Jogos de ação

NOTA tt
8.0

Review Castlevania: Lords of Shadow

Castlevania: Lords of Shadow é o mais recente título da série de ação/aventura da Konami sobre vampiros e monstros sobrenaturais. Lançado em 2010 para PlayStation 3 e Xbox 360, LoS é uma nova tentativa da empresa japonesa de transpor uma de suas franquias mais bem-sucedidas para um ambiente tridimensional. Mas será que ela conseguiu conciliar com sucesso essa nova visão à tradição de Castlevania? Veja abaixo no nosso review.

Bruno Araujo
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Nome: Castlevania: Lords of Shadow
Gênero: Ação/Aventura
Distribuidora: Konami (distribuído no Brasil pela NC Games)
Plataformas: PlayStation 3 e Xbox 360

Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)

Castlevania: Lords of Shadow é o mais recente título da série de ação/aventura da Konami sobre vampiros e monstros sobrenaturais. Lançado em 2010 para PlayStation 3 e Xbox 360, LoS é uma nova tentativa da empresa japonesa de transpor uma de suas franquias mais bem-sucedidas para um ambiente tridimensional. Mas será que ela conseguiu conciliar com sucesso essa nova visão à tradição de Castlevania? Veja abaixo no nosso review. 

Um novo (velho) desafio 

O salto das perspectivas bidimensionais para os mundos 3D representou um avanço significativo no mundo dos videogames. Séries como Mario, Metroid e WarCraft se reinventaram em suas aventuras em três dimensões e estabeleceram novos paradigmas para os jogos que ainda estariam por vir. No entanto, algumas franquias tiveram dificuldades em completar essa transição, e viram suas parvas incursões em 3D amargarem o insucesso. Uma delas foi Castlevania

Avance alguns anos e eis que surge Lords of Shadow com um papel muito claro: ou Castlevania conclui o pulo para o 3D e volta a figurar entre os melhores do seu tempo, ouse contenta em continuar desovando jogos em 2D para um grupo fiel, mas muito pequeno de jogadores. É claro que a segunda opção não era de fato uma alternativa, e para alcançar seu objetivo a Konami resolveu jogar com o regulamento debaixo do braço. 

Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)

Achado não é roubado 

Castlevania: Lords of Shadow é um jogo de ação 3D que pega emprestado elementos consagrados de diversos outros jogos. O principal deles é o sistema de combate, inspirado basicamente na série God of War. Apesar de não ser tão desenfreada e visceral quanto GoW, a alma dos combates de LoS são os famosos combos de golpes diretos, que atingem um só oponente, e de superfície, que acertam mais inimigos, mas causam menos dano. 

Conforme você progride na aventura, novas habilidades e combos ficam disponíveis para compra por meio de pontos de experiência, que podem ser obtidos ao matar inimigos, resolver quebra-cabeças, derrotar chefes e completar fases. 

Apesar da variedade de golpes, LoS ocasionalmente sofre com a falta de diversidade nos padrões de ataque dos oponentes. As lutas contra os chefes têm as suas peculiaridades, mas a falta de estímulos por parte dos capangas comuns pode fazer com que o jogador use sempre as mesmas três ou quatro sequências de botões. 

Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)

Por outro lado, o jogador também pode usar durante os combates um sistema de magias capaz de modificar suas habilidades nas batalhas, o que lembra um pouco mais a lógica de RPG de outros jogos da série Castlevania. Quando acionada, a magia de luz recarrega um pouco de sua energia a cada golpe acertado. Já a magia de sombra potencializa o dano causado aos oponentes. 

Como a sua reserva mágica vai se esgotando conforme o seu uso, para recarregá-la é preciso recorrer a estátuas espalhadas ao longo das fases ou a uma terceira mecânica de combate, que premia o jogador com esferas de magia caso ele consiga emendar vários golpes em sequência sem ser atingido. 

Essa combinação de fatores traz dinamismo e mais estratégia às lutas, tornando-as mais cerebrais e menos um apertar frenético de botões. Não ser acertado passa a ser essencial para lutar melhor e matar seus inimigos mais facilmente ao longo de sua jornada. 

O fim dos dias 

O argumento de Castlevania: Lords of Shadow é simples: motivado pelo assassinato de sua esposa, você, Gabriel Belmont, precisa rodar o mundo em uma missão para destruir os Lords of Shadow e restaurar a aliança da Terra com os deuses. 

Nobre? Sim. Profundo? Não. Mesmo com os consagrados atores Patrick Stewart, o Capitão Picard de Jornada nas Estrelas: Nova Geração, e Robert Carlyle, de Trainspotting, interpretando respectivamente Zobek e Gabriel, a narrativa de LoS não transparece ao jogador a gravidade dos acontecimentos do universo do jogo, que por sinal é independente do universo dos outros Castlevania

Carlyle é monótono e inexpressivo, e sua dor pela perda de Marie, a esposa, é quase burocrática. Já Stewart, praticamente um Cid Moreira inglês, intercala todas as fases do jogo com monólogos enfadonhos e bregas que tentam descrever um conflito interno de Gabriel que nunca chega ao seu clímax. 

