque acompanhar a evolução da plataforma para games foi ficando cada vez mais difícil. Por isso mesmo que hoje, o PC não é minha principal plataforma de games, apesar de eu jogar muito lançamento ainda.

Não contarei a história dos PCs como estou fazendo com os consoles, pois se não ficaria parágrafos e mais parágrafos para lembrar de termos técnicos e fatos que não nos ajudaria muito a entender o passado dos games para computador. Mas prometo um especial para contar o quanto a indústria de games evoluiu em função dos próprios computadores. Por hora, vamos aos melhores games pré-século XXI.

TOP 3 – Porque humor nonsense é o que comanda

Wolfenstein 3D, 1992
O pai do FPS. Simples assim. Antes dele, os poucos jogos em primeira pessoa não tinham os elementos que consagraram o gênero durante gerações, como a arma visível no centro da tela, o sangue gratuito (que obviamente gerou polêmica) e, principalmente, chefões de fase pra lá de desafiadores (qual outro game você tem a chance de acabar com Hitler?).

Mas o charme do jogo também era sua simplicidade. Esqueça efeitos de iluminação geniais ou cenários em 3D arrasadores. Tudo aqui aconteceu graças ao bom e velho sprite que simulava uma perspectiva tridimensional com muita competência. As armas então, dispensam apresentações. Hoje quando lembramos de Wolfenstein 3D a memória nos remete a um jogo com um verdadeiro arsenal de equipamentos. Porém só haviam quatro armas no jogo todo (faca, pistola, metralhadora e metralhadora giratória), provando que a simplicidade já era genial para a época.

Wolf 3D rodava na plataforma DOS, mas foi portado para todos os sistemas possíveis de computador (e muitas outras plataformas inclusive), sendo considerado o primeiro grande game da id Software, aquela empresa formada pela dupla John Carmack e John Romero (eu, segundo o Affonso) que também deu vida a Doom, Quake e muitos outros clássicos.

Maniac Mansion: Day of the Tentacle, 1993
O clima ainda é de DOS, mas a criatividade já transborda as paredes digitais. Criado pelo gênio do humor nos games, Tim Schafer, Day of the Tentacle é considerado até hoje um dos mais completo, desafiador e divertido Adventure de todos os tempos. Continuação direta do primeiro Maniac Mansion, outro clássico dos PCs, o game conta a história do trio Bernard, Hoagie e Laverne que são enviados em épocas diferente do tempo para tentar salvar o fim do mundo desejado por dois tentáculos afetados por um produto radioativo.

Pois é, quem não conhece acha que a história não faz nenhum sentido. Porém, acredite, Day of the Tentacle possui um dos roteiros mais bem costurados e inteligente dos games, principalmente porque fazer um game com viagem no tempo entre passado, presente e futuro nunca foi fácil.

O jogo foi lançado também para DOS, mas em duas versões, em disquete e em CD-ROM que trazia vozes digitalizadas dos personagens, outro motivo que fez de Day of the Tentacle e de todos os jogos seguintes da Lucas Arts um sucesso no mundo todo.

Grim Fandango, 1998
Pois é, eu já disse o quanto sou fã do trabalho de Tim Schafer? Grim Fandango é outro dos clássicos Adventures que marcou gerações. Diferente dos jogos anteriores da Lucas Arts, este aqui não usava a engine Scumm, mas também foi o primeiro jogo da empresa feito totalmente em 3D, se aproveitando da plataforma Windows na época.

Na história, Manny Calavera faz a vez do agente de uma funerária que se encarrega de encaminhar recém falecidos para sua trajetória à Terra dos Mortos. Porém, Manny se vê em uma trama de corrupção e mistério, o que o faz iniciar uma jornada para salvar sua cabeça já morta, mas também ajudar seus amigos ao seu redor. O jogo é baseado no folclore mexicano, que celebra todo 2 de novembro o dia dos mortos em uma festa pra lá de divertida e colorida.

Tim Schafer sabe conduzir como ninguém um roteiro baseado em ficção e realidade, repleto de humor nonsense e mistério. E Grim Fandango é, seguramente, uma de suas melhores criações até hoje. Se não bastasse, o jogo foi lançado no Brasil pela saudosa BraSoft, que o localizou totalmente, com direito um dos áudios dublados mais bem acabados que um game já recebeu no Brasil. Se eu tiver que fazer um TOP melhores games de todos os tempos, tenha certeza que Grim Fandango estará entre os primeiros da lista.

TOP 10 – O início da era de ouro

Dividir a história do PC em pelo menos duas partes me ajudou um bocado para encontrar os melhores games da plataforma. Ainda assim os primeiros vinte anos de história dos games nos computadores trouxeram uma enxurrada de títulos clássicos que ficarão para a história eternamente. Jogos em DOS, Windows 3.x e Windows 95 e 98 mancaram a era dos games na qual o visual era construído ao redor do roteiro, e não o contrário como acontece hoje com maior frequência. Portanto a tarefa também não foi das mais fáceis. Meus dez games de PC para os anos 1980 a 1999 foram estes:

1. Wolfenstein 3D, 1992
2. Maniac Mansion: Day of the Tentacle, 1993
3. Grim Fandango, 1998
4. SimCity 3000, 1999
5. Half-Life, 1998
6. Prince of Persia, 1989
7. Full Throttle, 1995
8. Doom, 1993
9. Diablo, 1996
10. Populous: The Beginning, 1998

Indo direto ao quarto jogo da lista, SimCity 3000 (ou seus anteriores mesmo) foram os jogos que fizeram de Will Wright outro gênio dos games. Half-Life dispensa qualquer apresentação, da mesma forma que Prince of Persia eternizou o estilo “jogar contra o tempo”. Full Throttle reafirma o trabalho impecável da Lucas Arts e Tim Schafer com games do gênero Adventure, da mesma forma Doom fez para a id Software. Diablo (pai do RPG ocidental) e Populous (pioneiro no estilo “você pode ser um deus”) foram títulos que jogamos durante anos tamanha suas respectivas qualidades criativas.

Ainda assim, confesso que essa lista poderia se estender muito mais. Como fã de Adventure, eu gostaria de ter incluído a franquia Monkey Island, por exemplo. Da mesma forma que fui obrigado a deixar de lado jogos que lançaram gêneros novos, como Alone in the Dark, Warcraft, Age of Empires, Command & Conquer, Ultima Online, Flight Simulator 2000 (lançado em 1999 mesmo) ou até mesmo o primeiro Grand Theft Auto.

Jogos simples, porém criativos como The Incredible Machine 3 e Lemmings 2: The Tribes também ficaram de fora, mas devem ser lembrados eternamente, assim como games que também pintaram para os consoles da época, como The Need for Speed, Tomb Raider, Quake III Arena, Duke Nuken 3D ou até mesmo Myst. Caramba, quanto jogo bom. Definitivamente o PC nestas duas décadas foi uma plataforma indispensável para qualquer fã de games.

Onde jogar os jogos de PC hoje?

Ufa! Ao menos desta vez ainda podemos jogar os clássicos de PC… em nossos próprios PCs atuais. Jogos de DOS e Windows 3.x obviamente só funcionam através de emulação no Windows atual. Mas ao menos funcionam perfeitamente. Só acho difícil você ainda ter um drive de disquete no seu computador atual, mas pra isso existe a internet.

….

Pois é, os primeiros 20 anos dourados dos PCs se encerram por aqui. O que você achou? Um ltanto light se comparado a alguns consoles que eu já relembrei, não acha? Quais games lançados entre 1980 e 1999 te surpreenderam de verdade? Conte para nós. Ajude a fazer da aposentadoria gamer de todos algo ainda mais completa.

