Jogos de aventura

NOTA tt
9.0

Review Chroma Squad

RPG brasileiro transforma o jogador em diretor de estúdio de Power Rangers

Felipe Vinha
por
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Chroma Squad é um jogo de estratégia para PC que funciona como um simulador de estúdio de TV. Mas não é qualquer estúdio, mas sim um verdadeiro set de filmagem de seriados japoneses com super-heróis coloridos, no melhor estilo “Super Sentai”, ou “Power Rangers”, como são conhecidos no ocidente. Confira a análise e saiba se a espera valeu a pena:

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Em Chroma Squad você vive as aventuras de um grupo de heróis no estilo de Power Rangers (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)Em Chroma Squad você vive as aventuras de um grupo de heróis no estilo de Power Rangers (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

É hora de Cromatizar!

Chroma Squad é criação dos desenvolvedores do Behold Studios, que é brasileiro e também lançou no mercado o elogiado Knights of Pen & Paper. A história do jogo parece traçar um paralelo com a típica história de estúdio independente que “sofre” nas mãos de uma grande produtora, conforme acompanhamos no prólogo da aventura.

Chroma Squad te permite criar e personalizar um esquadrão de heróis (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)Chroma Squad te permite criar e personalizar um esquadrão de heróis (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

Aqui somos apresentados a um grupo de astros que fazem parte de uma série de TV, chamada de Super Rangers. Contudo, cansados de serem explorados injustamente e por desavenças com o diretor, o grupo resolve partir e montar o seu próprio estúdio. Assim é inaugurado o programa Chroma Squad, no mesmo estilo de Super Rangers, mas que começa com pouquíssimos recursos, em um local abandonado, mas logo conquista fãs e enorme popularidade.

A história, bem básica no início, é contada aos poucos ao longo da aventura. Novos personagens participam da saga, dando um ar de “reviravoltas”, e um tímido sistema de escolhas dita alguns possíveis caminhos que seu estúdio pode seguir – seja para a pior ou para a melhor.

O game é também o simulador de um estúdio de gravação de séries de TV neste estilo (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)O game é também o simulador de um estúdio de gravação de séries de TV neste estilo (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

Mas a conquista de popularidade vai além de escolhas pré-definidas, e também envolve o talento do jogador na hora de administrar seus episódios, lutas, coreografias, contratos e outros pormenores que envolvem o gerenciamento de uma verdadeira equipe de astros e de um estúdio de TV, mesmo um fictício.

Ao mesmo tempo em que é um jogo de super-equipes coloridas e inspiradas por heróis japoneses, Chroma Squad também faz um bom trabalho em ser um game com um forte apelo para o lado de simulador, com todas as ferramentas de administração que temos à disposição – e que aumentam com o passar do tempo.

Além de combater o mal, o jogador deve seguir instruções do diretor nos episódios (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)Além de combater o mal, o jogador deve seguir instruções do diretor nos episódios (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

Isto é: você vai controlar os seus personagens durante os combates, ou melhor, episódios, mas também vai controlar o dinheiro, estimar os fãs do show, comprar novos equipamentos, melhorar o estúdio, contratar comerciais, agenciar seus astros, se preocupar em verificar a audiência e mais. É quase como um jogo dentro do outro, então não há do reclamar em termos do que se tem para fazer em Chroma Squad.

Mas como funciona isso tudo?

O conceito de Chroma Squad pode ser um pouco confuso, no início, para quem não está acostumado com o conceito de Super Sentai ou já deixou de ver Power Rangers há algum tempo. O funcionamento é bem simples: com o roteiro dos episódios, discutidos e apresentados em tempo real pelos personagens, o jogador deve seguir os embates e a história para gravar seus episódios.

É possível até mesmo interagir com fãs, em alguns casos de forma hilária (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)É possível até mesmo interagir com fãs, em alguns casos de forma hilária (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

Dentro dos episódios, Chroma Squad funciona como um jogo de estratégia em turnos. Apesar de ser um simulador de estúdio de TV, você não vai precisar administrar também as câmeras ou cortes de cenas. Basta controlar seus personagens, eliminar os inimigos e, se possível, seguir o que é pedido pelo diretor, para alavancar ainda mais a audiência do programa, com os objetivos sugeridos.

Tais objetivos servem para aumentar a barra de audiência, sempre presente na tela, e que dita se o seu episódio está emocionante ou incrivelmente chato. Se você simplesmente correr com os heróis socando os inimigos normalmente sem se preocupar com mais nada, dificilmente terá uma audiência boa. É preciso se preocupar em realizar golpes arrasadores, acrobacias, eliminar o chefão com golpe especial e mais, tudo para conseguir mais fãs e, claro, mais dinheiro.

Os combates de Chroma Squad são no estilo de estratégia em turnos (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)Os combates de Chroma Squad são no estilo de estratégia em turnos (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

Com o tempo, a barra de audiência vai estar no ponto certo que permite que nossos heróis se transformem, ou se “cromatizem”, ganhando suas vestes coloridas e poderes mais incríveis, como acesso a armas de alto calibre, espadas afiadas, arcos e outros elementos. Sim, essa é o equivalente à “hora de morfar” do clássico Power Rangers, e funciona quase que da exata mesma forma.

Os produtores de Chroma Squad também se preocuparam em inserir no jogo uma das características mais marcantes dos Sentais e Rangers que vemos em quase todos os episódios: o espírito de equipe. Além das habilidades e golpes comuns que cada personagem tem, há ainda a possibilidade de ativar a estrela de trabalho em equipe, o que “inutiliza” aquele personagem naquele turno, mas pode facilitar a vida de outro, como uma “escadinha” na hora de saltar mais distante ou um golpe com uma ajudinha de outra arma, ao mesmo tempo.

