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VLC 2.0 chega repleto de novidades

dom, 19/02/12
por augusto |
categoria Sem categoria

O VLC é um dos maiores exemplos de sucesso entre os aplicativos de código aberto. Sem grandes recursos de marketing ou o patrocínio de alguma multinacional de bolsos fundos, ele se difunde por méritos próprios baseados na excelência com que realiza seu papel essencial (exibir o conteúdo de arquivos de vídeo e áudio).

Essa excelência se traduz em vários critérios, com destaque para 3 principais: o amplo suporte a formatos multimídia (dos mais populares aos mais obscuros), a versatilidade nas funções e a presença nas principais plataformas, permitindo que quem o conheceu no Linux o use no Windows e no Mac e vice-versa.

E o final de semana do Carnaval foi marcado por um evento importante no ciclo de vida do VLC: sua versão 2.0 foi lançada, trazendo uma série de novidades de interesse direto de seus usuários, tais como:

  • Suporte a novos dispositivos, incluindo Blu-Ray (experimental)
  • Suporte a novos formatos de arquivo de vídeo e áudio, incluindo vários de uso tipicamente profissional (ProRes 422 e 4444, AVC/Intra, legendas EBU).
  • Melhor aproveitamento da capacidade de processamento de de CPUs multi-core, GPUs e dispositivos móveis
  • Decodificação multi-thread para os formatos H.264, MPEG-4/Xvid e WebM.
  • Novos filtros de vídeo e legendas com mais qualidade
  • Nova interface com o usuário (apenas nos Macs e na Web)
  • e muito mais

As saídas de áudio e de vídeo foram renovadas em várias das plataformas suportadas (até no OS/2), novos resamplers oferecem áudio de qualidade superior, e há suporte a uma série de novos hardwares em plataformas específicas, incluindo OpenMAX, placas CrystalHD, SDI e HD-SDI. O suporte a plataformas legadas também permanece presente, incluindo novas saídas de vídeo para OS/2 e a capacidade de exibir vídeos 1080p em Macs PowerPC com OS X 10.5 (Dual-G5).

Já o suporte experimental a BluRay é uma ótima novidade mas ainda não vem completo: além das bibliotecas necessárias ao DRM dos discos comerciais (AACS e BD+) não serem incluídas no pacote oficial por razões legais, o suporte aos menus dos discos está desativado na versão 2.0 (mas vai ser disponibilizado “logo”, segundo o anúncio de lançamento).

Para os desenvolvedores, a principal novidade parece indicar que o suporte aos iPads e iPhones (que motivou conflitos internos sobre o licenciamento no passado e teve que ser suspenso) poderá ser retomado: a licença GPL dos componentes libVLC, libVLCcore e libcompat foi substituída pela (também livre mas menos restritiva) LGPL. Mas outra novidade interessante para a turma das IDEs e compiladores é que alguns novos exemplos de uso da libVLC em aplicativos estão disponíveis para ajudar a orientar sua adoção em seus projetos.

Na data em que escrevo, o VLC 2.0 está disponível para download no site oficial em versões para Windows e Mac. Os usuários de Linux, como de hábito, receberão o aplicativo por meio de suas distribuições ou de repositórios comunitários, mas também podem fazer o download do código-fonte e providenciarem sua própria compilação desde já se preferirem!

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Das palavras à ação: #Brasilcomlinux apoiando a busca de um #Brasilsemvirus

qua, 01/02/12
por augusto |
categoria Sem categoria

Após ter visto tantas vezes a hashtag da campanha #Brasilsemvirus ser rebatida (no Twitter e em blogs) com #Brasilcomlinux, me senti tentado a escrever a respeito mesmo sabendo que a maioria dos leitores que chegarão a se interessar pelo meu texto já tem formada a sua base de conhecimento sobre segurança digital – pois meu alvo é composto justamente por eles.

Mantenho desde 1996 o BR-Linux.org, um blog especializado em Linux, e o que vi nestes 15 anos me faz considerar irreal, como solução ampla, esperar que os usuários hoje sujeitos a infecções por softwares maliciosos aceitem coletivamente um convite de instalar Linux em seus computadores e passem a estar aptos a mantê-lo melhor do que mantêm o Windows hoje. Não é razão para que o convite deixe de ser feito, mas o torna insuficiente, na minha visão, quando o esforço de quem convida para por aí.

E não penso isso por falta de tutoriais ou de instaladores suficientemente amigáveis, mas porque os usuários que são alvo primário deste tipo de campanha de prevenção, considerados de modo geral, não estão aptos a avaliar mudanças de configuração profundas como a troca do sistema operacional já instalado em seus computadores.

É por isso que este texto se dirige não aos usuários de computadores hoje expostos a vírus e que podem se beneficiar do Linux, mas sim a quem oferece #Brasilcomlinux como sua resposta a #Brasilsemvirus mas pode ter algo de concreto a acrescentar a essa sua resposta.

Questão de atitude

Minha percepção é que muitos dos que usam a hashtag como resposta assumem a atitude de “vírus não é problema meu, uso Linux“. Infelizmente não é verdade, nem mesmo no caso de quem usa essa tag e é de fato usuário de Linux: os vírus que até o momento nem tentam entrar no seu computador mas infestam o do vizinho, o do colega de trabalho e o da sua tia atingem você de várias formas: gerando tráfego que reduz a velocidade da sua Internet, obrigando bancos e sites de comércio eletrônico a tomar uma série de precauções chatas que também se aplicam a você e a seus clientes, multiplicando o envio de spam e mais.