Na próxima semana eu continuo com o PC ligado, trazendo os dez melhores games lançados entre 2000 e 2010. Fique ligado que esse também promete games muito interessantes.
Aproveite novamente para relembrar as demais plataformas que passaram por aqui:

Atari 2600
NES
Master System
Neo Geo / Neo Geo CD
Super Nintendo
Mega Drive
Game Boy / Game Boy Color
3DO
Jaguar / Jaguar CD
Nintendo 64
PlayStation
SEGA Saturn
Game Boy Advance
Dreamcast
GameCube
Xbox
PlayStation 2

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Aposentadoria Gamer: PlayStation 2

dom, 08/01/12
por Ricardo Farah |
categoria Aposentadoria Gamer, Jogos
| tags game over, Pra sempre, Vida Gamer

É chegada a hora. O maior e mais completo videogame da história está prestes a ser relembrado (e porque não dissecado) por aqui. A história do PlayStation 2 pode ser facilmente confundida com a história dos videogames no geral, pois muito além de ser mais um console no mercado, o segundo videogame da Sony provou para todos na indústria o quanto que um bom hardware facilita a programação de bons jogos, resultando em um maior número de títulos e atingindo um maior número de pessoas. Não dá para dizer até hoje se o PS2 atendeu unicamente aos jogadores hardcore, os old-school ou os casuais, pois de fato ele atendeu a todos na medida certa.

Minha história particular com o PS2 é ainda mais fascinante pois, foi graças a ele, que eu tive inspiração suficiente para criar meu primeiro site de games (em 2001), o que me abriu portas nas principais editoras de revistas de games no Brasil. Posso dizer que não fosse este console, talvez eu nem estaria aqui para contar esta e outras histórias para você.

Mas chega de papo. Vamos a trajetória de sucesso e as respostas que explicam o porque estamos falando do mais importante videogame do mercado.

A história (rápida) do PS2

Lançado em Março de 2000 no Japão e final do mesmo ano nos EUA e Europa, o PlayStation 2 foi um dos responsáveis por enterrar o concorrente Dreamcast da SEGA ao mesmo tempo que abriu uma vantagem de mais de um ano sob seus novos competidores (o GameCube e o Xbox). Este foi, definitivamente, um dos principais motivos que fizeram do PS2 um sucesso absoluto no mercado. Para você ter ideia, só no Japão, no dia do lançamento, foram vendidos quase 1 milhão de consoles, número que já apontava o sucesso do novo aparelho.

Porém o PS2 não foi lançado com muitos games considerados best hits pelos jogadores. O principal fator que impulsionava as vendas do console era o seu hardware, que usava como mídia o DVD-ROM. Isso permitiu que se instalasse uma base de consoles no mercado em função do recurso de reprodução de filmes em DVD, pois mesmo ele custando relativamente caro, ainda assim era uma melhor opção do que comprar um aparelho unicamente para ver filmes.

Sabiamente a Sony também fez grandes parcerias exclusivas com muitas produtoras de games, garantindo a exclusividade de títulos como Grand Theft Auto e Metal Gear Solid 2 por bons anos antes que eles fossem lançados para o Xbox. Seus principais jogos foram lançados mesmo no Natal de 2001, mesma época do lançamento dos consoles concorrentes, que de certa forma foram ofuscados pelos games do PS2. Se não bastasse, desde o anúncio do console a Sony soube martelar no recurso online do aparelho, lançando em 2002 seu adaptador para rede online acompanhado de um headset e do game SOCOM U.S. Navy SEALs. Como vantagem sob seu concorrente direto, a Sony não cobrava uma única taxa para se jogar online. Mas o grande trunfo mesmo foi fazer com que a Electronic Arts garantisse a exclusividade de seus games online até meados de 2004.

Dentre todos os consoles da época, o PS2 era sim, o que possuía o hardware mais fraco, seguido pelo GameCube e finalmente Xbox. Porém, era também o que possuía a arquitetura de desenvolvimento mais sólida e prática. Justamente por esse motivo que nasceu uma variedade de produtoras de games pelo mundo, desenvolvendo jogos dos mais variados gêneros para o console. Muitos é claro foram games completamente descartáveis, mas pela lista generosa de lançamentos, facilmente encontrávamos muito mais do que um único game que nos agradasse. Este foi o maior trunfo da Sony; o motor perfeito para possibilitar ideias criativas e rentáveis como a franquia Guitar Hero ao mesmo tempo que pôde ser estudado ao máximo ao longo dos anos, dando vida a games fantásticos graficamente (como God of War) e fôlego necessário para que a nova geração chegasse no seu tempo correto.

Hoje, quase 12 anos após seu lançamento, o PlayStation 2 carrega os maiores números da história dos games. Mais de 150 milhões de consoles foram vendidos pelo mundo; Quase 11.000 jogos foram lançados para ele desde seu lançamento; E mais de 1.5 bilhão de games foram vendidos pelo mundo. A Sony tinha a expectativa de que a vida útil do PS2 fosse de 10 anos, mas o console vende bem até hoje (são mais de 50 mil aparelhos vendidos no mundo toda semana) e, muitos games ainda são produzidos para ele. Enquanto este ciclo existir, o PS2 continuará sendo fabricado. E assim será.

TOP 3 – O “crèam de la crèam”

Shadow of the Colossus
Sim, amigo. Shadow of the Colossus também arrebatou meu coração gamer. Também não é para menos, da simplicidade genial a colossal tarefa imposta ao nosso herói resultou na verdadeira e seguramente, melhor forma de expressão de arte em videogame. Shadow of the Colossus é um dos poucos games com capricho digno de resumir o quanto nossa indústria de jogos é madura, criativa e capaz de se reinventar.

Estamos falando também da singularidade perfeita do chavão “menos é mais”. Em um mundo imenso no qual apenas você, seu cavalo e uma espada são responsáveis por mudar toda história, enfrentando poucas, porém inigualáveis criaturas gigantes é, sim, a melhor forma de expressão artística em um videogame.

A obra criada pelo mestre Fumito Ueda está para os games da mesma forma que qualquer um dos filmes de Alfred Hitchcock está para o cinema. Da mesma forma que os Beatles estão para a música. Como diria o amigo Solano, Seja Épico!

Zone of the Enders: The 2nd Runner
Talvez você não se lembre, mas o primeiro Zone of the Enders foi vendido trazendo como bônus uma demo de Metal Gear Solid 2. Até hoje o mercado aponta a excelente venda do game graças ao bônus com a nova aventura de Snake. Isso porque o primeiro ZoE, apesar de ter uma excelente história, era um game que carecia de muitas coisas, entre elas uma boa jogabilidade e um visual mais refinado.

Hideo Kojima, pai de Zone of the Enders, inspirado pelo resultado visual que o cel-shading causava nos games 3D (como The Legend of Zelda: Wind Waker e Jet Set Radio), bebeu desta mesma fonte para fazer com que ZoE 2 fosse um game completamente diferente de seu predecessor, adicionando animações entre as cenas não interativas. O resultado fez com que ZoE 2 se tornasse um dos games mais bonitos e bem acabados do console, com direito a uma das melhores jogabilidades até hoje para games com mechs.

Mas Zone of the Enders é especial por um outro motivo: sua história e a forma como ela é contada. Você gosta de Metal Gear principalmente pela sua história, não é? Pois Zone of the Enders causa este mesmo efeito. Sua continuação é tão perfeita que, traz inclusive um resumo animado do primeiro game para você assistir antes de curtir o jogo e compreender melhor a história.

Metal Gear Solid 3: Snake Eater
A primeira vez que terminei MGS 3 foi em duas manhãs, enquanto escrevia um dos maiores detonado que já fiz para uma revista de games. A imersão foi tanta que, até hoje, sempre que eu jogo algum game que acontece em uma floresta ou que o tema envolve a Guerra Fria, me faz lembrar e Metal Gear Solid 3. A história criada por Kojima é tão completa (e complexa) que nos faz refletir se, de fato, não existiu um Big Boss de verdade no pós guerra.

MGS 3 é o banquete perfeito para fã ou não da série conhecer a origem de um dos maiores personagens da história dos games. Este é também o melhor game de ação com direito a grandes inimigos que podem ser derrotados de várias maneiras diferentes (qual outro game pós MGS3 fez isso?). Não há como negar ou deixar de lembrar do trabalho da Konami e cuidado que tiveram para fazer deste o melhor Metal Gear Solid da história e um dos melhores games lançados até hoje.

