Techtudo

Negócios – TechTudo
  • REVIEWS
  • BLOGS
  • DICAS & TUTORIAIS
  • ARTIGOS
  • JOGOS
  • DOWNLOADS
  • FÓRUM

As implicações de Google + Motorola

ter, 16/08/11 por Alexandre Fugita | categoria mobilidade | tags Android, Google, Motorola

Como todos devem ter visto o Google anunciou a compra da Motorola Mobility, a divisão da empresa que cuida dos smartphones. É uma notícia que causa bastante surpresa a todos que acompanham o mercado de mobilidade e que tem várias implicações por toda a indústria.

A primeira coisa a chamar a atenção é que o Google comprou uma empresa de hardware. É um tanto incomum já que ela própria não tem grande experiência neste setor. Você pode dizer que o Google vende aquelas soluções de busca para empresas ou ainda que trabalhou bem próximo a fabricantes de smartphones para lançar a linha de produtos Nexus e o tablet Xoom. Mas nada disso é o mesmo que ser dona de um fabricante de hardware, com toda a complexidade que isso agrega, desde fornecedores, até a logística de distribuição.

A Google diz que sua nova aquisição ajudará a proteger o Android contra ameaças anti competitivas de sistemas concorrentes. Os US$ 12,5 bilhões gastos representam cerca de 15 mil patentes a mais no portfólio da gigante de buscas e a possibilidade de mais 7,5 mil patentes que estão pendentes de aprovação. Todo esse mar de propriedade intelectual pode ser usado para defender-se de processos da Apple e da Microsoft no campo da mobilidade. E toda esta história tem conexão com meu último texto aqui no Techtudo sobre patentes e inovação.

Outra implicação a longo prazo desta compra é que agora o Google pode ser considerado competidor de seus parceiros no mercado de mobilidade. A Samsung, HTC, LG e Sony Ericsson, entre outras declaram-se felizes com a compra da Motorola pelo Google, mas saber que agora competirão com a antes apenas fornecedora de sua plataforma deve causar calafrios em seus executivos. A Nokia tinha acordo parecido com a Sony nos tempos áureos do Symbian. A finlandesa era dona do sistema operacional, fabricava seus aparelhos e licenciava o uso a outras empresas. Não deu muito certo pelo que podemos ver.

Aliás a Googlora (ou MotoGoogle, como vocês preferirem) segue o caminho de sucesso da Apple no quesito integração. Se um dos grandes problemas do Android era a fragmentação da plataforma, com interfaces customizadas por cada fabricante, com botões em ordem diferente em cada aparelho, talvez agora a coisa toda mude com uma empresa controlando todo o processo de software e hardware. Isso pode ser ótimo para o Android, mas péssimo para outros fabricantes que não a Googlora. A Samsung, HTC, LG e Sony Ericsson terão que fazer algo melhor do que fazem hoje para se diferenciar dos aparelhos “pure Google” que devem sair deste acordo.

O que acontece é que agora sobra apenas o Windows Phone como a única plataforma móvel a não possuir uma integração de software e hardware. Os Blackberrys são fabricados totalmente pela RIM. Os aparelhos com WebOS são só da Palm/ HP. Até a Samsung possui sua plataforma Bada, que vende mais do que o sistema da Microsoft. A Apple nem se fala, integração e controle do começo ao fim em todos os seus produtos. E agora o Android, que apesar da integração continua como plataforma aberta para outros fabricantes.

Com este cenário alguns analistas dizem que a saída para a Microsoft é comprar a Nokia e que a HP/ Palm deveria começar a licenciar sua plataforma. Nem todos concodam.

Para o Google será um grande desafio o aumento de 60% no seu quadro de funcionários agregando culturas corporativas bem diferentes. Será também um desafio lidar com os licenciados do Android e com toda a complexidade de ser um fabricante de hardware. O resultado final desta compra pode ser determinante para o futuro da gigante de buscas já que a mobilidade é considerada a grande próxima fronteira da computação.

