Estamos no ano do smartphone?

Toda vez que trocamos o ano no calendário, uma “chuva” de previsões para o ano que está começando são feitas. No mundo da tecnologia não é diferente e devo ter lido uma dezena de previsões para 2011. Particularmente fiquei intrigado com alguns posts sobre o fim dos celulares simples (aka, dumbphones) e o domínio dos smartphones (celulares complexos?).
Faz sentido, uma vez que, como no mercado de PCs, o hardware invariavelmente vira commodity. E, no mercado dos aparelhos móveis, a maioria dos dumbphones pode ser considerada commodity, ou seja, um hardware barato de se produzir e um software pra lá de ruim que faz o básico: contatos, ligações, SMS, agenda, etc… Não que esse mercado não dê dinheiro, mas concorrer pelo preço quase nunca é uma boa opção.
Como todos sabem, em 2007 a Apple lançou o iPhone e o mundo tremeu. Já existiam smartphones antes disso, mas todos sofriam com softwares pensados para o mundo não móvel ou no qual as telas de toque não tinham uma interface otimizada para elas. O impacto do iPhone foi tão grande que a RIM, fabricante dos Blackberrys, entrou em pânico na época, segundo relatos revelados recentemente. A RIM imaginava que as baterias e as formas de dados móveis eram os grandes gargalos para aparelhos mais complexos e ficou presa em uma visão que não a deixou evoluir para algo como um iPhone.
De lá pra cá o mercado se mexeu. O Google lançou o Android, seu sistema operacional móvel, a Microsoft repaginou o Windows Mobile, agora na versão 7 e totalmente diferente do que era antes e outras fabricantes como a Nokia e a própria RIM evoluiram seus sistemas para não ficarem para trás neste mercado em grande crescimento.
De todos esses players, o que mais chama atenção certamente é o Android. Hoje o sistema móvel do Google está em dezenas de smartphones (e alguns tablets) e tem melhorado muito, a ponto de receber elogios de especialistas em mobilidade. Um colunista da Fortune chamou a atenção para o fato que em 2011 é possível que tenhamos smartphones Android a menos de 100 dólares. E isso pode fazer com que os aparelhos rodando Android explodam em vendas.
O que vai acontecer é que ao invés de fabricarem dumbphones com péssimos softwares, muitas empresas oferecerão ao mercado smartphones Android commoditizados como porta de entrada no mercado móvel. Gigantes como Samsung, LG, Motorola e Sony fabricam seus aparelhos Android. E com o barateamento do hardware e preços mais acessíveis será a vez das vendas de smartphones explodirem.
Claro, sempre existirão os smartphones mais caros. A Apple com certeza continuará fabricando seus idolatrados iPhones com preços para poucos. Os smartphones Android também terão suas versões topo de linha com valores nada convidativos. Mas a grande massa de aparelhos móveis poderá ser composta por smartphones mais baratos ao invés de dumbphones.
Contribui para a explosão dos smartphones também o fato de que internet móvel já não é algo do outro mundo e caro. Aqui no Brasil praticamente todas as operadoras oferecem planos pré pagos de internet a preços razoáveis. Ou seja, uma barreira a menos para a popularização dos telefones inteligentes.
Antes que alguém pergunte, o objetivo deste texto não foi comparar o iOS com o Android. Por acaso sou usuário de ambos os sistemas e sei que há vantagens e desvantagens em cada um deles. O que enxergo é que o Android realmente tem chance de se tornar o software padrão da maior parte dos smartphones do planeta, apesar da fragmentação. Mas sempre existe a possibilidade do Steve Jobs vir com o clássico “One more thing…” e mudar tudo de novo e o que você acabou de ler pode ir rapidamente por água abaixo.
De uma forma ou de outra é bastante provável que realmente estejamos no ano em que os dubmphones darão finalmente lugar aos smartphones para a grande massa dos usuários. A maioria das pessoas não vai nem se dar conta disso, ou seja, nem vai saber qual o sistema operacional que está usando. E o mercado de apps agradece.