Cada membro de sua equipe Ranger tem habilidades próprias (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)Cada membro de sua equipe "Ranger" tem habilidades próprias (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

O mais divertido é que, apesar das aparentes inúmeras opções, Chroma Squad mantém suas batalhas incrivelmente simples, apesar de serem também muitíssimo táticas. Não há uso de itens, então é preciso ficar de olho na energia de seus personagens para usar uma habilidade de cura, por exemplo, ou utilizar o trabalho em equipe para recuperar um pouco de energia. Além disso, ficar de olho nos objetivos opcionais de cada fase e também nas opções de ataques e golpes especiais pode te fazer parar para pensar por alguns bons minutos antes de iniciar o próximo movimento pelo cenário.

Como não poderia faltar, temos ainda a batalha de robô gigante contra um monstro igualmente gigante, algo clássico das séries japonesas com heróis coloridos. Há sempre uma animação que precede a luta, com o “gatai” do robô, ou seja, a união de suas partes para a forma humanoide. O combate contra o monstro gigante é igualmente divertido, e ainda mais simples, que é o que impressiona mais! É incrível como, em diversos momentos, o jogo consegue manter a simplicidade e originalidade unidos a uma diversão incrível.

Ao final de cada episódio, seus ganhos e elogios dos fãs no Twitter (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)Ao final de cada episódio, seus ganhos e elogios dos fãs no Twitter (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

Era de se esperar que um game tão completo para o que se propõe chamasse a atenção, e por isso mesmo Chroma Squad, que é uma legítima produção brasileira, foi financiado com sucesso em campanha no site Kickstarter e chamou tanta atenção na mídia internacional. Sua jogabilidade, que pode ser conferida após o lançamento, comprova a qualidade e justifica o “hype”.

Mas por que os gráficos são assim?

Chroma Squad utiliza gráficos estilo retrô, que lembram 8 bits, da época do Nintendinho, mas que são bem mais avançados do que isso, apesar de não parecer. A escolha visual ainda pode causar certa estranheza em alguns fãs, já que o game não utiliza nenhum tipo de efeito dito de “nova geração”, como gráficos 3D super realistas, efeitos de partículas ou coisas do tipo. Porém, cabe entender que essa foi uma escolha feita pela produção que combinaria com a ideia do game.

Há até mesmo batalhas com robôs gigantes em Chroma Squad (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)Há até mesmo batalhas com robôs gigantes em Chroma Squad (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

Como o jogo pesa bastante para o lado do humor durante toda sua narrativa, Chroma Squad usa um estilo de arte caricato e que lhe permite “abusar” mais facilmente de situações visuais extremas, que levariam séculos para serem feitas ou não combinariam bem em outro estilo de arte mais realista. É claro que os gráficos podem não ser o ponto alto para alguns, mas é possível afirmar que eles casaram muitíssimo bem com o clima geral do game.

A trilha sonora segue o mesmo estilo, com músicas também no gênero retrô, com muitos “bips” e “bops”, lembrando trilhas sonoras de clássicos como Mega Man ou Castlevania, mas também inspiradas por músicas de Power Rangers e Super Sentai em geral. Há até mesmo uma espécie de “música de abertura” que é, inclusive, cantada em japonês. Tudo para deixar o jogador no clima para a experiência que vem a seguir.

Os heróis de Chroma Squad encaram os inimigos em campo (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)Os heróis de Chroma Squad encaram os inimigos em campo (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)

Por fim, cabe avisar que Chroma Squad não é perfeito. Apesar de ser muito divertido, ele é curtinho e tem alguns pequenos problemas, como bugs visuais que ocorrem em casos raros, mesmo após tanto período e testes. Além disso, partes prometidas do jogo durante seu desenvolvimento, como um modo de edição de episódios e o multiplayer, ficaram de fora da versão final. Os produtores já prometeram que coisas assim podem chegar no futuro, com atualizações, mas não deixa de ser uma decepção, principalmente para quem investiu na época do Kickstarter.

Conclusão

Chroma Squad é um jogo que prega valores de amizade, sabedoria e trabalho em equipe, tudo que um estúdio indie de desenvolvimento de jogos precisa, confundindo-se com a própria história da produtora Behold Studios. Mas, muito além disso, o game é hilário, tem uma jogabilidade muito bem encaixada e gráficos que andam de mãos dadas com a trilha sonora. Ele merece ser um dos destaques do ano, seja pela sua diversão bem dosada ou pelos elementos que compõem sua aventura e administração de estúdio de TV. Hora de Cromatizar!


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Nota TechTudo

NOTA tt
9.0
Gráficos
7
Jogabilidade
9
Diversão
10
Som
10

Prós

  • - Jogabilidade retrô.
  • - Administração de equipe.
  • - Bom humor.
  • - Batalhas.
  • - História com escolhas.

Contras

  • - Pequenos bugs visuais.
  • - Faltam funções prometidas.
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  • Carolina Nonato
    2015-05-06T20:38:55

    Na real a nota baixa pra 'gráfico' foi por pura preferência da pessoa que escreveu a resenha, né? Porque os "gráficos" estão em um estilo chamado pixel art. Se vc analisar nessa "categoria", a arte é muito boa, merece nota bem mais alta! Bjs :)

  • Marcos Junior
    2015-05-05T18:33:58

    Muito top este jogo!

  • João Henrique
    2015-05-05T12:49:16

    Meus grandes parabéns para a equipe da Behold Studios, por conseguir algo que é o sonho de muitos desenvolvedor brasileiros. Ótimo trabalho