Sou favorável a que as pessoas hoje vítimas de vírus recebam todo o apoio que puder ser dado a elas no sistema que usam, e aplaudo iniciativas de informação e oferta de ferramentas como a da campanha #Brasulsemvirus, com potencial de chegar a pessoas que muitas vezes ficam de fora deste tipo de orientação.

Mas disseminar a ideia alternativa de um #Brasilcomlinux neste contexto também tem um sentido interessante, quando se pensa na prevenção aos vírus de computador: por uma série de fatores (econômicos, de arquitetura de sistemas, de público-alvo e mais), a presença de softwares maliciosos infectando computadores com Linux é rara (e o mesmo também ocorre em outros sistemas UNIX e Unix-Like: OS X, FreeBSD e tantos outros). Só que não basta dizer “os usuários deveriam migrar para Linux” ou “Quem faz campanha com antivírus devia fazer com migração para Linux” e pensar que contribuiu muito.

Linus Torvalds, criador do Linux, tornou célebre a frase “Talk is cheap, show me the code“, ilustrada na simpática caneca da Cafepress acima e que na prática significa o mesmo que “falar é fácil, quero ver é uma solução”. Neste espírito, quero aproveitar a oportunidade e convidar os colegas que em algum momento usaram a hashtag #Brasilcomlinux para fazer pouco caso de uma iniciativa alheia pela redução do impacto negativo dos malwares a buscar também uma ação positiva, ainda que pouco visível, para disseminar o código aberto como solução preventiva.

Não precisa ser nada em grande escala, complicado, nem envolver reuniões ou depender de coordenação e participação alheia: em dezembro eu já havia feito o chamado para que o público técnico aproveitasse as visitas de final de ano para fazer o upgrade do navegador dos netbooks das suas tias, e este tipo de medida local (incluindo a possível substituição por um navegador mais robusto ou baseado em open source) certamente já ajuda a tia bem mais do que twittar que ela deveria estar usando Linux.

Uma resposta mais completa: oferecer um sistema bem mantido

Só que este upgrade de computadores de tias, metafóricas ou não, nunca é uma tarefa simples. Muitas vezes o desafio é saber quando parar, pois quase sempre se descobre que o firewall pessoal estava desativado, o antivírus estava vencido, os plugins Java e Flash estavam desatualizados, etc.

Acostumados a nossos próprios sistemas bem mantidos, à ausência de “utilitários” de segurança que ficam colocando entraves às operações de administração, a ferramentas de atualização automatizadas que funcionam bem e a conexões à Internet de melhor qualidade, nós usuários experientes de Linux muitas vezes sofremos (a ponto de rejeitar o desafio) ao precisar fazer uma manutenção básica nos PCs de nossas tias em que tudo parece ter sido feito para atrapalhar a boa manutenção.

A dura realidade é que mesmo o sistema operacional que a tia usa poderia estar em boas condições de manutenção. Mas raramente se trata de uma versão recente, muitas vezes aqueles recursos indesejados que os fabricantes instalam para “agregar valor” estão lá ativos e ocupando recursos mesmo sem ter nenhuma utilidade prática desejável, a ausência acumulada de manutenção também cobra seu preço, e aí a explicação fácil de que as coisas são assim “porque não é Linux” mascara a realidade de que as coisas são assim porque a tia (que neste caso é uma metáfora para boa parte dos usuários que sofrem regularmente com a ameaça de infecções) não aprenderá a configurar o sistema, usa tudo da forma como estiver, e não conta com alguém que a oriente de forma continuada.

É aí que entra a minha forma pessoal de fazer funcionar a ideia de um #brasilcomlinux para as pessoas que estão ao meu redor, que descreverei a seguir.

Minha receita pessoal para contribuir com o #Brasilcomlinux

Quando suspeito que vou ajudar alguém com a manutenção de um PC nessas condições, tento me preparar levando comigo um pen drive contendo:

  1. a versão atualizada do navegador e dos plugins essenciais
  2. alguns Portable Apps em código aberto para Windows (que rodam direto do pen drive, sem precisar instalar), para casos de necessidade
  3. uma versão recente de uma distribuição Linux (geralmente o Ubuntu) pronta para rodar diretamente, sem instalar.

Minha estratégia é a seguinte: como as tias logo se afastam porque não conseguem prestar atenção por muito tempo nos procedimentos e recomendações que surgem enquanto ocorre o upgrade do navegador, aproveito o momento em que elas saem para fazer um cafezinho e testo o Ubuntu do pen drive nos computadores delas (incluindo aqueles detalhes que muitas vezes nos quebram as pernas: suporte a impressora, à conexão de rede, saída de áudio, microfone, os arquivos no disco do Windows, etc.).

Quando ela retorna trazendo o café quentinho, já estou com tudo testado e apresento a ela o navegador (rodando no Ubuntu, mas ela não sabe), digo que neste momento vai ser normal ela ter de cadastrar novamente a senha da rede social e do webmail, peço para ela testar o acesso ao banco, para ver se seus arquivos (que geralmente não são muitos) estão abrindo, pergunto se ela usa o Skype e peço para testar também.

Quando tudo dá certo, em algum ponto do processo eu ouço o comentário de que tudo está mais rápido, e é aí que conto que na verdade ela está usando o sistema do pen drive. Para ilustrar, dou um reboot para mostrar como é rápido e automático, mostro onde estão os ícones dos aplicativos, digo quais as vantagens (desempenho e segurança), explico que também pode haver incompatibilidades mas que o sistema antigo dela continua lá instalado, e que para usá-lo basta ligar o computador sem o pen drive conectado.