TOP 10 – Clássico atrás de clássico

Resumir a biblioteca de games para PlayStation 2 em apenas 10 jogos foi, seguramente, a tarefa mais difícil na minha jornada épica pelos melhores games da história. Ainda assim, o “exercício” que eu fiz nos últimos meses com os consoles lançados antes do PS2 me ajudaram a encontrar meus games favoritos do aparelho mais vendido da história com maior facilidade. Para os “10 mais” inicialmente eu havia pensado em escolher apenas títulos de fato exclusivos do PS2. Mas como fazer com clássicos como GTA: Vice City? Pensei também em escolher apenas games que até hoje não foram portados (seja em versão HD ou remake) para os atuais consoles. Mas isso me faria escolher 10 games que, cedo ou tarde serão relançados para um novo console. Por isso minha lista abre mão de todos estes preceitos e, parte do pressuposto de que estamos olhando apenas para o PS2 na época em que ele era o topo do mercado de games. Eis que minha lista ficou assim:

1. Shadow of the Colossus
2. Zone of the Enders: The 2nd Runner
3. Metal Gear Solid 3: Snake Eater
4. God of War
5. Final Fantasy X
6. Grand Theft Auto: Vice City
7. Kingdom Hearts
8. Onimusha 3: Demon Siege
9. Devil May Cry
10. Fatal Frame

Todos estes games dispensam apresentação. Mas também todos, com exceção de Kingdom Hearts e Onimusha 3 foram lançados para outro console (seja como remake, seja como port). O motivo de eu ter colocado o primeiro God of War, o primeiro Fatal Frame e o primeiro Devil May Cry na lista, ao invés de suas excelentes continuações, é um só: o fator novidade que estes games nos proporcionaram quando foram lançados é inesquecível. No meu TOP 10 também não há um game de esporte (inclusive corrida) ou luta, não porque o PS2 carecia de jogos destes gêneros, mas sim porque realmente não couberam.

Porém, assim como eu fiz com o PSOne, peço licença poética nesta coluna para incluir outros dois TOP 10. O primeiro, obviamente, com meus 10 RPGs favoritos (que poderiam facilmente ser uns 30):

1. Final Fantasy X
2. Kingdom Hearts
3. Valkyrie Profile 2: Silmeria
4. Star Ocean: Till the End of Time
5. Final Fantasy XII
6. Disgaea: Hour of Darkness
7. Xenosaga Episode III: Also sprach Zarathustra
8. Odin Sphere
9. Rogue Galaxy
10. Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King

O terceiro TOP 10 eu resolvi fazer com games fantásticos, mas pouco conhecidos por muitos jogadores. Veja só e entenda o motivo de cada um estar na lista logo abaixo:

1. Blood Will Tell
2. Tokyo Xtreme Racer Zero
3. Drakengard 2
4. Oni
5. Jade Cocoon 2
6. Psi-Ops: The Mindgate Conspiracy
7. Second Sight
8. Kengo: Legacy of the Blade
9. Auto Modellista
10. Champions of Norrath

Blood Will Tell é um game de ação baseado no mangá “Dororo”, do mestre Osamu Tezuka. Sério, amigo, eu o coloco na frente de 99% dos jogos de PS3 e Xbox 360. Jogue-o e você entenderá o motivo.

O mesmo se aplica a Tokyo Xtreme Racer Zero, ou simplesmente Zero One, o verdadeiro game de corrida de rachas e que inspirou todos os games de corrida com tuning lançados nesta e na atual geração. É melhor que qualquer Need for Speed com tuning, é melhor que qualquer Gran Turismo. Vai por mim.

Drakengard 2 é a mistura perfeita de RPG, ação em terra e ação no ar. Sem dúvida é o Panzer Dragoon do PS2;

Oni, da Rockstar, é o casamento perfeito entre Tomb Raider e Ghost in the Shell, ou seja, dispensa maiores apresentações.

Jade Cocoon 2 é o verdadeiro “Pokémon para adultos”;

Psi-Ops e Second Sight seriam hoje o Prototype e Infamous desta geração, só que com muito mais desafio e mistério (vai por mim novamente);

Kengo (sucessor espiritual de Bushido Blade), é o game de luta com espadas mais técnico que eu joguei até hoje;

Auto Modelista e Champions of Norrath talvez sejam os mais conhecidos desta lista, mas caíram no esquecimento por um revés de ambas produtoras. Definitivamente a Capcom deveria relançar seu game de corrida para alguma rede online da mesma forma que a Sony Online poderia muito bem lançar uma continuação épica do seu RPG medieval.

Onde jogar os jogos de PS2 hoje?

Como eu disse logo acima, boa parte dos principais clássicos de PS2 estão sendo relançados em versões HD ou remake. Por exemplo, se você ainda não conseguiu jogar Final Fantasy X ou Zone of the Enders, eu recomendo que aguarde ao relançamento de ambos para o PS3 ou até mesmo PS Vita. Games que já tiveram seus remakes ou ports lançados nem compensam ser jogados em sua versão original no PS2 (quem fala isso é alguém que tem uma coleção considerável de jogos de PS2).
Mas para todos os outros games que continuam exclusivos no console, minha dica é: compre um PS2 para jogá-los, pois hoje o console custa mais barato que um Nintendo 3DS. Ou veja se o seu PS3 possui retrocompatibilidade para jogos de PS2 e PS1.

….
Caramba, já posso respirar aliviado. O turbilhão PS2 acaba de passar por aqui.

O que você achou? Tenho certeza que o seu TOP 10 será diferente do meu, afinal todo mundo tem seus games favoritos e o PS2 é o console mais farto de bons games. Por isso conte para nós quais são os seus melhores games de PS2.

Na próxima semana voltaremos no tempo mais um pouco para relembrar os melhores games da plataforma com maior penetração no Brasil: o PC. Sim, eu disse que faria um especial para os games de computador, só não disse ainda como ele será feito. Aguarde e confie!
Enquanto isso, aproveite para relembrar os outros consoles que passaram por aqui:

Atari 2600
NES
Master System
Neo Geo / Neo Geo CD
Super Nintendo
Mega Drive
Game Boy / Game Boy Color
3DO
Jaguar / Jaguar CD
Nintendo 64
PlayStation
SEGA Saturn
Game Boy Advance
Dreamcast
GameCube
Xbox

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Aposentadoria Gamer: Xbox

dom, 01/01/12
por Ricardo Farah |
categoria Aposentadoria Gamer, Jogos
| tags game over, Pra sempre, Vida Gamer

Enfim, chegamos em 2012. O ano do dragão, o ano das realizações e, por que não, o ano para se jogar muito game bom. Enquanto o ano não começa pra valer, essa é a melhor hora para continuarmos nossa aposentadoria gamer, relembrando dessa vez o primeiro Xbox da Microsoft. Prepare-se para conhecer mais sobre uma das plataformas mais versáteis da história dos games e descobrir quais foram os dez melhores games que eu quero jogar por muitos anos ainda.

A história (rápida) do Xbox

Lançado em novembro de 2001 nos EUA e entre fevereiro e março de 2002 no Japão e Europa, o primeiro Xbox nasceu graças a visão da Microsoft de investir em uma plataforma focada para games e que trouxesse também recursos suficientes para ser uma estação de entretenimento completa.

O projeto foi liderado por Otto Berkes e outros três engenheiros que trabalhavam juntos com a tecnologia DirectX da Microsoft. Juntos, chefiaram o grupo que desenvolveu por quase dois anos o que até então era chamado de “DirectX box”, batizado posteriormente de “Xbox”. Porém a equipe de Marketing da Microsoft não acreditava no sucesso do nome e propuseram uma série de outros nomes para a plataforma. Mas foi em um teste com o consumidor que chegaram a conclusão que “Xbox” seria o nome certo do primeiro console da empresa de Bill Gates.

O hardware criado para a plataforma seguia a risca o melhor que a tecnologia da época podia oferecer, com um drive de DVD capaz de rodar tanto filmes quanto Cds de áudio. Porém, o maior feito do primeiro Xbox foi oferecer suporte para o áudio Dolby Digital durante os jogos em tempo real e não apenas em animações pré-renderizadas. O Xbox também foi pioneiro por trazer um HD interno capaz de armazenar tanto os saves dos jogos quanto títulos comprados na rede online. Mas o grande uso do HD era mesmo para copiar Cds de música que podiam ser ouvidas durante os jogos (como os da franquia GTA, por exemplo).

