Tudo o que você sempre quis saber sobre o consumidor e tinha medo de perguntar

Em 1972, Wood Allen escreveu e dirigiu o filme “Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo e tinha medo de perguntar“. O sucesso do filme inspirou vários artigos, com o clichê “Tudo o que você sempre quis saber sobre (__________) e tinha medo de perguntar”.
Deixando o clichê de lado, porque não responder perguntas que nunca realmente faríamos para um consumidor da sua marca? Vejamos algumas:
Empresa: Porque você não compra o meu produto?
Cliente: Não compro porque é caro.
Tradução: Eu não compro o seu produto não é porque ele é caro. Na verdade, das duas uma. Ou eu ganho pouco e prefiro colocar a culpa no preço do seu produto do que ferir meu ego ou não enxerguei o valor que você diz ter agregado ao produto.
Conclusão: Não banalize o preço do seu produto. O preço precisa refletir o valor que a sua marca agrega. O mercado alvo precisa sim fazer parte da equação de precificação, mas não deve ser o fator determinante.
Palavra-chave: Precificação
Empresa: Porque você falou mal da minha empresa?
Cliente: Porque me senti lesado | enganado | humilhado. Porque a experiência que tive com a marca foi muito ruim.
Tradução: Falei mal porque sou brasileiro e nós brasileiros temos essa crença nacional de que toda empresa atende mal e faz besteira. E temos esse hábito de falar mal das empresas que fazem qualquer coisa que não seja encantadora.
Conclusão: As boas empresas sofrem com a cultura brasileira do mal atendimento. Muitas vezes o cidadão reclama de maneira desproporcional ao tamanho do erro da empresa. Essa situação é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade. Como a maioria das empresas realmente atende muito mal, se sua empresa atender minimamente bem vai se destacar e criar um grande diferencial. O cidadão brasileiro ainda está aprendendo que nem todo erro precisa ser explanado aos quatro ventos. E as empresas precisam aprender que o problema não é necessariamente errar, mas o que fazer quando erram. Assumir o erro e fazer de tudo pra resolver o problema mostrando que o erro inicial foi um ponto fora da curva é muito importante.
Palavra-chave: Resolver
Empresa: Porque você compra no meu concorrente e não compra na minha empresa?
Cliente: Porque é mais barato | legal | melhor
Tradução: Compro no concorrente porque me identifico mais com aquela marca. E por identificação entenda como um melhor encaixe com meu perfil consumidor, seja pelo poder aquisitivo, nível de exigência de qualidade ou afinidade com a tribo que já usa a marca do seu concorrente.
Conclusão: Nem toda pessoa na face da terra deveria ser seu cliente. Da mesma forma que um cliente não compra todas as marcas do planeta. Quando um cliente reclama sobre qualquer aspecto da sua empresa, pode não ser uma reclamação legítima. Pode ser apenas que ele tenha pensado que seu perfil consumidor se encaixava naquela marca, quando na verdade não se encaixa. Isso gera frustração para o cliente, é verdade. Mas isso não deve, via de regra, incomodar tanto o empresário de forma a achar que ele deva atender a todos os perfis de consumidor.
Palavra-chave: Nicho
Empresa: Você acha que o cliente tem sempre razão?
Cliente: Sim.
Tradução: Não. Mas na maioria das vezes sim, o cliente tem razão. Se você está no mercado entenda que quem está na tarefa de encantar a outra parte é a empresa, e não o cliente.
Conclusão: A relação comercial entre uma pessoa e um cliente não é uma disputa de egos pra saber quem está certo ou quem está errado. Pra empresa, pouco importa se é ela que tem razão ou não. Razão não é o objetivo pelo qual você está no mercado. Seu objetivo é encantar pessoas. Mesmo quando o cliente não tem razão, o seu objetivo de encantá-lo não diminui. Então deixe seu ego de lado e encante sempre.
Palavra-chave: Encantar
Empresa: Quer pagar quanto?
Cliente: R$ 1,00
Tradução: Não pense que eu sou idiota a ponto de achar que você quer mesmo que eu diga quanto eu devo pagar pelo seu produto. Só de sacanagem vou dizer que quero pagar R$ 1,00.
Conclusão: Não trate seu cliente como se ele não soubesse o que você está realmente querendo dizer. É fato que muitos clientes não sabem o que o anunciante quer mesmo dizer, mas esse não é o ponto. O ponto é que, como anunciantes, não devemos nivelar o mercado por baixo. No longo prazo, é muito mais interessante que o consumidor se torne mais consciente e economicamente educado. Bem, pelo menos é melhor para as melhores empresas. :)
Palavra-chave: Sinceridade
E você? O que você gostaria de saber do seu cliente mas nunca teve coragem de perguntar?
13 dezembro, 2010 as 17:22
(Este texto é do Seixas ou do Fugita?)
Concordo totalmente. Adorei a forma como você abordou algumas “verdades comerciais” brasileiras.
Realmente não se pode nivelar por baixo, e para manter seu produto a um valor rentável não basta ter um bom produto, tem que se situar no nicho adequado, saber encantar na venda, dar suporte no pós-venda e saber resolver os problemas.
A pergunta que eu gostaria de fazer e as vezes acabo fazendo mesmo é:
Qual a lógica das “economias burras”? Qual o motivo de alguem contratar um serviço inferior em uma situação que exige qualidade (Exemplo, abrir mão de um estabilizador após comprar um Macbook)
Está aí algo que realmente não entendo.
13 dezembro, 2010 as 17:23
Ai que vergonha.. preciso mudar o grau do oculos, Fabio.
13 dezembro, 2010 as 18:15
Achei muito ruim este artigo, algumas “pensamentos” dos clientes não refletem nem um pouco a realidade, na minha opnião.
13 dezembro, 2010 as 18:57
Nossa, como eu penei para descobrir essas respostas (rsrs), mas a experiência de um ano, entre erros e recomeços, foi bem produtiva. Eu concordo plenamente com você em relação ao atendimento, pois eu mudei minha postura frente aos erros das outras empresas (cotidianos na vida de qualquer brasileiro) devido às reclamações que tive de enfrentar e resolver. Realmente temos essa cultura de calar ou de botar a boca no trombone, quando a saída é sempre a conversa não é?
Mas uma pergunta que eu gostaria de fazer ao meu futuro cliente é: “aceita um cupcake?” (rsrs) e ouvir um “sim” como resposta, pois aqui em MG ainda é um produto desconhecido. E, sim, eu sei o quanto isso representa de oportunidade. Mas a dificuldade para aparecer no mundo off-line sem loja e sem grandes verbas é a minha luta hoje.
E você, Fábio, aceita um cupcake? Quando vier a BH avise que o seu já está reservado!
20 dezembro, 2010 as 16:46
Produtos são realmente caros em relação a produtos concorrentes simplesmente
porque o pessoal do marketing faslhou e o valor realmente não compensa; Empresas
concorrentes conseguem clientes pelo simples fato de cortarem burocracias
comuns em empresa medianas (ou simplesmente serem educadas o suficiente
para não o tratarem como “mais um idiota”) e pessoas falam mal de produtos e serviços
porque estes não supriram as expectativas criadas/desejada e essas pessoas têm canais
onde podem divulgar suas experiências entre seus comuns quase que instantâneamente.
Para uma coisa esse artigo serviu: você precisa parar para escutar de verdade
os seus clientes e parar com achismos. Uma dica: leia o que o Tony Hsie tem
escrito sobre satisfação de clientes e como isso deve se tornar parte da empresa.
Abraço.