E este é o ponto crucial: é a hora em que demonstro o boot do Windows que já estava lá, no qual me limitei a fazer as atualizações essenciais. Tendo agora uma alternativa para comparar, a tia quase sempre percebe o contraste na visão daquele boot loooongo, seguido de abertura do antivírus, firewall e das várias janelas que se sucedem passando para o usuário a mensagem de “não posso mexer ainda”, bem como o tempo de resposta maior no navegador em um computador que está rodando todo tipo de utilitário de controle e segurança.

Os resultados variam: o conforto de a alternativa conhecida continuar à disposição e o fato de que a maior parte das tarefas delas são feitas no navegador (cuja interação não muda tanto assim) permite que muitas tias aceitem de braços abertos aquele sistema do pen drive, que roda tão mais rápido.

Aí eu as ensino a tirar uma screenshot para me mandar por e-mail quando surgir alguma mensagem desconhecida com as quais elas não saibam o que fazer, me certifico de que saberão voltar para o Windows quando quiserem, e fico preparado para responder a várias dúvidas na primeira semana, e para orientar na manutenção quando for necessário. Caso a adoção do Linux se confirme, uma segunda visita poucas semanas depois levará a uma instalação completa no disco rígido, configurando a atualização automática e tudo que a tia merece em termos de um sistema feito para durar.

Mas sempre há um percentual de tias que preferem que tudo continue do jeito que elas já se acostumaram, e com essas eu não insisto: pouca coisa pode ser mais irritante que alguém que se acha missionário de algum sistema operacional.

Para ir além do Twitter, um #Brasilcomlinux dá trabalho

Manter computadores alheios dá muito trabalho e exige muita paciência, e quando você instala um sistema novo no computador de alguém, ficará marcado para sempre como referência para qualquer dúvida ou problema. Muitas iniciativas (de grande e pequeno porte) de migração para Linux falharam porque quem estava disposto a fazer a configuração não tinha uma solução para a posterior manutenção.

Se for este o caso, às vezes é bem mais cômodo contribuir para o #Brasilsemvirus simplesmente indicando alguém que possa fazer a manutenção regular do Windows do computador da tia. Me envolver diretamente é algo que eu faço apenas pelas pessoas com as quais me importo, ou quando percebo que simplesmente não há outra alternativa.

Embora não me incomode em nada quando elas preferem usar outro sistema, oferecer o Linux como uma alternativa de menos manutenção, para pessoas que não sentirão falta de recursos específicos do Windows, é uma forma a meu alcance de contribuir para que elas aproveitem o potencial dos seus computadores por mais tempo, e que se livrem de diversos casos reais de infecção ou verdadeiras infestações de malware.

Não é propriamente um esforço de inclusão digital ou em busca de ampliar os números do Linux (há iniciativas neste sentido se você quiser procurar e aderir), mas sim uma maneira de contribuir na prática com a solução dos problemas das pessoas próximas que me procuram e que eu gostaria de ajudar, uma vez que a manutenção completa do seu sistema Windows (usualmente desatualizado, frequentemente sem licença e precisando de manutenções profundas) exige técnicas que não domino.

Para mim é uma forma prática, ainda que restrita, de juntar a ideia do #Brasilcomlinux à do #Brasilsemvirus. E que vai além do mero discurso reativo mencionado no início deste texto.

Fica, portanto, o convite: se você já pensou em #Brasilcomlinux quando viu a tag #Brasilsemvirus, e se conhece Linux o suficiente para manter o sistema de alguém, localize entre as pessoas próximas a você quem é a tia que poderia se beneficiar realmente deste sistema como alternativa ao que ela tem hoje, e permita que ela o experimente em seu próprio equipamento.

Após alguns dias, se ela aprovar, providencie uma migração em base mais definitiva, e a ajude na transição: mesmo que seja só um caso, será um resultado bem maior do que o de outras pessoas cuja “contribuição” na prevenção aos vírus se reduz a retrucar com uma hashtag que no caso delas nem sempre vem acompanhada de nenhuma iniciativa real que aumente o número de usuários de Linux ou que reduza a exposição a vírus das pessoas a seu redor!

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20 anos de Linux: infográfico mostra como foi a evolução

sáb, 20/08/11
por augusto |
categoria Sem categoria
| tags Aniversário, Infográfico, Linux

O infográfico que a Linux Foundation preparou como parte de suas atividades que marcam os 20 anos do projeto que lhe dá o nome – o kernel livre Linux,  desenvolvido por um estudante finlandês para rodar no seu 386 em 1991 -  ficou muito legal mas padece de um problema: é tanta informação interessante, que fica até difícil colocar algumas delas na perspectiva correta.

Clique para ver o infográfico completo

Devido ao tamanho da ilustração, não deu de publicar aqui no seu formato original, mas você pode clicar na reprodução acima para abrir a versão completa ;-)

Os dados foram obtidos em uma pesquisa conduzida diretamente junto aos usuários de Linux e complementados por análises de mercado, e de modo geral são um comparativo sobre “naquela época” e “agora” – só que o “naquela época” varia – às vezes é 1991, ou 1992, ou 1997… depende!

Mesmo assim, eles expressam a natureza do desenvolvimento do Linux em muitas áreas, ao mesmo tempo em que expressam a natureza das mudanças do mercado ao seu redor, e dos hábitos dos usuários.