Baseado no chip gráfico da NVIDIA e, obviamente criado com base na arquitetura do DirectX, o Xbox teve, seguramente o melhor hardware do mercado. Porém, foram as grandes parcerias que a Microsoft fez com as produtoras de jogos que determinaram a excelente biblioteca de jogos da plataforma – entre elas, a mais importante de todas foi a aquisição do estúdio Bungie, que desenvolveu o game Halo para o lançamento do Xbox.

Mas foi no final de 2002 que a Microsoft lançou seu principal trunfo para seu console: a Xbox Live. Vendido como um kit extra, o pacote trazia um headset e uma assinatura anual da rede online, que permitia partidas entre jogos multiplayer (como Halo 2) e download de conteúdo adicional para o console. Em dois meses mais de 250 mil jogadores já eram assinantes da Xbox Live. Em 2009 o número já ultrapassava a casa dos 20 milhões de usuários, provando o que a Microsoft já sabia: o futuro dos games era através da rede online.

O primeiro Xbox foi o console da sexta geração que teve a menor parcela de jogadores do mercado. Mas foi também crucial para o sucesso do atual Xbox 360 e serviu de modelo para que todos os outros consoles criassem suas redes online.

TOP 3 – Medieval e futurista

Halo 2
Halo não é minha série favorita, mas é seguramente a melhor série criada para o primeiro Xbox da Microsoft e, até hoje, uma das melhores séries dos consoles da empresa. Halo 2 pode não ter um dos finais mais memoráveis da franquia (tem gente que até hoje o considera um grande capítulo de introdução para Halo 3), mas introduziu uma série de elementos que deixaram a série muito mais atraente e original, como o uso de duas armas simultâneas e o ataque e controle de veículos inimigos.

O segundo Halo também introduziu no enredo um segundo personagem jogável, o alienígena Arbiter, que desempenhava um papel crucial no desenrolar da história. Mesmo assim, entre todas as novidades de Halo 2, sem dúvida a mais importante foi a adição do modo multiplayer online através da Xbox Live, tornando-o o game mais jogado na história da rede da Microsoft (até ser passado por Gears of War no Xbox 360) e, o jogo mais vendido da história do primeiro Xbox.

Fable: The Lost Chapters
Fable pode ser considerado o “Zelda do Xbox”. Porém este não é o motivo pelo qual eu o incluo no TOP 10 do console. O game criado pelo mestre inglês Peter Molyneux (o mesmo das franquias Populous e Black & White), chamou atenção de todos pela sua ambiciosa gama de possibilidades frente a qualquer outro RPG da época. A começar pelo protagonista, um menino sem nome que parte para uma jornada em busca de treinamento em combate para se vingar da destruição de seu vilarejo. Ao longo da aventura, nosso herói é posto a prova por uma série de desafios que o dão a escolha de trilhar o caminho do bem ou do mal, de modo que cada jogador consegue criar sua própria jornada, o que resulta em um personagem com aparecia correspondente a suas ações no jogo.

Este tipo de liberdade de escolhas por mais que tenha suas falhas conceituais chamou a atenção de jogadores do mundo todo, que nunca haviam tido tal experiência no gênero. Some isso a belíssima qualidade visual e sonora e você tem, enfim, um dos melhores jogos do Xbox. A escolha obvia por “The Lost Chapters” ao game original é graças a adição de novos monstros, armas, magias e até mesmo cidades.

Star Wars: Knights of the Old Republic
Não sou muito fã de Star Wars, mas tive que dar o braço a torcer para Knights of the Old Republic e o trabalho realizado pela BioWare. Assim como Fable, este RPG da série criado por George Lucas bebe da mesma fonte de liberdade de escolhas com resultados distintos na trama. Em KotOR (como ficou popularmente conhecido), as ações de nosso personagem (seja ele homem ou mulher) o transformam em um herói aliados dos Jedi ou um tirado ao lado dos Sith, o que inclui o estilo de combate e, principalmente escolhas de caminhos e diálogos que surgem na trama.

O sistema de combate livre porém baseado em rounds indiretos que limitam o número de ações por ataque foi muito bem aceito pelos jogadores, principalmente os fãs que jogaram Star Wars Roleplaying Game, o RPG de livro criado pela Wizards of the Coast baseado no sistema D20. Mas é justamente a forma como Knights of the Old Republic se encaixa na trama original de Star Wars nos cinemas que o faz um jogo singular para a franquia. Sua continuação é ainda mais surpreendente, mas nada melhor que a novidade do primeiro jogo.

TOP 10 – Porque nem só de exclusivos se vive um console

Eu já disse mais de uma vez na minha coluna especial o quanto estou priorizando os games exclusivos de cada um dos consoles os quais estou relembrando. Porém, ao longo da evolução dos games fica claro a queda no número de lançamentos exclusivos em prol dos jogos lançados para mais de uma plataforma.

No caso do Xbox este tipo de mutação na indústria fica ainda mais claro. Entre todos os bons games que ainda valem ser jogados no console, pouquíssimos continuam até hoje exclusivos da plataforma – no meu próprio Top 10 mesmo o único game que permanece exclusivo é Panzer Dragoon Orta. Veja só:

1. Halo 2
2. Fable: The Lost Chapters
3. Star Wars: Knights of the Old Republic
4. Jade Empire
5. Panzer Dragoon Orta
6. Ninja Gaiden Black
7. The Chronicles of Riddick: Escape from Butcher Bay
8. Halo: Combat Evolved
9. Tom Clancy’s Splinter Cell
10. Shenmue II

Entre meus dez games favoritos, como você pode ver, alguns foram lançados também para Windows (ou Mac), com exceção de Ninja Gaiden Black (lançado posteriormente para PS3) e Shenmue II (lançado previamente para o Dreamcast). Entre os exclusivos do console, deixei de fora dois games de corrida que alguns podem me lembrar: Project Gotham Racing e Forza Motorsport. Não os incluo, pois novamente, lembro que estou escolhendo games que quero jogar para sempre (e ambos os títulos se tornaram ultrapassados pelas suas próprias continuações).

O fato é que o grande desafio na escolha dos melhores games de um console fica ainda mais complicado de ser feita a partir do Xbox. Isso porque existe uma lista considerável de clássicos que também foram lançados para o PS2 ou PC e que precisam por algum motivo ser jogados por muitos anos. Inclua nesta lista, por exemplo, Grand Theft Auto 3, Vice City e San Andreas, a trilogia Prince of Persia, Burnout, Max Payne, Beyound Good & Evil e muitos outros.

Onde jogar os jogos de Xbox hoje?

Muitos dos jogos de Xbox podem ser jogados no próprio Xbox 360. Isso porque o atual console da Microsoft traz retrocompatibilidade via software para muitos dos games da biblioteca original do console anterior. A lista completa você confere aqui.

….
E aí? O que achou de relembrar a história e os principais jogos do Xbox? Quais foram os games que você mais curtiu no console? Conte para nós. Enquanto eu me preparo para, possivelmente, a coluna mais desafiadora de todas: os dez melhores games do PlayStation 2. Aproveite enquanto isso para relembrar os demais consoles que já passaram por aqui:

Atari 2600
NES
Master System
Neo Geo / Neo Geo CD
Super Nintendo
Mega Drive
Game Boy / Game Boy Color
3DO
Jaguar / Jaguar CD
Nintendo 64
PlayStation
SEGA Saturn
Game Boy Advance
Dreamcast
GameCube

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2011 e meus games favoritos

qui, 29/12/11
por Ricardo Farah |
categoria Jogos
| tags Resumão 2011

Dois mil e doze está logo aí. É chegada hora, amigo e amiga gamer, quando fazemos aquele balanço do ano e relembramos tudo que fizemos e foi ótimo e tudo que não fizemos mas que também foi ótimo. Nos games não é diferente. Foram tantos jogos lançados este ano que é praticamente impossível listá-los aqui. Jogá-los então é humanamente ainda mais impossível.

Mas relembrar aqueles nos quais nos divertimos durante o ano é com certeza algo muito prazeroso. Se você ainda nào leu nosso especial do TechTudo com os Melhores Games de 2011 segundo a equipe toda de jornalistas, faça isso agora mesmo. E se você quer saber a minha humilde opinião com base no que eu realmente consegui jogar pra valer em 2011, continue lendo esta coluna.

