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Ainda não precisamos de um novo Xbox

ter, 31/01/12
por Rodrigo Ghedin |
categoria Xbox
| tags Kinect, Rumores, Video game, Xbox, Xbox 360, Xbox 720

Como nascem rumores? Às vezes a informação, a princípio sigilosa, se espalha feito rastro de pólvora e chega aos ouvidos de um jornalista que, aqui, serve de trampolim para o mundo. Em outras, alguém intencionalmente ligado ao objeto do rumor entrega a informação ao jornalista. A tal “fonte confiável que não quis se identificar” é, em geral, a culpada.

Em outras, ninguém sabe. Alguém pode ligar fatos passados e presumir algo futuro; atentar a detalhes ínfimos que aos olhos de todos passam batidos; e, o que é pior e danoso: rumores podem ser fabricados.

A única unanimidade quando se trata de rumores, a única certeza é a de que não há certeza alguma. Fontes “confiáveis” falham com frequência, elucubrações elaboradas caem por terra com uma confirmação oficial. Não é fácil a vida dos futurólogos da tecnologia.

A gênese de um rumor

Em outubro do ano passado o Gamespot comprou um desses rumores que pairam de baixo do nariz de todo mundo. No trailer do jogo Real Steel, aparece um estádio e, nas placas publicitárias, algumas marcas reais. Dentre elas, “Xbox 720”.

Xbox 720 no jogo Real Steel. (Imagem: Gamespot.)

Faz algum sentido. 720 é o dobro de 360, “sobrenome” da atual encarnação do Xbox, console da Microsoft. Ao lado dessa propaganda havia outras de produtos reais, como o Bing, da própria Microsoft, e de outras empresas renomadas — Coca-Cola, Mercedes Benz etc.

Infelizmente, “fazer sentido” não é o mesmo que ter certeza e, da mesma forma que detalhes corroboram a história, outros a enfraquecem. Como apontou Flavio Freitas em uma discussão no Facebook, 720 é a forma como a “pior alta definição” é referenciada — o 720p, relativo a 1280×720. Associar a marca Xbox a esse número traria de carona a alta definição não tão alta assim, deixando o 1080p, ou Full HD, obscurecido, e o 4K, a próxima fronteira do vídeo, ainda mais. De resto, não há nada, absolutamente nada além do puro “achismo” que leve a crer que o nome do terceiro Xbox deva obedecer a alguma convenção em sua nomenclatura. Nada.

Pode até ser que o sucessor do Xbox 360 se chame Xbox 720. Eu duvido, mas… pode acontecer.

Mais rumores, mais “fontes internas”

A última semana foi testemunha de um turbilhão de rumores sobre o novo Xbox. O IGN afirmou que a nova geração será seis vezes mais rápida que a atual e 20% mais veloz que o Wii U, que ninguém ainda viu em funcionamento — as demonstrações na última E3 eram de concorrentes da Nintendo da atual geração. Ops.

O rumor do IGN ainda especifica o chip gráfico a ser usado, uma Radeon HD 6670 e desenvolvedores receberão os kits de desenvolvimento em agosto.

A fonte “confiável” não foi identificada e a Microsoft, claro, não se manifestou sobre o assunto. O rumor vai fundo ao especificar o modelo da GPU que será utilizado, mas isso, no contexto, não quer dizer muita coisa. Há um mar de diferença entre a arquitetura de um console e a de um computador, de modo que não dá para dizer que o novo Xbox terá a mesma qualidade gráfica de um PC atual com uma Radeon HD 6670.

E… convenhamos: é óbvio que a nova geração terá gráficos melhores que a atual. Tem sido assim desde o Telejogo. Isso não é previsão, é encheção de linguiça.

No Kotaku, novos rumores, dessa vez de que o novo Xbox usará Blu-ray em vez dos limitados DVDs e, o que é pior, trará um mecanismo que impedirá o uso de jogos usados, de segunda mão.

Mas… isso já existe. É o online pass.