Para ficar em um exemplo, o trecho do infográfico que mais me chamou a atenção pelo seu caráter de vitória incontestável é o do Linux nos 500 supercomputadores mais potentes do mundo: em 1998 era só 1 (e quem já era fã de Linux na época deve lembrar o quanto esse 1 supercomputador foi comemorado), mas hoje 413 dos 500 maiores supercomputadores do mundo rodam Linux.

 

Ao redor da plataforma

Os números mostrando a realidade ao redor da plataforma também permitem identificar o que significam para os usuários os percentuais de smartphones e de servidores web rodando Linux que encontramos em estatísticas todos os meses: em 1995 o mundo tinha 16 milhões de usuários da Internet – hoje, para cada um deles, há mil: já somos 1 bilhão e 600 mil usuários da Internet.

Nos celulares uma multiplicação similar aconteceu: em 1997 foram vendidos 100 milhões de aparelhos, e no ano passado foram 4,6 bilhões.  Nos computadores pessoais, o crescimento também foi enorme, mas não na mesma escala: os 37 milhões vendidos em 1994 cresceram para 351 milhões em 2010.

 

Crescei e multiplicai

O próprio kernel Linux também teve sua escala multiplicada: de 100 desenvolvedores participando em 1992 (em si um grande sucesso, considerando que o projeto iniciou em um quarto de estudante no ano anterior) chegou a 1000 programadores do kernel em 2010.

O crescimento do Linux também se reflete no tamanho e complexidade do produto em si: de 250.000 linhas de código em 1995 para 14 milhões em 2010.

 

E os usuários?

A maioria dos usuários pesquisados declarou que no passado usava Fedora/Red Hat, Slackware ou Debian, e hoje usa Ubuntu, Fedora/ Red Hat ou “outras” – e é interessante ver que hoje a categoria “outras” ganha de distribuições tradicionais como Debian e openSUSE.

Mas o mais interessante sobre os hábitos dos usuários é perceber que a maioria deles declarou que anteriormente usava o Linux só em casa, e hoje usa tanto em casa quanto no trabalho e estudos.

 

Mais infográficos mostrando a trajetória do Linux

Infográficos são uma maneira interessante de transmitir informações, abrindo mão de uma parte da precisão dos gráficos estatísticos tradicionais em prol de um entendimento mais amplo e direto da ideia que se deseja transmitir.

Clique para ver em tamanho completo

Neste sentido, o infográfico acima (clique que ele amplia!) mostrando 11 marcos memoráveis na história do Linux é um bom exemplo: começa com uma foto do Linus pós-adolescente criando o Linux, fala sobre distribuições, sobre a escolha do pinguim como mascote, e até o Android e a nova escolha de definir o sucesso do Linux pela sua presença no back-end de uma série de indústrias podem ser encontrados.

Feliz aniversário, Linux!

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Linus Torvalds e a ética da GPL

qua, 11/05/11
por augusto |
categoria Sem categoria

Os aniversários de 20 anos do Linux serão comemorados no segundo semestre deste ano, e as iniciativas de rememorar este longo histórico – em especial as partes que ocorreram antes de o Linux se tornar um nome conhecido no meio tecnológico – já começam a se multiplicar. Algumas dessas iniciativas são realizadas com grandes recursos e roteiros minuciosamente planejados, como os vídeos comemorativos que a Linux Foundation anda preparando, e merecem ser apreciadas e comemoradas.

Mas outras, realizadas por integrantes da comunidade com pouco orçamento mas muita afinidade com o sistema, surpreendem pela abordagem direta e profunda – como a entrevista que um grupo de usuários francês realizou com Linus Torvalds, o criador do sistema, e na qual colocou em pauta não as já batidas circunstâncias da criação do sistema, mas sim boa parte dos assuntos polêmicos relacionados ao Linux ou sobre os quais seu autor se manifestou ao longo das últimas 2 décadas.

Estão presentes lá a questão da comparação entre microkernels e kernels monolíticos, o fork realizado pelo Google no Android, a dificuldade de expandir a presença do Linux no desktop, a competição entre os compiladores livres LLVM e GCC,  a questão das patentes de software, e mais.

Mas por que “os aniversários”?

Antes de prosseguir, é necessário abrir parênteses para explicar isso: devido à forma como foi criado e desenvolvido, não existe uma única data em que se comemore o nascimento do Linux.

No lugar disso, há pelo menos 4 datas diferentes:

  • A data do primeiro registro disponível de que Linus já estava trabalhando no projeto  (3 de julho de 1991)
  • O dia em que ele comunicou ao público em geral pela primeira vez que estava desenvolvendo o sistema (25 de agosto)
  • O dia do lançamento da versão 0.01, que não foi pública (17 de setembro)
  • O dia do lançamento da primeira versão pública (0.02, em 5/10)

A razão da indefinição é simples: não há alguém interessado em decidir por apenas uma delas. O próprio Torvalds trata a questão de forma bem-humorada e recomenda que se alguém quiser garantir comemorar a data certa, o melhor é providenciar 4 bolos ;-)

A licença GPL

Retornando à entrevista sobre temas polêmicos, há um entre eles que me chamou especialmente a atenção: a questão do licenciamento e a escolha da GPL para governar o uso, estudo, modificação e redistribuição do Linux.

Sabe-se que a relação entre o autor original do Linux e a Free Software Foundation, entidade que criou a licença GPL, é intrincada: cada um dos lados adota e aprecia os frutos do trabalho do outro lado,  mas não perde oportunidades de esclarecer que há divergências filosóficas entre seus posicionamentos.