2 Comentários para “As implicações de Google + Motorola”

  1. 1
    Sylvio:
    18 agosto, 2011 as 8:17

    A moto-enrola suja o nome do android com aparelhos ruins, android sem atualizações e pior de tudo, aquela porcaria do motoblur que empaca e te obriga a ter… a google foi inteligente e matou essa cobra que estava incomodando usuarios e a eles proprios. Espero que melhore, por enquanto motorola nunca mais, mas vou aguardar para nao dar tiro no pe…..

  2. 2
    Vegetando:
    20 agosto, 2011 as 12:31

    Sinceramente, acho que atualmente as empresas já fazem muito mais do que o Android puro oferece.

    A HTC foi o primeiro destaque, com a interface Sense e, agora, com as novas formas de interação usando canetas e permitindo que praticamente tudo seja anotado e gravado.

    A Samsung tem feito melhorias significativas no Android. Mesmo antes de serem liberadas em versões mais recentes, a empresa já colocava compartilhamento de conexão por Wi-Fi, permite que seus aparelhos capturem a tela sem root, já fornecia forma de configuração de proxy, entre várias outras coisas. A interface, pela Samsung, ganha novos atalhos e funcionalidades, como os “mini apps” que fornecem a sobreposição de janelas no Honeycomb. A diferença entre o aplicativo de câmera do Gingerbread/Honeycomb puros e o modificado pela Samsung são gigantes.

    A Asus está vindo com acessórios e usos diferenciados entre tablet e smartphone, além de colocar recursos de interafce que tornam o sistema mais familiar com a experiência fornecida com pcs. A Sony tem seu lado mais gamer e conteúdo exclusivo.

    Em termos de qualidade de hardware, a Motorola tem bons produtos. O acabamento é bom, dá para sentir mais robutez (ao contrário do plástico barato da Samsung). Detalhes como conectores não proprietários, LED de notifificações e teclado amplo e dock stations podem fazer a diferença para muitos clientes.

    O problema era exatamente em termos de software. Por isso, espero que a Google enterre de vez o MotoBlur e deixe os aparelhos da Motorola o mais próximos quanto for possível de um Google Device, por mais que faltem os incrementos valiosos de outras empresas.

Comentar

deixe seu comentário

« post anterior
próximo post »
  • Fabio Seixas

    Fabio Seixas é empresário e analista de sistemas. Fundou sua primeira empresa de comércio eletrônico em 1997. Atualmente palestra sobre internet, marketing e negócios e é co-fundador do Camiseteria.com.

    Alexandre Fugita

    Alexandre Fugita está sempre conectado à internet através de seu smartphone ou notebook. Tem formação de tecnólogo em sistemas de informação, escreve esporadicamente sobre tecnologia, internet e negócios no Techbits e já participou como colaborador de alguns dos blogs de tecnologia de maior destaque no Brasil.

    Guilherme Pacheco

    Guilherme Pacheco é economista, mestre em administração e empreendedor desde os 18 anos. Foi fundador do Bondfaro que posteriormente fundiu-se com o BuscaPé. Fundou também o buscador de viagens Mundi e, mais recentemente, a Mosaico, holding de negócios de internet, da qual é presidente.

  • Últimos posts

    • Duas questões com uma só cajadada
    • Resolvendo o problema fundamental
    • Os motivos da HP
    • As implicações de Google + Motorola
    • As patentes e a inovação
  • Categorias

    • aplicativos (2)
    • brasil (2)
    • Clientes (2)
    • Compras coletivas (3)
    • conteúdo digital (1)
    • Empreendedorismo (5)
    • Facebook (1)
    • Google (2)
    • Informação (1)
    • inovação (1)
    • Internet (3)
    • Jogos (1)
    • Livros (2)
    • mercado (2)
    • Microsoft (1)
    • mobilidade (2)
    • Nokia (1)
    • pagamento móvel (1)
    • Promoção (2)
    • Sem categoria (2)
    • smartphone (1)
    • Yahoo (1)
  • Mais colunas

    • Baixatudo
    • Blogs
    • Fotografia
    • Gadgets
    • Google
    • Hardware
    • Internet
    • Jogos
    • Linux
    • Mac
    • Microsoft
    • Mobile