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Afinal, vivemos uma nova bolha na internet?

qua, 25/05/11
por Guilherme Pacheco |
categoria Internet, mercado
| tags bolha

Há quase quatro anos, quando explodiram as startups da chamada web 2.0, se discute se existe uma nova bolha no mercado de internet e tecnologia. As recentes e bem sucedidas aberturas de capital (IPO, em inglês) do LinkedIn, rede de relacionamentos profissionais americana, e do Yandex, buscador russo, colocaram ainda mais foco nesta questão. Num recente artigo no Financial Times, o financista americano Steven Rattner chamou a valorização de quase 170% nas ações do LinkedIn da “maior manifestação tangível” de uma euforia que exibe todos os sintomas de uma bolha em tecnologia. Será?

No final de 2007 ficava famosa na internet uma animada paródia chamada “Here Comes Another Bubble” (algo como “Aí vem uma outra bolha”), que já questionava a existência de uma bolha na internet. Curiosamente, nos primeiros segundos o filme questionava os valores de algumas empresas como Facebook (15 bilhões de dólares), YouTube (1,65 bilhões de dólares) e Skype (2,6 bilhões de dólares). O maior problema destas empresas, na época, era que tinham muitos usuários mas um modelo de negócios ainda a ser provado.

Hoje, os valores são bem diferentes. O Facebook vem sendo negociado no mercado secundário privado a cerca de 80 bilhões de dólares, o Skype foi recentemente adquirido pela Microsoft por 8,5 bilhões de dólares e quanto valeria hoje o YouTube, que tem mais do dobro da audiência diária que todas as empresas de TV americanas, no horário nobre, somadas?

Portanto, os profetas da bolha de 2007 se mostraram bastante equivocados, pelo menos até o momento. O problema é que empresas são avaliadas pela sua capacidade de gerar lucro no futuro ponderado pelo risco disto acontecer ou não. Quem sabia em 2007 ou sabe hoje quanto estas empresas gerarão de lucro no futuro? Ninguém. Os preços refletem apenas a melhor aposta dos compradores. O crescimento continuado da audiência destas empresas e a confirmação que seus modelos de negócios são capazes de gerar receitas e lucro fez com que seus valores continuassem crescendo incrivelmente.

Os valores de hoje do LinkedIn (9 bilhões de dólares) ou Yandex (11 bilhões de dólares) são, seguramente, agressivos quando comparados aos seus balanços e outros mercados e podem não ser sustentáveis. O preços das ações embutem uma expectativa de crescimento muito grande destas empresas, e é justamente aí que reside a questão central destas avaliações. Quão grande pode ser o “Facebook dos profissionais”, no caso do LinkedIn, e o “Google da Rússia”, no caso do Yandex? Hoje o mercado hoje nos diz: serão enormes. O tempo nos dirá suas reais possibilidades, mas certamente muito do crescimento que se julgava improvável para Facebook e YouTube se mostrou verdadeiro. Sem mencionar Zynga e Groupon, que nasceram depois e já faturarão acima de 2 bilhões em 2011, de acordo com estimativas do mercado.

Somente uma análise superficial pode comparar o momento atual com a bolha de 2000. Naquele momento, vivíamos um frenesi onde acreditava-se que tudo que terminava com “.com” valia ouro e empresas que só existiram no papel, como a famosa Webvan, ícone de fracasso da bolha, faziam abertura de capital na NASDAQ. Na época, eu costumava dizer que estas empresas tinham dois ativos: um arquivo Power Point e outro Excel, ou seja, uma bonita apresentação e uma planilha e projeções financeiras, nada mais. A maioria das empresas começa assim e as que eu fundei, verdade seja dita, não foram diferentes. O problema passa a existir quando uma empesa neste estágio queima diversas etapas e abre seu capital, vendendo ações para um público que não compreende seu risco e realiza ganhos rápidos para investir na próxima, configurando uma alavancagem insustentável. Este era o cenário antes do furo da bolha.

O que vemos hoje é bem diferente, todos os exemplos citados são empresas reais, com produtos, clientes, receita e lucro (em alguns casos) de verdade. Algumas já têm quase 10 anos de mercado e tem crescimento continuado, valiosas marcas e sonoros números para apresentar. Se os valores relativos a seus fundamentos econômicos são elevados é porque espera-se alto crescimento no futuro, o que possivelmente algumas não entregarão. Mas, bolha como 2000, não. Mercado aquecido, isto sim.