E na entrevista, Linus aproveitou para expor claramente a raiz da divergência no que diz respeito ao uso da licença GPL. E o problema, conforme descrito, é simples: ele escolheu esta licença por uma razão prática: ela expressa o que ele desejava fazer com o código: permitir que qualquer pessoa interessada pudesse usar e redistribuir, mas se redistribuir com alteração, precisaria redistribuir  também o código-fonte correspondente a ela.

Ao mesmo tempo, na visão dele, há pessoas que acreditam que a licença GPL é “a” opção ética de licenciamento para este tipo de software, e tentam empurrar ou impor esta visão aos outros, ou tem a expectativa de que os desenvolvedores do Linux coletivamente deveriam também contribuir ativamente para propagar esta visão da GPL como “a escolha ética” para licenciamento de software.

Para eles, Linus responde na entrevista: ele considera que sua escolha de licenciamento foi ética, mas a ética estava no seu ato de escolha, sem residir na licença em si. Para ele, outras escolhas de termos de licenciamento, como as licenças livres permissivas (sem a exigência de reciprocidade presente na GPL), ou mesmo as licenças proprietárias, também permitem opções éticas de licenciamento aos autores que as escolhem.

E ele mesmo sumariza, em tradução livre:  “Tentar empurrar alguma licença como sendo ‘a escolha ética’ me dá raiva. Mesmo.”

Ética, política e licenciamento

Pessoalmente acredito que a maioria dos atos conscientes têm algum conteúdo ético e político, e isso se estende aos 2 lados da questão: tanto a quem defende que a ética não reside na licença em si, quanto a quem tenta empurrar uma licença caracterizando-a como “a” opção ética de licenciamento.

No caso em estudo, me alinho aos que acreditam que não existe apenas uma opção ética de licenciamento, e optar pela liberdade com restrições mínimas das licenças BSD,  pela liberdade com exigência de reciprocidade da licença GPL, ou por reservar os direitos autorais são 3 opções que assistem aos autores, e todas elas podem ser éticas ou antiéticas, dependendo de circunstâncias que vão bem além do texto da licença em si.

Assim como acontece com outros movimentos que avaliaram e chegaram à conclusão de que a sua posição sobre alguma questão (dieta, vestuário, resolução de conflitos entre nações, regime econômico, etc.) é a única que é abraçada pela ética, geralmente a discussão de movimentos a favor de determinados posicionamentos (definidos por eles como “a escolha ética”) com quem não pertence ao mesmo movimento fica mais difícil, pois os objetivos, premissas e paradigmas adotados não são os mesmos, e as opções defendidas são encaradas como imperativos absolutos.

Mas não há razão para pessimismo: o Linux só tem 20 anos, ainda ha muito tempo pela frente para que prevaleça o consenso – ou não ;-)

 

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Os números dos navegadores após o lançamento do Firefox 4

qua, 06/04/11
por augusto |
categoria Mozilla, Sem categoria

O Firefox 4 foi lançado há cerca de 2 semanas, trazendo ao público não só o entusiasmo dos seus desenvolvedores com a qualidade da versão, mas também o estrondoso número de 7 milhões de downloads nas primeiras 24 horas, se aproximando do recorde de downloads obtido pela versão 3.

Mas é natural que o número de downloads não exprima tão fielmente (ou pelo menos não tão completamente) a popularidade de cada navegador: este número pode ser melhor obtido pela contagem do uso ou da preferência, e não pela das transferências ou instalações.

Todas as metodologias e fontes de estatísticas a este respeito têm suas falhas, mas há vários anos (desde a arrancada do Firefox na época do lançamento de sua versão 1.0) adotei uma mesma fonte de dados para esta finalidade: a pesquisa NetMarketShare (anteriormente conhecida pelo nome de pesquisa NetApplications).

Restrita e limitada como é, sempre percebi que ela tem atualizações regulares e seu histórico espelha bem as tendências de crescimento e redução. E o número de vezes que os resultados dela serviram para embasar as comemorações pelo avanço dos navegadores em código aberto dá a ela, para mim, um diferencial importante: o fato de ter sido aceita como fonte legítima pelo público ao longo de vários anos.

Medindo a situação

Hoje eu acompanho com atenção os dados de 3 navegadores: o Mozilla Firefox, em código aberto, e a dupla Google Chrome e Apple Safari – ambos usam o engine WebKit, em código aberto, e curiosamente derivado de um componente do ambiente gráfico KDE: o khtml.

A curiosidade com o efeito do lançamento do Firefox 4, há um bom tempo anunciada como o ponto de inflexão previsto para a curva deste navegador, me fez olhar para os resultados do mês corrente com mais atenção do que o usual – a ponto de perceber que, mesmo tendo sido lançado só no dia 22, a nova versão do navegador da Mozilla parece ter provocado mesmo uma mudança de sinal na sua série, efeito que tem sido raro: só em 3 dos últimos 12 meses o Firefox teve crescimento positivo. Mas cuidado ao interpretar o gráfico acima: para a escala permitir a visualização deste crescimento no último mês, o eixo vertical foi reduzido para mostrar apenas o intervalo de 20% a 25% onde houve movimentação no período – o que destaca a evolução mas arruína a proporção.

Mas lançar versão nova não é garantia nem explicação para o crescimento no uso (como verificaremos com dados na conclusão deste artigo): o Internet Explorer também lançou versão nova no mesmo mês (no dia 14, a tempo de estar mais presente nesta estatística), e mesmo assim amargou considerável queda em relação aos seus números do mês anterior.

