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Um passeio pelo Honeycomb

sex, 01/07/11 por Bia Kunze | categoria Tablets

Antes de ter o Motorola Xoom em mãos, o único tablet com Android que tive a oportunidade de testar foi o Samsung Galaxy Tab. Se considerarmos que, além do tamanho da tela, a grande diferença de um para outro é a versão do Android, minha conclusão foi que são tablets completamente diferentes!

O salto que o Android deu do Froyo (2.2) para o Honeycomb (3.0) foi imenso. Com efeito, é a primeira versão que o Google trouxe à tona pensando nos tablets. E, por isso mesmo, minha experiência de um mês no novo sistema foi como se estivesse em um sistema operacional totalmente novo.

Para começo de conversa, widgets. Usá-los em smartphones é legal, mas os tablets foram feitos sob medida para eles. Ao ligar o tablet, uma única olhada na tela home já permite ver quais serão os próximos compromissos, as últimas mensagens e emails recebidos, a previsão do tempo e os recadinhos mais recentes das redes sociais. O iPad, ou melhor, o iOS não oferece essa comodidade, o que deixa bem evidente que a tela principal, no fundo, é um desperdício de espaço. Quer checar as últimas mensagens, compromissos, emails e ver a previsão do tempo? Será necessário abrir um a um os respectivos aplicativos.

Como é praxe no Android, o Honeycomb traz 5 telas iniciais deslizantes, que podem ser customizadas com atalhos e widgets. E os temas, inclusive com wallpapers animados, continuam como no Gingerbread. A lixeira para remover atalhos e widgets mudou para o canto superior direito, onde também encontra-se o atalho para os aplicativos. As notificações, por sua vez, agora ficam na barra inferior direita, junto com o relógio e os indicadores de rede e bateria. O sistema drop-down, aquela “cortininha” deslizante, foi abolido. Isso deixou o sistema bastante parecido com os dos PCs. E daí surgiu outro problema: para um tablet touchscreen, os ícones dessas barras são muito pequenos. Para quem não tem uma vista perfeita, enxergá-los e tocá-los é desconfortável.

A barra de baixo fica sempre ativa. Os “botões” (que são virtuais) à esquerda são o “home”, “voltar” e o de alternar em modo multitarefa. O antigo botão de menu mudou-se para o canto superior direito, e funciona em formato drop-down. À direita, embaixo, ficam o relógio, nível de bateria, sinal wifi e os 5 últimos aplicativos abertos. Ali também aparecem as janelas de notificações, que esmaecem após alguns segundos.

O navegador é muito bom, e ter abas reais ao invés de precisar dar inúmeros toques para alterná-las é muito mais rápido e cômodo. Pena que a maioria das páginas carregadas ainda mostra a versão móvel dos sites, e não a completa. Incomoda um pouco ter que ficar toda hora solicitando isso manualmente. E, em alguns modelos, dependendo da fabricante, o Flash não vem pré-instalado. É preciso antes baixá-lo via Android Market.

O Flash possui muitos críticos entre o pessoal de TI por ser pesado e ruim, e assim como Steve Jobs, acham melhor simplesmente dispensá-lo em prol de novas tecnologias, como o HTML5. Só que o usuário final não pode fingir que o Flash não existe. Dada a quantidade de sites que o suporta, dependendo do perfil da pessoa, o Flash é mais importante do que se imagina. Como dizer para um estudante de idiomas, por exemplo, que Flash é bobagem, sendo que o material de apoio multimídia dentro do site da escola está todo nesta tecnologia? E a escola, quanto teria que investir para mudar tudo isso só para suportar o tablet da Apple? Os mais xiitas dirão que o Flash está morrendo, é questão de tempo. Bem, o usuário que comprar um tablet hoje terá uma perspectiva de vida útil de quanto tempo? 1 ano? 2 anos? Tenho certeza que em 2 anos o Flash não sumirá da face da Terra.

O grande problema do Honeycomb são os aplicativos. Pra começar, a quantidade de apps otimizados para tablets é patética: cerca de 300, enquanto na AppStore está na casa das centenas de milhares.