Cuidar de uma fazenda virtual pode até ser bacana. Mas bom mesmo é cuidar do vilarejo dos Smurfs, com direito a ajuda do Papai Smurf e ataques do Gargamel.

 

Ocarina of Time na palma da mão e ainda com suporte para 3D. Melhor que isso é saber que o visual do jogo foi completamente refeito. De longe é o melhor remake que a Nintendo fez desde… desde… deixa pra lá.

 

Naija, a menina com corpo de sereia que navega pelos mares de Aquaria não é apenas protagonista de um dos games mais belos do iPad, mas principalmente de um dos jogos de plataforma mais criativos do tablet.

 

Enfim, o Mortal Kombat em 3D que sempre desejamos jogar. E não é só pela carnificina gratuita ou pela jogabilidade refinada. Falo do jogo de luta com a melhor história para o modo single player… ok, quem se importa com a história quando estamos falando de Fatalities?

 

Poderia ser também o melhor jogo Indie lançado este ano. As análises por aí compararam Superbrothers com Zelda. Eu prefiro compará-lo com Out of this World embalado por uma das trilhas sonoras mais envolventes em um jogo feito com sprites.

 

Acredite, por mais que você só veja utilidade para o Kinect em jogos de dança e aeróbica, em Forza 4 ele se faz necessário e muito útil. Graças ao acessório você pode curtir seu game no joystick ou volante ao mesmo tempo que movimenta a câmera usando a sua própria cabeça, o que rende maior realismo, experiência, habilidade, adrenalina e por aí vai…

 

Skyward Sword merece muitos outros méritos obviamente. Poderia ser também o Zelda mais RPG de todos, ou o Zelda mais realista de todos ou o Zelda menos genérico de todos. Mas entre todos os prós, definitivamente o maior é sua jogabilidade, capaz de provar para todos que a Nintendo estava certa quanto ao Wii e seus sensores de movimento.

 

Se até o Obama aderiu ao “requebra virtual” por quê nós não podemos fazer o mesmo? Just Dance 3 consegue ser divertido em todas plataformas nas quais foi lançado, mas é no Kinect do Xbox 360 que ele diverte mesmo. California Guls nunca mais será a mesma depois deste jogo.

 

Enfim, os pedidos dos fãs de Rock ‘n Roll e guitarra de verdade foram atendidos. Esqueça os instrumentos de plástico quando o assunto é aprender a tocar pra valer. Rocksmith só funciona com guitarra de verdade e jogador dedicado. Coisa fina para quem pensa em tocar assim.

 

Tower Defense é um dos gêneros mais fáceis de ser trabalhado. Coloque dois elementos antagônicos e você já terá o seu jogo. Vampiros versus Zumbis, Humanos versus Aliens, Políticos versus Ficha Limpa; A graça aqui é que ao invés de defender o terreno é você quem o ataca com sua horda de soldados motorizados.

 

Eu diria também que este é o melhor jogo de iPhone/iPod lançado este ano. De forma lúdica, mas também criativa, GameDev Story não se propõe a libertar o Shigeru Miyamoto que existe dentro de vocês, mas sim ajudá-lo a ao menos compreender o quão desafiador é cada etapa no desenvolvimento de um game.

 

Simples, divertido e muito bem acabado. Esse é Smelly Cat, produzido pelos brazucas da Ipanema Games, no qual seu objetivo único e ajudar um gatinho fedido a tomar um bom banho para conquistar sua amada – tudo no melhor estilo de jogabilidade inspirada em Angry Birds, que se inspirou no lendário e convencional estilingue, é claro.

 

Você já jogou Magic The Gathering? Pois é, Shadow Era é o card game eletrônico mais competente lançado até hoje que se aproxima do jogo criado pela Wizards of the Coast. Isso porque ele foi cuidadosamente desenvolvido com base na opinião dos próprios jogadores, que colaboram até hoje com os desenvolvedores a cada novo update. Leia a entrevista que eu fiz com o criador aqui.

 

Pois é, Read Dead Redemption foi lançado em 2010, mas eu só consegui jogá-lo e terminá-lo este ano. E sim, minha teoria estava certa – este é o GTA no Velho Oeste que todos sempre sonhamos jogar. Melhor coisa que eu fiz ao terminá-lo foi reler todos os gibis do Tex que estavam guardados.

 

A verdade amigo é que a máxima “casa de ferreiro, espeto de pau” também se aplica para os jornalistas de games. Jogar todos os jogos lançados é apenas uma das várias lendas da nossa profissão. Na lista de lançamentos de 2011 que eu infelizmente não consegui jogar, Skyrim com certeza está no topo. Mas tudo bem, 2012 está logo aí.

 

Monster Hunter é o game perfeito para quem é fã de RPG, de mundo medieval, de criaturas gigantes e de experiência online não massiva. Por isso que ele é um dos games mais jogados no Japão desde 2007. Por isso que Monster Hunter Freedom Unite (o último lançado no ocidente) me fez acumular quase 500 horas de diversão no PSP.

 

Criado pela Ubisoft (sempre eles), Outland foi também a melhor experiência que eu tive este ano com um lançamento exclusivo para as redes PSN e Xbox Live Arcade. Puzzles desafiadores, chefes colossais e uma trilha sonora perfeita apenas completam a aventura mais colorida protagonizada pelo herói minimalista.

 

Isso mesmo. O game de corrida aquático mais bem feito desde Wave Race 64 é um game de Android e IOS, feito por dois caras que tiveram o cuidado de criar a própria engine para simular a água da forma mais realista possível. Jogue sem moderação.

 

No PS3, ModNation Racers passou despercebido. No PS Vita, amigo, tenha certeza que ele será um dos mais vendidos. Isso porque além de toda diversão proporcionada pelas corridas, o game também traz um modo de criação de karts, personagens e até pistas muito mais competente no portátil. O pouco que joguei durante a E3 me foi suficiente para incluí-lo na lista de compras com o portátil em 2012.

 


Deus Ex é um jogão. Tenho certeza disso. Por esse mesmo motivo que ainda não consegui tirar o lacre da minha cópia para PS3. Quando o fizer, será igual àquela propaganda daquela loja de móveis e eletrodomésticos famosa: “dedicação total a você”. Esse merece.

- Farah

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Uma reunião com o Sr. Thompson (Parte 1)

dom, 25/12/11
por Affonso Solano |
categoria Jogos, Mundinho
| tags Mundinho, Sr Thompson

- Entre!

- Senhor Thompson, o senhor mandou me chamar?

- Quem diabos é você?

- Ãhn, o nome é David, senhor. A secretária disse que…

- Oh sim, sim, claro, David do… desenvolvimento, certo?

- Bom, não chamamos assim, senhor, mas…

- Não importa, entre e sente-se, garoto, vamos. Não, nesta cadeira não, está ruim, sente-se nessa outra. Isso.

- O que posso fazer pelo senhor, senhor Thompson?

- Espere um instante, deixe-me ver onde coloquei… Ah, aqui. Muito bom. David, aqui na sua ficha diz que você é casado.

- Sim senhor, há um an-

- E vocês tem um filho pequeno, não é?

- Tenho uma filha, senhor. Anne.

- Você gostaria de dar um presente de Natal decente para a pequena Ana no final do ano?

- Ela se chama Anne, senh-

- Sim, sim, foi o que eu disse. E então?

- E-eu não sei, senhor Thompson, eu ainda n-

- David, não venha me dizer que você ainda não sabe o que vai dar de Natal para a sua filha?

- B-bom, senhor, eu ainda não planej-

- Não planejou? David… deixe-me dizer uma coisa sobre planejamento: um dia seu filho resolve descer uma montanha cheia de neve montado em um skate colorido idiota, e no dia seguinte você está dirigindo uma empresa de joguinhos eletrônicos aos cinqüenta e oito anos de idade.

- Nós… Nós todos sentimos falta do John, senhor Thompson. Foi um acidente horrível.

- Acidentes só acontecem com idiotas que não planejam as coisas, David. Eu planejava estar tomando minha cerveja no sol da Flórida agora, mas estou dentro de um escritório com o ar condicionado ligado e falando com um rapaz que mal aprendeu a fazer a barba. Se meu filho idiota tivesse se planejado melhor, eu e você não estaríamos nessa situação, concorda?