É difícil prever o futuro com base em estatísticas: a análise de cenários é uma disciplina complexa, e neste caso específico vale muito mais a pena, para nós usuários e curiosos, aguardar (e torcer) pelo que os próximos meses trarão.

Mas para que a análise dos meses seguintes possa ser mais simplificada, preparei uma descrição completa da situação corrente, baseada nos recém-disponibilizados números da NetMarketShare sobre março, para formar a base sobre a qual continuaremos a acompanhar estes números em meses seguintes.

Ressalvas metodológicas

Lembrando das sábias palavras do meu professor de estatística aplicada, incluo uma ressalva importante: neste artigo trabalhamos apenas com dados derivados (percentuais), e em nenhum momento temos acesso aos números brutos, ou seja, a contagem física de usuários que cada navegador obteve – entre outras decorrências, isto significa a necessidade de destacar que todas as conclusões são relacionadas não à população, mas sim apenas à proporção de cada navegador em relação ao total.

Além disso, vale destacar que quaisquer limitações metodológicas da pesquisa NetMarketShare também se refletirão nas descrições a seguir, que simplesmente se baseiam nos números divulgados.

Números crus

A primeira tabela a analisar é a oferecida diretamente pela Netmarketshare: a consulta à participação dos navegadores no mercado (Top Browser Share Trend), com dados dos últimos 12 meses (abril de 2010 a março de 2011):

Para facilitar a análise, acrescentei à tabela original 3 indicadores adicionais: máximo, mínimo e média de cada uma das colunas:

Antes de correlacionar os dados entre si, portanto, já é possível encontrar alguns aspectos objetivos bastante interessantes na série de cada um dos navegadores, começando pela visão temporal: tanto o Chrome quanto o Safari (ambos baseados no engine WebKit, em código aberto) mostraram acentuada tendência de crescimento (ininterrupto, no caso do Safari) ao longo de todo o período: ambos tiveram seu ponto mínimo no primeiro mês da série, e alcançaram o ponto máximo no mês final: março de 2011.

O Firefox esteve próximo do oposto disso: o seu ponto máximo na série foi no seu primeiro mês, há um ano, e o ponto mínimo foi no penúltimo mês do período, em fevereiro.

O Internet Explorer e o Opera encontraram situação similar (neste aspecto) à do Firefox, embora com pequeno deslocamento: o ponto máximo foi em julho do ano passado, e o ponto mínimo foi justamente o mês de março, final da série (no caso do Opera, empatando com o mês anterior, também mínimo).

Correlacionando lateralmente: pizzas de estatística

Pela tabela acima já seria possível fazer algumas correlações interessantes, analisando (por exemplo) quais navegadores terminaram a série com percentuais acima da sua própria média.

Mas as correlações mais naturais envolvem comparar (de várias formas) os itens sucessivos de cada série (coluna), ou o conjunto de itens de cada mês (linha). Este último caso é o que gera os usuais gráficos de pizza, que apresentaremos apenas de passagem, relativo à participação de cada navegador no mês de março recém-encerrado:

Embora não traga grandes surpresas (por representar uma relação fácil de identificar nos próprios números da tabela), pode ser interessante verificar no gráfico acima, por exemplo, que a fatia do IE, mesmo com toda a queda, continua superior à metade da nossa pizza (e ao dobro da segunda maior fatia).

Há um ano essa proporção era similar, mas a do segundo para o terceiro colocado era bem diferente:

Se comparássemos o gráfico de março/2011 (mais acima) com o do mês de abril do ano passado (imediatamente acima), perceberíamos que ao longo destes 12 meses a fatia do Firefox deixou de ser mais do que o triplo da do Chrome, e agora é pouco menos do que o dobro desta.

Correlacionando verticalmente: crescimento da fatia

Uma análise bem mais interessante do que a das linhas, na minha opinião, é a das colunas tomadas individualmente, mostrando o que ocorreu com a fatia de cada um dos navegadores, mês a mês.

A forma mais natural de fazer esta comparação é pela diferença absoluta entre os percentuais sucessivos da série: os chamados pontos percentuais. A tabela a seguir mostra a evolução de cada um dos navegadores ao longo do período, em pontos percentuais:

Quando as correlações estão em jogo, há muitas outras conclusões interessantes a encontrar, em uma tabela onde a soma geral de todas as linhas mensais fecha em zero – pois o decréscimo da fatia de um navegador necessariamente corresponde ao crescimento das de outros.

Aqui estamos tratando de números absolutos, o que permite a comparação lateral. Nesta visão é possível perceber bem, por exemplo, que os estrondosos 7 milhões de downloads nas 24 horas após o lançamento do Firefox 4 em março conduziram ao segundo melhor resultado deste navegador no últimos 12 meses – e que mesmo assim, neste mês, a fatia dele cresceu apenas cerca de 1/10 do que o Chrome cresceu no mesmo mês (aparentemente às custas da fatia do IE, principalmente).

Também me chama a atenção, por exemplo, que o número de meses em que o Internet Explorer teve crescimento negativo foi o mesmo que os do Firefox: 8. O Opera decresceu em 5 dos meses do período, o Chrome em apenas 1, e o Safari em nenhum.

Mas o ponto que mais me chama a atenção nesta visão dos dados é o tamanho dos saldos acumulados, e a relação entre eles: por exemplo, o Chrome conseguiu ganhar mais percentual do que o Internet Explorer perdeu – e as perdas do Firefox , diferentemente das fatias respectivas, conseguem superar o marco da metade das perdas do Internet Explorer.

