Prepare-se para o Windows 8 Consumer Preview
Tudo o que se viu, falou e criticou sobre o Windows 8 até hoje já dá para encher páginas e mais páginas. Baseados no Developer Preview liberado na BUILD do ano passado e em posts pra lá de completos do Building Windows 8, a Microsoft tem sido cuidadosa na liberação de informações sobre a nova versão do sistema.
Amanhã, tudo muda. Com a liberação do Windows 8 Consumer Preview, será a vez dos consumidores, usuários domésticos, terem um gostinho do Windows 8. Mais refinado e sem os bugs e inconsistências do Developer Preview, ele representa uma grande mudança em relação ao roadmap do Windows 7.

É amanhã!
Por que Consumer Preview e não Beta?
No período de desenvolvimento do Windows 7 foram apenas duas versões preliminares à final: Beta e Release Candidate. No Windows 8, já tivemos o Developer Preview e, amanhã, teremos o Consumer Preview. O uso dessa nomenclatura diferente não é mero capricho da Microsoft.
Por “Beta”, na acepção clássica do termo entende-se um programa não garantido e com sérias chances de apresentar erros. O Beta é a chance que a Microsoft tem de analisar o comportamento do software em ambientes menos controlados, mais caóticos. Com a ajuda dos beta testers e de ferramentas de telemetria, eles conseguem resolver desde bugs bem específicos até erros de usabilidade e outras imperfeições que só o uso em larga escala evidenciam.

Start Screen do Windows 8. (Imagem: Microsoft/divulgação)
O Consumer Preview não é um Beta. Não é, também, a versão final ou algo equivalente a ela, mas tampouco se dispõe a apresentar bugs. Pelo contrário, é uma versão incompleta, porém teoricamente com menos bugs do que se esperaria de um Beta. Não será absurdo instalá-lo em máquinas principais caso não se esteja no meio de algum grande trabalho e o interessado possa “se dar” uma tarde para fazer backup, instalar o sistema e restaurar o backup. Eu e muitos outros faremos isso porque será relativamente seguro proceder de tal maneira — e a ansiedade é grande :-)
Quando e como?
A apresentação da Microsoft no Mobile World Congress, em Barcelona, está marcada para as 10h da manhã no horário de Brasília. Serão duas horas de muito falatório e demonstrações, provavelmente muita coisa da qual já sabemos e uma ou outra novidade. Vale a pena assistir, de qualquer forma. Os bits da imagem de instalação do Windows 8 Consumer Preview poderão ser liberados a qualquer momento, antes, durante ou depois da apresentação. Mais um motivo para ficar ligado — em Barcelona e blogs e sites de tecnologia como o TechTudo.
Se você se interessou, o procedimento para garantir uma atualização livre de dores de cabeça é relativamente simples, mais ainda a quem já se aventurou na formatação e reinstalação do Windows. Basicamente certifique-se de ter um bom backup (testado e, se possível, redundante) e, então, proceda à instalação via DVD ou pen drive. Criar uma segunda partição no disco é uma boa pedida também, mas não exclui a necessidade do download — o Consumer Preview é mais estável que um Beta seria, mas se nem com sistemas finais/estáveis o backup se torna indispensável, muito menos agora.
O que esperar?
Tudo, menos o óbvio. O histórico recente do Windows é positivo: saiu-se de um sistema com má recepção de público e crítica, decisões equivocadas e um período de desenvolvimento penoso (Vista) para uma versão “mais do mesmo”, porém feita da maneira correta, tapando cada buraco do seu antecessor (Windows 7).
O Windows 7 é maravilhoso, mas era mais do que a obrigação da Microsoft, querendo manter-se competitiva, entregar algo bom em 2009. Foi o que aconteceu, o Windows 7 é um sucesso, mas passou longe de ser revolucionário, sequer arriscado. Se o Vista deu algo de bom à Microsoft, foi a chance de fazer um sistema melhor que agradasse a todo mundo. Ele “baixou o nível” e, partindo dessa premissa, ficou mais tranquilo se superar.
Agora o cenário é outro. Como melhorar algo que já é bem bom? É difícil. Em vez de insistir em uma abordagem mais conservadora ou fugir à responsabilidade, optaram pelo caminho mais arriscado, mais espinhoso, mas o que promete maiores recompensas se tudo sair como o planejado. O “Windows reimaginado” pode consolidar a posição de liderança do sistema em computadores tradicionais e abrir caminho, fazer com que a Microsoft entre de sola no nicho mais quente desde a revitalização dos smartphones pelo iPhone, em 2007: o dos tablets.

Tablets Windows 8 apresentados na BUILD. (Imagem: Microsoft/divulgação)
O momento é de ruptura, muito se fala em “era pós-PC” e não é à toa. O iPad é visto como um buraquinho na parede que nos separa do futuro. É intuitivo, fácil de mexer, gostoso de usar. Ao mesmo tempo em que a Apple bate recordes atrás de recordes de vendas e lucro, outras empresas se debatem para encontrar uma nova mina de ouro. O Google e todos os fabricantes que apostam no Android estão patinando para entregar uma experiência minimamente boa/competitiva, fabricantes tradicionais de PCs e notebooks já reveem suas condições — a Lenovo já não vende mais netbook via site nos EUA e a Dell afirmou não ser mais uma “empresa de computadores”, mas uma de TI, seguindo os (antigos) passos da IBM. Ninguém, porém, trouxe uma proposta diferente e revolucionária ao que a Apple tem.
O Windows 8 é um trunfo, uma carta na manga, essa “proposta diferente”. Ele é único no mercado, tem uma pegada nova e jovem e a força do nome “Windows” que +90% das pessoas que usam computadores veem todos os dias. E se nos tablets o futuro é promissor, não dá para esquecer os velhos teclado e mouse que ainda movem o mundo e criam boa parte do conteúdo consumido por tablets. De quebra, o Windows 8 será o estopim de uma reformulação profunda dentro da Microsoft. Serviços serão descontinuados, outros serão simplificados, todos integrados. As possibilidades são imensas, as responsabilidades, tão grandes quanto.
Amanhã teremos o primeiro contato real com o novo Windows, com a nova Microsoft para consumidores domésticos. Você está preparado?




















