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NOTA tt
9.0

Review Divinity: Original Sin

Divinity: Original Sin refina mecânicas dos antigos RPGs exclusivos para computadores e prova a força do Kickstarter. Confira a análise.

Julianna Isabele
por
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Divinity: Original Sin é um RPG isométrico por turnos exclusivo para computadores, criado com base em títulos icônicos da plataforma. Os jogadores embarcam em uma aventura medieval no comando de dois personagens, com a possibilidade de jogar cooperativamente com um amigo em qualquer momento da jogatina. Confira a análise completa:

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Divinity-Original-Sin-ArteReview: Divinity Original Sin (Foto: Reprodução/ Julianna Isabele)

Na hora de publicar Divinity: Original Sin, o estúdio belga Larian optou pelo Kickstarter no lugar de entrar debaixo das asas de uma publisher. O resultado da proposta veio de imediato: U$$944,282 foram recebidos no sistema de crowdfunding, com a meta de US$1 milhão sendo atingida por doações feitas no PayPal, externamente. O segredo do sucesso da campanha, além de residir em atender uma demanda que há anos não era agraciada, mora na paixão clara da Larian pelo gênero de RPGs exclusivos para computadores.

Caçadores de aventuras medievais

E na prática, qual seriam as diferenças tão gigantescas entre um RPG de console e o que Divinity: Original Sin se propõe a fazer? Inspirando-se diretamente em um catálogo que vai de Heroes of Might and Magic, Baldur’s Gate até Diablo, a obra da Larian mistura tudo que existe neste nicho e refina sistemas clássicos.

Após criar sua dupla de aventureiros e conhecer os mistérios da Sourcery, um tipo específico de magia enxergada como maligna, o jogador descobre que está no comando de dois Source Hunters.

Seu trabalho é seguir a fundo na pesquisa de um misterioso assassinato, após se familiarizar com a cidade de Cyseal. Daí para frente, o número de missões no jornal dos aventureiros escalona rapidamente – orcs, mortos-vivos, viagem no tempo, animais falantes, experimentos científicos falidos e por aí vai.

Divinity-Original-Sin-Criacao-PersonagemReview: Divinity Original Sin (Foto: Reprodução/ Julianna Isabele)


Novidade com ar retrô

Grande parte dos RPGs se baseia, em essência, na construção complexa de algum elemento em específico: alguns destacam sistemas de níveis, outros usam o crafting (a construção de itens e equipamentos) como mecânica principal, ainda há os que ressaltam estrategismo no combate e a lista segue. Divinity: Original Sin, pelo contrário, se assemelha mais a um MMO nesse aspecto. Todas as mecânicas apresentadas são multifacetadas, sejam elas utilizadas nas batalhas ou não.

A construção do cenário permite livre interação com tudo que não esteja fixo, tal como quadros, baús e outros itens. O esquema isométrico da câmera potencializa a liberdade de movimentação e a sensação de existir em um ambiente flexível a esse ponto é de ter que pensar fora da caixa. Muito do que o jogo propõe exige soluções inusitadas, como movimentar itens pelo cenário para encontrar alavancas ou conversar com um cachorro para desvendar um mistério.

Ao topar com uma missão investigativa, por exemplo, o jogador tem um leque de escolha tão amplo que acabei encontrando pouquíssimas pessoas que seguiram a mesma linha de enredo vista por mim. É possível ficar horas resolvendo o caso – falando com pessoas envolvidas, procurando itens em cenários escondidos, convencendo guardas etc – ou apenas seguir sua intuição e pular boa parte do ofício (o que, normalmente, rende menos experiência, é claro).

Divinity-Original-Sin-BatalhaReview: Divinity Original Sin (Foto: Reprodução/ Julianna Isabele)

Outra funcionalidade que ajuda na aproximação com MMO é o sistema online: é possível jogar cooperativamente com um amigo, dando início a uma partida online a qualquer momento. Tanto você pode criar um jogo e permitir que seu colega assuma o posto de um dos companheiros ou fazer o contrário.

Em diversas sequências do enredo, a dupla de personagens  entrará em conflito: você concorda em sair por aí roubando ou matar animais a torto e a direito? O que é poder para você? Questionamentos triviais desbandam em uma briga para ver quem tem a razão – uma briga no jokenpô, no caso. Após algumas vitórias no pedra, papel ou tesoura, a discussão será apaziguada.