- A-acho que sim, senhor.

- Então me responda, garoto: você gostaria de dar um bela jóia de presente de Natal para sua mulher?

- Ela não gosta muito de jóias, senhor.

- “Ela não gosta de jóias”? Que tipo de mulher não gosta de jóias, David? Ela é alguma hippie ou algo assim?

- Hippie, senhor?

- Esqueça, isso não é do seu tempo… Jesus, como é difícil fazer uma metáfora com essa gente… Esqueça, vou ser direto com você, David: precisamos fazer mudanças drásticas, caso contrário eu venderei essa empresa.

- O… o quê? Mas, senhor, nossas vendas-

- Eu sei que estão bem, David, por Deus! Sei que sua geração só se preocupa em ter dinheiro suficiente para comprar os seus Walkie-Talkies e telefones modernos, mas há coisas mais importantes na vida, sabia? E se o bom Jesus me permitir eu vou mudar algumas coisas por aqui, ora se vou! E vou começar com isso aqui, veja.

- Essa… é a caixa do nosso último Game, senhor.

- Exatamente, David. Quero que diga a equipe que já chega desses jogos de morte, entendeu?

- “Jogos de morte”, senhor?

- Matança. Tripas! Entende? Não vamos mais produzir esse lixo.

- O que quer dizer, senhor? Como assi-

- Está mais do que na hora de alguém dar um exemplo ao mercado dessas coisas e produzir material para a família americana, David. Esse seu telefone aí não pega o jornal? Não assiste o O’Reilly? O que acha que sua filha Ana vai fazer depois de crescer jogando essa porcaria aqui? Não precisamos de mais um Columbine, garoto, precisamos de jogos saudáveis! E nós vamos mudar isso, está me ouvindo?

- S-sim, senhor.

- Quero que você desça e diga para a sua equip… – você está bem, garoto?

- E-estou senhor, me desculpe. Prossiga.

- Quero que você diga para aquela sua equipe de moleques que nosso próximo jogo terá como tema  o NATAL.

- O… Natal, senhor?!

- Exato, David, o Natal! Qual o problema, não venha me dizer que você não comemora o Natal, garoto? Você não é de nenhuma dessas religiões esquisitas, não é?

- S-senhor, eu…

- Ah, e diga a eles que quero ver esses disquetes ou seja lá como vocês chamam essas coisas nas prateleiras até Dezembro.

- DEZEMBRO?! Mas senhor Thompson, faltam só quatr-

- Não venha com esse papo de não temos tempo, David! Besteira! Vinte anos no mercado de venda de pneus me ensinaram muita coisa, garoto, e uma delas é que nenhum prazo é inalcançável!

- Mas senhor Thompson, os designers preci-

- Besteira! Diabos, mande aqueles garotos desenharem os bonequinhos um pouco mais rápido, David! Crie uma escala nos sábados, arrume um par de estagiários… vocês nunca tiveram que lidar com uma meta apertada antes?

- Sim, mas…

- Só não me contratem mais nenhum japonês, pelo amor de Deus. Jesus, este lugar às vezes parece um maldito filme do Ultraman… o que há de errado com funcionários americanos, David?!

- Eu n-não sei, senhor.

- Enfim, desça lá e diga a eles que se não me entregarem uma lista de pelo menos cinco idéias novas de jogos NATALINOS até o fim da semana, juro que venderei essa empresa e todos vocês vão ter que arrumar emprego em algum fast-food por aí. Não vou ser responsável em propagar a degradação da América nem mais um minuto, nós vamos reverter essa situação, você me entende?

- Acho que sim, senhor.

- Certo, então pode ir.

- Sim, senhor. Com licença.

- Ah, e David..?

- Senhor?

- Avise a secretária que passe um fax para os departamentos dizendo que a partir de segunda-feira nada mais de tênis e camisa nesse prédio. Aqui se trabalha de sapato e calça social. Somos homens, e não garotos.

- Eu… não acho que temos uma máquina de fax, senhor Thompson.

- Por Deus, não me surpreende esse lugar ser uma bagunça…

 

- Solano

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Aposentadoria Gamer: GameCube

dom, 25/12/11
por Ricardo Farah |
categoria Aposentadoria Gamer, Jogos
| tags game over, Pra sempre, Vida Gamer

Se fossemos colocar todos os consoles da Nintendo em uma curva de evolução, teríamos no NES e SNES o ápice dos jogos hardcore, no Nintendo 64 o coração dos jogos multiplayer, no Wii os mais altos índices de jogos casuais e, no GameCube o termômetro mais equilibrado no que diz respeito aos quatro outros consoles.

Isso porque foi no GameCube que a Nintendo buscou restabelecer sua base de jogadores hardcore sem deixar de lado a experiência multijogador criada no N64 e, pavimentando o que seria o Wii como plataforma de jogos casuais. Em outras palavras, o GameCube foi o equilíbrio perfeito de jogos que atendiam aos fãs da Big N e jogos que empolgaram jogadores de outras plataformas. Continue lendo este especial do console e relembre parte destes clássicos que fizeram a fama do cubo roxo da Nintendo.

A história (rápida) do GameCube

Lançado no final de 2001 no Japão e EUA e início de 2002 na Europa, o GameCube foi o primeiro console da Nintendo a abrir mão dos cartuchos e prol das mídias em disco. Porém, diferente de seus concorrentes, a Nintendo buscou no minimalismo fazer do GameCube o menor console de mesa lançado no mercado. Como resultado, sua mídia utilizada foram os MiniDVDs ao invés de DVDs de tamanho convencional, o que de certa forma criou um desafio para os desenvolvedores na hora de comprimir um game para os quase 2GB de espaço. Dado este cenário, 25 dos 640 jogos lançados para a plataforma trouxeram dois discos para serem jogados.

Outro problema encontrado no GameCube graças a sua mídia de tamanho reduzido era a falta de suporte para reprodução de DVDs ou até mesmo CD-ROMs de música, recursos explorados ao máximo por seus concorrentes diretos. Mas esse não era o foco da Nintendo mas, sim, a experiência que o console pudesse oferecer em jogos. Por isso mesmo que o GameCube foi lançado com um dos controles mais diferentes e, ao mesmo tempo, perfeitos para seus jogos. Ainda que seus botões de ação tivessem formatos e disposições nada convencionais, provaram ser ótimos para jogos de plataforma e ação, da mesma forma que seus gatilhos L e R foram pioneiros em combinar a precisão analógica com a pressão digital.

O GameCube também foi marcado por grandes acessórios, entre eles o WaveBird (controle wireless), o Broadband Adapter (adaptador para jogar online) e o Game Boy Player (acessório para conectar cartuchos de Game Boy Advance e jogar através do console). Para quem buscava maiores recursos, a Nintendo lançou em parceria com a Panasonic o Nintendo GameCube Q, que trazia os mesmos recursos do modelo clássico, porém com a adição de um drive de DVD para a reprodução de filmes.

Comercializado em várias cores (com predominância para o roxo e preto), o GameCube vendeu pouco mais de 21 milhões de unidade no mundo todo durante os quase sete anos de história – números pouco expressivos, mas que foram esquecidos quando a Nintendo lançou o Wii na sequência.

TOP 3 – Ousadia e inovação

The Legend of Zelda: The Wind Waker
Sim, eu realmente sou fã de Zelda. Mas o grande motivo de eu colocar Wind Waker como o melhor jogo de GameCube é um só: eis aqui o game criado por Shigeru Miyamoto mais criticado pela mídia e jogadores quando anunciado, mas que fez todo mundo dobrar a língua quando foi lançado. Claro que todos queríamos um Zelda hiper-realista como o revelado na Space World, mas o que Miyamoto fez foi nos mostrar um Link cartunesco que mais parecia uma versão masculina das Meninas Super-Poderosas.

O caso é que Wind Waker foi lançado e calou a todos os críticos por conseguir reinventar a franquia e abusar do filtro cel-shading ao mesmo tempo que aproveitou-se da melhor forma possível do controle do GameCube, criando uma das melhores jogabilidades que um game do gênero teve. Mais do que isso, Wind Waker fez a ligação perfeita com o eterno Ocarina of Time, provando pela primeira vez que, sim, The Legend of Zelda possuía uma cronologia, ainda que a história de cada jogo fosse completamente diferente.