Há uma teoria que o responsável por essa escassez seja a nova versão do Android que chegará em setembro, chamada “Ice Cream Sandwich”. Nela, pela 1ª vez, Gingerbread e Honeycomb se fundirão, tendo uma única versão combinada em tablets e smartphones. Por enquanto, eles precisam criar seus apps separadamente, o que dá um trabalho que talvez não compense dada a baixa representatividade dos tablets com OS do Google no mercado.

Outro percalço: faltam softwares para o ser humano “comum”. Não há um gerenciador de projetos decente. Nem apps educacionais. Ou médicos. Fora livros, revistas e jornais, a gente “comum” ainda não consegue trabalhar a contento num Android. Hacks de sistema predominam no Market. Aliás, a lojinha ficou visualmente muito bonita, mas é preciso que se dê um jeito de deixar bem claro se cada aplicativo é feito para celular, tablet ou ambos.

Obviamente, os “ninjas” da tecnologia prezam bastante a liberdade, por isso o Android os agrada. Faz-se o que bem entender no sistema, sem o Google interferir no modo das pessoas usarem seus aparelhos, ao contrário da Apple. Acho que isso, junto com o malhor aproveitamento da tela inicial, são os grandes diferenciais do Honeycomb frente ao iOS.

Ah, sim: vocês verão muitos appletarados e xiitas por aí declarando que os tablets Android são cópias mal-acabadas e baratas do iPad. Não liguem. Tais declarações só provam desconhecimento do sistema operacional que mais cresce no momento, e que tem grandes chances de dominar o cenário dos tablets, inclusive no Brasil — principalmente se os incentivos do governo para sua produção local surtirem efeito. Aguardemos.

7 Comentários para “Um passeio pelo Honeycomb”

  1. 1
    Eduardo Tello:
    1 julho, 2011 as 20:12

    Por que não tirou screenshots ao invés de tirar fotos do tablet? #trollface

  2. 2
    Victor Igor Carvalho de Oliveira:
    1 julho, 2011 as 20:29

    Nossa Bia, é um ótimo Sistema se daria estalaria em meu pc pois deve ser mais leve q o widows rsrs!

  3. 3
    nikson:
    1 julho, 2011 as 20:33

    Gostei do que li. Não puxou saco de nenhum lado. Tenho um xoom e um ipad 2 por motivos de estudo para desenvolvimento de apps. Cada um com sua personalidade. Gosto da liberdade de personalização do android. Vc pode instalar um teclado melhor. Widgets na tela… mas.. a experiencia com apps para o iOS faz com que eu indique hoje o iPad para quem quer um tablet. Ah. Mesmo tendo os dois. Adotei o xoom para o uso do dia a dia.

  4. 4
    alexandre:
    5 julho, 2011 as 9:37

    Quero – o

  5. 5
    José Roberto:
    14 julho, 2011 as 20:35

    Bia, por que o Google não concentra seus esforços para que o Android também se torne um sistema operacional voltado aos PCs, incluindo aí desktops, notebooks e netbooks, deixando de lado o Chrome OS? aliás, tem-se notícia de lançamento deste sistema operacional?

  6. 6
    Diego Carvalho Porto:
    18 julho, 2011 as 11:45

    Esperando muito o Ice Cream Sandwich!!

    Muito bom o Post!

  7. 7
    Bia Kunze:
    21 julho, 2011 as 16:08

    Eduardo, o Xoom não é meu e eu não podia colocá-lo em root para usar apps de screenshot!

    José Roberto, o Chrome OS deverá sair já pré-instalado em notebooks. Que eu saiba, não será possível instalar nas máquinas atuais.

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  • Elis Monteiro

    Elis Monteiro é jornalista especializada em Tecnologia e Telecom. Trabalhou no JB e no Globo. Mantém o blog Telefonia etc, tem coluna no Fórum PCs, é consultora de Mídias Digitais e palestra sobre cultura digital..

    Bia Kunze

    Dentista homecare e consultora em mobilidade, a “garota sem fio” Bia Kunze também é podcaster e comentarista da rádio CBN, além de dar palestras sobre mobilidade para empresas.

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