A história tem pontos altos, como a aparição de Carmilla, segunda Lord of Shadow a cruzar o caminho de Gabriel. Ela é provocativa e tem uma das melhores frases do jogo. Mesmo assim, é inevitável o gosto amargo na boca ao saber que a Kojima Productions, empresa de Hideo Kojima, criador de Metal Gear Solid, poderia ter tido uma participação maior na consultoria do jogo. 

Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)

Pulando e enigmatizando 

Outros dois elementos fundamentais de LoS são os segmentos de plataforma e os quebra-cabeças. Enquanto os primeiros acabam sendo às vezes longos demais e um pouco despropositados, os enigmas pontuam bem o ritmo da partida, prendendo a atenção e exigindo um pouco mais de contemplação do que o típico jogo de ação/aventura. 

Por falar em contemplação, um dos grandes méritos de LoS é a sua ambientação. Tanto na parte visual como na sonora, os espanhóis da Mercury Steam, estúdio responsável pelo desenvolvimento do jogo, surpreendem com cenários e paisagens que retratam a natureza em conturbação com a decadência das civilizações erradicadas durante o fim dos dias. 

Castlevania: Lords of Shadow  (Foto: Divulgação)Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)

A trilha sonora é de primeira qualidade e se adequa perfeitamente ao clima sombrio e incerto da jornada de Gabriel, enquanto que o conceito artístico de medievalidade foi aplicado com muito esmero nos inimigos, no figurino e nas próprias fases. 

É claro que o tradicional castelo da série Castlevania acabou reduzido a uma parte do jogo, e todo o clima kitsch dos outros jogos foi eliminado em LoS, o que pode desagradar alguns fãs mais conservadores. Mas se o objetivo era fazer a franquia respirar novos ares, ela precisava literalmente sair de dentro de casa. 

Uma outra idéia que foi emprestada de jogos posteriores ao início da saga Castlevania são os titãs, chefes gigantescos – três, para ser mais preciso – que aparecem em certos momentos do jogo e proporcionam embates incríveis com Gabriel. 

Claramente inspiradas nos colossos de Shadow of Colossus, para PlayStation 2, as lutas contra os titãs são momentos de pura abstração e elevam a diversidade dos combates lá pra cima. 

Castlevania: Lords of Shadow  (Foto: Divulgação)Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)

Um jogo para todos

Castlevania: Lords of Shadow não tem – e não deveria ter mesmo – vergonha de se inspirar em vários jogos que fizeram sucesso após seu surgimento. Afinal, quantos outros não utilizaram os paradigmas da série Castlevania como modelo a ser seguido? Copiar não é um pecado, desde que seja acompanhado de novas idéias e aplicações. 

Perceber que a série precisava se desgarrar de suas raízes 2D, mesmo que somente para saber que é capaz de se aventurar em ambientes 3D com habilidade, é essencial para entender as decisões de game design da Konami e da Mercury Steam

LoS tem muito do que consagrou God of War? É claro, mas tendo em vista os erros do passado, a empresa japonesa observou que seria mais seguro apostar em uma fórmula já amplamente aceita pelos jogadores e que tivesse ressonância no público ocidental, target de praticamente todas as empresas de videogames de hoje. 

A tradição de elementos clássicos de RPG dos Castlevania mais recentes foi diluída em prol do ritmo e do sistema de experiência dos jogos 3D que a série almeja alcançar. Mas em comparação com as primeiras incursões da série, de 20 anos atrás, mais direcionadas à ação, LoS reverbera os conceitos que fundamentaram a franquia, proporcionando uma experiência que não é desfigurada da mitologia de Castlevania

Uma nova edição obviamente teria que corrigir um caminhão de problemas, como o sistema de combate ainda pouco inspirada, os inimigos previsíveis e a narrativa impessoal demais. No entanto, o mais difícil já foi feito, e agora todos já podem dizer que Castlevania tem um autêntico jogo em 3D de qualidade. 

Castlevania: Lords of Shadow  (Foto: Divulgação)Castlevania: Lords of Shadow (Foto: Divulgação)

Conclusão 

Castlevania: Lords of Shadow é o primeiro passo acertado da franquia em um novo formato de jogo. Amedrontada com tantos erros do passado, a Konami foi conservadora e adotou a mesma fórmula dos jogos de pancadaria em 3D – o que não é de todo ruim – para finalmente conseguir firmar sua saga de vampiros e demônios em ambientes tridimensionais. Existem falhas e incongruências, é claro, e há muito a ser corrigido. Mas as coisas tendem a ficar mais fáceis para o mundo 3D de Castlevania a partir de agora. 

 

Nota TechTudo

NOTA tt
8.0
Gráficos
8
Jogabilidade
8
Diversão
8
Som
9

Prós

  • - Identidade visual bem definida.
  • - Trilha sonora.
  • - Inimigos gigantescos.

Contras

  • - Atuação monótona
  • - Combates pouco inspirados
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