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Crescimento do mercado de Internet no Brasil

ter, 15/03/11
por Guilherme Pacheco |
categoria brasil, Empreendedorismo, Internet

Há 16 anos, tive meu primeiro contato com a internet, através de um modem de 2400bps e conexão com uma das primeiras BBS brasileiras. Alguns anos depois, fundava meu primeiro negócio online, o site de comparação de preços Bondfaro, que mais tarde veio a se fundir com o BuscaPé. Outros negócios de internet vieram em seguida, o que me levou à Mosaico, empresa de investimento em negócios de internet, mas esta é outra história. Nesta coluna pretendo, da perspectiva de um empreendedor de internet, compartilhar minha experiência, visão e discutir temas da atualidade relacionadas ao mercado de internet.

Nestes anos tive o privilégio de acompanhar de perto a evolução do mercado de internet no Brasil do seu primeiro e insustentável boom, no final dos anos 90, passando pelo longo inverno que se abateu após o furo da bolha da NASDAQ, em abril de 2000, chegando ao florescimento dos sobreviventes (Mercado Livre, ParPerfeito, Webmotors, Bondfaro e BuscaPé, para citar alguns) e, por fim, ao atual e intenso momento de expansão do mercado.

O novo boom em que vivemos, agora baseado em fundamentos econômicos mais sólidos – é importante dizer –, nos faz refletir: o que faz o mercado de internet crescer tanto no país? Identifico três fatores cruciais para este progresso: experiências bem sucedidas que inspiram novos empreendedores; o barateamento de empreender na internet; e mais capital disponível para quem pretende criar o seu próprio negócio.

As experiências bem sucedidas e consolidadas do mercado são inspiração para novos empreendedores brasileiros. As recentes saídas (ou venda) da Sacks e Buscapé são alguns exemplos que tiveram muita visibilidade na mídia, muito além das especializada em internet e tecnologia, atraindo atenção para um mercado que, aparentemente, comporta românticas histórias de começar na garagem e chegar muito longe. À sua maneira, a informação trazida por Hollywood, como no filme “A rede social” reforça a mesma ideia.

O barateamento dos custos para empreender no mercado online também incentiva muitos empresários que desejam abrir um negócio. O custo da infraestrutura atual é infinitamente mais barato do que há alguns anos. Como referência, na fundação do Bondfaro tivemos que nos preocupar em estar num prédio que tivesse fibra ótica para instalar um datacenter para nossos servidores próprios, um dos quais exclusivo para o email corporativo. Itens como estes drenavam esforços e recursos financeiros do empreendedor, chegando até 50% do investimento inicial Hoje são commodities que se contrata rápido e barato entre vários fornecedores de serviços “na nuvem nacionais e internacionais com pagamento conforme consumo.

Além disso, a disponibilidade de dinheiro para novos negócios aumentou significativamente no Brasil nos últimos anos. O país vive bom momento no mercado doméstico e tem seu ápice de atratividade no cenário internacional, o que coloca mais recursos de investidores à disposição das empresas, principalmente as que já atravessaram o estágio inicial e têm modelo de negócio funcionando, com clientes e faturamento relevante. Para as startups a vida melhorou mas ainda não é fácil, voltarei a este assunto em outro post.

Todos esses fatores favorecem o mercado de novos negócios de internet e atrai novos empreendedores. Como consequência disso, além da disseminação de conhecimento sobre tecnologia e formação de profissionais do segmento, empreender na web deixou de ser um bicho de sete cabeças e passou a ser mais uma opção de quem deseja ter seu negócio, o que vem atraindo muitos novos empreendedores e startups nos mais diferentes segmentos da internet.

Com efeito, o cenário do mercado de internet brasileiro hoje é de crescente concorrência, o que vem incentivando as empresas a se capitalizarem, investirem e inovarem para se destacarem aos olhos dos internautas e consumidores. Muitos vencerão e seguirão em frente, outros perderão. Mas o mais importante é que o aquecimento e a competitividade no mercado online são fatores positivos para o consumidor brasileiro – que só tem a ganhar com isso –, para os empreendedores e para sociedade como um todo ao fortalecer a cultura empreendedora no país.

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Bilhões de dólares

qua, 22/12/10
por Fabio Seixas |
categoria Facebook, Google, Internet

Bilhões de dólares. Este é o patamar que algumas empresas de Internet estão atingindo em valor de mercado, e ter uma empresa que valha bilhões de dólares é o sonho de consumo de 8 entre 10 empresários. É verdade, sempre existem aqueles que preferem ser um pequeno gigante, mas não é esse o foco do artigo dessa semana. Prefiro enveredar para um debate sobre os atuais valores que algumas empresas atingiram recentemente. Quem viveu o primeiro boom da Internet não deixa de pensar se estamos num outro boom, e se este é mais sólido que o primeiro.