Além disso, embora seja evidente, é necessário citar: o saldo acumulado foi de crescimento negativo para IE, Firefox e Opera, nesta ordem, e positivo para Chrome, Safari e a categoria “Outros”.

Correlacionando verticalmente: dados relativos

Uma metáfora que exprime o interesse em analisar os percentuais de crescimento é a dos ganhos financeiros para pessoas em diferentes situações econômicas: embora R$ 50 tenham o mesmo valor objetivo nas duas situações, ganhar ou perder R$ 50 tem um impacto bem diferente para quem ganha salário mínimo e para um milionário.

O mesmo ocorre com os pontos percentuais da tabela acima: 1 ponto percentual tem o mesmo valor objetivo em qualquer local da tabela, mas para o Opera, por exemplo, perder 1 ponto percentual em sua série significaria ficar reduzido à metade da sua fatia – já para o Internet Explorer, do alto de sua participação majoritária, trata-se de uma perda com impacto bem menor – e inclusive ocorre com alguma frequência.

Para colocar esta situação em perspectiva, pode-se derivar, a partir da tabela acima, uma nova tabela em que os ganhos e perdas de cada mês passam a ser expressos na forma de um percentual em relação ao valor do mês anterior:

Trata-se, mais uma vez, de uma outra forma de ver os mesmos números, só que desta vez não há, naturalmente, o efeito de “soma zero” nas linhas.

É interessante perceber a sequência de saltos sucessivos em uma mesma direção que acontece com o Chrome, que tem percentuais positivos superiores a 5% em metade dos meses do período, mostrando o crescimento acentuado que se acumulou para formar o aumento de quase 72% em relação a seu tamanho original.

Já os percentuais da série do IE e Opera indicam uma curva bem menos inclinada, pois ambos variaram (para baixo) menos de 7% em relação ao tamanho inicial de suas próprias fatias – o que no caso do Opera ocorreu em um zig-zag contínuo, com ganhos e perdas superiores a 5% (absolutos) em vários meses.

Tanto Firefox quanto IE tiveram períodos curtos com perdas acentuadas. No caso do Firefox, isso ocorreu de maio a julho do ano passado, e para o IE foi um pouco mais longo: de setembro de 2010 a janeiro deste ano.

Concluindo

Embora seja uma consulta diferente da que embasou a análise acima, eu não me permitiria encerrar este artigo sem incluir uma referência à pesquisa por versão de navegador, publicada pela mesma NetMarketShare.

Basta uma rápida consulta a ela (ou ao gráfico acima, construído a partir dela) para perceber que, embora possam ter grande influência sobre as opiniões dos usuários, os downloads dos primeiros dias de uma nova versão não são representativos da base de usuário de um navegador: o percentual do Firefox 4 ainda empalidece diante do ostentado pelo Firefox 3.6. O mesmo ocorre com o Internet Explorer 9 em relação à sua versão 8.

Nos dados do próximo mês teremos uma visão com menos desvios sobre estas proporções, naturalmente. Mas numa nota positiva para o código aberto, entretanto, vale mencionar que o Firefox 4 está ganhando do IE 9 mesmo tendo sido lançado depois ;-)

Números são números, e vice-versa. Visualizá-los de maneiras diferentes pode ser útil para perceber relações de forma mais fácil, mas o quadro que eles descrevem é um só – no momento representado por IE e Firefox nas maiores fatias (ambas encolhendo), e Chrome e Safari os seguindo, ambos em crescimento.

Nos próximos meses pretendo retornar ao assunto, seguindo a publicação mensal dos resultados da NetMarketShare, e aí acompanharemos cada volta desta corrida que (espera-se) não tem fim!

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A chegada da Amazon Appstore para Android

sex, 25/03/11
por augusto |
categoria Sem categoria

A inauguração da Amazon Appstore for Android, na última quarta-feira, não foi propriamente uma surpresa: embora a data do lançamento não tivesse sido anunciada, o canal de desenvolvedores de apps para a loja já era público há meses, e desde a semana anterior já se comentava na imprensa e na web o acúmulo de sinais de que o lançamento era iminente.

Quem tem competência se estabelece

Quando se trata de montar uma loja de apps (ou outro conteúdo qualquer) para download, a Amazon tem um diferencial em relação a concorrentes como o Google e a Apple: ela já nasceu como um centro de varejo virtual, e vender online é basicamente tudo o que ela faz, por isso tem experiência, recursos e capacidade de antecipar e prover as demandas dos consumidores que já conhece bem.

Por ter chegado depois, a App Store da Amazon tem também a vantagem de poder ter aprendido com os tropeços dos outros e colecionado as ideias que deram certo.

Assim, situações como a que o Android Market viveu há 2 semanas, de dezenas de malwares distribuídos pela própria loja devido à falta de uma inspeção mais estrita sobre o que é aceito por lá, já nascem previstas na App Store da Amazon, com um processo bem definido de aprovação de cada app.

Além disso, o traquejo da empresa no varejo online permite avaliar a importância de fazer os usuários chegarem a olhar a sua “vitrine” – considerando o quanto o preço dos aplicativos expostos costuma ser acessível, as compras por impulso são uma realidade palpável.

Isso explica uma aparente generosidade da App Store da Amazon: nela os usuários terão disponível todo dia, em caráter promocional gratuito, alguma das apps do acervo da loja.

E são boas iscas: na inauguração da loja, quem estava grátis era a nova edição de um sucesso mundial, o Angry Birds Rio, que também era novidade. No momento em que escrevo, a app gratuita do dia é o Shazam Encore, que “ouve” via microfone do Android a música que estiver tocando no seu ambiente e identifica seu título, artista e outros dados.

