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Os games e os negócios

seg, 24/01/11
por Alexandre Fugita |
categoria Jogos

Um dos assuntos que tem mais me chamado atenção ultimamente é como os games podem ser usados em favor do seu negócio. Não, não estou falando simplesmente em jogos com finalidades publicitárias para expor uma marca ou propaganda dentro de jogos. É algo mais complexo, é algo que pode, por exemplo, ajudar um negócio a se desenvolver ou ainda resolver problemas do mundo.

Recentemente assisti a uma palestra no TED que tratava exatamente deste assunto: “Jane McGonigal: Gaming can make a better world” (vídeo abaixo). Fiquei tão impressionado com a apresentação que já revi o vídeo umas 5 vezes. E isso foi o que me motivou a escrever este texto. No seu discurso, Jane diz que o tempo que um americano médio passa brincando em games online é de 22 horas por semana, praticamente metade do tempo que se gasta trabalhando de verdade, vamos dizer assim. É algo impressionante e que gera ao redor de 3 bilhões de horas por semana em jogatina nos EUA. Imagine usar todo esse tempo para produzir algo útil ou de valor. Essa é a ideia central.

O grande impulsionador dos games é a gratificação que as pessoas recebem por realizar determinadas tarefas. Completamos mais uma fase? Isso nos traz um instante de satisfação. Passamos por um difícil obstáculo? Mais um pouco de satisfação instantânea. Estamos na frente dos nossos amigos (concorrentes)? A felicidade está garantida. E é esse tipo de gratificação, simples e instantânea que os games nos proporcionam e nos fazem querer jogar mais.

Partindo deste princípio podemos dizer que a Wikipédia é um grande game. Como assim? Os usuários da Wikipédia criam e editam artigos sem receber dinheiro para isso. Então por que fazem isso? Há várias gratificações em criar ou editar um artigo na grande enciclopédia digital. Primeiro, você sabe que aquele conteúdo possivelmente ajudará alguém à procura de informações. Mas isso não é suficiente, você poderia ter criado um blog para isso. Em segundo lugar, seu status melhora dentro da Wikipédia para com seus pares, ou seja, quanto mais artigos você mexer, mais importante dentro da comunidade você será. Isso pode gerar “cargos” diferentes dentro da rede, com funções que os simples mortais não tem direito. Satisfação garantida.

O Foursquare é outro exemplo de game a favor de um negócio. Toda vez que alguém me pergunta o que é o Foursquare, a minha resposta padrão é algo como “uma rede social na qual você diz aonde está”. Nada mais sem graça, não? Por que diabos eu vou compartilhar minha localização? Na verdade o Foursquare é muito mais do que isso. Ele é essencialmente um grande game, que tem uma camada de geolocalização como a base de seu argumento.

No Foursquare, toda vez que você diz aonde está (faz checkin), ganha pontos. Algumas vezes esses checkins valem medalhas (badges). Você pode ter um lugar de destaque no hall da fama de um determinado lugar (virar prefeito) se for a pessoa que mais vai naquele lugar. Tudo isso faz do Foursquare um grande game no qual nós, os jogadores, ajudamos a melhorar a base de dados deles de graça em troca de meros pontos, medalhas ou prefeituras.

Agora, vamos supor que você queria se manter em forma. Pode existir uma plataforma de game que você ganha pontos, status ou qualquer que seja o item que o diferencie dos demais jogadores. Se isso for interessante o suficiente teremos milhares e milhares de pessoas mantendo a forma, exercitando-se, por causa de um game. Algo parecido com o Nike+, o game/ rede social da Nike para corredores.

Essas mecânicas de jogos podem ser aplicadas para quase qualquer outro negócio ou atividade. O importante é ter algum item de satisfação instantânea, mesmo que seja algo aparentemente banal. Todo esse conceito pode ser considerado uma expansão do crowdsourcing, aplicado a resolver problemas para os negócios. Se o seu cliente se interessar, você terá uma mina de ouro a explorar e melhorar seu negócio.

2 comentários »

  • Fabio Seixas

    Fabio Seixas é empresário e analista de sistemas. Fundou sua primeira empresa de comércio eletrônico em 1997. Atualmente palestra sobre internet, marketing e negócios e é co-fundador do Camiseteria.com.

    Alexandre Fugita

    Alexandre Fugita está sempre conectado à internet através de seu smartphone ou notebook. Tem formação de tecnólogo em sistemas de informação, escreve esporadicamente sobre tecnologia, internet e negócios no Techbits e já participou como colaborador de alguns dos blogs de tecnologia de maior destaque no Brasil.

    Guilherme Pacheco

    Guilherme Pacheco é economista, mestre em administração e empreendedor desde os 18 anos. Foi fundador do Bondfaro que posteriormente fundiu-se com o BuscaPé. Fundou também o buscador de viagens Mundi e, mais recentemente, a Mosaico, holding de negócios de internet, da qual é presidente.

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