Nome: The Binding of Isaac
Gênero: Ação / Aventura
Produtora: Edmund McMillen e Florian Himsl
Plataformas: PC e Mac (Steam)
The Binding of Isaac (Foto: Divulgação)Existem certas discussões das quais prefiro não fazer parte. Isso não quer dizer que não é interessante entender como as engrenagens de política, futebol e religião rodam. No caso desta última, a subjetividade na interpretação praticamente garante discussões até o fim dos tempos. Várias obras, como A Paixão de Cristo, foram alvos de controvérsia pelos mais variados motivos. The Binding of Isaac, criado pela dupla Edmund McMillen (Super Meat Boy) e Florian Himsl, também parece digno de discussão por lidar com assuntos pesadíssimos - e para adicionar um insulto extra, com um visual que flerta entre e o fofinho e o nojento.
O nome do jogo para PC e Mac é uma referência à uma passagem da Bíblia - naquele clima pesado que o Velho Testamento tem - na qual Abraão quase sacrifica seu filho, Isaque, para provar sua fé inquestionável no Todo Poderoso. Pelo menos foi "quase". Já o Isaac do jogo vive uma situação: ele é um menino que mora com sua mãe, uma fervorosa dona-de-casa que vive assistindo programas religiosos na TV. Ela passa a ouvir a voz do Senhor demandando que o menino seja morto, pois ele foi maculado pelos pecados do mundo, e é claro que ela parte pra cima do garoto com uma faca de cozinha. O que você faria no lugar dele?
The Binding of Isaac (Foto: Divulgação)Sebo nas canelas! Pelado e se acabando em prantos, ele foge para o porão, e aí começa a aventura. A população deste submundo é um prato cheio para um analista: moscas, caveiras, mutantes, dejetos humanos, crianças monstruosas - que, sim, podem muito bem ser irmãos proscritos do herói - e toda sorte de matéria-prima de traumas de infância dos mais variados níveis de gravidade... nestas horas você torce para que isto não seja representativo da psique do autor, pois é perturbação pura. Ver tais situações em um jogo produzido em Flash com visuais cartunizados causa um misto de pena e vontade de rir da situação.
A mecânica de jogo remete aos clássicos, misturando The Legend of Zelda (o original do Nintendinho), Robotron 2084 (um direcional move, o outro dispara) e Rogue (geração aleatória de fases, itens e inimigos). O jogo tem dezenas de itens: alguns são automaticamente "vestidos" por Isaac - que pode terminar a aventura com visuais radicalmente diferentes a cada partida - e têm suas propriedades. Outros são de uso ativo, como pílulas e cartas de tarô... e para saber pra que serve cada uma é só na prática. Às vezes o resultado pode ser bom. Às vezes. Desde seu lançamento, o jogo recebeu atualizações - uma delas, no Halloween - com mais objetos e monstros.
Além da dificuldade elevadíssima (e de mais de dez finais diferentes), a natureza aleatória do jogo garante sua longevidade. Mesmo porque vencê-lo uma vez torna a partida seguinte mais difícil, com mais áreas para chegar antes do combate final com o oponente mais óbvio do universo. É o tipo de experiência que vale revisitar: há uma recompensa em explorar o máximo de salas e segredos possível para aumentar sua chance de não morrer miseravelmente antes - afinal, Isaac só tem uma vida. Morreu? Volte ao começo. Quem sabe da próxima vez você devesse ter aceito aquele pacto com Baphomet? Até mesmo oportunidades únicas de vender a alma ao capiroto aparecem neste jogo.
The Binding of Isaac (Foto: Divulgação)Embora a apresentação seja de uma simplicidade daquelas, The Binding of Isaac é divertido e muito melhor que a soma de suas partes. Mesmo que a bem-humorada combinação de temas sombrios não seja papo para um jantar com a família, há motivo de sobra para trazer o jogador de volta - seja pela dificuldade altíssima (e vencê-lo torna as próximas partidas ainda mais desafiadoras), cada partida ser inteiramente diferente da anterior e a curiosidade da exploração do que sempre é desconhecido. Isso e garantir que o pobre Isaac sobreviva para fazer anos de análise quando crescer, é claro. Pobre garoto...