A solução atual não impede o uso de jogos usados, mas limita suas funções online. Para habilitá-las, o comprador do game usado precisa comprar um “desbloqueador” nas lojas virtuais da Microsoft ou Sony. É sacanagem? Muitos acham que sim, mas é a forma que as empresas encontraram de capitalizar em cima de jogos já vendidos, ou posto de outra forma, de entrar no baco das lojas de games dos EUA, que ganham muito com esse comércio.

O fluxo de rumores, somado à ansiedade dos gamers, colocam até como final de 2012 uma possível data de lançamento do “Xbox 720”. A maior parte, porém, apsota em 2013. Novamente: pode acontecer, especialmente porque a Microsoft lucraria bastante com isso. Minha aposta? Vai demorar mais.

Xbox 720? Não faz sentido — ainda

Toda geração de consoles surgiu com um grande, mas bota GRANDE nisso, selling point.

Quando o primeiro PlayStation apareceu, ele trouxe para as casas dos jogadores gráficos tridimensionais minimamente reconhecíveis. Ainda eram um amontoado de blocos que lembraram pessoas, carros e paisagens, mas bons o suficiente para se passarem por tais.

Tekken, da Namco, de 1995.

A geração seguinte apresentou gráficos mais refinados (mera evolução), mas deu os primeiros passos na jogatina online (GRANDE selling point).

Com a atual, vimos novamente a consolidação do maior chamariz da anterior: Xbox LIVE e PSN atingiram níveis de integração, facilidade e universalização sem precedentes. O GRANDE selling point, porém, não foi esse, foi o dos gráficos em alta definição.

O que falta à geração atual? Melhores gráficos são, como dito acima, consequência, ganho incremental. Uma certeza. Interfaces naturais? Acessórios supriram a lacuna com mais agilidade, daí Kinect e Move serem, na minha visão e na de muitos outros, objetos que ajudarão a retardar a chegada dos sucessores de Xbox 360 e PlayStation 3. O que sobra? Televisores com resolução 4K? Nem estão à venda ainda. O que mais…? Eu sinceramente não consigo vislumbrar nada.

Xbox 360 vai bem, obrigado. (Foto: Josh Ferris/Flickr)

A produção de hardware novo é cara e exaustiva. Quem desenvolve jogo teria que deixar de lado ou dividir os esforços agora exclusivos para as plataformas em alta (e como estão em alta) para percorrerem toda uma nova curva de aprendizado nos novos SDKs. Todos ainda ganham muito com o mercado aquecido de games, só recentemente a Sony começou a ter lucro na venda de PlayStation 3, até então subsidiada devido ao alto preço de produção do console.

O momento não é propício para uma nova geração. Todos a esperam porque, historicamente, as gerações de consoles duram mais ou menos isso: cinco ou seis anos. Essa, todavia, tem tudo para causar uma ruptura nessa tradição. E isso seria bom para todos, de verdade.

Rumores, rumores, rumores… Às vezes eles guiam, ainda que indireta ou inocentemente, toda uma indústria. Pelo bem dos games, eu torço para que não seja o caso dessa vez. Uma coisa já é certa, porém: a Microsoft da França negou a vinda de um sucessor do Xbox 360 em 2012.

Vida longa ao Xbox 360!

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De surpresa a líder de mercado, 10 anos de Xbox

ter, 15/11/11
por Rodrigo Ghedin |
categoria Xbox
| tags Xbox, Xbox 360, Xbox LIVE

Quando a Microsoft anunciou o Xbox original, pegou a todos de surpresa. Afinal, embora tenha presença no ambiente doméstico, a empresa sempre foi (muito) mais forte junto aos clientes corporativos. Windows, Office, Visual Studio, Dynamics, SQL Server… É até difícil listar todas as áreas em que a Microsoft atua no B2B.

Mas o Xbox não só foi anunciado como, há exatos dez anos, no dia 15 de novembro de 2001, começou a ser vendido nos Estados Unidos. O que levou a Microsoft a entrar no disputado mercado de consoles?