Os dois expoentes desse cenário são o Twitter e o Facebook. O primeiro recebeu recentemente um aporte de US$250 milhões com valuation em US$3.7 bilhões. Já o Facebook vale cerca de US$33.7 bilhões, com estimativa de receita anual de US$2 bilhões.

Fica claro para mim que ambas as empresas estão caminhando para um IPO (Initial Public Offering – oferta pública de ações), que normalmente é o maior pote de ouro que os investidores podem encontrar. É a melhor estratégia de saída para seus investimentos em função da liquidez e do potencial de ganhos.

Acho que vale um comparativo histórico, mas neste momento não vou usar o primeiro boom da internet como parâmetro. Vamos usar o Google, cujo IPO em 2004 rendeu à empresa US$1.67 bilhões com a ação sendo vendida a US$76 com um valuation de US$ 23.1 bilhões. Acontece que na época do seu IPO o Google tinha uma receita de US$1.55 bilhões. O Facebook está mostrando uma capacidade de geração de receita muito similar à da história pré-IPO do Google. No entanto, seu valuation pré-IPO é 45% maior que o valuation do Google pós-IPO.

Se analisarmos o Twitter, a questão vem mais à tona. Seu recém lançado (e ainda em evolução) modelo de publicidade ainda gera pouca receita se comparado ao seu grande valor de mercado. Obviamente, estamos falando de um mercado que valoriza hoje aquilo que a empresa entregará de resultados no futuro, seu potencial.

Não sou nenhum mago do mercado financeiro, mas vejo as duas empresas que mais se destacam nessa área caminhando para um cenário onde seu valor de mercado parece ser maior do que o compatível, ainda mais numa época pré-IPO já que a tendência é desse cenário ficar ainda maior após a abertura de capital.

Não creio que a fase que a Internet está passando atualmente se compare ao primeiro boom da internet. Vejo claros indicadores de que agora as coisas são mais sensatas, que a geração de receita e lucro são prioridades para as start-ups, mas isso não significa que não possa haver uma empolgação geral exagerada com 3 ou 4 empresas destacadas do restante do mercado. Twitter e Facebook são dois exemplos.

Tenho certeza que essas empresas são muito bem administradas e contam com um grande potencial, mas não é meu objetivo aqui levantar pontos sobre a viabilidade comercial delas. Acho que ambas estão no caminho certo. O ponto é se o mercado não está animadinho demais com essas empresas. Lembro-me do IPO da Netscape que foi a fagulha para o boom da primeira geração da Internet. O IPO do Google em 2004 foi o grande definidor da nossa fase da Internet mas, felizmente, não iniciou um processo de exuberância irracional. Em sua época o Google estava sozinho fazendo sua oferta pública de ações. Praticamente nenhuma empresa estava se preparando para o IPO. A preocupação agora é que, em breve, começaremos a ver mais empresas de internet abrindo capital na bolsa, em especial no mercado americano. Acredito que isso seja uma confirmação positiva da natureza de busca constante de resultados dessa nova geração de empresas. Quem vivenciou o estouro da primeira bolha da Internet sabe que ninguém vive de investimento. Empresas vivem de receita e de lucro. O cenário é ótimo, mais ainda assim cabe preocupação com 2 ou 3 empresas queridinhas do mercado.

2 comentários »

  • Fabio Seixas

    Fabio Seixas é empresário e analista de sistemas. Fundou sua primeira empresa de comércio eletrônico em 1997. Atualmente palestra sobre internet, marketing e negócios e é co-fundador do Camiseteria.com.

    Alexandre Fugita

    Alexandre Fugita está sempre conectado à internet através de seu smartphone ou notebook. Tem formação de tecnólogo em sistemas de informação, escreve esporadicamente sobre tecnologia, internet e negócios no Techbits e já participou como colaborador de alguns dos blogs de tecnologia de maior destaque no Brasil.

    Guilherme Pacheco

    Guilherme Pacheco é economista, mestre em administração e empreendedor desde os 18 anos. Foi fundador do Bondfaro que posteriormente fundiu-se com o BuscaPé. Fundou também o buscador de viagens Mundi e, mais recentemente, a Mosaico, holding de negócios de internet, da qual é presidente.

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