Metroid Prime
A chegada de Samus Aran no Game Cube foi triunfal por vários motivos. O primeiro deles por marcar o fim do longo hiato sem um novo Metroid (afinal, desde o SNES não era feito um novo game da série para consoles); O segundo, e possivelmente o mais marcante, pela completa transformação que a franquia sofreu ao ser levada pela primeira vez para o mundo dos jogos poligonais.

Metroid Prime resgatou todos os elementos da série transportando-os para uma direção de arte e estilo completamente inéditos. Mais do que isso, Prime foi pioneiro no gênero ação em primeira pessoa, com óbvios momentos de tiro, mas focado na exploração e mistério – ousadia da Nintendo que lhes rendeu um dos jogos mais vendidos na história do GameCube (com pouco mais de 1.5 milhão de unidades somente nos EUA). Prime 2: Echoes foi a continuação perfeita, mas seu predecessor ficará eternamente na memória de todos que o jogaram.

Resident Evil
Se a opção fosse escolher por um Resident Evil entre os três melhores games de GameCube, muitos colocariam facilmente RE4, boa parte incluiria RE0, quase ninguém colocaria os ports de RE2, RE3 e RE Code Veronica X. Mas eu tenho certeza que a grande maioria concordará comigo ao elencar o remake de Resident Evil entre os três melhores do console.

Isso porque pela primeira vez a Capcom arregaçou as mangas ao refazer do zero um de seus clássicos, tornando-o não só mais bonito e condizente a geração atual de jogos, como também repaginando sua jogabilidade para atender melhor aos requisitos do controle do GameCube.

Resident Evil Remake nos marcou da melhor maneira possível como o GameCube tinha um potencial gigantesco e que só não era explorado de forma melhor por falta de investimento das third parties, que infelizmente nivelavam a qualidade do console pelo PS2 (por ter a maior base instalada na geração). Ainda assim, jogos como este nos provaram que o console da Nintendo havia sido desenvolvido na medida certa.

TOP 10 – Quem precisa de um Super Mario?

Pois é, quem precisa de um Super Mario quando estamos diante de uma plataforma versátil como o GameCube. Ok, Super Mario Sunshine era ótimo, mas nem de longe é superior a qualquer um dos dez games deste Top (e muitos outros que ficaram de fora por motivo de força maior). Decidir entre os melhores games do cubo roxo da Nintendo não foi tão difícil quanto consoles como SNES ou PSOne, mas não por ele ter poucos games e, sim, por ter games tão memoráveis que facilita qualquer um escolher seus favoritos. Os meus dez mais foram estes:

1. The Legend of Zelda: The Wind Waker
2. Metroid Prime
3. Resident Evil
4. Tales of Symphonia
5. Resident Evil 4
6. Metal Gear Solid: The Twin Snakes
7. Mario Kart: Double Dash!!
8. Pikmin 2
9. Final Fantasy Crystal Chronicles
10. Luigi’s Mansion

O GameCube não teve muitos RPGs. Por isso mesmo deixar de fora Tales of Symphonia seria como esquecer de Final Fantasy VII no PSOne ou Chrono Trigger no SNES. Além dele, Fire Emblem: Path of Radiance foi outro clássico, mas que ficou de fora da minha lista infelizmente. Resident Evil 4 está aí como um dos melhores da série, ainda que hoje existam remakes muito melhores que a versão de GameCube.
O mesmo não pode ser dito de MGS: The Twin Snakes, clássico revitalizado pela Silicom Knights e que até hoje continua belíssimo no GC; Mario Kart: Double Dash é, na minha opinião muito melhor que a versão de Wii por oferecer uma experiência cooperativa muito melhor; Pikmin 2, FF Crystal Chronicles e Luigi’s Mansion talvez não estejam na sua lista, mas merecem nosso respeito por inovarem e divertirem na medida certa.

O que ficou faltando? Muito jogo bom, acredite. Clássicos como Super Smash Bros. Melee, Ikaruga, F-Zero GX, Viewtiful Joe, Eternal Darkness, Star Wars: Rogue Leader, Paper Mario: The Thousand-Year Door, Animal Crossing, Skies of Arcadia Legends, Killer7, Wave Race: Blue Storm e Mario Party 7 entrariam fácil na lista – se ela fosse de 20 jogos, é claro.

Onde jogar os jogos de GameCube hoje?

Jogue GameCube no Wii – esta é a melhor forma de curtir o console, afinal o mais recente console da Nintendo possui retrocompatibilidade para seu predecessor (com exceção dos novos modelos que estão nas lojas). Mas isso tecnicamente é útil para games que nasceram e se mantiveram exclusivos no GameCube, pois boa parte dos clássicos ganharam versões melhoradas (como Metroid Prime que saiu na compilação Metroid Prime Trilogy para Wii) ou foram substituídos por continuações mais competentes (como Super Smash Bros Melee que perdeu a vez para Super Smash Bros. Brawl, também no Wii).

….

Pois é, estamos praticamente na reta final dos consoles que aparecerão no especial “Aposentadoria Gamer”. Na próxima semana, abro o ano de 2012 com o primeiro Xbox da Microsoft, antes de fecharmos esta geração de consoles com o PlayStation 2 (que definitivamente me dará o triplo de trabalho para ser compilado).

Enquanto isso, conte-nos quais são os seus jogos favoritos de GameCube, mas aproveite também para relembrar as plataformas que já passaram por aqui:

Atari 2600
NES
Master System
Neo Geo / Neo Geo CD
Super Nintendo
Mega Drive
Game Boy / Game Boy Color
3DO
Jaguar / Jaguar CD
Nintendo 64
PlayStation
SEGA Saturn
Game Boy Advance
Dreamcast

A todos, um Feliz Natal cheio de alegrias, saúde e jogos para curtir.

- Farah

 

 

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Aposentadoria Gamer: Dreamcast

dom, 18/12/11
por Ricardo Farah |
categoria Aposentadoria Gamer, Jogos
| tags game over, Pra sempre, Vida Gamer

A frase clichê “os fins justificam os meios” cabe perfeitamente para o console desta coluna. O Dreamcast da SEGA, mais conhecido como o último aparelho produzido pela empresa, marcou a história dos videogames e jogadores do início do século XXI de uma forma sem precedentes. Diferente de qualquer outro videogame que fracassou no mercado, gosto de falar que o Dreamcast não fracassou em momento algum, pois foi completo e pleno ao que se propôs. Ainda assim, ele teve o azar de ter sido lançado em uma época um tanto prematura e, principalmente, carregado de ceticismo por conta do seu predecessor pouco reconhecido (o Saturn).

Relembrar a história e os principais jogos do Dreamcast é como voltar para a única época na qual a indústria de games realmente era segmentada em quatro potências (SEGA, Sony, Nintendo e Microsoft). Continue lendo a coluna de hoje para entender o motivo da mãe do Sonic ter abandonado o mercado de consoles.

A história (rápida) do Dreamcast
Lançado no Japão em novembro de 1998, nos EUA em setembro de 1999 e na Europa em dezembro do mesmo ano, o Dreamcast foi o primeiro videogame da sexta geração de consoles, além de ser o primeiro verdadeiramente 128 Bits. Sua história de desenvolvimento iniciou em meados de 1997, quando o até então presidente da SEGA of America (Bernie Stolar) impulsionou a produção do novo console dada as baixas vendas do SEGA Saturn no mundo todo, mas principalmente nos EUA.

Esse então foi o primeiro erro do Dreamcast, que acabou sendo lançado de forma prematura. Se não bastasse, a tecnologia 3Dfx que seria usada para o processamento de vídeo do console foi abortada pela SEGA, que acusou a empresa da tecnologia por vazamento de informações do console antes de seu anúncio oficial. No lugar da 3Dfx, o processamento gráfico contou com a tecnologia PowerVR2 (que usava a arquitetura do DirectX). Segundo especialistas na época, este foi o segundo erro da SEGA, que infelizmente optou por uma tecnologia que se tornou defasada em pouco tempo.