Xbox original. (Foto: Lorenzo Facchinetti/Flickr)

O Technology Review, do MIT, traz a história. Na época, com US$ 5 bilhões em caixa, a Microsoft podia se dar ao luxo de arriscar. Nessa, viu num video game a maneira mais fácil de chegar onde nunca havia estado, com força, antes: na sala de estar dos seus consumidores. Hoje, esse mercado movimenta US$ 144 bilhões ao ano; em 2015, estará movimentando US$ 226 bilhões.

Àquela altura ainda existia aquele teclado que levava a web à TV, mas a adoção era, com sempre fora desde o seu lançamento, baixa. O Xbox foi a porta de entrada para instalar uma base para a próxima revolução, a do entretenimento sob demanda.

Não foi fácil. Contra rivais com anos de experiência, Nintendo e Sony, o Xbox sofreu. O console trazia como diferencial o forte apelo na jogatina online: muito antes do PlayStation e dos consoles da Nintendo oferecerem interface de rede, o Xbox clássico já trazia uma porta RJ-45. Em 2002, a Xbox LIVE, rede online que possibilita confrontos via Internet, foi lançada. Apesar do pioneirismo, o sucesso avassalador do PlayStation 2, a falta de third parties e a inexperiência da Microsoft no ramo cobraram seu preço; antes de fechar um ano fiscal no azul, com saldo positivo de US$ 426 milhões em 2008, entre 2002 e 2007 estima-se que a empresa tenha perdido US$ 7,5 bilhões com a marca Xbox.

Na atual geração de consoles, porém, o Xbox 360 tem papel de protagonista. Foi o primeiro dos três grandes a sair e sempre vendeu bem, ao contrário do Wii, da Nintendo, que teve um começo fortíssimo, mas que hoje já ocupa a terceira posição nas vendas mensais, segundo o NPD Group. Mais do que reverter o cenário econômico na Microsoft, o Xbox 360 evoluiu de um console para uma central de entretenimento e, hoje, todo o seu sucesso é usado como trampolim para marcas da casa sem o mesmo prestígio junto aos consumidores, notadamente Windows Phone e Bing. No sistema móvel, a Xbox LIVE tem um HUB dedicado e integração com a rede do console; já o buscador será integrado na atualização do fim do ano, permitindo que se busque por conteúdo local e na nuvem utilizando comandos de voz com o Kinect.

Joystick do Xbox 360. (Foto: Alfred Hermida/Flickr)

Para além das suas próprias marcas, a Microsoft firmou e continua em busca de diversos parceiros de conteúdo. ESPN, HBO, diversos canais de TV que, em breve, passarão a exibir a sua programação ao vivo direto para assinantes da LIVE. A estratégia de utilizar jogos como isca para futuros consumidores de conteúdo sob demanda funcionou — quem entrou na disputa depois, com equipamentos dedicados a isso, está sofrendo; o Apple TV vende e tem menos brilho que os demais produtos da Apple e o Google TV era, antes da atualização para a versão 2.0, uma piada de mau gosto.

O Kinect, lançado ano passado, aumentou as possibilidades e a interatividade do console. O acessório ainda detém o título de gadget que vendeu mais rápido na história, com 8 milhões de unidades comercializadas em 60 dias. Embora os jogos que utilizam o Kinect ainda não empolguem, as possibilidades são infinitas e o uso cotidiano, para gerenciar e navegar no dashboard do console, já compensam o relativamente baixo investimento — lá fora, sai por US$ 150.

No mais, o Xbox 360 cumpre o objetivo para o qual seu antecessor foi criado: ser a presença da Microsoft na sala de estar. Ele funciona como um dos pilares da visão de três telas + nuvem da Microsoft, ao lado do computador e do smartphone, e já é uma das maiores forças da empresa no mercado doméstico. Para quem começou do zero, sem experiência alguma, há dez anos, as conquistas obtidas nesse meio tempo são notáveis.

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  • Rodrigo Ghedin

    Rodrigo Ghedin é bacharel em Direito e entusiasta de tecnologia. Já colaborou com diversos blogs e portais brasileiros de informática e com a Revista Oficial do Windows, da Editora Digerati. Atualmente é editor-chefe do blog/comunidade Gemind e colaborador (bem) esporádico do Gizmodo Brasil.

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