Davi e Golias

Mas a Amazon certamente não tem todo o tabuleiro a seu favor. Por melhor que seja a seleção dos pouco menos de 4.000 títulos com que foi inaugurada, ela ainda vai ter de competir com a extrema variedade do Android Market, com 200.000 apps para Android.

Só que, além da gratuidade diária, a Amazon tem um impulso a mais para captar os usuários bem informados e formadores de opinião: a habilidade de fechar acordos de exclusividade com alguns títulos de grande visibilidade – caso do próprio Angry Birds Rio para Android, que no dia do seu lançamento só estava disponível na App Store amazônica.

Como consumidor, confesso que o maior apelo da App Store da Amazon pra mim não são as gratuidades (bem-vindas!) nem as exclusividades (dispenso), mas sim a seleção prévia exercida pela loja. Se ela for bem praticada, aumenta a chance de uma primeira busca retornar exatamente a app com a funcionalidade de que eu necessito, e não uma versão pré-alfa preparada por um aluno na primeira aula do seu curso de desenvolvimento para Android.

E, graças ao fato de se tratar de uma plataforma aberta, sempre poderei contar com as centenas de milhares de apps do Android Market para quando o aplicativo não estiver na Amazon App Store – com o benefício adicional de colher os frutos de quando o aluno acima adquire experiência e completa seu primeiro aplicativo funcional, também ;-)

Ironia brasileira

Mas mesmo com todos estes pontos a favor, há um bom motivo para eu ficar de fora da App Store da Amazon por enquanto: a Amazon não me quer por lá. Melhor dizendo, a loja foi lançada com restrições geográficas, e brasileiros (assim como os residentes na maioria dos países do mundo) por enquanto estão de fora.

Em uma loja inaugurada com destaque (e exclusividade) para o Angry Birds Rio para Android, jogo ambientado na orla carioca, não deixa de ser irônico que brasileiros não possam entrar para consumir.

Irônico, mas não surpreendente – lançamentos escalonados geograficamente estão se tornando cada vez mais comuns, e espero que logo o serviço nos seja oferecido também. Enquanto isso não acontecer, fica o meu registro da satisfação por ver a abertura do Android conduzir a 2 aspectos visíveis para o consumidor: a pluralidade e a concorrência!

1 comentário »

Criando com o Gimp

qui, 24/02/11
por augusto |
categoria Sem categoria

Há 2 posts eu tratei do Seashore, uma alternativa ao Gimp para os usuários de Mac, mas senti que fiquei devendo algo aos fãs do Gimp nas demais plataformas em que ele roda nativamente, que não são poucas.

O Gimp, você sabe, é normalmente considerado o expoente entre os programas open source de manipulação interativa de imagens, para operações de retoque e edição de imagens raster e bitmaps em geral (JPG, PNG, GIF e similares).

É com o Gimp (e sua biblioteca de plugins) que eu realizo boa parte das edições de imagens do dia-a-dia, ajustando dimensões, rotacionando, legendando, manipulando cores, brilho, contraste, recortando, montando, convertendo formatos e tantas outras operações do gênero.

Criado em 1995, o Gimp tem mais uma razão para ser notável no universo do código aberto: foi no seu âmbito que nasceu a biblioteca Gtk (originalmente “Gimp Toolkit”), que hoje é parte fundamental do ambiente gráfico GNOME e de seus aplicativos.

Embora até recentemente ele fosse parte integrante do conjunto de pacotes default da maioria das distribuições Linux, isso está em processo de mudança: o Gimp é um software relativamente volumoso, e a quantidade de funções que opera acaba se traduzindo em uma interface considerada complexa por parte dos usuários, razões pela qual ele está de saída do CD de instalação do Ubuntu (embora vá continuar fácil de instalar a partir dos repositórios oficiais) – mas continua presente por default em boa parte das demais distribuições.

O Gimp em ação

As operações que costumo realizar com o Gimp não impressionam ninguém: qualquer software de edição bitmap digno do nome consegue rotacionar, recortar e redimensionar.

Como não sou artista, fui buscar referências em quem tenha um uso mais especial da ferramenta: o Guilherme Razgriz, que mantém o El Diablo Casa – praticamente uma coleção de exemplos (não necessariamente tutoriais) de uso do Gimp.

Entre os posts do Razgriz, selecionei um em que ele demonstra o “jeito Gimp” de colorizar o carrão acima, originalmente apresentado em uma imagem raster.

Camada por camada, peça por peça, a base da pintura vai sendo aplicada, e em certo momento percebe-se que a lataria, os pneus, os vidros e todas as peças maiores já têm uma cor-base aplicada.

A resolução limitada da imagem original não é razão para que não se pense nos detalhes até mesmo das peças com geometria mais rebuscada, como o interior das rodas.

Conforme o processo vai chegando ao seu final, percebe-se que até os reflexos estão presentes, assim como as sombras.

As 3 versões finais da imagem, com a aplicação de decalques sobre a lataria do carro, eu deixo para vocês conferirem no post do Razgriz.

O Guilherme Razgriz também mantém o Cria Livre, uma iniciativa voltada a oferecer cursos de criação usando aplicativos livre, que pode interessar a quem apreciou o potencial da ferramenta!

sem comentário »

  • Augusto Campos

    Augusto Campos mantém o BR-Linux.org, site da comunidade Linux brasileira que está no ar desde 1996. Especialista em implantação de software livre, atua na cena open source brasileira desde seu início.

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