Em seu lançamento, o Dreamcast marcou-se com vendas agressivas e números recordes. Jogos como Marvel vs Capcom, Soul Calibur e Sonic Adventure garantiram a melhor fase de vendas do aparelho, que conquistou pouco mais de 10 milhões de consoles vendidos em toda sua história. Porém, um ano após seu lançamento foi suficiente para iniciar a queda nas vendas. O motivo foi único: o lançamento do PlayStation 2 da Sony.

Se não bastasse, com o anúncio do GameCube da Nintendo e do Xbox da Microsoft, todo sucesso do Dreamcast foi ofuscado, fazendo com que a SEGA encerrasse a produção do aparelho em Janeiro de 2001. Outro potencial responsável pelo fim prematuro do Dreamcast sem dúvida foi o suporte das third parties como a Squaresoft. Porém, a ausência mais sentida foi da Electronic Arts e toda sua linha de jogos de esporte.

Ainda assim o Dreamcast conseguiu em pouco menos de três anos lançar uma série de tecnologias que futuramente foram absorvidas por seus concorrentes. A principal delas foi o acesso a internet no console capaz de proporcionar as primeiras partidas online em games de console. A segunda tecnologia mais importante foi a criação do VMU (Visual Memory Unit), cartão de memória que servia para salvar o progresso dos games mas, principalmente, tinha a função de minigame para alguns jogos graças a sua tela de cristal líquido. Mas nem de hardware inovador o Dreamcast merece nosso respeito. Continue lendo este especial e confira alguns dos games mais criativos da indústria.

TOP 3 – Ousadia e inovação

Shenmue
O Dreamcast teve o seu “Super Mario” e esse não foi um game do ouriço Sonic, mas sim o RPG de ação Shenmue. Criado por Yu Suzuki (uma das maiores mentes dentro da SEGA – pai de Hang On, OutRun e Virtua Fighter), a história do jogo foi concebida para ser desmembrada em sete episódios. Por ter um custo altíssimo de produção e, obviamente pelo insucesso do Dreamcast, Shenmue só teve dois episódios lançados, tornando-se o primeiro jogo do gênero a, infelizmente, não ter sua história concluída.

Aclamado pela crítica pelo seu visual formidável (acredite, o PS2 levou anos para ter games com esta qualidade), o charme de Shenmue também era apontado por sua jogabilidade, uma das mais práticas e bem acabadas que um game do gênero teve até hoje. Vale lembrar que estamos falando do jogo que criou o famoso QTE (Quick Time Event), ou simplesmente, ações que aconteciam com base no pressionar de uma sequência de botões específicos – no game, o sistema era usado para todas as lutas nas ruas, por exemplo.

O caso é que Yu Suzuki criou argumentos perfeitos para fazer do game uma verdadeira obra hollywoodiana, com o protagonista Ryo partindo em busca de vingança pela morte do pai, mas dividindo seu coração com um amor até então desconhecido. Definitivamente Shenmue está não só no topo da minha lista do Dreamcast, como também está entre os melhores jogos que joguei até hoje.

Jet Grind Radio
Se Shenmue foi o pai do QTE, Jet Grind Radio foi o pai do cel-shading (filtro aplicado em modelos poligonais para causar um aspecto de desenho animado). Porém esse não é o único trunfo do game conhecido também como Jet Set Radio. Falo de um dos jogos mais originais do console da SEGA. Ainda que eu repudie o ato de pichação nas ruas, tenho que concordar que fazê-lo através deste jogo tenha sido genial.

Em uma mistura de Tony Hawk com GTA e algum puzzle (você precisava direcionar a sua lata de spray para desenhar formas e ilustrações específicas), JGR foi um dos games que mais marcou os jogadores de Dreamcast na época. Fugir da polícia oriental ao mesmo tempo que cumpria as missões dos DJs mais malucos da cidade era algo que realmente rendia muitas horas de diversão.

Crazy Taxi
Por falar em diversão, eis um dos jogos mais divertidos e descompromissados do Dreamcast. Crazy Taxi bebe da mesma fonte de Grand Theft Auto no sentido de fazer de você um exímio motorista, porém o grande trunfo do jogo foi permitir que cumpríssemos nosso fardo trabalho de taxista levando pessoas das mais diversas personalidades possíveis para os mais remotos cantos da cidade. Tudo isso ao som da banda The Offspring que embalava a diversão e potencializava a adrenalina do jogo.

TOP 10 – Um coletivo de possibilidades

Ao longo de sua vida curta, o Dreamcast teve exatos 720 jogos lançados no mundo todo. Com este número enxuto, muita gente acharia impossível encontrar muitos games bons para o console. Porém é justamente o contrário. O Dreamcast teve uma das mais completas biblioteca de jogos no que diz respeito a ótimos e variados títulos. Por isso mesmo peneirar os dez mais entre tantos games bons foi uma tarefa extremamente desafiadora. Eis o resultado:

1. Shenmue
2. Jet Grind Radio
3. Crazy Taxi
4. Sonic Adventure
5. Virtua Tennis 2
6. Phantasy Star Online
7. Resident Evil Code: Veronica
8. Grandia II
9. Ikaruga
10. Quake III Arena

Indo direto para o quarto colocado, muita gente pode torcer o nariz, mas Sonic Adventure é o melhor game do ouriço em 3D na minha opinião, assim como Virtua Tennis 2 foi o melhor game do esporte que joguei até hoje. Phantasy Star Online e Quake III Arena foram os games que me motivaram a investir em um telefone só para que pudesse conectar o console na internet (o meu aparelho usava conexão discada), da mesma forma que Ikaruga era o melhor jogo de nave de um console, mesmo que ele ficava melhor quando virávamos a TV de tubo para se assemelhar a um Arcade. Por fim, Grandia II foi o melhor RPG do console ao mesmo tempo que Resident Evil Code: Veronica marcou como um dos grandes jogos da franquia. Mas o Dreamcast não para por aí.

Gosto de lembrar do console pela sua ousadia em ter games psicodélicos como Rez e Seaman; musicais como Samba de Amigo e Space Channel 5; e outros clássicos como F355 Challenge, Skies of Arcadia, Powerstone 2, Unreal Tournament e muitos outros. Faltou algum game? Todos os de luta é claro, que rendem ao menos um TOP 10 como este:

1. SoulCalibur
2. Marvel vs. Capcom 2
3. Capcom vs SNK 2
4. Street Fighter III 3rd Strike
5. Guilty Gear X
6. Virtua Fighter 3tb
7. Garou Mark of the Wolves
8. Project Justice
9. Psychic Force 2012
10. Dead or Alive 2

Onde jogar os jogos de Dreamcast hoje?

Infelizmente o legado do Dreamcast praticamente foi enterrado com o console. Remakes de alguns jogos e continuações das melhores franquias foram lançados para outros consoles. Porém a melhor dica que eu posso te dar é: invista em um aparelho usado. Um Dreamcast em bom estado hoje você encontra facilmente no mercado. Ainda que você possa ter um certo trabalho em adquirir os jogos originais, acho que vale o investimento pelo legado deixado pela SEGA.

….

E aí, o que achou de relembrar o último console produzido pela SEGA? Conte sua história e me ajude a relembrar os clássicos do Dreamcast. Na próxima semana avanço no tempo mais alguns anos e trago para cá o GameCube da Nintendo (esse vai dar o que falar também). Enquanto isso, relembre os outros consoles que já passaram por aqui:

Atari 2600
NES
Master System
Neo Geo / Neo Geo CD
Super Nintendo
Mega Drive
Game Boy / Game Boy Color
3DO
Jaguar / Jaguar CD
Nintendo 64
PlayStation
SEGA Saturn
Game Boy Advance

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  • Affonso Solano

    Affonso Solano é um dos criadores do site e podcast Matando Robôs Gigantes, que conta tudo sobre Games, Cinema e Quadrinhos. Além disto é ilustrador, trabalhando para o mercado nacional e internacional desenhando monstros, super-heróis e alienígenas!

    Ricardo Farah

    Designer e jornalista especializado no mercado de entretenimento e jogos no Brasil desde 2001, foi Editor Executivo das revistas EGM Brasil e Nintendo World; Hoje, no comando da SKY7, presta serviços de consultoria, palestras e conteúdo especializado em games, enquanto estuda desenvolvimento de jogos e mantém o site www.ricardofarah.com.br

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