As batalhas completam os trunfos mecânicos de Divinity: Original Sin com chave de ouro: o aspecto mais importante do jogo é refinado com o mesmo nível de esmero das batalhas. Na prática, os jogadores possuem turnos e uma barrinha de ação composta por bolinhas – movimentar-se e usar habilidades as consomem e é preciso planejar seu percurso de antemão.

Divinity-Original-Sin-LavaReview: Divinity Original Sin (Foto: Reprodução/ Julianna Isabele)


Matar um zumbi ou matar um zumbi com FOGO?

Os elementos são parte importante dos embates: é quase impossível enfrentar hordas de zumbis venenosos usando seu batedor mais forte. Manipule os elementos que cerceiam os inimigos, criando poças de óleo e ateando fogo no chão, por exemplo, para ganhar as partidas de maneira mais fácil.

No modo Normal, a inteligência artificial dos oponentes tende a ser um tanto mais piedosa e dificilmente você vai se deparar com uma gangue destruindo um aliado mal posicionado, o padrão é ter ao menos uma oportunidade para conseguir fugir.

Ainda é possível pensar em maneiras para se aproximar de grupos inimigos de maneira vantajosa: ative o sneak para utilizar suas habilidades antes da batalha ter início. A estratégia é útil para dar continuidade a manipulação do terreno a seu favor e pode salvar partidas, muitas vezes.

Divinity-Original-Sin-GraficosReview: Divinity Original Sin (Foto: Reprodução/ Julianna Isabele)

A apresentação inicial do jogo, num tom medieval com toque menos sério, não impressiona muito. A ideia geral das artes conceituais e até da modelagem dos personagens soa bem genérica e não tende a atrair muito.

Num mundo de Dragon Age e The Witcher, a apresentação de Divinity: Original Sin tende a passar batida, remetendo a sensações que não refletem o produto final.

O jogo, porém, vem equipado da possibilidade de utilizar modificações – tanto para interface de usuário quanto para os gráficos.Ainda que o jogo tenha sido lançado há pouco tempo, já existem alguns mods para deixar os cenários um tantinho mais caprichados na apresentação, caso incomode.

Divinity-Original-Sin-MonstroReview: Divinity Original Sin (Foto: Reprodução/ Julianna Isabele)


Pode ficar no Skype enquanto joga

Tal como a escolha artística da Larian para os gráficos, tanto a trilha sonora quanto os efeitos de som acabam se enquadrando com perfeição no termo genérico.

Já que, pela própria natureza do jogo, é necessário ir e vir durante o mesmo cenário infinitas vezes para resolver missões e descobrir segredos, muitas vezes as falas dos habitantes da cidade ficam enjoativas e ouvir a vendedora de peixes gritar a mesma coisa pela trigésima vez se torna um pé no saco.

Não tem ninguém para ajudar?

A complexidade e as possibilidades de Divinity: Original Sin vem acompanhadas de um porém: o jogo, em nenhum momento, faz questão de te ensinar algo além dos comandos básicos. Os macetes, que permitem avançar rapidamente por cenários e usar a mesma lógica já utilizada previamente em outras situações, só ocorrem com o tempo.

Divinity-Original-Sin-CavernaReview: Divinity Original Sin (Foto: Reprodução/ Julianna Isabele)

Quase nenhum NPC vai explicar exatamente o local a ser visitado após um diálogo, é preciso prestar atenção no enredo e ter uma boa intuição para descobrir que a gatinha do prefeito quer um colar caro que está perdido no meio de uma dungeon.

Não ter ninguém pegando na sua mão com certeza atrasa muito o seu progresso nas horas iniciais: é preciso ter algumas manhas para roubar quadros por aí e ganhar dinheiro, tal como é necessário construir personagens que se completem, para ter um início de jogo mais suave.

Conclusão

Após passar algumas árduas horas curtindo a história frenética e cheia de detalhes de Divinity: Original Sin, o jogo acaba ficando com um gostinho ainda melhor. O jogo é pedida certa tanto para quem já passou pela fase de debulhar os cenários de Baldur’s Gate ou para quem gosta de se aventurar em RPGs construídos com paixão.


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Nota TechTudo

NOTA tt
9.0
Gráficos
9
Jogabilidade
9
Diversão
9
Som
9

Prós

  • -Muito conteúdo de jogo
  • -Diversos sistemas para usar nas batalhas
  • -Enredo consistente e divertido
  • -Batalhas empolgantes e complexas
  • -Classes variadas

Contras

  • -Estilo de arte não agrada muito
  • -Som pode ser um pouco repetitivo
  • -Difícil para iniciantes
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